30.9.04

O estanho desapaecimento dos , I

Pimeio, atibuiam a culpa a Moais Samento. Uma onda de potestos vaeu a cidade, pedindo de volta tão pecisosa leta. Mas aos poucos, a tuba foi apecebendo-se que, po muito que pelejasse, e já com o antigo Ministo moto, os "ees" não voltavam. Tinham-se ido emboa.

«Quem tem coagem de me acompanha na demanda?», ouviu-se. Um só homem espondeu, do meio da multidão.

A busca tinha começado.

Poema de: Anne Clark

I Of The Storm

Uproar!
Riotous fury
Furore
I of the storm
Asking for more
Calling for more
Making the most
Settle the score
Make it stick
Cut to the quick
Armed with fire
Implore!
Wealth is another spelling of the law
More
More
Calling for more!
Vengeful flames
Laid at your door
Burn!
Burning the silence
That´s cut to the core
Eye of the storm
Rain down!
Drown
Worn
Warn
Tearing it down!
Chain of thought
Chains of thought
Everything
Rationed and rational
Coming to naught
Down
Tear it down!

Anne Clark, The Law is an Anagram of Wealth, SPV Records 1993

Poema de Alison Statton

Salad Days

Think of salad days
they were folly and fun
They were good, they were young

Colossal Youth (Young Marble Giants)

Aviso

Os The Galarzas lamentam e esperam ter de lamentar que avisam que momentaneamente se encontram em avançado estado vegetativo mental. Apetece-lhes ver o concurso das perguntas da televisão e babar-se assistindo às telenovelas de qualquer espécie até ao fim da noite. É com grande apesar que fazem saber aos seus (nossos) que isto temporariamente, como tem sucedido em outras audiências, há-de andar como Deus / Alá / o outro sem nome (riscar o que não interessa) sabe, ou sabem.

O meu padrinho está cheio de sono e só diz asneiras; os outros andam para aí a fazer qualquer coisa; o Monsanto Guedes diz que ía a Espanha mas mandou um postal da Sicília; o contacto do SIS que faz a limpeza à porta da Torre do Tombo manda dizer que não pode ir lá e que não há poemas apócrifos para ninguém; o Cão Imbecil tem três carraças e uma linha na cabeça; até o Septeto mudou de estatística.

Pelas razões presentes declaro impaciente o protesto ainda não apresentado e que alguém vá cortar o cabelo. Acrescento natas e deixo repousar duas a três horas, com açúcar polvilhar.

Pelo ingente poder do qual estou investido a título vitalício, digo que é assim e prontos.

O Presidente do Comité Lateral,
Optimus Galarza

29.9.04

Aguaceiros húmidos

Vento de peste
sopra de leste
recebeste e deste
e dormiste a seste
acabou a feste
só sobrou um reste.

Óscar Machico, in «Portugal, com ti nem tal», Edições Gado Vacum, 2003

O mundo ao contrário

Os Xutos & Pontapés sabem-na toda. Eis «o mundo ao contrário»:

- o Santana Lopes e o Paulo Portas mandam em Portugal (há 10 anos ríamos só de imaginar tal fantasia que, de tão ridícula, parecia inconcretizável);

- o Sócrates é Secretário-geral do PS (há 10 anos imaginávamos que um candidato socialista a Primeiro Ministro seria um homem com ideias próprias, um herói do combate político, um combatente, um resistente - não um sobrevivente);

- a Ministra da Educação não sabe o que são «consequências políticas» dos atrasos da colocação de professores (há 10 anos, a falta de educação de um ministro era justa causa para a dispensa);

- o Governo só pensa em fazer dinheiro, dinheiro, dinheiro (há 10 anos achávamos que o objectivo do Estado era cuidar das pessoas e do país);

- a Polícia Judiciária acha normal que o corpo de uma criança assassinada há duas semanas ainda não tenha aparecido (há 10 anos, a polícia era o bobo da corte mas as coisas apareciam feitas, os maus apareciam presos e os corpos das vítimas apareciam);

- o Presidente da República não é de esquerda (há 10 anos estávamos convencidos que seria);

- o Bush está prestes a ser reeleito (há 10 anos nem sequer ríamos porque nem sequer imaginávamos que um alcoólico fraudulento e milionário pudesse comprar a presidência dos EUA);

- o Nick Cave vende mais discos que o Tony Carreira e o Bryan Adams (há 10 anos imaginávamos que um 37º lugar fora do Top era o mais alto que o Nick Cave subiria).

Guerra de audiências III: o prometido é comprido

Senhoras e Senhores, sem mais delongas nem demoras, eis, como prometido, algo completamente diferente, algo terrível e fatal, algo que promete mudar a forma como os três e-leitores desta beluga vêem o mundo. Eis pois... o Posto de trabalho de um Quarto - Secretária:


28.9.04

Também quero...

...uma casita numa zona nobre, de preferência com o aval do Ministério e seguindo todas as leis e regras necessárias. Como é suposto, aliás. Não vá um dia eu querer ser Ministro de qualquer coisa, como o Ambiente, e o pessoal andar para aí a vasculhar e descobrir que eu menti, defraudei e me esquivei a pagar o devido. É que este é um país sério e já houve muitos Ministros sérios que se demitiram por menos. A sério...

'Tá tudo dito, pá!

Nos Kalkitos do DN de hoje, o caríssimo JMT diz tudo:

«(...) o PS conseguiu no último mês uma visibilidade sem precedentes graças à forma aberta como lidou com a escolha do próximo secretário-geral. Estas miniprimárias vão ficar como uma referência da política portuguesa pelo nível de debate alcançado, ultrapassando em muito o mero diálogo doméstico e interpartidário. Apesar de Sócrates, o PS está de parabéns.»

A Maravilha da Ladroagem!

Boa notícia: a Stealing Orchestra tem disco novo

Bú! Bú! Ó pá, assusta-te, pá!

e nova editora

Não é roubo, é download. É diferente, a sério!.

Guerra de audiências II: promessa e-leitoral

Em breve, os The Galarzas irão revelar, em primeira e exclusiva mão, algo de completamente diferente! Em breve, aqui nesta beluga... o Posto de trabalho de um Quarto - Secretária.

Não perca. O que cumprimos, prometemos!

Contra o IVA...

...ASSINAR, ASSINAR:

Desculpe, importa-se de baixar o IVA dos discos?

Guerra de audiências

Os The Galarzas anunciam que, para subir nas audiências, apresentarão em breve uma mulher nua em práticas geronto-zoo-necrófilas.

Estão ainda a ser estudadas outras medidas. Para já, aqui fica a primeira peça da grande Promoção The Galarzas de Outono: as figuras do presépio.

Hoje, a palha:


Vénia ao mestre



O povo manda no rio

Aqui estou, doido de gaivotas, no sítio onde
O povo manda no rio, aqui estou
Com Annie nas margens do bucólico rio Almançor.
Agora conheço, sabemos o peso do trigo,
Somos, não, sou, perdão,
Não quero ser perito em almas (em ervas),
Seremos somente, não, serei mestre em cores
E venenos.
Annie, não deixes que o tempo envelheça
Sobre os teus lábios
Que encobrem o mistério mais audaz da minha vida.

É o virar do Verão,
O acrobático cair dos gladíolos.

Todos os venenos estão contados,
Menos aqui onde o povo manda no rio Almançor:
Vieram as alfaias, os punhos de terra ocra
E na terra em sangue, entre o basalto que
Não há e os pássaros, entre as charruas vedras,
O povo mudou o trajecto das águas,
E as águas, Annie, já não são corruptas:
Cheiram a corpo descalço e a mel,
Cheiram a pão.

Fernando Grade

Rima em som

Os cheiros deviam ter som
Os dias deviam ter metros
As caravanas deviam ficar a ouvir
Os cães ladrar
A semana devia ser paga em sal
O sal devia ferver em pouca água
A maresia devia curar o naufrágio
O bote devia ser brasileiro
O som devia ser sempre cheio
Tossir devia ser de bom tom
Os cheiros deviam ter som

de Eustáquio Pinho, Fragmentos Separados à Nascença, Álvaro, 1997

O coronel VIII (comportamentos tipo passe)

- Um trinta e um, foi o que você me arranjou.
- Essa agora?
- Agora? Agora e depois. Porque raio havia de chegar aqui e querer mudar assim o regime?
- Ó coronel, o senhor desculpe, mas só estou a pedir-lhe que adira ou que se renda.
- E isso é assim? Entra-me aqui às quatro da manhã, diz que o socialismo morreu, que vai implementar a modernice e quer que eu faça o quê? Nem um telefonema?
- Ó coronel, mas queria que mandasse um telegrama a avisar Vai Haver Revolução Stop Prepare-se Stop?
- E os homens?
- Tudo na parada. Tudo connosco.
- Então chame o China.
- O seu imediato?
- Sim. Ele que se mate por mim, pela minha honra, que eu não vergo. Ceia?
- Seio.

Um dia na vida de um Galarza VI

O fim do dia:


Um dia na vida de um Galarza V

A ceia de Cesto:


Um dia na vida de um Galarza IV

O jantar de X:


Um dia na vida de um Galarza III

O lanche de Quinto:


Um dia na vida de um Galarza II

O almoço de Quarto:


Um dia na vida de um Galarza I

O pequeno-almoço de Primo:


27.9.04

Poema de: Dead Kennedys

KINKY SEX MAKES THE WORLD GO 'ROUND

greetings... this is the secretary of war at the state department of the united states... we have a problem. the companies want something done about this sluggish world economic situation... profits have been running a little thin lately and we need to stimulate some growth... now we know there's an alarmingly high number of young people roaming around in your country with nothing to do but stir up trouble for the police and damage private property. it doesn't look like they'll ever get a job... it's about time we did something constructive with these people... we've got thousands of 'em here too. they're crawling all over... the companies think it's time we all sit down, have a serious get-together - and start another war... the president? he loves the idea! all those missiles streaming overhead to and from... napalm... people running down the road, skin on fire... the soviets seem up for it... the kremlin's been itching for the real thing for years. hell, afghanistan's no fun... so whadya say?... we don't even have to win this war. we just want to cut down on some of this excess population... now look. just start up a draft; draft as many of those people as you can. we'll call up every last youngster we can get our hands on, hand 'em some speed, give 'em an hour or two to learn how to use an automatic rifle and send 'em on their way... libya? el salvador? how 'bout northern ireland? or a "moderately repressive regime" in south america?... we'll just cook up a good soviet threat story in the middle east - we need that oil... we had libya all ready to go and colonel khadafy's hit squad didn't even show up. i tell ya... that man is unreliable. the kremlin had their fingers on the button just like we did for that one... now just think for a minute - we can make this war so big - so big... the more people we kill in this war, the more the economy will prosper... we can get rid of practically everybody on your dole queue if we plan this right. take every loafer on welfare right off our computer rolls... now don't worry about demonstrations - just pump up your drug supply. so many people have hooked themselves on heroin and amphetamines since we took over, it's just like vietnam. we had everybody so busy with lsd they never got too strong. kept the war functioning just fine... it's easy. we've got our college kids so interested in beer they don't even care if we start manufacturing germ bombs again. put a nuclear stockpile in their back yard, they wouldn't even know what it looked like... so how 'bout it? look - war is money. the arms manufacturers tell me unless we get our bomb factories up to full production the whole economy is going to collapse... the soviets are in the same boat. we all agree the time has come for the big one, so whadya say?!?... that's excellent. we knew you'd agree... the companies will be very pleased.

