31.10.04

Tudo a ver...

Esta noite é Halloween. Depois de amanhã há eleições nos EUA. Será impressão minha ou haverá aqui qualquer coincidência indecente?

Podia ter sido...



...um excelente concerto! Mas não foi!
Os Elysian Fields são muito bons, a sua música é bela e inteligente (boas letras!), a menina que canta (chama-se Jennifer Charles e é a da foto) destila sexo e charme por todos os poros e o marmanjo que a acompanha (com o nome sui generis de Oren Bloedow) aguenta muito bem um concerto quase só com a guitarra e os respectivos pedais de efeitos.

Então o que falhou, esta noite, em Lisboa? Duas coisas:
1.º problema - Um local chamado Santiago Alquimista. O espaço é bonito, a acústica não é má, mas a preocupação deve ser apenas vender copos e prolongar a noite o mais possível. Valia mesmo a pena colocar uma banda (os portugueses Rose Blanket) a fazer a primeira parte, se esta começou a tocar já depois da meia-noite (o previsto era 23h00)? Para cúmulo, parece que o grupo (fraco, por sinal) tem uma espécie de assinatura vitalícia no Santiago, pois consta que quando toca a abrir concertos estão lá sempre... Isto fez com que quando os Elysian Fields entraram em palco, já passava da 1h00. Com os encores, a coisa acabou já depois das 2h30...

Isto conduz ao
2.º problema - Como boa parte do povo já tinha bebido uns copos a mais quando os Elysian Fields começaram, deve ter esquecido que tinha ido ao Santiago Alquimista para ouvir música. Resultado: conversas constantes em tom alto que se sobrepunham à calma intimista das canções do duo, bater de copos, conversas ao telemóvel, etc. Se tudo isto já é grave, que dizer de uma das empregadas do bar que, quando chamada à atenção por estar a gritar enquanto a banda tocava, ainda gozou com quem lhe fez o reparo (e parece que até era um seu superior hierárquico).

Agora pergunto eu: O público lisboeta é assim tão estúpido ao ponto de pagar 15 euros para ir a um concerto e esquecer-se que isso significa ouvir música? Ou será que é apenas falta de educação? Uma coisa é certa: apesar da propaganda do Santiago Alquimista como um bom local para ouvir música de qualidade ao vivo em Lisboa (e eles faltam...), este está longe de o ser. Urge uma definição do que querem ser. Ou então, metam apenas bandas nu-metal a tocar por lá, já que assim o barulho do palco abafa o dos copos do bar e das conversas de quem tem nozes mas não dentes para as mastigar. Já agora, a parte de pagar à saída o consumo também era dispensável. Mais 30 minutos para conseguir sair dá cabo da paciência a qualquer um - sobretudo à hora a que o concerto terminou!

Desculpa Septeto. O estado de espírito depois disto e de um dia de mudanças (a que vai seguir-se outro), assim como o adiantado da hora, não davam para grandes festejos...
Ao menos o início de noite foi verde lá para os lados de Penafiel e o Porto encostou na Madeira!

30.10.04

E se Pacheco Pereira fizesse "The Galarzas"...


(05:33 JPP)
EARLY MORNING BLOGS 007

Se não fosse cantora, seria obstetra

Ágata
A ‘mãe solteira’

anda a cantar
há 30 anos.
Longe
vão as Cocktail
e a canção
da Abelha Maia.
A nova Ágata
é mística,
tem poder de cura
e estaminé de reiki
aberto em Chaves.

Mas continua a
subir
ao palco
e a gravar CD.
O último é duplo
e chama-se ‘O Meu
Pequeno Fado’.
Já está
à venda.

(Fernanda Cachão)

*


(15:33 JPP)
NASA ERGO SUM




A menina estava a brincar na sala enquanto o pai via umas imagens estranhas. Si-Si olhou para o ecrã e disse: está aqui um gato. A mancha de negro."Aqui", na primeira imagem de radar da superfície do mais fascinante satélite de Saturno, Titã. Clorofila: as pessoas à espera para entrar na piscina. São Sebastião, Palhavã. Titã.


