31.5.04

Poema

Tal como ficara combinado aqui há atrasado, lá pela semana que foi, vamos apresentar aos nossos maravilhosos E-Leitores um Poema:

- E-Leitores, este é o Poema. Poema, estes são os nossos amigos E-Leitores.

Eu Iria Se Me Pagassem Mesmo Muito Bem...

...ao Rock in Rio - Lisboa!

Alerta do Serviço Nacional de Saúde

Sabendo que vasta e influente manada pasta neste verde prado, pede-nos o S.N.S. que divulguemos o seguinte comunicado de alerta e prevenção:

«Caro doente (futuro ou actual), em rigoroso cumprimento das linhas de orientação da nossa instituição, cabe-nos alertar com toda a tranquilidade e desprezível calma para a terrível, inominável, hedionda praga que ameaça a saúde pública e privada. Bom, inominável não será, até tomámos a liberdade de a baptizar e, moléstia à parte, o nome é bem bonito: Minestrónia!

Caro doente (agora ou a prazo), se acaso espirrar, tossir ou arrotar, e alguém nas imediações gritar raivosamente «Minestrone!», cautela. A moléstia anda perto. A primeira coisa a fazer é não entrar em pânico. A segunda coisa a fazer é entrar em pânico. Por penúltimo, caro doente (nunca diga desta água), diga com voz firme irresoluta «Desta Água!». Repita, agora de costas, e considere-se imunizado. Se for daltónico, tome uma aspirina de oito em oito horas, que mal não faz. Saudinha.»


Se pastou, rumine, assimile e divulgue.

O S.N.S. agradece.

A Linha é disforme

«Chiça penico!» gritou Salesiano. Chico Zé de seu nome, Salesiano de alcunha. Era assim que todos os seus conterrâneos o conheciam desde que tinha frequentado a tasca da Maria Alcobina, na Falésia, onde, pela primeira vez, terá gritado «Chiça penico!».

«Chiça penico!» gritou Salesiano. E todos os que o ouviram, baixaram a cabeça em sinal de desafogo. Parecia que tinham visto um chouriço a voar à noite. Mas nada disso, nada disso, gritava Salesiano, homem duro, de expressão cansada, vivida, experiente. Apesar dos seus enormes dedos anelares, Salesiano era um homem querido. Apesar dos dedos e de passar os dias e as noites a gritar «Chiça penico!».

«Chiça penico!» gritou Salesiano, mais uma vez. Fosse essa a sua cruz e todos a suportariam por ele. E toda a aldeia gritaria em coro jubiloso, aos céus divinos, «Chiça penico!».

Eu não fui

...ao Rock In Rio - Lisboa!

30.5.04

Poema de Mestre Nestor Alvito

Entre a fome e o apetite

A polícia do espírito
Foi atrás da luz lilás do farol
Mas não a encontrou
Fugiu-lhe a luz lilás do farol
Por entre os dedos azuis da censura

A polícia do espírito
Perseguiu os cravos vermelhos de Abril
Mas não os apanhou
Fugiram os cravos vermelhos de Abril
Por entre as gentes verdes de esperança

A polícia do espírito
Escondeu-se atrás do cinzento dos balcões
Mas não morreu
Transformou-se em fatos cinzentos atrás dos balcões
À espreita por entre os enganos da democracia

(in Inéditos do Futuro, 2004)

O xadrez de Homem Basco: 12ª jogada

«A semântica da musicalidade não se revela nos fotogramas, mas que lá está, está.»

(Homem Basco, poeta nas noites escuras)

O xadrez de Homem Basco: 11ª jogada

«A semântica da musicalidade germina no Homem na puberdade, como os pelos da púbis, as borbulhas na cara e os primeiros sonhos eróticos.»

(Homem Basco, poeta nos dias úteis)

29.5.04

Lamento público

Não pela primeira vez nesta beluga se passou quase um dia inteiro sem nada se postar, sem nada se dizer, sem nada... Devemos estar nós, indecentes The Galarzas, com falta de inspiração, álcool ou alimárias. Obviamente não nos demitimos, mas lamentamos o sucedido e prometemos não voltar a cruzar-nos com clones mutantes em noites de lua cheia. Pelo menos, nos próximos três anos. E meio.

28.5.04

A Linha é de Ferro 7ª

A Linha está indubitavelmente suspensa. A preguiça caiu-nos ao colo e a fome aperta-nos o bocado direito da alma. A voz esganiçada do comando da patrulha sentimental foi como uma coisa deshumana que se entrincheirasse na sala de estar e fizesse... sala. A pensão sobrevive à custa de cravos que crescem das paredes obtusas e dos pendurames que têm sede sem desconfiar de nada.

Está toda a gente a enfiar rins e pedras no saco do isco para a pesca de garatujos. Há rescisões que estão ainda a esta hora tardia a trabalhar, fazendo um de conta tão perfeito que até parece verdadeiro. E cheira a tinta branca e a cal. Estão a ver-me com uma talocha a partir os vasos de flores da Junta de Freguesia, a mando do Presidente, que preferia ver madeirinhas encostadas à parede, e riscos de giz nas portas do Saloon.

A D. Cristina encheu-se de coragem e enfiou uma pázada na cabeça do condutor de farinha. Foi qualquer coisa que lhe fez na véspera do dia de Páscoa, que tinha uma mistura de açúcar excessivamente mascavado, uma vindicância, como se diz lá na Rua.

Em Breve...

Nesta Ordinária Espelunca iremos apresentar um poema. É coisa que não estamos habituados a fazer, por isso estamos um pouco nervosos e tensos. Esperemos que corra tudo pelo melhor. Haja saúde que tudo se há-de arranjar.

Momentos de Sabedoria...

...furtivamente furtados da revista MAD, edição brasileira:

- Se você ainda não encontrou a pessoa certa...divirta-se com a errada!

- Melancia grande e mulher bonita ninguém come sozinho.

- Uma empresa é como uma árvore cheia de macacos, cada um num galho diferente. Os que estão em cima olham pra baixo e enxergam um monte de rostos sorridentes. Os que estão embaixo olham pra cima e só enxergam bundões.

- O duro não é carregar o peso do chifre, o duro é sustentar a vaca.

- Os psiquiatras dizem que uma em quatro pessoas tem alguma deficiência mental. Fica de olho em três dos seus amigos. Se eles parecerem normais, o doido é você.

- Pra quê levar a vida a sério, se nós nascemos de uma gozada?

- As nuvens são como os chefes...quando desaparecem, o dia fica lindo!


MAD Especial Nº7, Mythos Editora, São Paulo, Brasil, 2003

Tempu de Hã? Tena

Coagidos, obrigados e ameaçados pelo Discreto-Leigo 6969/2008, os The Galarzas têm todo o gosto em apresentar a Ante Ologia da Plata Forma e Leitoral do PEP (Partido Elitista Popular):

1ª medida - O Quilómetro.

2ª medida - Nacionalização imediata de todas as private jokes.

3ª medida - Promoção, com todas as regalias inerentes, de todos os soldados rasos a generais de três estrelas (Sirius, Vega e Arcturus).

4ª medida - O Peito.

5ª medida - A Anca.

6ª medida - A Cintura.

7ª medida - Proibir os fogos florestais.

8ª medida - Criar incentivos para o fortalecimento da indústria pirómana nacional.

9ª medida - Conceber mais medidas.

Adenda para actualização da última posta

Esta beluga continua sem ser actualizada e começa a parecer-se com a Assembleia da República: um vazio de ideias e conteúdo. Haja saúde, pois.

Notícia exclusiva de última hora em directo do nosso enviado especial

Esta beluga não é actualizada há mais de 24 horas.

27.5.04

Galarza caiu da cadeira

OLIVAIS (Agência Galurza): O tertuliante Quinto Galarza caiu ontem da cadeira. O acidente ocorreu perto da meia-noite, na sede galárzica dos Olivais (em Lisboa), quando os The Galarzas, um Zé do Gangue, o homem que entrou num estádio com uma arma e outros convivas celebravam a passagem do 30º jacto pelos céus de Póvoa e Meadas.

Segundo a próxima fonte, Quinto Galarza ficou sem escoriações, embora um pouco abalado pela queda, encontrando-se de momento de boa saúde. No entanto, o acidente provocou uma vítima: a cadeira, alva e branca, perdeu duas pernas, devendo ter já dado entrada na lixeira municipal.

O acidente provocou ainda uma onda de solidariedade e indignação que contagiou os presentes sob a forma de uma galhofada geral, exteriorizada - diz a fonte mais próxima - por numerosas e intermináveis gargalhadas, risos e outras gozações.

«É tudo bom nesta casa»

A nata da sociedade Galarzense reuniu-se ontem no Palácio da Cidade da Beira para celebrar.

Avessa a pretextos para uma festa rija, a comunidade Galarzóide tinha desta vez motivo sólido para. O par de olhos, ou olho, que nos mira desse lado saberá concerteza que ontem o Barão Primo liquidou a primeira de várias tranches de 30.

Optimus Galarza, emocionado, discursava fluente pelo salão, enquanto o conde Quarto, absorto e semi-catatónico, se deixava maravilhar por gracioso bailado gentilmente oferecido pelo Royal Ballet das Antas.

Nas amplas cozinhas do palácio, nascia mais um monumento gastronómico em honra dos convivas. O líquido escorria a gosto, os doces de inspiração tropical faziam furor.

«É tudo bom nesta casa», era o comentário mais ouvido.

Este serão, imortalizado pelo pincel do famoso artista e duque Mikhaïl, perdurará por certo na memória de todos.

Ou não.

26.5.04

Bi-acta, 25 de Abril de 1974


É assim pesadote. Espere aí.

Afinal, a final já foi...

Aconteceu esta manhã, no Estádio da República, e foi disputada pelas equipes do Governo e da Oposição. O embate foi violento, com golpes baixos, faltas feias, penáltis mal marcados, cartôes vermelhos por mostrar... O resultado foi justo: não ganhou ninguém.

É público, é da gente

Eis que o pasquim público d'ôje pede um valente saravá. Pelas bocas à festa das laranjas de Oliveira dos Azeites, pelas bocas à EMEL (a empresa municipal de enrabamento dos lisboetas?), pelas bocas à inflação dos preços via Euro 2004 e, sobretudo e principalmente, por esta chamada de atenção... Ah pois!

XXX Corrida Galarza!

Hoje à noite, com bois da Ganaderia Galarza, grandiosa corrida em honra do cavaleiro Primo Galarza, na Praça de Bois de Galarzais.