DEAD KENNEDYS , GIVE ME CONVENIENCE OR GIVE ME DEATH, 1987 - Alternative Tentacles Records

O meu Sonho .156

O meu Sonho era nunca ter merdas más.

PAF!

Partido do Animal Feroz!

Assim de repente...

...até parece que o Sr. Kerry já ganhou lá nos States. Pelo menos, segundo esta votação, esta outra votação, mais esta votação e esta sondagem.

Mas como nós não acreditamos em milagres, já estamos à espera que o Sr. Bush tire um qualquer coelho da cartola para dar a volta ao resultado. Não é que ele precise, mas como nós também não acreditamos em bruxas...

O que é preciso é animar a malta

O Diário de Notícias de hoje está cheio de piada. Ora atente-se nestes títulos:

Uma bancada demasiado Alegre;
(In)Seguro no grupo parlamentar;
Socialistas às três tabelas.

26.9.04

Falsária apanhada

A minha vizinha, a Dona Adozinda, tem uma horta onde planta couves que vende para fora, para ajudar a equilibrar a balança comercial. Mas a senhora tentou enganar os clientes, vendendo as couves por bróculos. E ía conseguindo enganar toda a gente, não se tivesse esquecido de trocar os preços ao produto. Deixou as couves ao preço das couves e as pessoas pensaram: «não pode ser, isto ao preço de couves não podem ser bróculos, são couves de certeza!»

Um país, três sistemas

Os The Galarzas apresentam, pela primeira e última vez, a solução definitiva e imediata para todos os problemas economico-financeiros do país:

«Um país, três sistemas»!

Pode parecer ao leite-or mais desatento que esta é apenas uma variação do sistema comuno-capitalista chinês, um erro bicudo, escorrido, escarrado e cuspido. Em que consistem então os três sistemas?

Sistema 1, Continente
Cada cidadão e cidadona disputa semanalmente um jogo de futebol no estádio recém-construído mais próximo da sua zona de residência. Em caso de derrota, sobe de escalão de I.R.S. e perde dois dias de subsídio de refeição. Em caso de vitória, tem direito a usufruir dum veículo topo-de-gama do governo durante cinco dias.

Sistema 2, Açores
Todas as embarcações são reconvertidas, com apoio financeiro da União Europeia, em vasos de guerra corsários, ao serviço de Sua Majestade El-Rei Dom Duarte, movidos a gás natural feito a partir das fezes de gado vacum. As pilhagens de petróleo, jantes de liga leve e bandeiras nacionais made in Taiwan deverão suprir as necessidades do país.

Sistema 3, Madeira
O uso do off-shore é disponibilizado a todos os cidadãos, mesmo aos cubanos do continente, que assim podem pôr a salvo os seus proventos sem intervenção da D.G.C.I. É no entanto obrigatório o investimento a fundo perdido de 25% dos rendimentos num dos casinos da ilha. Alberto João Jardim, ditador vitalício, oferece uma vez por mês um faustoso jantar a todos os pobres e continentais.

Soluções para Portugal

E-leitor, está descontente? Não gosta do País. Quer mudar?
Eis várias medidas a tomar. Siga os links:

Fuga aos impostos;
Fuga ao desemprego;
Fuga desesperada;
Permanencia.

O sonho de Sá Carneiro

Finalmente o PSD tem:

1 Governo
1 Maioria
1 Presidente
e ainda...
1 Líder da Oposição.

Basta juntar água e obtem-se um pântano


25.9.04

Inquérito galárzico

Ao que parece, José Sócrates está prestes a tornar-se o novo secretário-geral do Partido Socialista. Como nos tem provado ao longo dos últimos tempos, o beirão é uma figura pródiga em citações. Para assinalar a chegada de um (novo) rosto à liderança da Oposição, os THE GALARZAS sugerem um exercício simples, no qual se pretende adivinhar qual (ou quais) os autores citados por Sócrates no seu discurso de vitória:

a) Sócrates (o grego em versão platónica);
b) Ludwig Wittgenstein (pela introdução de um Tratado Lógico-Filosófico-Político na abordagem à governação Portas/Santana);
c) Josemaría Escrivá («És tão novo! - Pareces-me um barco que empreende viagem. - Esse ligeiro desvio de agora, se não o corrigires, fará com que no fim não chegues ao porto.»);
d) Gabriel Alves (o verdadeiro poeta-mito vivo);
e) Sören Kierkegaard (por um equilíbrio entre o estético e o ético na relação com Manuel Alegre, João Soares e as heranças de Ferro Rodrigues e António Guterres);
f) duas das hipóteses anteriores;
g) mais do que duas das hipóteses anteriores;
h) todas as hipóteses anteriores.

Outro dado estatístico

Segundo disse há dias o Sr. Ministro das Finanças, eu ganho 1800 euros por mês.

Aproveito para pedir ao Sr. Ministro que descubra, se puder, quem é que se anda a abotoar aos 1200 euros que me têm faltado na conta, que o(a) obrigue a ressarcir-me do que já me palmou e que lhe dê uma carga de porrada para não andar assim a dar a boca ao papel dos outros.

A propósito Sr. Ministro, o seu franguinho está bom? O meu soube-me a nada!

Dado estatístico

Eis que chegou o dia em que também eu engrosso os 6,3% da população portuguesa que no 2.º trimestre deste ano se encontravam em situação de desemprego.

Landslide

A esquerda moderada ganhou à esquerda de nambuangongo e da jamba.
A direita neo-serôdia pode ficar descansada.
O Bloco pode esperar mais uns anos.
O PCP volta a aguentar-se nas intenções de voto.
Sampaio deve estar com um nó na garganta.
Portas e seus apaniguados devem estar a celebrar.
O professor Marcelo só se ri (ele lá sabe porquê).
O Santana já suspira de alívio.
O povo não é sereno, é mortiço.

24.9.04

From Molvania with lôve

Os The Galarzas vão à Molvanîa - país perdido entre os Pirinéus e a Sibéria.

Benvenuti a Molvanîa

O objectivo do súbito périplo? Os The Galarzas já descobriram quem querem para realizar o seu primeiro vídeo-clip. Não o queremos fazer por menos e por isso queremos, nada mais, nada menos, que o homem que dirigiu essa genial, brilhante e fundamental obra-prima que é o teledisco do êxito Elektronik Supersonik, da super estrela local Zladko 'Zlad' Vladcik. Digam lá se não escolhemos bem, hein?

(Esta viagem tem o patrocínio JetLag Travel Guides - for the undiscerning traveller)

Mas afinal...

...quem é Cunha Simões? E o que sabe ele sobre vinhos medicinais?

O copo de Cristo...

A Linha é de Ferro 16ª

Dona Dália gostava de pôr pudim ou frutas aos meninos, de sobremesa. Dona Dália gostava de ter tido o marido que teve, o Joaquim Rocha, que tinha as mãos como o sobrenome por causa dos empregos que tinha tido na vida, todos a puxar pelo cabedal.

Ria-se por tudo e por nada. Só não conseguia ver nenhum dos miúdos a estatelar-se no chão da Escola que se afligia como se fosse a sua própria carne a rasgar-se no chão ou a cortar-se nos espigões do arame farpado, se acontecia que algum saltava a rede com varões de ferro, por qualquer motivo. Não se importava com os gritos e os solavancos da molhada, chateava-se mais a limpar os quadros com panos molhados todos os dias, por causa do pó de giz.

Agora que já estava a ficar mais velha tinha-lhe dado para começar a fumar. E deixava-se cair todas as tardes para uma cadeira numa sala que era só dela, a olhar para os jogos e os namoros do recreio, a tirar largas baforadas e a treinar círculos de fumo com a boca.

Às vezes dormitava e sonhava que uma fileira de porcos invadia a Escola uma noite e tomavam conta dos programas, das coisas importantes que se ensinavam às crianças, e trocavam tudo pelas coisas que eles quisessem e punham fitas azuis e amarelas por todo o lado para celebrar os aniversários. Depois também lhe vinha à cabeça que ela mesma podia trocar os canos da água e, quando os senhores professores se fossem a lavar, havia de sair água fria pela torneira da quente e quente pela torneira da água fria, numa linha muito fina.

Então, isso já 'tá?

Então como é? Estamos ansiosos para saber se esta esquerda afinal é uma esquerda moderada de ideias feitas, uma esquerda poética de versos rimados ou uma esquerda afilhada de braço ao peito...

Santana quer substituir Kofi Annan na ONU

ÚLTIMA HORA



Os THE GALARZAS apuraram em rigorosa primeira mão que, depois do Sporting Clube de Portugal, da Figueira da Foz, de Lisboa e do Governo português, Pedro Santana Lopes ambiciona agora o cargo de Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas. Na altura em que assumiu a sua candidatura ao cargo ainda ocupado por Kofi Annan, o homem que costumava negociar árbitros em Canal Caveira terá afirmado ao seu fiel escudeiro e assessor de todos os dias, Rui Calafate: «Se o Durão é Presidente da Comissão Europeia, o que faço eu ainda em Portugal?»

Também de fonte segura, os THE GALARZAS sabem que o antigo concubino de Cinha Jardim pretende abandonar o seu actual posto de Primeiro-Ministro na noite do próximo dia 24 de Dezembro, oferecendo assim uma prenda de Natal a todos os portugueses. Para o seu lugar irá, algo surpreendentemente, o próprio Rui Calafate - caso este recuse, a alternativa seguinte será mesmo Luís Nobre Guedes, permanecendo Paulo Portas com a pasta da Defesa, Assuntos do Mar e Manipulação de Marionetas.