*

(19:33 JPP)
NO TEMPO DOS MORANGOS



Turner


Ao irmão septeto, hoje em órbita

AS CASAS VIERAM DE NOITE

As casas vieram de noite
De manhã são casas
À noite estendem os braços para o alto
fumegam vão partir

Fecham os olhos
percorrem grandes distâncias
como nuvens ou navios

As casas fluem de noite
sob a maré dos rios

São altamente mais dóceis
que as crianças
Dentro do estuque se fecham
pensativas

Tentam falar bem claro
no silêncio
com sua voz de telhas inclinadas

(de Luiza Neto Jorge, in Os Sítios Sitiados, Plátano. Lisboa, 1973)

O Saco

No meu tempo não haviam sacos de plástico, ou melhor; haviam poucos. O supermercado sentia-se satisfeito por ser super e nunca pensava em altas cavalarias: em ser hiper. Isso eram coisas que o supermercado não queria saber.
Nesse tempo o supermercado vendia os sacos de plástico como uma coisa valiosa e rara. Agora o hiper não quer saber das toneladas de co-responsabilidades que manda para as lixeiras todos os dias, nem a que pessoas põe estas coisas nas mãos.

Era a época em que as pessoas levavam uns sacos feios para ir às compras. Era sempre o mesmo saco durante muitos anos, feio, com uns desenhos feios, feitos de pano, ou de nylon, que eram só para ir às compras, mas não se gastavam sacos de plástico.

Os sacos de plástico não iam parar às lixeiras como agora. Quer dizer, iam mas muitos menos. Quando ninguém comprava sacos de plástico, forravam-se os caixotes do lixo nas casas com papéis de jornal e levava-se o lixo todos os dias para um contentor grande na rua. O lixo não ia todo embrulhadinho em sacos de plástico para as lixeiras como agora. Mas agora já ninguém gostaria de andar sempre a lavar os caixotes de lixo, como antigamente. Que nojo!

Antigamente também não havia ecologia e as coisas eram todas menos civilizadas.

O rei mago de Bush



Só faltava a aparição do inimigo, para a campanha nos states pender, definitivamente, para o lado W. Ei-lo, em toda a sua beleza, numa mensagem gravada em video.

Portanto, estamos assim: o nemesis de Kerry é Bush, mas o nemesis de Bush é Laden. Logo, Kerry e Laden combatem Bush. Logo, a malta apieda-se do W.

Até 2009, democratas! Suckers! Nem uma manobra de propaganda sabem fazer.

Que pena...

...não ter visto His Master's Voice a tentar fugir dos jornalistas no Parlamento através duma porta fechada.

«William Shatner is no "Has Been"»

O Jay Leno confirmou-nos o que NME já tinha ameaçado:

«Almost 35 years since the release of his debut album, William Shatner, television’s Captain Kirk, has teamed up with esteemed singer-songwriter Ben Folds to deliver what can only be described as one of the least highly anticipated albums of the year.»

William Shatner's Has Been

Senhoras e Senhores, Trekkers e trekkies... os The Galarzas têm a honra de apresentar... William Shatner com Joe Jackson e Ben Folds e a sua épica interpretação do hit dos Pulp... Common People!

Coragem... Sente-se, ligue as colunas, clique AQUI e... beware, be very aware!

29.10.04

Eis um gajo com 49 anos


Euro-wrestling

Findou o primeiro round do wrestling à moda europeia.

Rocky Buttilhon e El Durón foram encostados às cordas.

Dar uma curva

É coisa que nos caiu na caixa do correio. Claro que não nos apercebemos que isto é SPAM feito à maneira. Pois hoje nenhum de nós vai comer queijo, por isso dona Coisa (é o nome fictício da senhora que nos impingiu esta trampa), coma-o você mesma.

Joana,
Obrigado pelo teu convite, mas no próximo fim-de-semana vou com o Agrinaldo para o Inferno. Descobrimos agora o BacalhauPodre, que tem vinagre quase a metade do preço normal, e vamos aproveitar.Vamos para o Inferno, em Vitupério, conhecer o Cangaço e as praias do vómito. Vê lá que esta gente do BacalhauPodre tem, por exemplo, um Cemitério novinho em folha nas traseiras do Punhal a 18€ por morto para nós os dois; e, em Falsete, uma caixinha de 4 furos a 24 €, também para duas lagartas. É fabuloso! Está atenta ao BacalhauPodre que tem ladrões em todo o vendaval e ladrões excedentes. O site deles é: www.D.Coisa.vá-se.matar.não.nosencha.acaixa.delixo.com

Para a semana ligo-te.
Beijinhos Coisa

Alguns dos substantivos nesta missiva foram alterados com o intuito único de não ajudar à promoção da porcaria que nos quiseram vender. E com o outro propósito único de tentar insultar a senhora que a enviou.