Celebram-se os trinta anos de lides de um dos mais raçudos, graúdos e, porque não dizê-lo, peludos representantes da arte e-qüest nacional.

Hoje, carros e leitores, é dia de festas!

Pelo lombo abaixo, pela entremeada acima, pela goela adentro!

À tua, Primo!

30 léguas

Primo Galarza, Maio de 1989: uma gravata branca, um blazer rosa, um olhar sedutor, uma mão cheia de canções bonitas e gestos abstractos.

Primo Galarza (ei-lo, no dia da comunhão solene, antes de um concerto da Ordem De Lírios) ultrapassa hoje a barreira mítica das 30 léguas por vida. Para o Primo, um valente saravá e um forte abraço do Caçula Galarza (ao fundo, uma abafada gargalhada de episódico gozo).

2004, Annus Dominó

Ateia
homem
arranha
coça coça
a barriga
gero
espigas
não cearas
faminto
entremeadas e pólvoras
sinto

agora só falta o tinto

Óscar Machico, in «Ó Relvas, ó Relvas, Gelsenkirchen à vista», Editorial Jazira, 2004


para Primo Galarza

Por este rio acima
Deixando para trás
A côncava funda
Da casa do fumo
Cheguei perto do sonho
Flutuando nas águas
Dos rios dos céus
Escorre o gengibre e o mel
Sedas porcelanas
Pimenta e canela
Recebendo ofertas
De músicas suaves
Em nossas orelhas
leve como o ar
A terra a navegar
Meu bem como eu vou
Por este rio acima

Por este rio acima
Os barcos vão pintados
De muitas pinturas
Descrevem varandas
E os cabelos de Inês
Desenham memórias
Ao longo da água
Bosques enfeitiçados
Soutos laranjeiras
Campinas de trigo
Amores repartidos
Afagam as dores
Quando são sentidos
Monstros adormecidos
Na esfera do fogo
Como nasce a paz
Por este rio acima

Meu sonho
Quanto eu te quero
Eu nem sei
Eu nem sei
Fica um bocadinho mais
Que eu também
Que eu também
meu bem

Por este rio acima
isto que é de uns
Também é de outros
Não é mais nem menos
Nascidos foram todos
Do suor da fêmea
Do calor do macho
Aquilo que uns tratam
Não hão-de tratar
Outros de outra coisa
Pois o que vende o fresco
Não vende o salgado
Nem também o seco
Na terra em harmonia
Perfeita e suave
das margens do rio
Por este rio acima

Meu sonho
Quanto eu te quero
Eu nem sei
Eu nem sei
Fica um bocadinho mais
Que eu também

Que eu também
meu bem

Gay Zé Kitchen

Poema de: Idálio Juvino

Ao Eustáquio Pinho, que anda lá dentro a lutar pela vida.

Descíamos a pé pelas faldas
De sorrisos flamejantes,
Por entre os dentes um dichote.
Roubávamos os pêssegos
Pelas hortas
Com nosso ar bisonho
E na êxedra do dia vinte e seis
Fazíamos de conta
Que éramos os tipos mais malucos
E mais ao centro da geografia
Dos sonhos de toda a gente.

Idálio Juvino, A Coruña, 2004

25.5.04

Casa, descasa e, de caminho, faz um filho

Fôda-se mais a geração de 40/50 que se casou em 60/70, que teve filhos em 70/80 e que se está a divorciar em 90/00!

Rái's parta o flower power e o sex & drugs & rock n'roll...

«É terça-feira / e a feira da ladra...»

Hoje é terça-feira, dia de Kalkitos no DN e dos comentários de JMT, os mais galárzicos da imprensa nacional. Ora confirme-se aqui (cuidado com as lombas) e aqui:

«Amílcar Theias já devia estar em pijama quando Durão Barroso o meteu na rua, o que até nem está malvisto, tendo em conta que passou boa parte do mandato a dormir.»

Fica aqui um benigno saravá para o JMT - um verdadeiro Galarza com alma de stand-up comedian.

A Guerra dos Mudos

O SEF não tem mãos a medir.

Como se não bastasse a afluência de turistas para os eventos musico-desportivos característicos desta quadra, começa a verificar-se uma invasão de seres unicelulares provenientes do planeta Marte.

Porquê? perguntarão ambos os dois e-leitores desta requintada espelunca.

Os especialistas em Invasões Unicelulares Provenientes do Planeta Marte são unânimes; não fazem a menor ideia. Mais sagaz se revela o Dr.Armando Telas, porta-voz do PEP (Partido Elitista Popular), ouvido pela re-d'acção dos The Galarzas:

«Tendo em conta o grau surrealistico-débil da actuação governa-mental, é provável que estes seres preparem uma plataforma eleitoral que facilmente os levaria ao leme dos mais altos intestinos, perdão, destinos da nação.»

Estejamos atentos, pois.

A Linha é de Ferro 6ª

A coisa até que ía correndo pelo melhor. Dinheiro p'ra gastos, paparoca na mesa ao fim do dia, todos os dias, uma fatiota preta com gravata e um copo de sumo de alfarrobeira.
Estava à vista de todos...Ou talvez não. Talvez apenas uma visão treinada nestes assuntos iria poder perscrutar, eficientemente, a caligrafia do elemento. Ninguém no bairro inteiro tinha até agora conseguido passar no exame grafológico, mas um agente livre habitua-se a estas coisas e vai-se a ver, acaba por bater tudo na linha.
O pacotinho herméticamente fechado, selado e pronto a entregar, sem cheiro e o Sr. Almerindo aos gritos na leitaria do outro lado da rua, porque o verde das verduras de hoje não está perfeito e mais vale ler um romance que uma notícia do jornal.
-Estou a tentar deixar de usar a mão esquerda. Estou a resguardá-la, só a uso em ocasiões especiais, quando tenha mesmo que ser. Se não só uso a direita. É tudo um bocadinho mais difícil, mas é preciso fazer-se alguns sacrifícios, quero guardar uma mão intacta para a reforma. Eu é que não quero chegar a velho e ficar à espera que façam tudo por mim, não. Eu cá quero ter sempre uma mão em condições.
E ainda fazia aquela coisa a rodar a cabeça, que para os miúdos parecia esquisito e dizia:
-A sopa não aquece. Estes fósforos já devem ser velhos.

O chato do gato

Isto é um gato:

Se achas que 'tou azul por causa do FCP, 'tás bem enganado! 'Tou azul mas é por causa da merda deste sorriso amarelo que me desenharam... Rai's parta mais ó cacete!

Agora, o que raio estava a fazer no nossa caixa de e-correio é que a gente já não sabe. Olha que isto, hein? Um gajo apanha com cada felino...

24.5.04

Poema de: Anónimo

Pegas Laterais

Aliviar dores
permite um efeito
perfeitamente à cabeça.
Com duas pegas laterais
molda-se
suave ao toque,
cintura elástica
com cobertura.
Rápido e homogéneo
cordão elástico,
mãos livres
leves e duradouros;
núcleo de espuma
leves e duradouros;
gola arredondada
em alumínio,
inclui remendos
nas janelas laterais.



Eh Rata!

Depois de ler as palavras do Pioneiro Menisco abaixo citadas pelo meu excelso irmão cardinal Quinto, a estranheza entranhou-se em mim com tal intensidade que fui averiguar.

Cheguei então à conclusão que tudo não passou de uma lamentável confusão. Onde se lê "PCP" deve ler-se "FCP", substitua-se "problemas" por "teoremas", "segurança" por "abastança", e "ser" por "ter" e a frase fica clara:

«Responsabilizo completamente o FCP por alguns teoremas de abastança que venham a ter criados.»

Como é evidente.

Doutro modo, não fazia sentido.

Responsabilização vs Responsabilidade

«Responsabilizo completamente o PCP por alguns problemas de segurança que venham a ser criados.»

Palavras de Durão Barroso, Primeiro-Ministro de Portugal e um dos quatro signatários da Cimeira dos Açores que deu o aval à invasão do Iraque - ou seja, único responsável e culpado por qualquer problema de segurança que venha a ser criado durante o Rock In Rio-Lisboa ou o Euro 2004.

Não querendo tirar conclusões demasiado apressadas (nunca se sabe se o PCP alberga alguma célula da Al-Qaeda ou se Carlos Carvalhas é, na verdade, a identidade secreta do terrorista Ali Ben-Massul), parece-me que o senhor Durão Barroso está com alguma falta de confiança (a tal que disse ter havido tanta em Oliveira dos Azeites - pelos vistos, era tanta que se gastou).

Nós, assumidos não-gostadores deste Governo DB+PP, lembramos apenas isto: o medo, tal como a esperança, é o último a morrer - a diferença é que a esperança pertence a quem não têm nada a perder; o medo é de quem tem muito a perder, muito a esconder e mais a temer.

Senhor Primeiro-Ministro, não ofenda os comunistas, não goze com os portugueses, não minta. Se houver problemas de segurança, a responsabilidade é sua, só sua, toda sua. É a si, ao seu companheiro de coligação e ao seu Governo que nós responsabilizamos.

Nós fomos convidados

A caixa de e-correio dos The Galarzas foi invadida por este belo convite:

«Cara(o) Amiga(o),

Sendo um dos promotores do 1º Congresso Nacional de Excelência Pessoal, e aproveitando esse evento para lançar o meu primeiro livro, gostaria de lhe endereçar o convite a estar presente neste evento inédito em Portugal bem como na sessão de autógrafos, a decorrer dias 29 e 30 de Maio, na Fundação Cupertino de Miranda, à Av. da Boavista, no Porto.

Entre diversos oradores teremos personalidades da visa empresarial, ensino, saúde e desporto, bem como animação e uma exposição paralela que desde já recomendo.

Confirme a sua presença quanto antes. Caso venha acompanhado de crianças, elas serão acompanhadas por profissionais que as ajudarão a passar um fim-de-semana inesquecível, até porque serão elas a encerrar o congresso de uma forma que garantidamente recordaremos para sempre.

Honre-nos com a sua presença.

Adelino Cunha
»

Nós já consultámos a nossa agenda e, infelizmente, achamos que não vai dar (já nos comprometenos na posta anterior)... mas vamos honrá-los, enviando as nossas crianças, ok?

Maio, mês do Coração

É verdade... menti. Quando, na minha última posta, disse que tinha ido passar o fim-de-semana à Grândola Vila Morena, menti. Na verdade, fui a Nova Iorque. Fui participar numa festa-maratona chata que lá havia. Mas não digam a ninguém.