Caso não consiga o cargo de Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas, Santana Lopes confessou ainda a Calafate que «já me sentia satisfeito se me dessem o Nobel da Paz». Desta forma, o antigo Secretário de Estado da Cultura que subsidiou a actriz brasileira Christiane Torloni por via de um processo "nebuloso" poderia manter o seu actual posto em São Bento, bem como a vasta frota automóvel já adquirida desde a sua tomada de posse.

23.9.04

Coisas óbvias

O grande drama dos selenitas iluminados é que estão sempre pr'áqui virados.

I'm ready for my close up, Mr. Meyer

Russ Meyer, 1922-2004

Só agora chegou a notícia, mas caiu como uma virgem loura no meio de um gang de motoqueiras: morreu Russ Meyer, o realizador de clássicos mamalhudos como Faster Pussycat, Kill! Kill! ou Beyond The Valley Of The Dolls. Já foi no sábado que rodou a ficha técnica, mas aqui fica, hoje, mais este retrato para a Galeria Galarza, com um saravá tamanho 44, copa D.

Só para lembrar...

...que ainda estamos em jogo.

Athens 2004 Paralympic Games

Parabéns e um Pastel

CF Os Belenenses: 85 Anos

«Somos todos de Belém, porque havemos de jogar pelos "outros"?»
(Artur José Pereira, fundador do Clube de Futebol 'Os Belenenses', 1919)

Bons dias


Como se ele soubesse o significado da palavra ELEIÇÕES

LUSA: «Para que a democracia possa vingar no Iraque e para que o país mantenha a sua unidade, é indispensável que o seu povo se pronuncie, através de eleições, sobre o modo como deseja ser governado», disse ontem Pedro Santana Lopes na sua primeira intervenção na Assembleia-Geral da ONU, na sede da organização, em Nova Iorque.

Mas quem raio pensa este gajo que é para vir falar em eleições na terra dos outros? Até parece que alguém o elegeu a ele (excepto meia dúzia de gatos pingados do partido dele que não tinham nada melhor para fazer nesse dia). Tenha juízo, homem, e olhe para o seu quintal e o respectivo telhado de vidro!

Fado desamor



Empedernido
Sabes o sentido
Do que queres dizer
Estás combalido
E um pouco roído
Por essa mulher
De antanho
Recordas
A faca, o gume,
A fatalidade
Que ser escravo
Desta Lisboa
A quem chamas cidade

Num malmequer
Rosa encarnada
E até na ciranda
Anda de banda
Em tom menor
A voz de criança
Alumia às vezes
Estas paredes
Tua candeia
Mas essa mulher
De nome Lisboa
Não te sai da ideia

Tentas esquecer
Num trago de vinho
Afogas maldade
Trincas os dedos
Por entre os dentes
Suspiras saudade
Se é de vingança
A tua lembrança
Do que queres fazer
Lança-lhe um beijo
Segreda-lhe o Tejo
Ao anoitecer

de Eustáquio Pinho, Beco da Mó, Lisboa, 1978

O Teste

Ora, vamos lá ver como anda o conhecimento geral da nação. Escolha uma:

1. O Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, o gajo que cobra ao povo chama-se?

A) Orlando Caliço
B) Ramalho Bendito
C) Santos Augusto

2. O Secretário de Estado da Administração Local, que manda nos lóbis locais é o:

A) Abílio Matos
B) José Cesário
C) Rui Gomes Martins

3. Rosário Águas é:

A) Secretária de Estado Adjunta do Ministro da Segurança Social, da Família e da Criança
B) Uma sobrinha do grande Águas do Benfica
C) Secretária de Estado da Ciência e Inovação

4. As candidaturas para Presidente da República são propostas por um mínimo de:

A) 10 000 assinaturas
B) 7 500 assinaturas
C) 1000 assinaturas, desde que apoiadas por um partido

5. Pedro Santana Lopes prometeu alguma vez construir casas em Lisboa?

A) Sim, para benfiquistas e sportinguistas
B) Nunca
C) Sim, 20 mil e no centro da cidade

6. Como pode Jorge Sampaio demitir-se da Presidência?

A) Por carta, enviada ao Tribunal Constitucional
B) Anunciando publicamente a sua decisão em comunicado ao país
C) Através de uma mensagem à Assembleia da República

7. No que toca ao emprego, o Estado:

A) Deve intervir sempre que o desemprego aumente em demasia
B) Deve executar políticas de pleno emprego
C) Só é obrigado a pagar um subsídio à malta

8. António Oliveira Alves é conhecido:

A) Pela sua paixão pelas andas
B) Por ter sido o primeiro a discursar no Parlamento, na 1ª República
C) Pela "alcunha" Alves Redol

9. Quem escreveu "Antes de sermos fomos uma sombra"

A) David Mourão Ferreira
B) Fernando Pessoa
C) Alberto Pimenta

10. Na verdade, qual destes tinha bigode?

A) Ezequiel Canário
B) Gadanha Antunes
C) Luís Filipe Pereira

Copie o tracejado abaixo para um ficheiro de texto. Converta em Arial ou Times. São as respostas.
ababccbaaa

Pon Tu Acção

De 1 a 3
Obrigado pela visita, senhor primeiro-ministro. É uma honra tê-lo aqui na beluga.

De 4 a 7
Sim, a 10 era muito fácil e as outras estão quase todas na net. Mas lá no fundo, no fundo, quem era a vocalista da Banda do Casaco?

De 8 a 10
Um comprimido Ixel por dia e um Sedoxil de 12 em 12 horas. Senão você estoira, pá!

Seis ideias para acabar com o mau humor

1. Faça tudo à mão. O governo dá o exemplo.
2. Empate. O campeão nacional anda a dar o exemplo.
3. Não ligue. O Presidente da República dá o exemplo.
4. Finja que não é consigo. Sócrates dá o exemplo.
5. Fale pouco. Santana dá o exemplo.
6. Culpe os outros. Bagão dá o exemplo.

22.9.04

Ouvido na rádio

«Não é por causa do Dia Sem Carros que aqueles 100 metros da Rua Rosa Araújo estão cortados ao trânsito... É por causa das obras, que vão durar mais 15 dias!»

(morador na Rua Rosa Araújo)

Olha o carro!

Ó mãe, olha o carro... Olha outro carro! E mais um carro. E outro. Olha outro carro, E mais um, e dois, e três, e quatro, e cinco, e seis, e sete, e oito... Olha mãe, outro carro...

Sem carros

Hoje é o Dia Sem Carros ou o Dia Dos Cem Carros? Ou o Dia Sem Carraças? E para quando um Dia Sem Parvos?

Que dia é hoje?

Sugestões ao Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, para, com bonitos e significativos gestos, manter a boa imagem de uma cidade dinâmica, jovem, civilizada e europeia, promovendo dias dedicados a causas nobres e que caem sempe no goto do indígena, tanto como ao turista que vem trazer a divisazinha:

- Dia da Cidade Sem Rídiculo (é preciso não cortar uma rua e dizer que não tem carros);
- Dia da Cidade Livre de Armas Nucleares (esta é roubada ao saudoso Severiano Falcão, mas fica bem na mesma porque é uma coisa que todos desejamos);
- Dia da Cidade Livre de Tropas Estrangeiras (consultar a agenda da OTAN, não vá haver um exercício no Tejo a estragar tudo);
- Dia da Cidade Sem Catástrofes Naturais (era preciso ter um azar do caraças, que houvesse uma logo no dia marcado para não haver, mas as hipóteses favorecem-no largamente);
- Dia da Cidade Sem Passagens de Nível Sem Guarda (são só três linhas e já estão praticamente seguras);
- Dia da Cidade Com Passeios Pedonais (anuncia-se sempre que houver greve dos motoristas da Carris).

Ó meu Deus!

Ele está de volta...

Aqui por trás esconde-se o talento de Nuno Cláudio

O estranho caso do Fernandes

Diz o Público: Lore Min Ex Et...

Audição

De cada vez que os deuses ficam moucos cai-me um dente, abre-se uma nova adega, funda-se uma colónia balnear, corta-se uma corda, faz-se um furo num telhado, um hospital recebe alta, um urso pardo abre uma lata de querosene inadvertidamente, um sacerdote torna-se ex-voto, uma mulher gorda calça um sapato diferente do outro, desvia-se um curso natural para a passagem dos dignitários, uma frontaria muda de ramo, limpam-se ardores com panos e desaparece misteriosamente a chave de uma cidade.

À mão

Os professores vão ser colocados à mão. Nos The Galarzas achamos que é uma solução escolhida a dedo.

Poema de Nick Cave

BREATHLESS

It’s up in the morning and on the downs
Little white clouds like gambolling lambs
And I am breathless over you
And the red-breasted robin beats his wings
His throat it trembles when he sings
For he is helpless before you
The happy hooded bluebells bow
And bend their heads all a-down
Heavied by the early morning dew
At the whispering stream, at the bubbling brook
The fishes leap up to take a look
For they are breathless over you

Still your hands
And still your heart
For still your face comes shining through
And all the morning glows anew
Still your mind
Still your soul
For still, the fire of love is true
And I am breathless without you

The wind circles among the trees
And it bangs about the new-made leaves
For it is breathless without you
The fox chases the rabbit round
The rabbit hides beneath the ground
For he is defenceless without you
The sky of daytime dies away
And all earthly things they stop to play
For we are all breathless without you
I listen to my juddering bones
The blood in my veins and the wind in my lungs
And I am breathless without you

Still your hands
And still your heart
For still your face comes shining through
And all the morning glows anew
Still your soul
Still your mind
Still, the fire of love is true
And I am breathless without you

(um cálice de sangue numa mão, uma flauta de pan na outra e mais um emocionado saravá - são hoje 47 mas valem por muitas, as vidas do senhor Cave)

21.9.04

Poema de Leonard Cohen

A SINGER MUST DIE

Now the courtroom is quiet, but who will confess.
Is it true you betrayed us? The answer is Yes.
Then read me the list of the crimes that are mine,
I will ask for the mercy that you love to decline.
And all the ladies go moist, and the judge has no choice,
a singer must die for the lie in his voice.

And I thank you, I thank you for doing your duty,
you keepers of truth, you guardians of beauty.
Your vision is right, my vision is wrong,
I'm sorry for smudging the air with my song.

Oh, the night it is thick, my defences are hid
in the clothes of a woman I would like to forgive,
in the rings of her silk, in the hinge of her thighs,
where I have to go begging in beauty's disguise.
Oh goodnight, goodnight, my night after night,
my night after night, after night, after night, after night, after night.