Sapodependente



Porra! São piores que a droga! Quando querem agarrar o cliente, são só facilidades, nada de burocracias. O pior é na altura de abandonar o serviço, que pedem isto e mais aquilo e aqueloutro. Um nunca mais acabar de processos complicativos. Para quem não sabe do que estou a falar, é mesmo do sapo da PT (ou da Telepac ou do raio que o parta).

A Camorra do humor



Há algum canal de televisão, jornal, revista e agora até palco de teatro deste País onde não apareça regularmente material com o carimbo "Produções Fictícias"? Parece-me que não! O polvo anda, definitivamente, por aí. Aparentemente, tem piada e até diz que é subversivo. Na realidade, tem raízes napolitanas, é do mais instalado que pode existir (se eu fosse presidente do Sporting Clube de Portugal chamar-lhe-ia "O Sistema"), está em todas (pelo menos nas que pode estar...), reage mal a críticas e apenas em 10% dos casos tem realmente piada. Contudo, há quem diga que humor em Portugal é sinónimo de Produções Fictícias. Não, obrigado! Antes uma Frize e o inesperado e desvairado Pedro Tochas.

Euro-preocupações

Finalmente, Durão Barroso e Santana Lopes conseguiram o que mais desejavam: colocaram Portugal nas bocas do mundo. Ou pelo menos, nas de uma Europa preocupada (com o Caso Buttiglione da Comissão Barroso e com o Caso Marcelo e a Censura da Comichão Santana).

28.10.04

The End Sessions

John Peel: 1939-2004

Com atraso mas com a vénia devida, os The Galarzas prestam aqui mais de um minuto de silêncio a John Peel.

O mais importante «descobridor» da rádio britânica morreu no início desta semana. Tinha 65 anos e, ao longo das últimas quatro décadas, foi o mais incontornável e influente radio host do universo da música moderna.

Depois do tanto que tem sido dito, por lá e por cá e por aqui, as palavras de Bernard Sumner são o melhor epitáfio:

«If it wasn't for John Peel, there would be no Joy Division and no New Order.»

Cheers, Mr. Peel.

Ah, pois é!



E que dizer deste, que ainda agora foi para a Europa pura, dura e a sério e já descobriu como elas mordem... Aposto que já está a pensar que nunca devia ter saído do cantinho dele e deixado a casa de pantanas...
Afinal, parece que até existe justiça divina...

Desapareceu



No meio de toda a confusão em que o País está instalado, este senhor parece ter desaparecido como se não fosse nada com ele. E logo ele que não perde uma oportunidade para aparecer. A coisa começa a parecer um caso de polícia. Em todo o caso, isto se houver interessados em que ele apareça ou em procurá-lo, avisamos já que não pagamos o que quer que seja a quem, por acaso, o encontre.

27.10.04

Balseros

Uma fracção da família Galarza viu hoje o documentário Balseros, no Ministério da Cult...perdão, na Culturgest. Humano, intenso, muito bem filmado e recheado de gente que vai perdurar na memória.
Obviamente, recomenda-se.