E no próximo fim-de-semana, quando escrever que fui a Abrantes, hei-de estar a mentir. Na verdade, vou a Chicago, a uma conferênciazinha muito séria, sobre terapias alternativas sem interesse nenhum.

Mas desta vez, prometo que trago uma prenda, 'tá bem?

23.5.04

Cadernos de Oliveira, II


E assim terminou o congresso, com a promessa de melhor comunicação do PPD com os portugueses.

Caros ou 20s

«A maioria das pessoas pensa que as ondas hertezianas são dominadas pelo POUS», disse Monsanto Guedes
The Galarzas. A única rádio que respeita as cotas.
Porque podiam ser nossas mães.

Avante, Caracóis

Depois de um fim-de-semana de labuta em terras alenjanas (na pacata Grândola - a terra da Rua 25 de Abril, da Avenida Vasco Gonçalves e da Praça 1º de Maio, onde os velhotes dormem e jogam à bisca), vários tópicos de debate poderiam aqui ser discutidos:
- o facto de haver um Pavilhão Desportivo chamado Zeca Afonso;
- o facto de haver um concurso de novas bandas de rock em noite de procissão:
- o facto do Hotel D. Jorge ficar em frente à sede local do PCP;
- o facto da missa ser transmitida pelos altifalantes da vila...

Mas não vamos aqui discuti-los. Porque na chegada a Lisboa, o que há a reter é:
- o facto de ter comido uns fabulosos caracóis num mastodôntico centro comercial lisboeta. Mais que inédito, foi fabulástico...

Gosto

gosto
de puxar de um cigarro
e ler avisos no maço
gosto
de ver a ferrugem
comer paciente o aço
gosto
de lesmas paradas
e de repente velozes
gosto
de não ser natal
e poder comer filhozes

Óscar Machico, in «Qualquer dia os perús revoltam-se», Edições Igloo-glu, 1992

Tragédia na noite de núpcias

D. Filipe e D. Letizia, respectivamente homem e mulher, enfrentaram a primeira noite de casados com grande estoicismo. Às 23h32, hora de Madrid, Filipe soube que Letizia era, afinal, Fátima Campos Ferreira. A jornalista da RTP consegiu infiltrar-se na casa real espanhola e, com sucesso, casar com o príncipe.

«Me olvidé de todo. Fátima és muy cariñosa e tiene esse timbre de pros e contras que uno siempre le gusta en las noches de lunes», terá dito o primogénito.

Fátima Campos Ferreira foi, já esta manhã, recebida pelo Rei D. Juan Carlos, numa sala onde estavam também, do lado esquerdo, Mário Bettencourt Resendes, José Manuel Fernandes e Arnaldo de Matos. À direita, Sarsfield de Cabral, Paulo Teixeira Pinto e Dom Duarte jogavam à bisca.

Me voy a descubrir se las de las plebeias és como de las chinas: horizontales

A dias

Há dias tão tristes tão tristes, em dias assim apetece chorar. Dias brutais, em que não se consegue saber que pasa en lo congresito de piéssedê, não se sabe a cor do vestido da princesa, quantos mais iraquianos foram gentilmente entretidos pelos abnegados soldados e soldadas yankees, quem se vai ambientar ao ministério.

Esses dias pálidos, cruéis, forçam-nos a viajar em aurífera companhia até certas cidades nortenhas recheadas de arcebispos. Aí, torturados pela fome, obrigamo-nos a engolir à pressa tornedós tão macios que enjoam. Aí, visitamos galerias paradisíacas, recheadas de obras que metem nojo de tão boas. Aí, percorremos locais em ruínas, testemunhos do desperdício violento que gangrena o país, este país onde se deixa pedra milenar ao abandono. Ao pôr-do-sol. Cantando.

Há dias assim.

22.5.04

Diário de Um Quarto

O dia de hoje foi muito bom. Teve a qualidade de estar quase a acabar. O Cesto bazou outra vez, nem disse p'rá onde, o grande boi. Os outros andaram todos numa de esgadanhar para pagar o toucinho e as favas. Que merda de dia, sem sequer uma pontinha de ficção para poder arengar aos meus fantásticos e-leitores.

Durão apresenta substituto para Theias

Cadernos da Oliveira, I

Factos do congresso do PSD:

1. O bar onde decorre o congresso ainda não passou facturas.
2. O gajo de Aveiro falou duas vezes, ambas a pisar ovos.
3. Santana ainda não disse «Sá Carneiro».
4. Já ninguém liga ao Jardim.
5. Há três militantes com meias de rede e saia vermelha.
6. A maioria dos secretários de estado tem mau hálito.
7. José Sá Fernandes ameaça parar o congresso dado o impacto ambiental.
8. Já falaram mais em Trotski, Grândola Vila Morena e socialismo do que neles mesmos.
9. A água Vitalis (de Castelo de Vide) custa 0,80c, coisa que é de borla lá na fonte.
10. A melhor coisa do congresso é que, do outro lado, o Modelo serve sopinha e pregos.
11. Existe uma moção W. Ora, ficaria engrandecida junto à moção C.
12. Dias Loureiro chama-se agora Minutos Loureiro, pois quer ir deitar-se e os gajos do aparelho não se calam.
13. Por falar em aparelho, Morais Sarmento ainda não trocou um R por um G.
14. O novo secretário-geral, Miguel Relvas, quer um nome mais nobre. Pensa mudar para Miguel Golf Green, ou mesmo Miguel Lawnmower (esta teve ajuda duma especialista de língua). Agora, de que falava ele com Isaltino Morais num cantinho do pavilhão?

21.5.04

Big Boda (P.Q.P. parte 2)

Será que vão fazer este alarido todo nas próximas semanas durante a lua-de-mel do casalóide ou daqui a três anos e meio quando o filho do rei de Espanha e a sua ex-celentíssima esposa se divorciarem?

Será que a RTP e a SIC e a TVI e a RDP e a TSF e a RR e o DN e o JN e o 24H também vão mandar 351 enviados especiais 17 dias antes para fazer a cobertura de coisa nenhuma e encher-nos a mioleira de casamerdices durante 73 horas seguidas como se não se passasse mais nada no mundo?

P.Q.P.

Puta Que Pariu o casamento do rei de Espanha ou lá que merda é aquela que nos andam a enfiar pelas bordas acima raio que vos parta mais a puta da boda real que já me está ligeiramente a irritar que é preciso saber tudo sobre a porcaria do ajuntamento de duas pessoas que por acaso até têm ar de ter mais cérebro do que os monos que andam atrás deles a querer cheirar-lhes o cú e fazem questão que toda a gente saiba pela centésima vez que o senhor morou ali p'ró Estoril ou o caralho e comia gelados quero lá saber a côr do vestido da senhora ou se vão todos comer caviar ou lama a mim tanto faz despachem lá essa merda o mais depressa possível se fazem favor e larguem-me da labita

A Linha é de Ferro 5ª

O Lopes, sentado à mesa do Café Tropical ao meio da vila, bebia devagar a cerveja da caneca e pensava em mudar tudo. Queria mudar de século, de vinho, de vila, de ídolos, de côr, de cadeira, de linha, de tudo. O Lopes bebericava e petiscava do prato de moelas, enquanto na Rua da Frente subia a escadinha do consultório do Doutor uma temperatura que havia de tomar pulso.

Ainda não era sabido, mas a sentinela do cais da tropa só confiava em pãezinhos redondos. Sempre que começava o dia com pãezinhos de outras formas caíam OVNIS do céu, as crianças matriculavam-se na escola seis ou sete vezes, sem conseguir parar o dia todo, desapareciam os carros do lixo, o velho barbeiro fechava a porta do salão e ia-se lá para os lados do campo da bola, o Lopes mudava de caneca, ninguém passava na rua do cemitério e as solas dos sapatos do sentinela ficavam mais gastas que no dia anterior.

A Sara escapava outra vez à voz de ranhura da fechadura, saltando da janela do segundo andar para a casa da vizinha. Tinha fome. Uma vez, Um Americano em Paris tinha-se tornado o seu filme mais odiado de sempre, aquele a que devotava todo o seu maior estupor. Odiava-o com tanto carinho que, um dia, cozinhou um peixe a quem deu o nome do actor e depois deixou-o queimar-se todo, serviu-o para um prato de lata ferrugenta e cortou-o, ou melhor, esquartejou-o cuidadosamente com uma grosa e uma gilete.

Às moscas

Ontem à tarde, o senhor Santana Lopes andou a passear pela minha rua e pelo meu bairro. A acompanhar o senhor (está mais grisalho!) estavam uma dezena de engravatados e uns quantos populares. Mais atrás vinha a banda do bairro a cantar a marcha do bairro pelas ruas do bairro, agora sem carros.

Foi uma tarde diferente no meu bairro. «Assim é que é», alguém dizia. «Isto está tão bonito», acrescentava alguém. Agora já não há carros no meu bairro. Ficam todos à porta.

Agora só falta limpar as ruas com regularidade, dizer às pessoas para não deixarem os cãezinhos cagarem à porta das casas dos vizinhos, aumentar o policiamento das ruas e a segurança dos cidadãos, arranjar alternativas viáveis de estacionamento para os moradores (mais perto e mais baratas, pois) e transportes eficazes, remendar os passeios, arranjar as ruas, tapar os buracos, sossegar a malta que vem aqui para o bairro fazer barulho todas as noites até às 3 ou às 6 da matina...

No fundo, senhor da Câmara (está com um ar pálido...), só falta ter mais respeito pelo povinho, pelo publicozinho, pela gajada que vai ter que pagar balúrdios para deixar o carro a três quilómetros de casa... A gajada não se chateia e até agradece a limpeza do bairro. Mas em troca, a malta só quer é respeitinho. É que dizem que é muito bonito. Como o meu bairro...

20.5.04

Excerto do diálogo entre dois invisuais numa composição de Metropolitano prestes a chegar à estação dos Anjos

- ...
- Estamos a chegar aos Anjos.
- Hã?
- Anjos, não ouviste?
- Não, tenho problemas de audição.
- ...

O perigoso desabafo de Abril

Chegou hoje aos ouvidos dos The Galarzas o mais honesto e sentido desabafo do nosso Primeiro-Ministro.

As circunstâncias em que tal dasabafo foi proferido e a hora exacta de tal evento são por nós desconhecidas - sabemos apenas que foi nas vésperas do 25 de Abril. Mas a importância política e a relevância social de tão espantosa revelação não nos permitem guardar segredo.