I am so afraid that I listen to you,
your sun glassed protectors they do that to you.
It's their ways to detain, their ways to disgrace,
their knee in your balls and their fist in your face.
Yes and long live the state by whoever it's made,
sir, I didn't see nothing, I was just getting home late.

(um copo na mão de um braço estendido e um emocionado saravá: 70 vezes sete vidas ao senhor Cohen)

Receita para PAB (publicidade à borla)

Pegue num livro chamado «As mulheres não gostam de foder», de um autor Rabo, Alvarez Rabo, e ponha na montra duma livraria. Reserve.

Junte dois polícias zelosos, protectores da moral e dos bons costumes públicos. Retire da montra. Dê a provar a um dos agentes e aguarde a chegada da comunicação social.

É uma especialidade de Viseu, mas encontram-se saborosas variações noutras zonas do país.

Os The Galarzas revelam-se

Ao longo deste primeiro e último ano de vida, os The Galarzas têm sido vilipendiados com a questão fulcral da sua existência - «mas quem são, afinal, os The Galarzas?». Há exactamente um ano atrás (ou não?), os The Galarzas afiançaram que, «daqui a um ano, se ainda cá andarmos, contamos a verdade».

Pois passado um ano, mantendo-se os pedidos e confirmando-se as piores previsões (afinal, ainda cá andamos), sentimo-nos obrigados na nossa honra a cumprir a efeméride e a revelar, mau grado, a nossa identidade secreta. Preparem-se pois, estes são os The Galarzas:

The Galarzas

Da Esq. para a Dir.: ex-Terceiro, Cesto, Septeto, Quarto, Primo, Mestre Til Krassman, Octávio, Quinto e X Galarzas

A solução para os professores


Este programa funciona!



Os The Galarzas anunciam que a Santa Casa está a auxiliar o Ministério da Educação a colocar os professores. O novo programa está já em marcha e, em cima, mostramos os primeiros resultados, em exclusivo, para a colocação de docentes nas escolas Serpa Pinto e Monteiro Barros.

Pingue Pongue

Aqui no estaleiro andam a jogar pingue-pongue. Só que a bola sou eu...

Hipótese

Se não faltar a luz, talvez continuem a cair postas por estes lados...

20.9.04

Será que...

...se deve ceder o lugar no autocarro a um tigre de Bengala?
...um bordel cubano é uma casa de passe social?

«Samacaio, Samacaio deu à costa.
Samacaio, Samacaio deu à costa.
Ai Samacaio, Samacaio deu à costa...»
Pronto, cá estou eu de volta, depois de uns diazinhos por Barcelona, Barcelonetta e afins. E que bom que é chegar e receber de braços abertos os blues do senhor Nicolau...

Eu é que Show Nico!

A má notícia são duas: na oficina, tudo na mesma - sem computador, a mesma confusão, a mesma mierda, coño; nesta beluga, como vejo, é a balbúrdia que reina - há que, urgentemente e sem falta, marcar uma reunião de condóminos, para que tudo volte à anormalidade do costume, pôrra!

Aviso à navegação

É um facto! Esta taberna anda sem estilo. E porquê, perguntam e com razão os clientes deste serviço lúdico? Simplesmente, porque o editor desta coisa desapareceu da companhia dos seus iguais sem dar cavaco a ninguém. Consta que anda perdido algures por uma região mais rica deste país chamado Ibéria. A quem o encontrar, pede-se o favor de o recambiar imediatamente à precedência, antes que ele faça mais estragos. Afirma-se ainda que o referido indivíduo deve ser considerado perigoso.

Dúvida

Será que o Quinto anda à procura do fantasma do Freddie Mercury ou pirou de vez depois da lavagem cerebral que lhe fizeram lá para o Minho aquando do Festival da Ilha do Ermal?

Dão-se alvíssaras a quem o encontrar (mas não pagamos nada).

Setôr

Professor, ninguém te quer
Foste colocado à margem
Do ensino e deste sistema
Sem resposta ou bagagem.

Por que queres tu ensinar
Se ninguém quer aprender,
A falta de cultura é um dom
Ao subir a escada do poder.

E é por isso que mais vale
Não te preocupares mais
É melhor ter um governo
De ignorantes tios de Cascais.

Godofredo Freire, Lousada, Setembro 2004

Eu sou candidato

Venho por este meio anunciar a minha candidatura à reforma do Mira Amaral (paga pela Caixa Geral de Depósitos, ou seja, o ESTADO PORTUGUÊS), que é como dizer a muita pasta por coisa nenhuma.

Obrigado pelo apoio que me possam prestar nesta demanda. Sei que a concorrência é forte, mas espero ganhar. Como devem calcular, não prometo o que quer que seja, portanto façam de conta que anuncio aumentos de 10% na função pública e colocação de professores em todas as escolas deste país.

(in)Conclusão

Depois de muito porfiar, cheguei à conclusão que não vale a pena concluir o que quer que seja.

19.9.04

Poema de: Tuxedomoon

In a Manner of Speaking

In a Manner of speaking
I just want to say
That I could never forget the way
You told me everything
By saying nothing

In a manner of speaking
I don't understand
How love in silence becomes reprimand
But the way that i feel about you
Is beyond words

O give me the words
Give me the words
That tell me nothing
O give me the words
Give me the words
That tell me everything

In a manner of speaking
Semantics won't do
In this life that we live we live we only make do
And the way that we feel
Might have to be sacrified

So in a manner of speaking
I just want to say
That just like you I should find a way
To tell you everything
By saying nothing.

O give me the words
Give me the words
That tell me nothing
O give me the words
Give me the words
Give me the words

Tuxedomoon, Holy Wars, Cramboy 1985

Hip! Hip! Perdão!

Alguém

Quando as pessoas começam a procurar palitinhos no armário da casa de banho, é um sinal grave, e alguém devia fazer alguma coisa. Huuuum! Bolachinhas... cobertas de chocolate... plástico vermelho. O que é o sexo quântico? Se dá para contar é pouco. Se dá para contar é ordinário. Se dá para contar é igual ao os outros. Se dá para contar, não dá para ter. Se alguém se meter deixa ir. As pessoas com acesso deviam ir todas.

Manga Cavada .1

Quando chegar a madrugada, Zatakochi Fumigazi mudará de nome.
Está indeciso entre Gabriel e Marinho, e espera que os primeiros raios de sol o ajudem a escolher. Sabe que esse é apenas o primeiro passo. Outras mudanças se seguirão. Os olhos em bico. O cabelo escorrido. O apelido. O kimono laranja e preto. O carrapito que derrama uma sombra insólita na planície. Precisamente às 6:07, Zatakochi estremece, ofuscado pela luz. Abre os olhos devagar, e sabe que agora se chama Marinho, Marinho Salgado.
«Primeiro, há que largar o kimono».

18.9.04

Não há posta

Com uma grandiosa delegação dos the Galarzas , à qual se juntou também a Cibertúlia, on tour pelas ruas e estabelecimentos culturais da cidade Invicta; com uma outra parte substâncial da irmandade azorrago-músico-poética desaparecida, ou em parte incerta... esta espelunca ficou hoje entregue aos descuidos de um gajo completamente desiquilibrado, preguiçoso, cheio de maleitas, danado da vida, puta que pariu, raios partam, 'tá calor, sem vontade nenhuma de trabalhar.

Por este, e só por este mesmo motivo, esta coisada não foi actualizada nas últimas onze horas. Nem será tão cedo, porque a ditadura chegou à casa dos The Galarzas. O Comité Lateral anda em campanha pelo Oeste e não há ninguém por perto para me dizer que estou a escrever asneiras. Até posso inventar umas mentiras que sejam pouco verdadeiras. Ninguém. Nada.

Não vou fazer nenhuma posta e a clientela desta casa vai ficar puta da vida, lixada, enganada, vilipendiada, com gosto de cortiça seca na boca. Eu é que mando aqui e digo que não há posta para ninguém. Vão ler um livro, vão dormir, que o fim-de-semana é para descansar!

Vou beber mais um copinho, que o vinho é para entornar. Ditadura! Ditadura! DITADURA! A ditadura do escriturário comanada o Blogue! Viva a luta potestiva do gajo sozinho à solta na loja a comer bolinhos de chocolate, aos gritos e a fumar cigarros de mentol. Isto é meu!

Vou convidar-te para almoçar! AH!AH!AH!AH!AH!AH!AH!AH! Lixo! Lixo! Lama!

Boa sorte


aos paralímpicos portugueses.

X. MAR PORTUGUÊS

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São do Bloco Central!
Por te chuparmos, quantas mães choraram,
Quantos contribuintes, em vão, pagaram!

Quantos off-shores ficaram por acabar
Para que fosses nosso, ó mar!
Para o Dias Loureiro? Tudo vale a pena
Se a conta não é pequena.

Quem quere passar da vida fria
Tem que passar além da maçonaria.
Soares ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas Cavaco nele é que espelhou o seu.

17.9.04

Poema de: Ian MacCulloch *

Stars Are Stars

The sky seems full
When you're in the cradle
The rain will fall
And wash your dreams

Stars are stars
And they shine so hard

Now you spit out the sky
Because it's empty and hollow
All your dreams
Are hanging out to dry

Stars are stars
And they shine so cold

I saw you climb
Shadows on the trees
We lost some time
After things that never matter
I caught that falling star
It cut my hands to pieces

Where did I put that box
That had my name in it
I saw you climb
Shadows on the trees
We lost some time
After things that never matter

Cards are played
And the clock's real heavy
Say you're numb
Make another day

You came here late
You've gone home early
Who'll remember now
You've gone away
Gone away
Gone away

Echo and the Bunnymen, Crocodiles, Korova, 1980

* Reposição do mesmo do dia 09/09/04. Chamem-lhe batota ou preguiça, a verdade é que o simbolismo das estrelas hoje deu-nos uma grande facada no espírito, e tem estado, espirituosamente, conosco desde manhã cedo. Não nos larga! Obrigados pela estupefacção e a impaciência.

Poema de: John Keats

Bright star!
Written on a blank, page in Shakespeare's Poems,
facing «A Lover's Complaint»

Bright star! would I were steadfast as thou art -
Not in lone splendour hung aloft the night
And watching, with eternal lids apart,
Like nature's patient sleepless Eremite,
The moving waters at their priestlike cask
Of pure ablution round earth's human shores,
Or gazing on the new soft-fallen mask
Of snow upon the mountains and the moors -
No - yet still steadfast, still unchangeable,
Pillow'd upon my fair love's ripening breast,
To feel for ever its soft fall and swell,
Awake for ever in a sweet unrest,
Still, still to hear her tender-taken breath,
And so live ever - or else swoon to death.