A pressão



- Está lá?
- É da TVI?
- É Miguel Pais do Amaral. Quem fala?
- Ah! Conde, é Rui Gomes da Silva, senhor doutor.
- Quem?
- Rui Gomes da Silva. O ministro.
- Desculpe mas não sei quem é.
- Aquele dos óculos, vesgo, que era advogado.
- Pois, sabe, eu não sei quem o senhor é e o melhor é falar aqui com a minha...
- O senhor doutor, aquele que andava sempre com o Santana, o que perdeu a distrital de Lisboa para o António Preto, o que...
- Diga lá, homem, vá... (Ó Moniz, quem é este?)
- É por causa do Marcelo Rebelo de Sousa, senhor professor doutor.
- Se é para mandar livros, fale com o Júlio Magalhães ou com o outro, que não me lembro do nome dele...
- Não, daqui é Rui Gomes da Silva, o ministro.
- Sim, já sei. (Ó Moniz, a gente deve algum dinheiro a este gajo?)
- É que o patrão, digo, o senhor primeiro-ministro não gosta dos comentários do professor Marcelo, porque ele diz muito mal de nós.
- Oiça, escreva lá uma carta ao professor, que ele costuma ler as cartas das associações e das escolas, e até pode ser que leia a sua.
- Não é isso. É que queriamos que ele fosse despedido.
- O quê? (Ó Moniz, não foi este que nos emprestou dinheiro, pois não? Foi o outro que era do boxe, o da barbicha...)
- Olhe, espere lá, ó senhor professor Conde, que eu vou chamar o meu pai...
- ...
- Estou?
- É Miguel Pais do Amaral.
- Olá. Fala Mogais Sagmento.
- Olá, como está, senhor ministro. Então? Tem crianças em casa, já vi.
- Ó Miguel, você não acha aquilo do Magcelo uma gande estopada?
- Olhe que só vejo as audiências e gosto. (Ó Moniz, deixe lá os papeis, foi este que nos emprestou o dinheiro, pá.)
- Podió calá-lo?
- Perdão?
- Podió calá-lo?
- A quem?
- Ao Magcelo. Dava-nos jeito.
- Mas porquê?
- É que se fosse um comentador isento, sei lá, o Delgado, o Guibeigo Fegueiga, o Gaça Mouga... Agoga, esse gajo está a tognag-se iggitante.
- E as audiências, senhor ministro? (Ó Moniz, acha que também devo deixar de dizer os "erres", para não o ofender? O quê? Deixe, deixe...)
- A gente aganja-lhe aqui umas licenças paga a TV Cabo. Mais uns canais, umas coisinhas. E até dizemos aos gajos da Cofina, aqueles do Cogueio da Manhã, paga falaguem de negócios consigo.
- (Ó Moniz, saia lá um bocadinho. Isso, feche a porta. Não, não, estão óptimos, deixe aí a graxa que eu arrumo depois.) Ó senhor ministro, e o que é que eu faço ao José Eduardo?
- Sei lá, isso é consigo.
- Não o querem lá para a RTP? É que dava-me jeito que fossem todos embora. E aquele da hora de almoço, o que parece que anda sempre drogado...
- Hum?
- Desculpe, não era drogado que queria dizer, o que parece cheio de sono, cansado...
- Ponha lá o Magcelo a andag, que depois falamos. Adeus, Miguel.
- Adeus, senhor ministgo, ministro, perdão.

São Elos, Senhor!

É só um par de elos para uns sítios que se calhar fazem falta aos electro-leitores de toda a Galárzia.
O primeiro vai directo para o gordo Michael Moore: tem notícias, uma biblioteca, um guia de acção, umas coisas sobre os filmes, os militares e sobre uns gajos mete-nojo.
O segundo vai para as Leis de Murphy segundo o testemunho do professor catedrático Rafael. Coisa de grande qualidade para todas as famílias devidamente, científicamente cabimentado.

Poema de Godofredo Freire

Companhia dos lobos

Morde-me os calcanhares
Mostra que podes competir
Provavelmente, ser melhor
Do que eu alguma vez sonhe.

Arrasta-me a asa e deixa-me
Cair, até ao fundo do sono,
Com uma canção de embalar,
Abandona-me aos lobos bons.

in Ternas Selvajarias, Livros Perdidos, Alcabideche, 1979

O alfaiate vaidoso

Já se esquecera do nome, de tanto olhar para o espelho. Para si, assim como para os muitos clientes que o consultavam na ânsia de obterem um fato de bom corte, era apenas «O Alfaiate». E, de facto, os fatos eram de bom corte, na aparência tudo funcionava. Esquecera-se apenas de um pequeno pormenor: os fatos eram confeccionados num pequeno país do Extremo Oriente e as etiquetas arrancadas e substituídas pela sua marca. Da mesma forma, toda a alta sociedade da metrópole já se esquecera que «O Alfaiate» vivia num quarto dos fundos da pretensa oficina, assim como preferia ignorar as sucessivas conquistas femininas, os múltiplos casamentos que terminaram abruptamente e os filhos que foram sendo deixados pelo caminho. Hoje tudo lhe corria pelo melhor. O espelho não podia estar a mentir...