Temos perfeita consciência de que, ao tornar pública esta curta frase, estamos a pôr em risco o futuro deste Governo e da própria Nação. Mas não há nada a fazer... Atentei pois no desabafo e cuidai, gente, cuidai:

«Eu devo dizer-vos... não quero ser mal interpretado, mas quero dizer-vos que eu tenho um fraquinho pelas mulheres.»

Saudade TV

Os The Galarzas estão inteira e completa mente d'acordo com as palavras que o Sôr Zé Manel Rocha escreve hoje no Público. Principalmente com os ditos «Não seria mais higiénico mandar à vidinha o canal Vivir?» e «Aquilo é poluição televisiva levada ao mais requintado extremo.» E estamos d'acordo, acima de tudo, pelo enorme respeito e pela saudade imensa daquele que foi (é) o tele-canal mais agradável de ver e ouvir. Mas sobretudo, de ver...

RIP, .

The Galarzas RÁDIO

É um dia infame. É um dia único. Eis que agora pode acompanhar a leitura e seus derivados, o seu emprego, até mesmo o seu onanismo de fim de dia ao som da Rádio THE GALARZAS, através do serviço que o senhor Conde de Queluz de Baixo disponibiliza.

Cada vez que quiser ouvir basta clicar ali à direita, no bonequinho que tem aquilo d elimpar a cera dos ouvidos. Agora, oiça bem!

PC Rural

Sem querer tomar partidos nem tecer opiniões nem deitar fora moralismos indecentes, isto parece-me uma boa maneira de passar as noites:

Ê é que sôu o agricultôri...

DISCLAIMER: Os The Galarzas não se responsabilizam por quaisquer efeitos secundários causados pelo excesso. Para aumentar os efeitos, consuma enquanto joga. «Consuma o quê?», pergunta. Ora... isso já é consigo, não é, querido leitão?

Solução intermédia

.
Na próxima esquina
Um batalhão de escravos
Com cravos na mão

Na próxima vítima
Uma nota passional
Um gume mortal

No dia seguinte
Uma ressaca distinta
De noite bem dormida

Na vitrine arrumada
À venda por bom preço
A mobilia empenhada

Na planície constante
Um monte de gado
Faz sombra perfeita

Na simulação aviónica
Dois passageiros
Enchem copos de martini

Na piada seguinte
Um dos comensais
Não rirá

Na lei da bala
Suspeita-se sempre
Da culatra

de Eustáquio Pinho, in Espaldar e Receber, Moita, 1997

19.5.04

Poema de: Mário de Sá-Carneiro



19/05/1890 - 26/04/1916

Aqueloutro

O dúbio mascarado o mentiroso
Afinal, que passou na vida incógnito
O Rei-Lua postiço, o falso atónito;
Bem no fundo o covarde rigoroso.

Em vez de Pajem bobo presunçoso.
Sua alma de neve asco de um vómito.
Seu ânimo cantado como indómito
Um lacaio invertido e pressuroso.

O sem nervos nem ânsia - o papa-açorda,
(Seu coração talvez movido a corda...)
Apesar de seus berros ao Ideal

O corrido, o raimoso, o desleal
O balofo arrotando Império astral
O mago sem condão, O Esfinge Gorda.

O Esfinge Gorda - Mário de Sá-Carneiro - nasceu faz hoje 114 anos no prédio Nº.93 da Rua da Conceição, em Lisboa. Os The Galarzas, imbecis adoradores do poeta, deixam aqui o pequeno lembrete aos seus e-leitores. Tanto quanto sabemos, a única coisa em Lisboa que ainda faz evocação da memória do poeta é a placazinha afixada na fachada do prédio. Este monumento pode ser lido enquanto se espera pelo Eléctrico 28.

SôbGeniiiiii... quê?!

O galarza-mail foi ontem corrompido com um desafio que, por baixo do subject «Estás preparado para esta realidade?», nos questionava:

«Afinal, és mesmo um SubGenii?

Se queres saber se estás mesmo preparado para fazer parte desta comunidade de lunáticos e alienados, responde a este questionário infalível e atreve-te a saber a terrível verdade:

- Será que não passas de uma pessoa normal e nem sequer mereces receber este e-mail?

Para isso assinala a tua resposta com itálico, reenvia-me e aguarda o resultado (personalizado).

1. Todas as religiões são hipócritas?
1.1 Não, só a minha.
1.2 Sim, menos a minha.
1.3 Sim, e é por isso que eu não tenho religião.
1.4 Não, hipócritas são os que não seguem a religião devidamente.
1.5 Sim, mas é justamente ai que esta a graça.

2. Consideras-te uma pessoa responsável?
2.1 Ninguém é responsável.
2.2 Eu sou responsável na maioria das vezes.
2.3 Eu tento, eu juro que tento.
2.4 Sim, eu sou uma pessoa responsável.
2.5 Só quando me interessa.

3. Como descreverias a maioria dos teus amigos?
3.1 Eles são muito parecidos comigo.
3.2 Descrever é limitar.
3.3 Eu descreveria mentindo.
3.4 Eu não tenho amigos.
3.5 Eles são muito parecidos entre si.

4. O que preferes vêr na TV?
4.1 Eu mudo constantemente de canal.
4.2 Produções de baixo nível e filmes de baixo custo.
4.3 Qualquer coisa que me faça atravessar a noite.
4.4 Noticiário e canais culturais.
4.5 Novelas e programas populares.

5. Sempre desejaste fazer parte de um grupo elitista e segregacionista?
5.1 Sim, e na verdade eu já criei algumas.
5.2 Não, eu não entraria em nenhum clube que me aceitasse como sócio.
5.3 Sim eu até pagaria por isso.
5.4 Sim, mas não quero falar sobre isso.
5.5 Não, eita coisa estranha!

6. Vês algum problema em viver realidades contraditórias simultaneamente?
6.1 Não. É claro que sim.
6.2 Claro que vejo! Não há verdade além da verdade.
6.3 Sim, mas eu não consigo evitar.
6.4 Sim, não poderia viver uma mentira.
6.5 Problema nenhum, desde que isso seja feito com estilo.

7. Quando é que o mundo se tornará um lugar melhor?
7.1 Quando todos amarem uns aos outros.
7.2 Quando você e sua loucura quiserem.
7.3 O que quer dizer com "lugar melhor"?
7.4 Quando houver um só povo, sob um só governo.
7.5 Nunca.

Abraços daquele que te há-de converter...
»

Alguém se atreve a não responder?

Ministério das Postas Parlamentares

Máxima do dia, deputado do PS: «A honestidade corrompe, amigo».

Teste de Sangue: Deputados foram à pica, para ver se estavam com perigo de AVC. Na fila só estavam deputadas de peso equilibrado e deputados de bigode. Nenhum em risco. Os The Galarzas estão a investigar a firma que procedeu ao rastreio.

PSD e o congresso: No próximo fim de semana há congresso no PSD. A azáfama é mais que muita entre os deputados laranja. Frase mais ouvida: «Lá falamos, lá digo-lhe tudo».

Leia-se DOIS MIL E CEM

Os The Galarzas vêm por este meio anunciar que, bem dividida, esta beluga conta agora com 2100 postas.

A todos, o nosso.

É uma coisa que me chateia, pá

Nota 10 para o Público e para a recordação de um episódio hilariante, passado em Novembro de 1975. Senhoras e senhores, Pinheiro de Azevedo:

«Estou farto de brincadeiras, okay? De brincadeiras, hã!? (...) Fui sequestrado. Já duas vezes. Já chega. Não gosto de ser sequestrado. É uma coisa que me chateia, pá.»

«O general Otelo de Carvalho não me interessa coisa nenhuma. O senhor general Otelo de Carvalho, pessoalmente, não me interessa nada. (...) Acho que é uma pessoa que tem o seu lugar na Revolução, a quem eu devo muito, sou amigo dele, mas não me resolve coisa nenhuma, o general Saraiva de Carvalho não me resolve coisa nenhuma.»

Stern, full stop, shipman Rumsfeld!

Se for com factura, pagas tu o IVA, Saddy

E agora, Durão? Devemos estar com os nossos aliados, pá? Ou, como dizias enganado e a enganar toda a gente, preferes o democrata Bush ao ditador Hussein? Ou, melhor, o torturador Rumsfeld ao prisioneiro Hussein?

E agora, pá? Sabes o que te safa? É que o tuga continua a dizer "sim, patrão". Tivesses uma opinião pública dura e uma comunicação social esperta, já tinhas sido reduzido à tua imensa inutilidade.

E agora, pá? Queres dar razão ao gordo do Fahrenheit 911? Ou alinhas pelo velho Fahrenheit 451, distopia que o teu Portas tanto deve gostar?

18.5.04

A Linha é de Ferro 4ª

Tinha os dentes puídos, amarelos, muito amarelos, mesmo se ainda não estavam tão estragados que pudesse a qualquer momento dar-se o desastre final, o grande assalto combinado de infantaria e cavalaria da Cárie, que o haviam de pôr a comer sopinha rala se não quisesse largar uns bons contos no estomatologista para pagar a prótese. Era tudo falinhas mansas quando se punha a tentar deslizar pela linha do eléctrico abaixo, naquelas noites em que chovia e os cães ladravam. Queria impressionar. Certamente que nenhuma das garotas do bairro iria desprezar um carregador de laranjas assim sem mais. E o cheiro sentinela que vinha do Fundo da Rua trazia um corropio, que era veneno puro. Vinha tudo na gazua lá do lado da padaria, com restos de creme de duchaisse à volta da boca e dos olhos, a rir e a gesticular, entrecortando arrotos com o assobio de uma cantiga em voga. Até o Doutor na janela do terceiro abanava a cabeça e deixava cair as fotografias do casamento, irreflectidamente, em que se viam uns cãezitos a cruzar-se por detrás duma fila de noivas e pessoas bem vestidas. Foi uma fita do diabo ver os moços todos numa algaraviada a atar os sapatos.

Bola ao Lado

O sôr presidente da federação do futebol de Portugal diz que «estamos todos ao lado de Portugal». Não em Portugal, nem ao meio, nem sequer assim à beirinha, mas «todos ao lado». Muito bem, mas estaremos todos em Espanha, ou todos no Atlântico? Ou distribuidos pelos dois reinos de Juan Carlos e de Poseídon?

Benvindo à Letônia

Os The Galarzas vêm, por este meio, anunciar que não pactuarão mais com os «assuntos de Pedro Santana Lopes», para não enjoar ainda mais o Senhor Residente da Câmara de Lisboa.