Estrelas à esquerda


(bandeira da
República Popular da China )

São estrelas, senhor!


Poema de: José Afonso

Canção de Embalar

Dorme meu menino a estrela d'alva
Já a procurei e não a vi
Se ela não vier de madrugada
Outra que eu souber será p'ra ti

Outra que eu souber na noite escura
Sobre o teu sorriso de encantar
Ouvirás cantando nas alturas
Trovas e cantigas de embalar

Trovas e cantigas muito belas
Afina a garganta meu cantor
Quando a luz se apaga nas janelas
Perde a estrela d'alva o seu fulgor

Perde a estrela d'alva pequenina
Se outra não vier para a render
Dorme que inda a noite é uma menina
Deixa-a vir também adormecer.

Estrelas

Informação sucinta mas cuidada no Portal das Curiosidades. Os The Galarzas só lêem daqui.

Segundo os dicionários, Estrela é um astro que tem luz e calor próprio e que apresenta um brilho cintilante; nome comum dos astros luminosos que mantêm praticamente as mesmas posições relativas na esfera celeste, e que, observados a olho nu, apresentam cintilação. (...)

estrela - s.f. ASTRONOMIA astro aparentemente fixo que tem luz própria; figura radiada que sugere uma estrela; mancha branca na testa dos cavalos ou de outros animais; asterisco; papagaio (brinquedo); sinal classificativo de hotéis, pensões, restaurantes, etc.; [fig.] sorte; guia; pessoa que se torna notável no cinema, teatro, etc.; ASTRONOMIA ~ anã estrela que, segundo o astrónomo dinamarquês Ejnar hertzsprung, se encontra em fase de extinção e, por isso, tem brilho muito fraco; ~ binária termo utilizado para designar um par de estrelas suficientemente próximas uma da outra para existir uma ligação de atracção mútua que as obriga a descrever uma órbita em torno do centro de gravidade comum; ~ de alva o planeta Vénus; FÍSICA ~ nuclear registo observado numa emulsão fotográfica, quando um núcleo se desintegra após uma colisão com um protão ou um neutrão de muito alta energia; Estrela Polar designação dada à estrela que está mais próxima do Pólo Norte e que é uma estrela de 2ª grandeza da Ursa Menor; levar às ~s, pôr nas ~s elogiar muito, ter em elevado apreço; ver ~s ter uma dor muito violenta (Do lat. Stella-, "astro")

Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora, 8º Edição

16.9.04

XPto

Poema de: Idálio Juvino

Melancólico, embriagado com o cheiro da terra,
entregue à solidão dos castanheiros;
Cada sombra me devolve ao cinzento plúmbeo
do exílio auto-imposto e ao acto irracional
que o exigiu categóricamente.

O folhedo rasando o chão, inocente
de todas as causas, acusa-me, solene,
da culpa de uma inércia funda e seca,
para a qual eu me terei talhado
a escopro e cinzel;
E eu respondo categórico, que o choro
resinoso das árvores é o meu alimento
e a minha escola de solidão e displicência.

O murmúrio da nortada diz-me
que fui eu que me tornei naquilo
em que me tornei;
E eu digo-lhe já indisposto,
que tenho vivido sempre
a murmurar em todas as direcções.

O ermo rochoso grita-me bem alto
que tenho andado muito pelos ermos;
E eu digo-lhe baixinho que,
não tenho visto pelas ermidas
nada mais fiável
que as reprimendas dolorosas dos rochedos.

Idálio Juvino, Marvão, Setembro 2004

Horóscopo para o Início do Outono

Perú
Lamba as botas ao seu patrão ou chefe, ou a qualquer superior hierárquico. Não se coíba de fazer notar com alarde as qualidades de qualquer um que possa trazer-lhe vantagem financeira ou social.

Espargo
Você é o amparo da sua família, mas quer fugir e recomeçar noutro lugar sem os constrangimentos de ter que suportar o grupo familiar. Vá-se embora, não olhe para trás. Compre artesanato.

Avestruz
A areia neste momento começa a ficar progressivamente húmida e depois molhada. Aproveite para lavar a cabeça. Esteja sempre em contacto com o mundo natural.

Canivete
O seu fio está por uma linha. Há na sua frente uma pedra angular que vem do seu ascendente, mas que só poderá ser usada em caso de força maior. Faça desportos de elite.

Anzol
A Lua em trânsito provoca engarrafamento no seu coração e a alegria de todos ao seu redor. Não lhes faça a vontade, não saia de casa, espere pelo final do ciclo e vingue-se assim que puder.

Brita
Farte-se da sua forma de ser. À passagem de mais um ciclo lunar você devia, finalmente, poisar o saco e deixar-se dormir se lhe apetece mais que outra coisa qualquer. Fragmentado, o signo Brita tem tendências.

Mitra Papal
Os nativos de Mitra Papal sentem-se invadidos por uma fase retórica que há-de ser despojada e verdadeira. O cheiro da comida caseira podia ser menos lacrimogénio.

Sola de Sapato
Deve alimentar-se só de galinhas criadas no campo sem o uso de rações industriais. A afinação do seu motor depende de uma substância espremida de uma síntese metafórica. O seu cheiro é importante e varia poucas vezes.

Canguru
Momento de grande perícia e ousadia. Force aquela situação sem se preocupar com as consequências. Também pode adiar para as calendas que dá no mesmo.

Multa
Rabanetes. Não há nada de bom para lhe anunciar, nem sequer temos algum conselho para si. Não há volta a dar. Celgas. Agriões. Tempo para tratar das forragens.

Tinta Branca
Os bordados da Mongólia vão deixá-lo preso durante este período a uma realidade que ainda não conhecia. Tome medicamentos e coma bem.

Limão
Escolha bem o seu lugar. Lembre-se que dos fracos não reza a História. Fique sempre atrás do mais forte e não se torne demasiado fiel. O rumo dos acontecimentos pode mudar a qualquer momento e podem ser necessários ajustes. Se for preciso mude de campo e de fidelidades.

15.9.04

Poema de: Manuel Maria Barbosa du Bocage


Setúbal 15/09/1765 -
- Lisboa 21/12/1805

Sobejamente conhecida a nossa admiração pela obra do poeta mas também pela personagem desassombrada e irreverente, cá fica picado o ponto da efeméride com mais um "poema de:", que por acaso são dois.

AO PADRE JOAQUIM FRANCO DE ARAÚJO FREIRE BARBOSA
vigário da igreja de Almoster

Conhecem um vigário de chorina,
De insulsa frase, de ralé maruja?
Sapo imundo, que bebe, ou que babuja
No que deita por fora a cabalina?

Este é um tal Franco, um tal sovina,
Que orelhas mil e mil com trovas suja,
Digno rival do mocho, e da coruja
Quando a voz desenfreia, a banza afina:

Faz versos em francês, francês antigo
Em gíria de Veneza, e finalmente
Em corrupto espanhol; leve o castigo:

Ele diz que são bons, e os mais que mente;
Põe mãos à obra, faze o que te digo,
Chicoteia esse bruto, e crê na gente.


AO MESMO

O mundo a porfiar e o Franco é tolo,
O Franco a porfiar que o mundo mente!
Irra! o padre vigário é insolente,
Raspem-lhe as mãos, e ferva-lhe o carolo:

Da brilhante razão jamais o rolo
Lhe entrou no casco, lhe raiou na mente;
Mas como a natureza é providente,
Com a bazófia supre-lhe o miolo:

Ora, vão trovador do "Herói do Egipto",
Tu não ouves, não vês o que se passa
Acerca dos papéis, que tens escrito?

A cópia de "Gessner" deu-se de graça;
"Psique" jaz de capela e de palmito;
"Sesóstris" infeliz morreu de traça.

Quero:

- Um governo que não seja PSD, PS, PCP, PP ou BE;
- O fim do tempo de antena da Cinha Jardim e da família passada, presente e futura (Santana Lopes incluído), da Lili Caneças e do Zé Castelo Branco;
- Um emprego compatível com o meu estatuto;
- O Sporting campeão já esta época;
- Ganhar o totoloto com um bilhete encontrado na rua;
- Dois casinos em cada rua deste nosso Portugal;
- E, já agora e se não for pedir muito, o fim da guerra e da fome no Mundo, que é para não dizerem que não sou politicamente correcto.

Alguém sabe?

... onde pára o governo deste país?
... o nome do único premiado (com pena de prisão) no concurso Casa Pia?
... o destino do cérebro do Nobre Guedes?
... o dia em que o Benfica decidirá pagar as dívidas à Segurança Social e ao Fisco?
... se Lisboa voltará a ter o Marquês de Pombal transitável?
... quando é que o Sócrates deixa de ser insuportavelmente pretencioso e resolve ter uma ideia própria?
... a verdade sobre o Terceiro Segredo de Fátima?

Poema de Godofredo Freire (em forma de canção de amigo)

(É FAVOR RESPEITAR OS ESTILOS INDICADOS NO INÍCIO DE CADA ESTROFE)

(declamado à João Villaret)
Santana,
Foste vaiado,
Porquê?
Pelo Estado

(disco sound, Studio 54, Agosto de 1976)
...em que pões este país,
Pelos buracos de Lisboa
E pelo barco que abandonas
Às portas, totalmente à toa.

(Festival RTP da Canção pré-1971)
O que tu gostas é de aparecer
E quem decide é o Paulinho
Há muito devias ter aprendido
Não o podes deixar sozinho

(em estilo canção de intervenção em pleno PREC)
...a mandar nesse teu governo
Como quem passeia nas feiras
Rodeado de amigos, afilhados,
Compadres e muitas asneiras.

(como o Fernando Tordo no Tourada, em 1973)
Mas são apenas abortos
De linguagem, asneiras,
Então, apaguem os fogos,
Abram enfim as torneiras!

(em ritmo de samba)
Mas deixem passar a música,
Os carros novos, as santanetes,
Os cartazes, a festa, o ambiente
E a Galp do escudeiro Nobre Guedes.

Até já

Barcelona
La la la la, la la la la
Barcelooona
Laaa la la la laa
La la la la, la la la la, la la la la laaa laa-aaaa

Barcelona
La la la la la laa
Barcelooooona
La laaa, la la la laaa
La la la la, la la la la laaa laa-aaaa-aa



14.9.04

Oração

Ó meu Deus
Deus meu
Me livre e guarde
De tanto disparate.