The Nader's Run



Clique ali na cara do senhor.

26.10.04

Perquisição

Devido às graves convulsões internas que têm afectado o meu bem-estar digestivo, convoco para a próxima reunião ordinária uma perquisição que clarifique as posições e que seja laxativa do modo interventivo deste azorrague que eu carrego em ombros e que se encontra sob a minha alçada ditatorial vitalícia.

O Presidente do Comité lateral

O Racional

O tipo mais racional que eu conheço é o meu cão. Só come ração.

Paúl de Exportações

Era um paúl à beira mar plantado que sobrevivia com umas couvitas e umas batatitas semeadas no quintal à porta de casa e numas quintazitas, que ficavam por entre a Estrada Nacional e a fábrica de pincéis. Este paúl, era o maior lodo do mundo, mas as pessoas de fora gostavam de cá vir passar férias e fazer uns negóciozinhos com os chefes indígenas, que eram uns porreiraços. Era uma fartura. Os senhores estrangeiros vinham às compras e, mesmo sem regatear, levavam sempre duas ou três peças pelo preço de uma.
A malta que andava a limpar as ruas e a pôr os pratos nas mesas dos senhores também era do mais porreiraço que havia. Os turistas lá dos outros sitios não queriam outra coisa, era só vir um destes galhofeiros, que logo eles se sentiam em casa. Ele era uma alegria. Até pareciam os criados bem educados que eles tinham lá em casa. Não diziam palavrões, faziam vénias e só cuspiam na sopa uns dos outros, talvez por de brincadeira, ou por umas vingançazitas lá deles (com esta rapaziada extrovertida nunca se sabia lá muito bem). Eram tão simpáticos os habitantes do Paúl Baixo, que muitas vezes até se podiam levar alguns para exportação, até porque eles se habituavam facilmente ao tempo nas outras terras e faziam tudo o que era preciso, fosse com calças vestidas ou mesmo que estivessem um bocadinho rotas. Mas não fazia mal, porque lá para onde eles iam, haviam aquecedores centrais em todas as casas: até os casebres mais lúgubres da periferia tinham lareira.

Poema de Godofredo Freire

Filigranas delgadas

O fantoche feudalista fedia
Na fajuta federação infiel.
Se um dia alguém o ouvir
Vai rebolar no chão a rir.

O professor que tudo sabia,
Falava de mais e lixou-se.
Foi calado sem contraditório
Serviu como bode expiatório.

Intestino, como estás delgado,
Por tantas ideias geniais criares
Na tua central de informações
Para jornais, rádios e televisões.

in Congestões Lírico-intestinais (Volume V), Edições Soltura, Mêda, 2002

Olha a pérola

Casa inacabada com baloiço na janela

"Moro numa casa inacabada
Feita de terra molhada
Com o céu às cavalitas
Entra, mas desculpa a confusão;
Anda tudo pelo chão,
Não contava com visitas

Comigo mora gente tão diferente
Que às vezes, pontualmente,
Só falamos por sinais;
Cada um tem na sua bagagem
Um bilhete de passagem
Pelos pontos cardeais

Na sala, uma velha cartomante
Lê ao cavaleiro errante
Um destino vencedor;
As cartas falam de perdas e danos
Para, no correr dos panos,
Encontrar o seu amor

Ao fundo, dorme um soldado sisudo
Com umas botas de faz-tudo
E uma paixão de aluguer;
O bêbado que está no quarto ao lado
Chora sempre em tom de fado
O amor de uma mulher

Aquela que tem o corpo na esquina
Diz que também foi menina
Há-de um dia ser feliz
O homem que a usou pelos quintais,
Como é norma entre iguais,
Compreende o que ela diz

Em cima fica o quarto dos amantes,
Dos poetas, viajantes
E dos loucos sem lugar;
Pintaram um baloiço na janela
Com a luz de uma aguarela
Para a lua baloiçar

Assim somos vizinhos de outras crenças,
De outros livros e sentenças
Outras formas de oração;
Mas quando a noite traz os seus momentos
Escapa destes aposentos
Um bater de coração

Revela-se a verdade nua e crua:
Chove mais do que na rua
Trago o fato ensopado
Aqui qualquer um é vagabundo,
Esta casa é todo o mundo
Falta só pôr o telhado"

João Monge, in "O Assobio da Cobra"

Nota do Editor

Obviamente, demito-me...