Aproveitamos para lembrar o Senhor Sacana Lopes que existem à venda nas farmácias lisboetas caixinhas de Konpensan e Rennie.

Os The Galarzas pedem ainda à Câmara de Lisboa o favor de acabar com os cartazes santanistas, que «já enjoam». Sugerimos, modestamente e sem nos imiscuirmos nos critérios publicitários, que não vale a pena a Câmara perder tempo com a mesma propaganda de sempre.

Atenciosamente

17.5.04

O meu Sonho .113

O meu Sonho era construir um Fadódromo.

Curiosidades da história

O primeiro filho de James Watt não foi baptizado, mas vaporizado.

No tempo de Napoleão, os pacemakers funcionavam só à manivela.

Voltaire e Alessandro Volta foram separados à nascença.

Salazar só se sentava em bancos, até àquele bendito dia.

O meu Sonho .112

O meu Sonho acaba sempre à quinta-feira.

A Linha é de Ferro 3ª

Dona Luciana mastiga pacientemente a sopa de couves com ervilhas, tenta recordar-se do dia em que deixou a aldeia e percorreu pela primeira vez toda a extensão da linha. Tem a mente cheia dos ruídos metálicos das rodas, dos gritos das crianças a correr p’los corredores e da primeira página de jornal que vandalizou com um marcador vermelho.
No outro lado do quintal uma pilha de tijolos ficou à espera de uma paixão muito antiga, um Barroco. Mas hoje em dia quem é que vai construir palácios, ou simples casinhas, com tantos floreados e pormenores tão pouco pragmáticos. Não. E a falta de verdadeiras matas para lá despejar a arquitectura? Não se pode deixar a bananeira cair por causa de um insectozinho que venha a decorar as primeiras estrofes de poema.

“Quando ele voltar das férias quer ter um bocadinho ar de actor famoso uns anos antes de morrer.” É um relato estranho, ouvi-o esta manhã enquanto varria com os olhos o chão da rua, à procura de objectos antropológicos e requintados. “Sr Timóteo, guarde-me esse anel de bolo por quinze dias se faz favor. Fora do frigorífico. É para uma festa de suicídio.”

Estudante não... Universitário!

Em breve, os The Galarzas vão ser doutores ou engenheiros, mestres ou bacharéis.

Os The Galarzas inscreveram-se nesta prestigiada universidade

Universidade dos Cús Sentados

e estão, por esta altura, a escolher o curso que vão tirar (pessoalmente, este Galarza está na dúvida entre Tricôt Pós-Feminista, Princípios Matemáticos do Feng-Shui ou Masturbação Psico-Dinâmica).

Dentro de três anos, daremos notícias. Agora, temos que ir estudar Especulação e Tautologia e reler a matéria de Perspectivas Reflexivas da Verborreia Pós-Moderna.

Com licença.

16.5.04

Si, Nusite

Zona Ocidental Galárzica agora afectada com pólen STOP Código espirro a todas as unidades STOP Febres previstas e revistas STOP Zirtec e agregados em funcionamento STOP

Flechado para obras

É favor seguir as setas:

Vá lá, carrega aqui se és homem, vá...

Comprimidos para o vício na farmácia da esquina. Reclamações para este mail.

Lost in La Mancha Negra

Sobressai na mancha negra
de hemisfério pobre e farto
Será que a imagem chega
para mobilar um quarto?

Óscar Machico, in «Quadras cortadas e pastadas», Edições Coqueiro, Passo e Mando, 1980

15.5.04

The Galarzas



Os The Galarzas estão esta noite reunidos na sua sede mundial. Esta é fotografia oficial de grupo obtida há momentos, à entrada para o grande evento.

A Nossa Se Lecção

O 11 Inicial


A tática

É só p'ra recordar...

14.5.04

A Linha é de Ferro 2ª

...cuidado, vai cair debaixo da torneira, a grelha está fria e ninguém quer comer por causa da cor rosa, Adelino, Adelino, meu irmão não tenhas contas a ajustar com o passado, paga tudo pelo banco, AAAARRGH! é a linha que está sempre a mexer e fazer coisinhas no casaco do pai, qualquer dia temos que o mandar arranjar com bocados de musselina e frango, frito está tudo e no casaco do pai agora anda uma mosca a fazer casa sem autorização da câmara, diz que vai pôr uma banda de casaco e farturas e os cachorros quentes com vinho espanhol, mas o governo não quer mexer nas palhinhas, e a Cátia foi-se embora sem sequer me dar um beijo, nem me trouxe o esfregão verde que tinha emprestado no Inverno de modo que ando sem saber com hei-de livrar-me da cantiga que ele cantava quando vinha danado escada abaixo, depois de perder o cão outra vez, por vezes com cheiro a pinheiros instantâneos, por vezes a dar à sola, e quando interrompi na varanda a mosca fez-me nervos, esquecia-me de respirar, era tudo daquela cor, a porcaria, mas na bandeja quem punha ao comer a andar fazia festas aos cães da rua, a todos, mesmo que ninguém acredite, e tinha mãos que voavam com nuvens de números oitos a conquistar meias de lã com rodovalho...

O mundo é côr-de-rosa?

Feliz constatação: a beluga que o meu caro irmão cardinal numeral Cesto nos propõe na posta abaixo destaca-se pela cor rosada. Curiosamente, a minha colega da frente veste hoje côr-de-rosa. Outra colega trouxe hoje um saquinho de gomas côr-de-rosa. Na televisão, está a dar um anúncio côr-de-rosa. A nova gravata de Morrissey é côr-de-rosa... Mas será que hoje o dia acordou côr-de-rosa?

And now, for something completely different

Assina Carmen. Mirandesa não será, mas posta bem. Cenouras e cenôres, meninas e meninos, as graças e desgraças deste mundo têm nova cronista. Bem vinda ao blogo-ovo.

Zé Povinha

Para quando uma imagem do Zé Povinho com a cara da Manela Feérica Deleite e braço dobrado a fazer aquele reconhecido gesto e a dizer «Queres? Ora retoma!»?

13.5.04

A Convalescença é de Ouro

Lamentamos informar os nossos lindos E-leitores que metade da Zona Este dos The Galarzas sofre neste momento de uma febre, que se espera seja de curta duração e que nos está a deixar sobremaneira indispostos. Precisamente devido a este estado febril que nos assalta, alertamos a inestimável clientela para a possibilidade de surgirem neste espaço cultural alguns artigos cujo conteúdo seja, de alguma forma, indecifrável, absurdo, ou mesmo desprovido de sentido. Avisados que estamos para o grau de exigência e natural elevação intelectual do nosso maravilhoso público, deixamos aqui as nossas culpas e as nossas dores, com a certeza de que tudo será feito.

O esplendor de Portugal

Os The Galarzas - honrados filhos de Portugal e cultivadores da nobre portugalidade - vêm, por este meio, pedir a todos os seus três leitores, sete amigos e outros portugueses o favor de se flagelarem intensamente, pois que hoje é, na verdade, um dia triste para a lusitana cultura.

É com imenso pesar e uma titânica dor na consciência que assumimos (mãos para baixo em sinal de impotência) a derrota de ontem à noite, nessa tão importante e decisiva eliminatória do Festival da Eurovisão.

Mas a Sofia não merecia a derrota. Portugal não merecia a derrota.

Deste modo, os The Galarzas vêm pedir aos seus três leitores, sete amigos e demais portugueses que, findo 2004, vindo 2005, nos levantemos todos e, mão no peito e olhar lacrimejante, façamos força para a vitória de Portugal na edição do próximo ano do Festival da Eurovisão.

Porque PORTUGAL MERECE A VITÓRIA NA EUROVISÃO! Mas sem o apoio dos portugueses, de todos os portugueses, a vitória será um Adamastor difícil de domesticar. É urgente que os portugueses se unam neste grande objectivo nacional - um objectivo que mostre à Europa a força e o orgulho de uma nação que não merece tanto e tão consecutivo ostracismo.

HÁ QUE LEVANTAR O ESPLENDOR DE PORTUGAL! Para quê lutar por objectivos impossíveis, como a vitória da Selecção Nacional no Euro 2004 ou um Óscar para o Joaquim de Almeida? Lutemos por um objectivo sério, possível e ao nosso alcance! Lutemos, pois, pela vitória de Portugal na Eurovisão.

Que 2005 seja o ano de vitória, o ano da alegria, o ano!

Pela vitória,
The Galarzas

Os fãs são uma coisa linda

Depois da gloriosa e inevitável beluga dos fãs do José Cid e do curioso e acérrimo cantinho dos fãs dos Delfins, os The Galarzas, comovidos, dão as mais calorosas e cáusticas boas vindas ao luso-blogoverso do novel belógue dos fãs dos UHF. A blogosfera nacional e a música portuguesa precisavam deste bulldog...

12.5.04

Nota Internacional

Acabámos de saber, estupefactos, que a posta «O meu Sonho .111», por alguma razão a que somos completamente ignaros, foi publicada quatro vezes sucessivas, quando deveria tê-lo sido apenas uma, como é habitual na série «O meu Sonho». Não é lá muito bonito, mas nós, os The Galarzas, também acreditamos nas ironias e no destino. Por este motivo, não faremos qualquer tentativa para retirar as sobejantes, nem envidaremos os nossos melhores esforços para compreender qual o motivo desta falha. Entretanto, se encontrarmos algum culpado, tentaremos demovê-lo.

A Linha é de Ferro 1ª

Os anos ficam e a caravana passa. A mulher da saia verde e o marido a gritar pela janela «Ó Lopes! Ó Lopes!» e olham para o comboio parado na estação, para o revisor que tenta olhar um bocadinho para o decote da passageira, que tenta perceber o itinerário do comboio grevista, que grita «Porra! Também quero ser feliz. Porra! Quero mudar de linha à minha vontade. Também quero ir pelo mar quando me apetecer.» E os engenheiros suecos, que vieram cá ver as coisas e até davam um parecer positivo, mas a companhia não tem fundos para andar a fazer cruzeiros de comboio e «Se ao menos levasse mercadorias ou passageiros em 1ª Classe, mas meteu-se-lhe na engrenagem que havia de ir ver as ilhas aos mares do Sul e que havia de ir sozinho, para se emocionar melhor com o Põr-do-Sol.»
Ah, anteontem é que estava tudo calmo, chovia e trovejava, ninguém olhava para os preços dos bilhetes!

O meu Sonho .111

O meu Sonho tinha uma lancinante dor no joelho.

O meu Sonho .111

O meu Sonho tinha uma lancinante dor no joelho.