Há...

...uma esplanada na estrada de Chelas.

Ouvido na rua

«O que a gente precisa é de luxo, 'mor!»

Vinte e cinco tostões

Hoje vou produzir mais. Vou ficar no emprego mais meia hora que ontem, cometer os mesmos erros que me mandaram fazer ontem por mais meia hora. Vai ser bom para o país, para mim e para os outros cidadãos, porque vou perder tempo a fazer porcaria que não interessa a ninguém mais meia hora e isso é que é trabalhar, porque isto não vai lá com greve, isto só vai é com mais trabalho, nem que para isso seja preciso a malta não se importar em receber menos, trabalhar mais na máquina que foi comprada a um sul-africano que a ia deitar fora em 1982. A máquina ainda está boa, só pára 24 vezes por dia e é só preciso desentalar os tabuleiros, não leva nem 15 minutos a reparar.

A minha meia hora de hoje vai ser muito boa, porque o meu chefe também vai ficar mais meia hora a olhar para o palácio sem saber para que lado se virar, porque ninguém lhe disse exactamente como é que é possível fazer aquilo que lhe mandaram a ele fazer. É que o meu chefe nunca diz que não ao trabalho mas depois, quando chega ao rés-do-chão, é que se lembra de se perguntar se é ou não exequível o trabalhinho que o mandaram fazer. E então vem perguntar e eu respondo que sim, basta fazer um investimento de alguns milhares de contos e arranjar uns tipos que tenham ido à escola profissional e de preferência que desta vez venha um que ainda não tenha a cabeça cheia de drunfos.

A propósito, porque que me vem perguntar a mim, se eu sou o funcionário menos qualificado? O que é que eu tenho a ver com a merda do trabalho? Isto é meu, não? Quer saber como é que se faz? Pergunte ao seu chefe, que é para isso que ele cá está. Quem, eu? Não! 120 contos por mês não me dão o direito a ter opinião, mesmo que eu saiba mais desta merda que os dótores todos juntos. Encomendem a uma empresa e deixem-me mas é ficar aqui a fingir que faço a minha produçãozinha, porque isto se não há dinheiro também não há palhaços para ninguém.

O rapaz do Cuba mágico

Ojalá



Ojalá que las hojas no te toque el cuerpo cuando caigan
Para que no las puedas convertir en cristal.
Ojalá que la lluvia deje de ser milagro que baja por tu cuerpo.
Ojalá que la luna pueda salir sin ti.
Ojalá que la tierra no te bese los pasos.

Ojalá se te acabé la mirada constante,
La palabra precisa, la sonrisa perfecta.
Ojalá pase algo que te borre de pronto:
Una luz cegadora,
Un disparo de nieve,
Ojalá por lo menos que me lleve la muerte,
Para no verte tanto,
Para no verte siempre
En todos los segundos,
En todas las visiones:
Ojalá que no pueda tocarte ni en canciones.

Ojalá que la aurora no dé gritos que caigan en mi espalda.
Ojalá que tu nombre se le olvide a esa voz.
Ojalá las paredes no retengan tu ruido de camino cansado.
Ojalá que el deseo se vaya tras de ti,
a tu viejo gobierno de difuntos y flores.

de Silvio Rodríguez,

em quem tropeço por acaso, trazido à memória
num site de passagem, música e poema que são
oferenda aos que se apaixonam e, com isso, se perdem.

Para mais, Silvio faz parte desta linda trupe:
Pablo Milanés Carlos Varela Joan Manuel Serrat
Victor Jara Chico Buarque Roy Brown Violeta Parra
Inti Illimani Mercedes Sosa Liuba María Hevia Frank Delgado

Analogias de Bagão, parte I

Disse Bagão que «governar o Estado é como governar uma casa». Uma epifania que a malta mais velha se lembra de ter ouvido nos idos de '28 ao dr. António de Oliveira, o Botas.

Apesar da falta de originalidade do actor de Tráfico, Bagão inspirou-nos, naquela sua voz de paróquia em conversa de família, para que outras analogias fosse criadas. O objectivo é explicar ao estúpido do povo, que até agora ainda não tinha percebido isso da casinha e do défice, os graves problemas do Estado. Assim sendo:

Listas de Espera na Saúde - São como as testemunhas de Jeová: não nos livramos delas e aparecem sempre mais.

Submarinos - São como a iogurteira que comprámos nos anos 80: não têm utilidade, mas nunca se sabe quando pode fazer falta...

Segredo de Justiça - Toda a gente sabe que o senhor do 5º Esquerdo anda com a miúda estudante da Cave Dt.ª, mas não fica bem dizer assim a todos, com um cartaz. Diz-se só um a um.

Aumento das Pensões - É como o autoclismo que pinga, pinga, e nunca é arranjado, apesar de se prometer a si mesmo que deste fim-de-semana não passa.

Pacto da Justiça - Ora, se o gajo de cima faz barulho com o martelo logo no sábado de manhã e você se vinga com música em altos berros até às três da manhã, não seria de tentar que ele martelasse só à noite quando você ouve música? É um acordo, está-se a ver, fácil. Está-se a ver, coisa pouca...

Presidente da República - Todos nós temos um buda em casa. Mas dizem que só faz o bem aos donos do apartamento se ficar num local onde não se veja.

Furacão Madonna

O "furacão Madonna" passou por Lisboa (e reincide esta noite à mesma hora e no mesmo local). Depois da enorme expectativa, traduzida na velocidade com que os bilhetes desapareceram apesar dos preços proibitivos (61 euros, o menos caro), o concerto não defraudou mas mostrou que a música não é o mais importante para aquela que, mais do que um ícone pop, é hoje, e acima de tudo, uma marca.

Para Madonna, o que mais ordena em 2004 é o conceito de espectáculo. Não estranha, então, a comitiva (de mais de uma centena de pessoas e cerca de duas dezenas de camiões com palcos, material vário e roupa) que a acompanhou a Portugal e que se deu ao luxo de reservar para usufruto privado o restaurante e o clube nocturno mais ins da capital, a Bica do Sapato e o Lux-Frágil, respectivamente. A ocasião não era para menos, já que se tratava do encerramento da ReInvention Tour, digressão que levou a cantora e o seu séquito por diversas cidades norte-americanas e europeias ao longo deste Verão.

Com o recurso a esta trupe itinerante, a "Material Girl" e os seus assistentes conceberam algo que transcende em muito a definição de concerto. A ReInvention Tour é muito mais do que música. Aliás, a própria banda suporte da cantora fica discretamente colocada a um cantinho do palco ou é, pura e simplesmente, esquecida. No seu lugar surge um corpo de bailarinos em constantes mutações coreográficas, cenográficas e de guarda-roupa.

Mas o centro das atenções é Madonna e, subliminarmente, a Cabala judaica, interpretação religiosa a que a cantora recentemente se converteu. Ao longo das quase duas horas de espectáculo, são inúmeras as referências e a simbologia alusiva a esta (dos caracteres às inscrições «Kabbalists Do It Better» nas t-shirts de cantora e bailarinos), impossíveis de interpretar pelos não iniciados. Ao mesmo tempo, os gigantescos ecrãs dispostos por cima e ao longo do palco mostram imagens alusivas à situação política actual, não apenas de Bush Jr., Saddam Hussein, da guerra, mas também de uma utopia israelo-palestiniana. A tudo isto alude hoje a intérprete de 46 anos, aproveitando o mediatismo de que dispõe para professar a fé que actualmente defende. Mais do que apenas música, Madonna é hoje uma marca também de imagem, arte multimédia, intervencionismo político e... religião - algo sempre presente na sua carreira mas talvez nunca tão fundamental como hoje e, muito provavelmente, a faceta mais escondida e simultaneamente fundamental da ReInvention Tour.

Assim, e independentemente do alinhamento musical do espectáculo (sim, escutaram-se Vogue, Music, Like A Prayer, Die Another Day, Express Yourself, American Life, Crazy For You, Holiday, entre outros êxitos planetários), aquilo a que o Pavilhão Atlântico assistiu ontem e hoje foi, também e muito, uma demonstração de fé. Curiosamente, dois dias antes havia passado pelo mesmo espaço uma convenção da Igreja Maná. A diferença é que os assistentes desta sabiam ao que iam. Quem foi ao "concerto" de Madonna, ainda deve estar para saber a amplitude do "furacão" que lhe passou pelos olhos (e restantes sentidos).

Cheira-nos a...

...cicuta.

13.9.04

Mensagem do Além

O mui constante e soberbo correspondente sádico Pardal Maluco e o nosso excelentíssimo e presciente amigo Cinco Gajos enviam-nos, de uma margem do rio Arade, esta enigmática, mas não surpreendente, mensagem:

Encontrámos uma escola primária no leito de um rio e um comboio subterrâneo a desembocar numa barragem. E não estávamos bezanas.

Depois de OS SOPRANOS...

...vêm aí...

*

A novela da vida real: a história dramática de dois irmãos separados à nascença mas unidos pelo destino! Um épico de proporções éticas e fatais...

* Da esq. para a dir.: Pedro (o playboy do parlamento), Paulo (o menino da mamã, o gaylã do Parque, o vilão), Miguel (o menino do papá, o anti-herói), Chico Loças (o intelectual de esquerda)

Pôrra!

Não vi a Comunicação ao País do Ministro das Finanças. Estava a fazer contas à vida...

Contra a urbanização dos abortos,
a legalização das leis!

René...



...o quadro está no Pavilhão Atlântico!

Amanhã

Lembramos o nosso lamentável e-leitorado que Hoje já é Amanhã.

12.9.04

O meu Sonho .155

O meu Sonho era coberto de chantilly e molho de chocolate.

Eis a Solução...

...para acabar com a Abstenção:


Ivan, o terrível


11.9.04

Quarto Galarza, por outro lado, ainda não.

Catarina Furtado pode estar grávida.

Eu não queria dizer nada...

...mas anda para aí alguém a querer defender a RDP.

Um obrigado, amigo

Que bom que é quando os nossos amigos se lembram de nós e nos mandam mails... Como este:

«SR Camisa - A loja das Camisinhas.
Informamos todos os nossos clientes que mudámos de visual.
Venha-nos fazer uma visita.