25.10.04

E um queijo?

Era só para agradecer ao gajo que pôs os espaços entre parágrafos na posta "Escrita em Dia (Reciclado)" o favor de com este arranjinho ter lixado a outra a seguir, que tinha o título "Aviso Posterior", que a partir de agora deixará obviamente de existir. R.I.P.
E que tal um queijinho, hem?

Vivámusica!

Coisa de cá...


E de Itália...

Protesto antecipado às postas seguintes

É da gente, ou a velocidade da net cá pelo País anda pelas bandas da amargura?

O quotidiano diário de Mário Malta

25 de Outubro

Em tempos anestesico-conturbados, o caixote do lixo é uma arma de protesto político do cidadão comum. É deixá-lo à torreira do sol, exalando um fedor que se torna um prolongamento e um sintoma do mau cheiro que vem de cima.

Que pena ser Inverno.

Sexo por cá e por lá *

Portugal

A área de promoção da saúde em meio escolar, que inclui a educação sexual, a prevenção da toxicodependência e a segurança alimentar, está sem coordenação desde Janeiro de 2003. A responsável da Comissão de Coordenação da Promoção e Educação para a Saúde (CCPES) do Ministério da Educação, Isabel Loureiro, que ocupava o lugar desde Maio de 1997, demitiu-se nessa data e não foi substituída.

A situação de paralisia que se vive nestas áreas, consideradas, em todos os discursos políticos, como «fundamentais», é simbolizada no site do Ministério: a última actualização efectuada nas páginas afectas à CCPES data de 2 de Abril de 2002 - quatro dias antes da tomada de posse de Durão Barroso. A coordenação do organismo aparece como estando ainda atribuída a Isabel Loureiro e os telefones indicados como contacto não funcionam.

Na verdade, a CCPES, criada pelo governo de Guterres, foi desmantelada. E uma das suas atribuições essenciais, a sempre sensível educação sexual (ES), que quando o governo de Durão entrou em funções estava a dar os primeiros passos sob uma nova lei - em vigor desde 2001, substituindo a de 1984 -, «parou». O motivo era simples: antes mesmo de conhecer os resultados do inquérito efectuado em 2003 às escolas sobre a aplicação da lei e poder assim avaliar o que havia sido feito, o Governo decidira mudar tudo. E tudo parou, mesmo se Portugal assistia já a uma subida alarmante na infecção de HIV por via sexual, nomeadamente nos jovens - não esquecendo a persistente gravidez adolescente.

A responsável da tutela, a secretária de Estado Mariana Cascais (nomeada pelo PP), terá, desde o início, evidenciado pouco interesse pelas estruturas e soluções existentes. De tal forma que o então Ministro da Educação, David Justino, viria a assumir a tutela da ES, solicitando a um grupo de peritos uma reflexão sobre a nova área curricular. Sobre esta pouco se sabe.

Hoje, o assunto está agora nas mãos de outro secretário de Estado do PP, Diogo Feio. Coloca-se a hipótese de a disciplina ser opcional - uma velha exigência do Partido Popular e da Igreja Católica.


França

O primeiro canal de televisão homossexual francês nasce esta noite. Chama-se Pink TV e será divulgado aos gauleses às 20h40 locais, durante o noticiário da noite da estação TF1, o mais visto de França. A explicação é simples.

Sendo um canal de ruptura, no plano cultural, o Pink TV é também um negócio. E mobilizou alguns dos principais operadores televisivos franceses, que olham este canal por cabo e de acesso pago (a assinatura custa 9 euros por mês) como uma oportunidade para chegar a um público com elevado poder de compra. De acordo com uma sondagem, a comunidade homossexual em França conta com 3,5 milhões de membros.

O director do canal, Pascal Houzelot, é também o principal accionista, com uma participação de 30% no capital da estação. Os outros parceiros são o Canal Plus (17,5%), a TF1 (11,5%), a M6 (9,2%), o grupo de telemática Connection (9,2%) e Jean-Luc Lagardère (8,7%), entre outros.