O meu Sonho .111

O meu Sonho tinha uma lancinante dor no joelho.

O meu Sonho .111

O meu Sonho tinha uma lancinante dor no joelho.

Líamos Hegel, às escondidas, no Kant


O Arly crava

notícias do blogoverso II:

Parece que o Marujo recebeu uma mensagem do Além...

G Spot

notícias do blogoverso I:

O Goiabeiro tem a sua piada. E tens uns linques catitas, que nos deixam em rebuscada companhia (claro que, dos três escolhidos, o nosso é o tal que mantém uma correcta atitude de louvável actualização e cuidado para com o excelentíssimo leitor - mas isso, os nossos três fiéis já sabem, não é?).

Consultório de Publicações Periódicas

«Se o sono pesado o esmaga, saiba que é vivamente aconselhada a leitura da revista Despertai! três vezes ao dia, ou de 8 em 8 horas, ou quando lhe apetecer comunicar com o divino numa base de tête-a-tête, leg-a-leg ou cheek to cheek. Se estiver para aí inclinado, coloque-se novamente na vertical. Corações ao alto, meia bola e força, bola inteira e bi-força. O nosso coração está EntreCostelas. Se subscrever a assinatura anual, habilita-se a ganhar um chamamento divino todas as manhãzinhas, by the Big Boss Himself. Ou não.»

Os The Galarzas declinam toda.

O meu Sonho .110

O meu sonho tem um grande vidro que se parte e...

Disse Monsanto Guedes:

«A única coisa boa do dia de hoje foi saber que a Flora também tem doce. Gosto de doces de morangos, os da Flora serão óptimos. Mas eu não como doces. Não tem nada a ver com dietas nem nada. É que os doces são bons e fazem-me ficar bem disposto e eu não gosto de estar bem disposto, prefiro andar assim um bocado irascível e intratável.»

Born...

...to be wine.

O meu Sonho .109

O meu sonho é ser político para poder dizer os maiores disparates com a maior cara de pau, mentir com o maior descaramento, desdizer-me de 30 em 30 segundos com a maior impunidade e fazer as maiores asneiras com a maior sem-vergonha. E ter um carro novo... E não pagar a SISA...

Cástingue in Cásinô

Isto...

«Novas vozes no Casino da Póvoa

Da esq. para a dir.: Alex Honwana, um senhor, uma senhora, outro senhor e um contrabaixo

Audições para cantores no Alibabar com Alex Honwana. Inscrições abertas até 30 de Maio. Maiores de 18 anos. Terças e Quintas das 16h00 às 18h00.

Os 12 finalistas são premiados com um fim de semana de actuações no Atrium Piano Bar e com a gravação de um CD nos estúdios do Casino da Póvoa.

12 finalistas - 12 novas vozes.
»

...é um convite ou uma ameaça?

Os The Galarzas apresentam...

...a nova novela da noite, a sensação do momento, finalmente em exibição num computador perto de si:

Este programa tem o patrocínio da Fok'ya

(Os The Galarzas são totalmente alheiros à produção deste púgrama e não se responsabilizam por danos ou outros males causados. Qualquer semelhança com pessoas, nomes ou marcas inexistentes é pura malícia. Lavamos daqui as nossas mãos. Publicidade ainda vá lá, que é bonito e sabe bem. Mas não temos mais nada a ver com isso, ok? Certo? Estamos esclarecidos?)

Novas do mail

Confessamos que nos agrada a ideia e, embora com algum atraso, agradecemos o convite, mas havia necessidade de começar o mail assim:

«MARGARIDA VAI MARCAR

"Se todos empurrarmos a bola, ela mexe", diz Margarida Pinto Correia sobre a importância de mudarmos o mundo em que vivemos.»
?

11.5.04

Filme Galarza

a estrear no princípio do Verão

Colestrol1000

Sinopse:
O Colestrol1000 de 2004 é o grande evento desportivo do ano. Disputado na atlântica cidade da Figueira da Foz, conta com os mais famosos e alarves engolidores de comida do mundo. Delegações de atletas da comida reúnem-se à volta de uma centena de mesas cheias de comida do tipo enfarta-brutos, pratos confeccionados ao estilo e ao gosto de cada nação participante.

O objectivo deste desporto é muito simples: cada participante tentará aumentar, tão brutalmente quanto possível, a quantidade de colestrol que lhe corre nas veias ao fim de cada refeição. Para o conseguir, os atletas munem-se das suas iguarias preferidas e disputam o torneio em eliminatórias de garfo e faca até a fantástica final, onde se vai sagrar campeão aquele que estiver mais perto da morte por entupimento das artérias.

Algumas delegações tentam, através da tradicional batota, baixar os valores calóricos aos ingredientes utilizados pelos adversários.
No deserto de Mojave, uma equipa de cientistas americanos procura produzir um novo tipo de toucinho light a partir da soja. As explosões são frequentes no laboratório.
Nos arredores de Lyon, um grupo de cientistas apátridas terá alegadamente desenvolvido natas sem gordura, sem leite, sem nada, de valor calórico zero, e prepara-se para vendê-la pela melhor oferta.
Um comando de assalto belga tenta substituir os nacos de gordura e carne dos chouriços adversários por legumes.
A equipa técnica da selecção portuguesa questiona publicamente, com grande escândalo, a verdadeira proveniência da carne de pata negra da delegação espanhola. Para o Seleccionador Nacional, essa carne deverá ser desqualificada e confiscada a favor da equipa nacional, se a sua origem for confirmadamente Barranquenha.

Dia de Anus

Eu é que sou a Casta... A sério!

É bem verdade que Salvador Dalí nasceu faz hoje 100 anos. Mas o que realmente interessa, a efeméride que realmente importa, é que a Laetitia Casta, a mui querida e fofa Laetitia Casta, faz hoje 26 aninhos. Ah... que bonita é a Laetitia... e a Primavera... e o sol... e os pássaros a cantar...

A Per100stência

No soy ni de aqui, ni de ahi. Soy Dalí

No dia em que toda a gente e tanta mais fala dos 100 anos que faria Salvador Dalí, não vale a pena pôr-mo-nos nós também - leigos e humildes The Galarzas - com colóquios e conversas fiadas. Se bem que esse era o mister do Salvador... De qualquer maneira, saravá, Mestre Dalí.

«A única diferença entre mim e um louco é que eu não sou louco!»

10.5.04

Identidade

Judeu de muita honra
Sou lusitano de gema
Branco celta do vinho ribeiro
Visigodo de alma loira
Meu avô romano atirou-se
Ao ventre da moura
E lá foi meu pai
A Santa Cruz
Enamorar-se de minha mãe
Levada a camadas nos porões
Nas naus.

Sou filho terrestre da confusão
Herdeiro da confluência
Sou puro de mistura
Tenho nos genes
Os deuses do Olimpo sentados
À última ceia, no meio do
Mar aberto aberto em dois,
Numa cidade costeira de Shiva
Ou onde Buda ousou impor-se.

Sou imbecil da procura
Fraterno mártir do mercado
Levaram-me os valores
Entregaram-me o numerário,
A concordata e a gravata

Se der sangue,
Fogem-me os cinco continentes
Para a seringa.
Sou português, mistura de todos,
E estou pronto a baralhar
Outra vez.

de Eustáquio Pinho, Prisão de Vento, Junça, 1977

Shuting down Private Ryan

Joe Ryan é um soldado norte-americano como outro qualquer. Joe Ryan está a prestar serviço militar na prisão de Abu Ghraib (no Iraque), como tantos outros. Joe Ryan tem um diário online (o Joe Ryan Iraq Diary), como tanta gente. Joe Ryan tem uma história para contar. Mas parece que alguém não quer que Joe Ryan conte a sua história. Ou não? Esta história parece-me muito mal contada...

Só por curiosidade

No novo, mui justo, equilibrado e extraordinariamente bem enquadrado Código da Estrada, quanto vale a multa por circular em contramão? E a multa por circular na faixa bus?

O Exemplo

«Portas apanhado em contramão» no centro de Lisboa, diz o jornal de hoje. O mesmo pasquim diz que, na sexta-feira passada, a viatura oficial de Paulo Portas terá estado envolvida em acidente em Oeiras. Já há algumas semanas, no mesmo tablóide, também Santana Lopes se gabava de ter abusado da faixa bus.

Assim de repente, dá-me ideia que, afinal, os portugueses até são bons condutores. Pelo menos, seguem o exemplo de quem tem que dar o exemplo...

Pós-crito: e desde quando é que o senhor Portas tem autorização para levar um carro oficial para uma festa privada, para a qual não foi convidado o Ministro da Defesa mas o cidadão Paulo Portas?

Pós-crítico: será que O Independente vai pedir a demissão do Senhor Ministro?

Vem aí o verão. Cuidado com os quartos

Os The Galarzas dizem-lhe o que deve saber antes de reservar dormida nos destinos de férias:

Otelo 1 Estrela
Capitão pequeno, bom em relações públicas, encontra-se em África. Pouco espaço de manobra e de vista curta.

Otelo 2 Estrelas
Capitão pequeno mas de ambiente MFA, normalmente com história mas sem banho ou lavagem ideológica.

Otelo 3 Estrelas
Capitão médio, com boas salas de reunião, mas sem vista ideológica. Alguns têm especialidades como Vasco Lourenço à açoriana ou Spínola grelhado com Mártires da Horta.

Otelo 4 Estrelas
Amplo espaço, onde cabem as ideologias marxista-leninista, a stalinista e ainda a social-democrata de Olof Palm. Este Otelo tem vista sobre o Campo Pequeno, embora a reserva não inclua bilhetes.

Otelo 5 Estrelas
Otelo situado 25 anos depois, com cobertura de Julie Sargent, video on demand com filmes que levantam a Pontinha. Jogos disponíveis como tiro ao Maia, Trivial Pursuit edição 25 de Novembro. Sala de fumo e ainda charcutaria.

Message in a Bottle

Escrito de autor desconhecido encontrado por este Galarza numa garrafa a boiar na banheira lá de casa:

«Às vezes faltam as palavras para escrever o que sentimos como que se os sentimentos fossem tantos que não deixam espaço a palavras nem a escritos. É assim comigo. Tenho o terrível defeito de não conseguir escrever o que quero escrever quando sinto o que sinto e o quero descrever.

Às vezes, há dias que elevam o mundo e nos afundam na subida dos dias. Um simples problema mecânico no automóvel, uma simples dificuldade em respirar de manhã, chegam para fazer lembrar que em breve, já falta pouco, atingirei o limite imposto, que há dias, há tão pouco, morreu alguém de quem até gostava embora não o soubesse dizer nem o soubesse sentir.