Eu sou o Avô Camisas / Todas as pilinhas são minhas amigas / Sou o Avô Camisas... »

Emundar


Posto pelo móvel
A sombra esquinada
Do carvalho ainda a estalar
Um dia de pérola
Uma sequência de
Foguetões vistos aqui da janela
Uma fuga do planeta
Ao som trovejante
Da orla marítima
A pedra portuguesa
A calçada, em correria
A retrosseguir a
Paixão-marfim
Os encontros itinerantes
Os beijos d'antes

Uma sequência de soldados
Passa de mansinho pela soleira
Sentam-se à porta
Dobram a bandeira
Sobre as asas do açor
Uma viagem intergaláctica
Polvilhada a canela a doce de pupilas abertas
A aros de íris

E a aranha continuará
Serena
A fazer a teia
Dos meus óculos
À biblia
Enquanto
Uma sequência de monstros siderais
Passa suave e em algazarra
Na azinhaga do movimento rápido dos olhos.

de Eustáquio Pinho, Esterno Externo, Lugo, 1975

Poema de: Idálio Juvino

Minha alma estrugida
pelo teu rosto claro.

Minha sensação vencida
no teu gesto ingrato.

Minha boca em alvoroço
sequiosa do teu corpo raro.

Meu tempo quase perdido
por ver-te assim, de fugida.

Meu remoer baixinho
a desejar-te muito velado.

A minha voz a redizer a tua voz,
a expôr-te em palavras morosas,
a depressão verdadeira
que provoca ouvir a tua voz fastidiosa.

Idálio Juvino, Poeta a Preto & Branco, A Coruña 2004

10.9.04

O Espião Italiano

O espião italiano em missão mega secreta largou de forma displicente e provocadora a carteira para cima da mesa da esplanada denunciando a sua duplicidade. Afinal vinha de Chelas e já só conseguia enganar a loira estrutural que o seguia obediente.

Bem vindos a casa


Foi-se o barco...

...ficaram os abortos.

Lembram-se dos IODO?

No início dos idos de 1980, existiu uma coisa chamada «boom do rock português». Então, surgiram várias bandas que fizeram um ou dois singles e das quais nunca mais ouvimos falar. Uma das mais saudosas foram os IODO, que puseram o país a cantar Malta à Porta.

Agora, e em rigoroso exclusivo, os THE GALARZAS recuperam esse hit perdido em nova e actualizada versão (rebaptizada de Malta, ao Portas). Aqui fica a letra para que todos possam cantar connosco:


Se o Pedro não resolve
A solução é improvisar
Falem então c’o Paulo
É ele que está a mandar

No mar ninguém o bate
O ministro das fragatas
Sempre em caldeiradas
À holandesa ou de gatas

Ma-ma-malta, ao Portas
Ma-ma-malta, ao Portas
Ninguém o atira ao mar?
E alguém o iria salvar?
(repete)

Populares ou populistas
Sempre a eterna questão
O importante é o tacho
E aproveitar a confusão

Ma-ma-malta, ao Portas
Ma-ma-malta, ao Portas
Ninguém o atira ao mar?
E alguém o iria salvar?
(repete duas vezes e termina)

Ponha-se na ordem ou o paizinho dá-lhe tau-tau

Em entrevista ao Diário de Notícias de ontem, João Soares afirmou que «Jorge Sampaio não soube meter Paulo Portas na ordem». A frase em questão reportava ainda ao caso «dissolvo ou não dissolvo e aturo o Santana» que marcou a época do ano habitualmente denominada de silly season.

E por falar em meter na ordem, o segundo melhor exemplo português de um filho de pai famoso que gostaria de ser como ele mas não chega sequer aos calcanhares da sombra deste (o título nesta categoria vai para João Loureiro) já deve ter esquecido que grande parte da culpa deste país estar na situação actual (leia-se entregue aos irmãos Pedro & Paulo e aos lobbies que os sustentam) é sua. Afinal, foi a sua arrogância e preguiça em dedicar-se a sério à campanha eleitoral para a Câmara Municipal de Lisboa que permitiu a vitória de Santana Lopes e posterior trampolim para São Bento por parte do político/colunável cor-de-rosa/comentador de tudo e mais alguma coisa.

Assim, não é possível fazer um apelo ao pai Mário para que este venha colocar o seu filhote na ordem mediante uns tabefes bem aplicados? É que, por este andar, o disparate promete crescer de tom e só as citações do Zé Sócrates podem destronar as visões do Soares Jr.

O problema principal disto tudo é que parece que o antigo ministro do Ambiente vai mesmo ganhar o poder no PS, o que não augura nada de bom para este projecto de país. Afinal, para político-holograma já bastava o Santana e não precisávamos de um seu clone socialista. Ai, oposição! Onde é que tu andas que ninguém te encontra...

Fever a ferver

Saldanha, Lisboa, 17h00 de quinta-feira.

Trânsito completamente entupido por causa da nova campanha da Coca Cola Fever. OK, as meninas da promoção até tinham bom aspecto e decotes generosos, mas tinham mesmo que dar cabo da circulação em plena hora de ponta? Já não bastavam as obras (mais propriamente o buraco) que o Santana deixou como (única?) herança aos alfacinhas ali para os lados do Marquês? E dentro dos autocarros parados, a única coisa a fazer era mesmo ferver de raiva!

Aposto que se fosse outra marca qualquer com um nome menos sonante, não faltariam as reclamações das "forças da ordem" a dizer que não podiam estacionar dois camiões em pleno Saldanha. Mas como era a Coca Cola está tudo bem.

Já agora, os transeuntes agraciados com as latas da bebida não poderiam dar-se ao trabalho de colocar as latas vazias no lixo em vez de as deixarem na calçada? E sim, embirro com a bebida em questão, mas se fosse Pepsi ou Sagres dizia o mesmo.

Um bom conselho...

...para as mulheres casadas, casadoiras, solteiras, interesseiras, interessadas ou apenas curiosas: «don't spit, swallow».

E depois ainda perguntam...

...porque é que nós gostamos do Star Trek?

T'Pol: a cabecinha do Spock num corpo danone

(Esta posta tem um patrocínio. E muitos amigos...)

9.9.04

Era uma vez um turista português

No final da semana passada, este humilde servo foi de malas feitas passar uns dias de merecido (modéstia à parte) descanso ao mais óbvio dos pontos de veraneio nacionais: o Algarve. Mal sabia este escriba e seus três companheiros que os dias que se seguiriam roçariam a comédia negra. Vamos por pontos:

Ponto 1 - à chegada:
- O apartamento no Alvôr devido devia ter sido anteriormente habitado por energúmenos da Idade da Pedra, tal o esterco, a nojeira, a falta de limpeza do local. Não fora o dono da casa ser familiar deste vosso amigo turista, o turismo teria logo ali acabado. Sendo assim: rápida limpeza, lavagem e dormida.

Ponto 2 - o dia seguinte:
- Cheirinho de praia ao longe. Almoço na típica sardinha já não tão típica. Supermercado para comprar produtos de limpeza. O Acidente: o elevador da janela do condutor avaria. Parte-se. Fode-se. Fode-me o dia. Passo seguinte: onde raio haverá uma garagem aberta no Algarve a um sábado à tarde? Não há. Hipótese: Bombeiros. Há sempre alguém nos bombeiros. Havia. Alguém que, pacientemente, lá conseguiu abrir, desconstruir, destruir a porta do carro e puxar o vidro para cima. Na rua, ninguém diria que havia um pedaço de madeira dentro do carro. Dentro da porta do carro. Deus queira que não se parta. Raios o partam se se partir. Três horas depois, de volta ao supermercado. Esfregona, vassoura, detergentes, panos, comida. Casa: limpeza aprofundada, lavagem à séria. Hmm, que belas férias, alguém desabafa. Ao fim do dia, alívio: à hora do jantar, começam as férias. Não fosse a merda do pau na porta do carro...

Ponto 3 - um domingo de férias:
- Praia. Almoço. E a merda do pau na porta do carro - cuidado com as lombas, não andes depressa demais, olha o vidro... Casa. Descanso. Jantar. Cuidado com o vidro. Amanhã vamos à oficina.

Ponto 4 - começa a semana:
- 8 da manhã. Primeiro telefonema para a oficina: ai, já ligamos de volta. 11 da manhã. Segundo telefonema para a oficina: ai, não, não nos esquecemos, já ligamos de volta. 13 da tarde. Oficina: ai, deixe cá o carro, que já lhe ligamos. Caminhada até à sombra mais próxima: o centro comercial, a 2 quilómetros. 17 da tarde. Terceiro telefonema para a oficina: ai, hoje não podemos fazer nada. Regresso à oficina. Ai, traga o carro amanhã às 9, que fica logo pronto. Pois... A merda do pau é que não sai de dentro do carro. De dentro da porta do carro. Pois... Cuidado com a lombas, olha o vidro... Casa. Descanso. Piscina. Banho. Jantar. Cinema. Regresso a casa: hmm, não cheira a gás? Cheira. É gás. Há uma fuga, há uma fuga de gás no corredor do prédio. Uma porra de uma fuga de gás no prédio! UMA PUTA DE UMA FUGA DE GÁS, PÔÔÔRRA! É meia-noite, o piquete do gás não atende. Venham os bombeiros. Vêm os bombeiros. Não acendam luzes. Não liguem telemóveis. Um dos voluntários reconhece-nos. Então, que belas férias, hã? Que belas férias... Pois... Veda-se o gás. Vão-se os bombeiros. Fecha-se a porta. Abrem-se as janelas. Cuidado com os mosquitos...

Ponto 5 - o fim do pesadelo:
- 9 da manhã. Oficina. Ai, às 11 está pronto. Café. Tempo. Tempo. Tempo. Às 11 está pronto. E pago. Ao caminho. Destino? Espanha. Com paragem em Castro Marim. Praia (dizem que é verde, não dou por nada). Restaurante. Sentamo-nos. Na porta: não aceitamos Visa nem Multibanco. Não temos dinheiro. Não costumamos levar cheques para a praia. A caixa Multibanco mais perto fica a 8 quilómetros. Levantamo-nos. Almocemos em Espanha. Almoçamos em Espanha, Ayamonte. Cantaria Graciano: há festa na aldeia, está tudo tão bom, há tapas na mesa, sangria e pôm. Depois do almoço, o passeio. Somos perseguidos por uma manada de sevilhanas em fúria. É um sinal: está na hora do regresso. Casa. Descanso. Jantar. Cinema. Casa... Não há fugas de gás... O pau já não está dentro do carro... Isto amanhã é capaz de correr melhor...