A directora de programas, Caroline Comte, definiu a estação como «aberta, federadora e cultural», em declarações ao diário Libération, que ontem dedicava a primeira página ao novo projecto.

Pascal Houzelot, um ex-conselheiro do Presidente Jacques Chirac, afirma que o canal poderá conquistar entre 100 a 180 mil assinantes. O equilíbrio financeiro será atingido em 2007, afirma. As assinaturas deverão garantir 80% das receitas e a publicidade 20%. Os anunciantes estão ainda a encarar com alguma reserva este novo projecto.

O orçamento da Pink TV ascende a 12 milhões de euros. Os conteúdos pornográficos vão ser um dos grandes atractivos do canal, onde haverá ainda espaço para séries, filmes abordando temáticas homossexuais, cinema clássico, teatro, dança, ópera, animação manga, concertos rock ou vídeo experimental.

* com o amável patrocínio do Diário de Notícias

Por seu turno...

Jorge Sampaio avisou ontem que o sistema democrático nunca é uma realidade totalmente adquirida. «É sempre preciso renovar a democracia», advertiu o Presidente da República.

Nota do Galarza: Foi por isso que não convocou eleições há uns meses. O que vale é ele estar à beira de ser renovado... para fora de Belém.

Finge que não quer, mas quer mesmo!



Dúvida existencial...
Aníbal Cavaco Silva, antigo Primeiro-Ministro disse, este domingo, no Fundão, que é prematuro, nesta altura, falar sobre a sua possível candidatura ao cargo de Presidente da República. «Eu disse, há já algum tempo, que um mês ou seis meses em política são uma eternidade», declarou. Cavaco deixou claro que é necessário «ter cuidado quando se fala muito antecipadamente sobre acontecimentos diversos, nomeadamente políticos».

...Mas só para enganar!
Relativamente às SCUTs (autoestradas sem custos para o utilizador), Cavaco Silva admitiu que esta não é uma matéria pacífica. «Foi cometido um erro há algum tempo, dando a ideia de que há almoços grátis. Mas o que se pensa que é gratuito, alguém vai ter sempre que pagar», comentou.

24.10.04

Escrita em Dia

(Reciclado)

Escrever coisas, muitas. Muitas coisas só com coisas em palavras, mas com muitas coisas. Eu gosto de escrever estas coisas, com todas as coisas que eu gosto de escrever. É bom poder escrever estas coisas que são agradáveis e que são culturais porque são escritas. É importante poder escrever coisas para as pessoas poderem ler coisas, porque assim é que as pessoas têm cultura e são humanas.

Escrever coisas que as pessoas lêem é uma actividade muito apreciada pelas pessoas que lêem coisas, porque assim elas fazem uma comunidade. É a ler que as pessoas que lêem coisas se sentem bem, porque podem ter cultura em conjunto umas com as outras e assim estão em harmonia cultural, mesmo que passem a vida a discutir as coisas que lêem. Não é que estejam zangadas umas com as outras; é que às vezes umas gostam mais de ler umas coisas do que outras. Então, fazem escolas especiais para falar das coisas que as outras pessoas escreveram e ensinam as pessoas a discutir bem as coisas que foram escritas.

Às vezes essas pessoas que ensinam a ler e a discutir também escrevem coisas para as outras pessoas lerem. As coisas escritas pelas pessoas que ensinam a ler coisas escritas por outras pessoas, quando escrevem, escrevem coisas que as pessoas importantes entre as pessoas que discutem as coisas que são escritas por outras pessoas consideram muito importantes. São normalmente coisas que as pessoas que lêem coisas escritas têm em grande consideração.

Às vezes há pessoas que gostam de ler coisas escritas por outras pessoas, que não entendem muito bem as coisas escritas pelas pessoas que discutem as coisas escritas pelas pessoas importantes da escrita. Essas pessoas preferem ler as coisas que não precisam de ser discutidas, como estórias, histórias e História, porque são coisas que não precisam de ser discutidas paras serem lidas.

A História também é uma coisa que normalmente é discutida pelas pessoas importantes das escolas onde se ensina a discutir, mas o valor literário dessa escrita não é discutido porque nessa discussão o importante é a História que se está a discutir e não a maneira como as pessoas que escrevem História escrevem a estória.