Às vezes há alturas em que nos sentimos pequeninos, ridículos, a mais ou, se calhar, a menos. Às vezes parece que é segunda-feira todos os dias. Às vezes, há dias que não me apetece mandar um SOS nem gritar pelos amigos perdidos nem um copo com os amigos de sempre. Às vezes há dias que não apetece...
»

Poema de: Idálio Juvino

E tu que voltes
E que olhes para tua frente,
Que hás-de de ver o vazio
No lugar onde estava eu.
E tu que feches os olhos
Que eu não voltarei a olhar para ti.
E que naquele momento
Em que pensares em lembrar-te de mim,
Que te lembres de que nunca
Fui sequer uma lembrança para ti.
No momento solene
De ouvires dizer o meu nome
Pergunta quem é,
E esquece-o com um encolher de ombros
E um mais solene enfado.
Que não me tenhas de forma alguma,
Nem num risco mal feito
Mesmo que vá feito do meu lado melhor.
Que não seja para ti,
Até que eu não seja mesmo num dia qualquer.

Idálio Juvino, A Coruña, 2004

9.5.04

Muy Bien



Atentado esta tarde em Madrid no bairro de Chamartín, perpetrado por onze homens que ostentavam um simbolo igual ao que vemos acima.

No precipício era o Vertigo

Colcha
colchão
colcheia
uma inundação
é o mesmo
que uma cheia

Óscar Machico, in «Águias passadas não movem os ninhos», Edições Faca Sem Chewing-gume, 1990

Importe e exporte

Aqui, um pequeno portfolio ilustrador da nobre missão americana de espalhar a democracia. Embora encapuçados, adivinha-se nesses rostos iraquianos a comoção de serem alvo de tamanha bondade por parte de enfermeiras e enfermeiros abnegados, cumprindo ordens de superiores que, não duvidemos, receberão ainda na terra a recompensa por tão altaneiros ideais.

Dentro de momentos...

...o Carrossel da Federação Internacional Automóvel!

Melhor acontecimento de toda a corrida: o Fim de mais uma prova entediante e cheia de vazio.

Vou abrir uma garrafa!

Há gajos que são tão pulhas e gente tem-lhes um bocadinho de ódio. Esses gajos deviam morrer de forma muito dolorosa e com grande prejuízo para todos os seus. Pena é que muitos demorem a morrer, são piores que ervas daninhas. Mas mesmo assim é sempre uma alegria quando os monstros finalmente se vão.

A menina, deglute?

«Empregadas servem refeições em lingerie

E se duas raparigas lhe servissem uma refeição vestidas apenas com lingerie ou um transparente e curto vestido? O cenário é real e está à disposição de quem vai ao "The Lingerie Restaurant", em Santa Maria da Feira.

Há cerca de três semanas, na freguesia de Canedo, surgiu um novo espaço de hotelaria, onde as refeições ganham novos atributos e se tornam mais apelativas aos olhos dos clientes que, boquiabertos, não escondem a satisfação de serem atendidos por senhoras que se apresentam (pouco) vestidas e exercitam a sua perícia na arte de bem servir.

Os clientes são ainda "brindados" com espectáculos de "strip" e "table dance", complementos que deixam os talheres de alguns suspensos entre o prato e a boca.»

por Salomão Rodrigues (JN)

Foice



Benemérito altruísta, António Champalimaud morreu sábado à noite. Destacou-se durante toda a sua vida pela pluralidade de pensamento, alinhado com os ideais do materialismo dialético. Membro da CGTP desde 1920, ainda a central não existia, bateu-se durante o Estado Novo pelo fim da ditadura e ajudou o 24 de Abril fugindo para o Brasil, dando assim a ideia aos comunas que não seria necessário enfiar ninguém no Campo Pequeno. Mas o plano era bem urdido: voltou nos anos 90, data em que adquiriu com o dinheiro que ganhara na Leitaria Champas, no Rio de Janeiro, adquiriu, escreviamos, a companhia Mundial Confiança.
Despareceu ao 86 anos, depois de ter sido considerado um dos dez homem mais altruístas pela revista Forbes Escort. Os The Galarzas enviam daqui um abraço à família em lutada e condenam qualquer festejo típico ou mesmo doméstico. A vida de um homem é mais importante do que um homem da vida.

Indústria Portugal

O cabo e a Roca
Sem massa
Pão
Pisar ovos
Moles
Sem intenção
Fazer greve
Nos Carris
Ir
De mala, cartão
Para entrar em
Bar, deglutir
Minis
Morris, na rádio
por operar
Cento e cinquenta mil
À espera
Dar uma e dizer
Que foram 25
Em Abril
Vontade de
Dormir
Chama-se
Quintal
Quando marcas pontos
Chamas-lhe um
Figo,
E em casa, rezas,
Fé, Pia,
Vai na Nau
Catrineta,
Invocas povos
Novos
Do outro lado,
Estaria
Tudo legal,
Mas calhou-te
Portugal.

Poema de Mestre Nestor Alvito

Vazio

Às vezes, bate-me a ideia
de não escrever mais que um ponto.

Outras vezes, faz-me comichão
acrescentar mais que um acento.

Nem sempre me apetece
escrever mais que uma linha.

Mas sempre, sempre, sempre
sinto (


) o vazio.

(in Escritos Aflitos, Editora Malmeker Malassinado, 1990)

8.5.04

So tell the girls...

...that they are back in town:

Na verdade, chamo-me Jäje... Mas Jay Jay é mais cool. Also starring: PJ Harvey, Kylie Minogue & Shane McGowan

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É árdua a tarefa do Repórter G: perceber o que é que se passa e porque é que isto anda fraco. Dizem-lhe que é da crise. Mas se assim é, porque lhe terão enfiado debaixo da porta uma folha rasgada de um caderno, dobrada em quatro e com esta mensagem:

«.,mnvup9uºp ' 89'´kº09':;mhptdgjfxre 'ºzkjbº d 0g+d psi 0cviusvjoçdjvoj0 dvpg84'ér«895y0«i5 ml-k 0+r9jvb~

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»?

Hmm... Aqui há gato.

7.5.04

Qu'é que se passa, mano?

Pois... parece que isto hoje andou fraco, escasso, vazio... Deve ser da crise. O Repórter G vai investigar. O Repórter G dará notícias.

6.5.04

Horóscopo para o Meio da Primavera

Perú
nascidos no período entre o lançamento do primeiro disco de José Cid e a reeleição de Richard Nixon

Você está num momento alto da sua vida. As pessoas que lhe são mais chegadas estão todas ocupadas em mantê-lo bem alimentado. As bebidas alcoólicas podem ser-lhe prejudiciais, sobretudo se houver quem queira convencê-lo a beber.

Espargo
nascidos no período entre a entrega dos Óscares a Ben-Hur e a queda do Império Romano

Grande momento astrológico. Não se iniba em cometer alguns dos pecados enunciados no Novo Testamento, sobretudo os que tenham a ver com o estômago. A sua saúde é sua.

Avestruz
nascidos no período entre a construção do ramal do Samouco e a sua desactivação

Atenção à queda de neve nas terras altas. Tendência para cair em desuso. A conivência com um nativo de Sola de Sapato vai trazer-lhe benefícios fiscais.

Canivete
nascidos no período entre a Espada e a Parede

Compre uma serra eléctrica e desenvolva técnicas de relaxamento. O casamento é uma opção a evitar, no entanto não deve romper por aí.

Anzol
nascidos no período entre a entrada em vigor do I.V.A. e a fuga dos irmãos Cavaco

Mantenha-se no fim da linha, alguma pescada há-de mordê-lo. Momento de muito entusiasmo em relação a uma antiga amizade que pode tornar-se espinhosa.

Brita
nascidos no período entre o crash da bolsa de 1987 e a última emissão da TV Rural

Momento particularmente indicado para tratar a filoxera das suas plantas. Viaje ao estrangeiro e conheça lugares novos só para validar este lugar comum.

Mitra Papal
nascidos no período de entre guerras

A Multa em quadrante Canivete a contar da Lua, perturba-lhe as finanças. À noite não pare no sinal vermelho. A sua saúde não conta.

Sola de Sapato
nascidos no entre os periodos Dadaísta e Surrealista

Sente-se gasto? Passe pelo quiosque do centro comercial. A chave do seu sucesso está nas mãos de uma Mitra Papal, mas você tem os requisitos necessários para entrar com cartão magnético.

Canguru
nascidos no período entre a desqualificação de Bob Kennedy por assassinato e a apresentação do relatório de contas da EFACEC para 1970

Não salte por cima dos problemas sem se certificar que vai cair em terreno macio. Declive com inclinação de 9%. Teste os travões e deixe marinar.

Multa
nascidos no período entre o nível médio do mar e o recorde mundial do salto com vara

Neste período vai sentir-se a cavalgar na crista de um maremoto. Você tem o Ego inchado. Cuidado ao chegar à costa, as rochas podem ser moles ou não. Compre um bilhete de lotaria e ajude as crianças protegidas pela Santa Casa.

Tinta Branca
nascidos no período entre o casamento de Lady Di e o asfaltamento da estrada para a aldeia de Água das Casas

O encontro com um choco pode ser chocante, mas as suas forças interiores e a sua diplomacia vão ajudá-lo a manter a sua fleuma habitual. Não seja maniqueísta, aceite o cinzento como uma cor normal.

Limão
nascidos no período entre a Revolução Cultural e o Rambo I

Período de fácil envolvimento com nativos de nutrientes opostos. Pedras de gelo e colherzinhas de açúcar nunca fizeram mal a ninguém. Tenha confiança no seu Horóscopo.

O regresso do Ministério das Postas Parlamentares

1. O dilema do beijo

Deputada ilustre da nação, vai de viagem em breve para Bruxelas, onde ensinará correctamente o português. A sua saída talvez provoque aí uma certa nostalgia. Mas os camaradas ou amigos parlamentares não se entendem na saudação: um beijo (e é chique) ou dois (com uma piada a acompanhar)?. Ora, nos breves momentos em que a deputada calcorreava os passos perdidos, eis a sequência beijatória:

1 - 1 (deputado da direita) - 2 - 1 - 2 (uma mulher) - 2 (um deputado famoso da madeira, ex-futuro-jornalista) - 1 - 2 (o galarza que vos escreve).