Ponto 6 - feriado:
- Praia. Almoço. Casa. Descanso. Jantar em Lagos. Na parede do restaurante: não aceitamos Visa nem Multibanco. Desta vez vimos prevenidos. Um copo. Portugal marca um golo. E mais um. E outro. E ainda outro. Regresso a casa. Hoje correu melhor.

Ponto 7 - o regresso:
- Hoje. Uma praia rápida. Banho. Limpar. Arrumar. Fazer malas. Um almoço rápido. E upa, que se faz tarde. Alguém manda um SMS: os The Galarzas num Top 5 de uma revista? Olha a pôrra! Que belas férias...

Ponto Suplementar: e já agora, será que alguém poderia dizer aos senhores das juntas e das câmaras e das direcções gerais lá do Algarve que há umas coisinhas que se usam no resto do país (em algumas partes, pelo menos) assim tipo placas ou placares, com coisas escritas e umas setas e uns números, que servem para indicar direcções, locais, terras, caminhos...? OU SERÁ QUE A MALTA TEM DE ADIVINHAR PARA QUE LADO É QUE FICA A PÔRRA DA AUTO-ESTRADA E A PUTA DA SAÍDA E A MERDA DA VILA? Se é para obrigar a malta a andar perdida pelo Algarve, vão no bom caminho... Raio de falta de respeito pelas pessoas, pá!

O Gato

Hoje à tarde encontrei o Gato de Lisboa. Foi assim por acaso, a atravessar o Saldanha, nem foi preciso dizer nada, trocámos logo dois beijos. Ele disse-me que gostava muito das quadras populares dedicadas ao Santo António e disse-me que andava à solta. Depois fiz-lhe uma festa e despedi-me dele. O Gato é o mais bonito de toda a cidade e eu gosto muito dele.

Primo e Septeto Galarza estão numa bicha de gravata.

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Santa Maria do Amparo

TERRORISTAS ATACAM OPERADORES TURÍSTICOS

Um comando de perigosos Kiwis terroristas suicidas tomou ontem de assalto uma fortaleza da linha de costa mais ocidental da Europa provocando aviltados estragos na Suécia.

O grupo reivindicava vingança contra o que apelidou de um «barbárico batido de Morango». Segundo o porta-voz dos terroristas, ouvido pelos The Galarzas, a Suécia terá torturado e batido num quilo de morangos inocentes que faziam férias em Cascais, numa cottage com vista para o mar Atlântico. «Estes morangos faziam parte de um grupo excursionista dos correios, que se juntam todos os anos para veranear e fazer amizades. Eram completamente apolíticos e não se metiam em nada dessas coisas».

Os terroristas, profundamente incomodados com a liquefação dos seus irmãos frutos, armados de falta de jeito, irromperam na fatídica fortaleza medieval onde se encontravam acantonados os supostos agressores dos morangos e destruíram tudo à sua passagem sem olhar a raças, credos nem composições químicas. De seguida, abandonaram rapidamente o local às moscas, deixando para trás um rasto de destruição e vidros mal tratados, prejuízos que só serão totalmente contabilizados dentro de alguns dias ou semanas.

As autoridades, entretanto, ainda não conseguiram identificar os membros do comando, que se supõe estarão em fuga para uma das suas bases de treino, nalgum campo adubado e esconso numa região rural.

A Suécia escusa-se por enquanto de comentar o grave incidente e remete explicações sobre o alegado batido de morango para quando a rainha fizer anos.

Poema de: Ian MacCulloch

Stars Are Stars

The sky seems full
When you're in the cradle
The rain will fall
And wash your dreams

Stars are stars
And they shine so hard

Now you spit out the sky
Because it's empty and hollow
All your dreams
Are hanging out to dry

Stars are stars
And they shine so cold

I saw you climb
Shadows on the trees
We lost some time
After things that never matter
I caught that falling star
It cut my hands to pieces

Where did I put that box
That had my name in it
I saw you climb
Shadows on the trees
We lost some time
After things that never matter

Cards are played
And the clock's real heavy
Say you're numb
Make another day

You came here late
You've gone home early
Who'll remember now
You've gone away
Gone away
Gone away

Echo and the Bunnymen, Crocodiles, Korova, 1980

8.9.04

Quadra a São Martinho de Hume

O velho São Martinho de Hume
deixou arder o paço episcopal
porque deixou a panela ao lume.
Queimou a mão foi, para o hospital.

7.9.04

Quadra a São Bonifácio

As palavras mais bonitas
estão escritas no prefácio,
em formas bem pequenitas,
no livro de São Bonifácio.

Feriado Municipal

A adesão à nova moda das quadras populares de Santo António é tremenda. Apresentamos algumas que chegaram na caixa de correio enviados por várias pessoas diferentes:

Santo António é amigo
de lavar-se todos os dias,
olha para o teu umbigo
nos meses que não comias.

Traz no regaço uma fralda
para pôr a um menino,
sujastes a roupa de calda
ó meu Santo Antonino.

A treze de Junho no alto da Sé
nasceu um menino Fernando,
reguila e traquina que já não é.
Era António que vive rezando

Fostes António por via da caridade,
não fostes de autocarro, mas sim a pé.
Há pessoas com muita maldade
que não te queriam ver ao pé.

Queriam beijos lhe mandar
as putas do Cais do Sodré.
Pois nunca conseguiam enganar
Santo António de muita fé.

Este pais é um poema

A Divisão de Comunicação e Imagem da Câmara Municipal de Lisboa solicita a divulgação do resultado do

CONCURSO DAS QUADRAS POPULARES DE SANTO ANTÓNIO 2004

Na edição deste ano do Concurso das Quadras Populares de Santo António, promovido pelo Grupo Permanente de Trabalho do Departamento de Património Cultural da Câmara Municipal de Lisboa, participaram 526 concorrentes, foram atribuídos três prémios e 17 menções honrosas.

O primeiro prémio, no valor de 450 euros, foi atribuído a Fernanda Regina de Lima e Carmo Carrondo, o segundo (400 euros) foi para Mara Sofia Branco Rodrigues e o terceiro prémio, no valor de 350 euros foi para Lígia Raquel Martins Lobinho.

Quadra vencedora:

De calção e camisola
Santo António vai jogar,
Sonhar sonhos de menino,
Bolas de trapo a rolar...

Segundo Prémio:

De calção e camisola
Santo António vai jogar,
Vai correr atrás da bola
Tal qual o Tejo p´ró mar.

Terceiro Prémio:

De calção e camisola
Santo António vai jogar
Da lua cheia faz bola
Os golos são de luar


Lisboa, 06 de Setembro de 2004



Os The Galarzas juntam esta quadra:

De tanto imbecilismo
Estão as quadras cheias
O futebol e o fascismo
São as nossas panaceias

Santo António, coitadinho
Que poética a tua
Dão-te um premiozinho
E algo que rime com lua

Malfadado concurso
De fraca imaginação
Nem uma rima que fuja
À velha tradição

Bem podiam ter inventado
Um jazigo rimado de lona
Escriviam-se uns versozinhos
Dedicados ao Carmona

6.9.04

Goethe

Máximas e Reflexões:

99. É uma exigência da Natureza que o homem, de vez em quando, se anestesie sem dormir. Daí, o gosto de fumar tabaco, beber aguardente ou fumar ópio.

226. Um velho examinador bem-humorado disse ao ouvido de um estudante: «Etiam nihil didicisti». E deixou-o ir aprovado.*

12. Nada há que melhor manifeste o carácter das pessoas do que aquilo que julgam ridículo.

13. O ridículo brota de um contraste moral em que os elementos contrastantes são apresentados ao espírito conexionados de forma inofensiva.

14. O homem sensível ri-se frequentemente onde nada há para rir. Aquilo que o anima, a sua íntima jovialidade, põe-se assim de manifesto.

(* «Também tu nada aprendeste»)

Goethe, Máximas e Reflexões, Guimarães Editores 2001

O Curto e o Fino

Posta enviada por Quinto Galarza através do Serviço de Mensagens Curtas (S.M.C.) do telemóvel:

Relação NÚMERO DE CHAPÉUS DE SOL / MARCAS na praia do Alvor:

6 DELTA.
5 CHAVE D'OURO.
4 ICE TEA.
3 COCA-COLA; 3 OLÁ.
2 CAMELO; 2 MATUTANO.
1 BUONDI; 1 NICOLA; 1 PEPSI-COLA; 1 SAGRES; 1 TAGUS; 1 BOSCH; 1 OUTRAS MARCAS.

Merda! Tenho um bocado de alho no cabelo e não sei o que hei-de fazer. Não me apetece sacudir, muito menos lavar e tenho os dedos ocupados.

5.9.04

Dedica-te à pesca

O que é um acidente de pesca?

Acidente de pesca é uma coisa de que normalmente só se ouve falar em alguns filmes policiais de Hollywood, em que a polícia interroga um suspeito de cometer um crime acerca da mão que tem ferida (sim, é sempre uma mão ferida). Nós, que não somos lá muito praticantes dessa modalidade sportivo-alimentar, podemos mesmo dizer que só vimos na televisão e estranhamos um pouco a coisa. É óbvio que os acidentes, dada a sua natureza casual podem acontecer, mas para nós os verdadeiros acidentes de pesca seriam assim:


- Eh pá, um amigo meu andava na pesca de alto mar e quando tentava capturar um tubarão... não é que o sacana do bicho se revoltou e mordeu-lhe uma perna?

- Fui à pesca no fim-de-semana e bem me lixei: a única vez que apanho um peixito como deve ser, logo tinha que me calhar um peixe espada que me cortou um braço.

- Trouxe uns robalos da pesca no Tejo, a minha mulher foi a única a comer deles e agora morreu.

- Comprei o asticô a um russo candongueiro; na volta era radioactivo e apanhei um cancro.

- Fui à pesca sem licença passada no Governo Civil; enquanto fugia do guarda-rios parti uma perna. Se não fosse o inspectivo funcionário ainda morria entalado num buraco.

Guia Gastronómico The Galarzas

Eis um novo espaço para que o e-leitor possa saber de onde fugir. Este domingo, conselhos das Caldas...

Restaurantes a evitar:

- Todos os que contenham a palavra Sol;
- Todos os que não distem, pelo menos, dez quilometros do salão de baptizados e casamentos;
- Todos os que estejam fechados ao domingo, principalmente aqueles que digam «Vende-se», apesar de terem sido recomendados por um amigo.

O Conselho da semana vai para:

- Restaurante D. João V, à saida de Óbidos, sentido Norte. Além de mau, é caro. Conquista duas estrelas. (**)