2. Desabafo social-democrata

Diz um deputado do PSD, com ar cansado: «Governo? Qual Governo? Nunca vi esta merda assim».

3. Café, chicória e centeio

Há uma nova máquina de café nos passos perdidos. Daquelas de meter moedinhas. Preço: 0,20€.

A lituana

Breve escape: em dois dias tinha acumulado mais folhas de papel A4 do que podia imaginar. Agora, às resmas, eram como o muro da velha Berlim, que o impediam de contactar com o mundo em open space que os liberais inventaram. Adejavam por ali colegas, camaradas e amigos, com a curiosidade e súplica nos lábios, mas sem dizer palavra. Os mais audazes perguntavam "Que merda é essa, pá?" e iam-se com medo da resposta, sempre a fingir que tinham vindo buscar um café ou o jornal.
Dengoso e discípulo corrente da preguiça, a cada fax ou envelope com novos dados sobre o caso, soçobrava. Quem dera um pequeno resumo, uma ou duas folhas onde com caneta verde se destacasse o essencial. Serviria até o negrito nas frases mais importantes, como nos discursos políticos, que emprenhados assessores distribuíam com a frase curta e sussurrada "É o que vai dizer fulano. Faz fé a versão lida".
Muitas vezes cismou nesse "faz fé a versão lida". Faz fé? Acreditaremos então dogmaticamente no que se diz e atiremos a palavra escrita para o chão, o empenho de jovens criativos que dias e dias prepararam tão bela verve para agora os excumungarem à porta do sucesso. Se sicrano não ler a frase "e por isso, senhores deputados", quer dizer que não se faz fé nos deputados?
A tralha estava, ainda por cima, desarrumada. No monte da esquerda os testemunhos das vítimas, tirados a ferro a um inspector da judite, depois de seis whiskys, quatro a dois, vencera ele, e outros recebidos à porta de uma igreja em Benfica, periodicamente, dentro de envelopes castanhos, quando batia a uma da madrugada.
O do meio, as várias versões das defesas, as mais belas provas de inocência, textos jurídicos redigidos ao estilo Harlequim.
A da direita, contas, tabelas, números cruzados, listas de telefone. A matemática do processo.
Bateu-lhe uma mão no ombro: "Tens lá fora uma gaja que quer falar contigo."
Quem?
"Não sei, diz que é lituana."

(continua)

Salvé a floresta

Em vésperas de Verão e tempo quente, os The Galarzas deixam aqui uma ousada proposta para evitar o incendimento das nossas florestas e a repetição das lamentáveis cenas vividas por muitos e vistas por muitos mais no ano passado.

A proposta ecológica e 100 por cento natural dos The Galarzas para a salvação da natureza lusitana é:

Não é Fuck The Forest, é Fuck For Forest!

Eis a grande invenção nórdica dos últimos meses: pornografia ambiental, ecologicamente correcta. Nós praticamos. E você?

Este promete...

Fell in love with an electro tribute to The White Stripes

Toys 'r'us

Finalmente, depois de muita labuta, aí está ele - o primeiro Action-Galarza-Man:

De geek e de freak todos temos um tique

Já à venda na loja de brinquedos mais perto de si!

(Um produto GPS. Não aconselhável a menores de 18 anos. Pilhas não incluídas.)

5.5.04

Poema de: Leonard Cohen

Teachers

I met a woman long ago
her hair the black that black can go,
Are you a teacher of the heart?
Soft she answered no.

I met a girl across the sea,
her hair the gold that gold can be,
Are you a teacher of the heart?
Yes, but not for thee.

I met a man who lost his mind
in some lost place I had to find,
follow me the wise man said,
but he walked behind.

I walked into a hospital
where none was sick and none was well,
when at night the nurses left
I could not walk at all.

Morning came and then came noon,
dinner time a scalpel blade
lay beside my silver spoon.

Some girls wander by mistake
into the mess that scalpels make.
Are you the teachers of my heart?
We teach old hearts to break.

One morning I woke up alone,
the hospital and the nurses gone.
Have I carved enough my Lord?
Child, you are a bone.

I ate and ate and ate,
no I did not miss a plate, well
How much do these suppers cost?
We'll take it out in hate.

I spent my hatred everyplace,
on every work on every face,
someone gave me wishes
and I wished for an embrace.

Several girls embraced me, then
I was embraced by men,
Is my passion perfect?
No, do it once again.

I was handsome I was strong,
I knew the words of every song.
Did my singing please you?
No, the words you sang were wrong.

Who is it whom I address,
who takes down what I confess?
Are you the teachers of my heart?
We teach old hearts to rest.

Oh teachers are my lessons done?
I cannot do another one.
They laughed and laughed and said, Well child,
are your lessons done?
are your lessons done?
are your lessons done?

The Songs of Leonard Cohen, Columbia, 1968

O meu Sonho .108

O meu sonho era declinar um convite importante.

O meu Sonho .107

O meu Sonho era cultivar hortelã na Nicarágua.

O meu Sonho .106

O meu Sonho era dormir sem sonhos.

Águas territoriais

A vinte milhas da costa
há festa de tubarões
gargalham estrondosos
choram lágrimas de crocodilo
os farsantes
aliviam veraneantes
de um ou outro membro dispensável
e comentam entre si
é tão agradável
estar no topo
da cadeia alimentar

Óscar Machico, in «Barba, tana e cabelo», Editorial Ri Bomba, 1994

4.5.04

Sei que voltas, porque combinámos

Balada para mi muerte

Morire en Buenos Aires. Sera de madrugada.
Guardare, mansamente, las cosas de vivir.
Mi pequeña poesia de adioses y de balas,
mi tabaco, mi tango, mi puñado de splin.
Me pondre por los hombros, de abrigo, todo el alba;
mi penúltimo whisky quedara sin beber.
Llegara tangamente, mi muete enamorada,
yo estare muerto, en punto, cuando sean las seis.
Hoy que dios me deja soñar,
a mi olvido ire por Santa Fe,
se que en nuestra esquina vos ya estas
toda de tristeza hasta los pies!
Abrazame fuerte que por dentro
oigo muertes, viejas muertes,
agrediendo lo que ame...
Alma mia... vamos yendo...
Llega el dia... No lloreas!

Morire en Buenos Aires. Sera de madrugada
que es la hora en que mueren los que saben morir;
flotara en mi silencio la mufla perfumada
de aquel verso que nunca te pude decir.
Andare tantas cuadras... y alla en la plaza Francia,
como sombras fugadas de un cansado ballet,
repitiendo tu nombre por una calle blanca
se me iran los recuerdos en puntitas de pie.

Morire en Buenos Aires. Sera de madrugada.
Guardare, mansamente, las cosas de vivir;
Mi pequeña poesia de adioses y de balas,
mi tabaco, mi tango, mi puñado de splin.
Me pondre por los hombros, de abrigo, todo el alba;
mi penúltimo whisky quedara sin beber.
Llegara tangamente, mi muete enamorada,
yo estare muerto, en punto, cuando sean las seis.
Cuando sean las seis.
Cuando sean las seis.

De Horacio Ferrer, porque nos falta a arte, para Vanda. Que tudo seja agora como sempre pensaste que seria. Beijos. Os que te demos, os que ficaram por dar.

3.5.04

Nós também...

...ficamos felizes «por saber que Paulo Portas já está curado da gripe que teve no 25 de Abril»*.

(* Francisco Louçã dixit)

Exame de Política Nacional

Responda às questões, tendo como mote a seguinte frase:
«É inaceitável que radicais extremistas queiram incendiar a governação sem terem provas das suas acusações».

1. Quem disse isto?
a) Cavaco Silva sobre O Independente;
b) Marcelo Rebelo de Sousa sobre Paulo Portas;
c) João de Deus Pinheiro sobre Paulo Portas e O Independente;
d) Mário Soares sobre Paulo Portas;
e) PSD sobre o jornalista Paulo Portas;
f) Paulo Portas sobre Francisco Louçã.

2. O que entende pela expressão «radicais expremistas»? E o que entenderá o líder do PP sobre a mesma expressão?

3. Tendo em conta que o autor desta frase foi em tempos jornalista, qual o peso da expressão «sem terem provas»? E qual o peso de toda a frase, tendo em conta o passado de arrivista tablóide do seu autor?

4. Entende esta expressão como uma confissão, um lapso freudiano ou um achaque gripal?

2.5.04

Propostas de Propaganda Santanista

Os The Galarzas, amigos de seu amigo e exemplares cidadãos, deixam aqui algumas propostas para novos cartazes da Câmara Municipal de Lisboa, versão Santanista:

«Em dois anos, deitámos abaixo mais de 2000 árvores.»

«Em dois anos, tapámos dois mil buraquinhos e abrimos um buracão.»

«Em dois anos, prometemos mais do que cumprimos.»

«Em dois anos, falámos mais do que fizemos.»

«Em dois anos, gastámos mais em carros e propaganda do que em trabalho, resolução de problemas e desenvolvimento da cidade.»

«Em dois anos, fizémos mais por nós próprios do que os outros. Falam, falam, mas estiveram cá 12 anos.»

«Falam e estiveram 12 anos no poder. Nós falamos mais e estamos há dois anos a foder(-vos).»

25 d'Abril

«Será que o nome ficou e a coisa já se foi?» - pergunta Alberto Pimenta...

Epá, esta é daquelas que merece

Clicai aqui, maiores de 18, alegada voz de jornalista que descobriu o caso Casa Pia.

Esclarecimento útil:
tacha - s. f., pequeno prego de cabeça chata e larga; brocha; tacho grande dos engenhos de açúcar; pop., dentes; fig., nódoa; defeito moral; arreganhar a —: mostrar os dentes, rir. (Dicionário online Priberam, Texto Editora, 2004)

tacha - Dentadura [na expressão está sempre a arreganhar/mostrar a tacha= está sempre a rir]. (Novo Dicionário de Calão, de Afonso Praça, Lisboa, 2001)

1.5.04

A.I.P.

O Belmiro já tentou doze vezes.
O Amorim vai todos os anos a Fátima rezar pela aceitação da sua candidatura.
Em vão.

Aníbal da Cruz Peitaças, secretário desta associação, afaga a sua perna de pau e dá lustro ao olho de vidro enquanto atira as candidaturas dos dois magnatas para o lixo.

Primeiro DesMaio

Gostaria de poder dizer que hoje não mexo uma palha, mas lamentavelmente já tive que ir ao palheiro.

Hoje não vais trabalhar

Música: Paulo de Carvalho, HOJE


Viva o Pimeio de Maio!