Mas as pessoas que gostam de ser cultas e lêem coisas escritas por outras pessoas, a maior parte das vezes gostam de ler coisas escritas por outras pessoas, gostam de ler, só para estarem entretidas a ler. A prova de que não lhes interessa muito discutir as coisas escritas por outras pessoas, é que essas pessoas até são capazes de ler nos transportes, como por exemplo nos comboios quando vão para os empregos logo pela manhã. As coisas lidas pelas pessoas que não escrevem coisas, no comboio logo pela manhã, servem para ajudá-las a passar o tempo da viagem de comboio logo pela manhã. Ainda por cima, têm a vantagem de ler só as coisas que outras pessoas escreveram que mais lhes interessa ler. Como essas pessoas não são obrigadas a saber exactamente o que as outras pessoas escreveram, podem ler à vontade sem se preocuparem em decorar as coisas que as outras pessoas escreveram para as pessoas lerem.

Razátilas

Acariládum buxengo lanata
bustino jameca si toi
mangalanga pipóta zirada
vazela sanela contoi

Óscar Machico, in «Varaxinos, Bruelas, Trelais», Pubilecas Zurengas, 2004

Amigo de catálogo

O miúdo aponta com invulgar alegria para o catálogo frágil da Chicco. Acaba de descobrir a fotografia de um amigo próximo, o Alfredo, que vive entre a terceira e a sétima grade da sua cama, corpo de felpo e algodão. O miúdo deve estar contente, já que lança vários suspiros de alegria. Que bom deve ser encontrar um amigo de catálogo.

Camões

Nova obra, inédita, do grande poeta. Com 10 Cantos, 2 Livres e 1 Penalty.

O quotidiano diário de Mário Malta

24 de Outubro

Boa parte da tensão citadina deve-se aos semáforos. O vermelho, catalisador de paixões, gasolina da impaciência, devia dar lugar a um azul celeste, acompanhado de sons pré-gravados de balidos de ovelhas.

Clube de Feridos «Os Belenenses»

Caro Quinto:

Infelizmente, não pude deslocar-me a Alvalade, dado que junto à Academia do Sporting, em Alcochete, os Pet Shop Boys deram um grande espectáculo. Felizmente, este foi bem mais económico e de menor sofrimento do que aquele a que assististes, mas que terminou em beleza, muito por acção da dupla Douala/Liedson.



Contudo, quer parecer-me, pelo tom das tuas lamúrias, que estas são apenas sinónimo de algum mau perder, como que, subitamente, também tu tivesses sido acometido do síndrome dos irmãos siameses Veiga/Vieira (presidentes do benfica) pós-derrota contra o FC Porto. Por este andar, qualquer dia acabas a falar em champanhe...

Concordo contigo quando falas do alto preço dos bilhetes, sobretudo para vermos espectáculos futebolísticos como os da nossa Liga muito pouco Super. Mas isso também é, e muito, culpa das equipas que entram em campo somente para não perder - como parece ter sido o caso do teu Belenenses. A ideia peregrina dos bares só funcionarem a cartões também é para esquecer, mas podes sempre aproveitar e voltar ao estádio daqui a algumas jornadas (ou na próxima época ou para ver a selecção ou para a taça, etc...). Quanto aos parques de estacionamento e à tua saída atribulada seguida de circuito turístico por locais de eleição, creio que isso será uma sensação de insegurança causada pela derrota mal digerida ou, atrevo-me a dizer, mesmo alguma nabice tua - para a próxima pede, que te faço um mapa.

Aproveito ainda para desejar-te uma rápida convalescença e uma boa semana a lamber as feridas. Já agora, parabéns à Quinta (à tua, não à das celebridades!).

Atenciosamente

Sporting Chulo de Portugal *

Este Galarza foi esta noite à bola, ver o dérbi da casa. E regressou amargurado. Como se não bastasse o facto da sua equipa ter perdido injustamente (é verdade que o Belenenses não jogou, mas o Sporting passou 75 minutos a jogar mal, a mandar bolas para as bancadas, a chutar para o ar e a passar a bola ao árbitro), ainda lhe calhou em sorte perceber como funciona o mealheiro de Alvalade.

Ora vejamos. Os bilhetes custavam uns inacreditáveis 30€, seis-contos-seis (felizmente, saiu-me em rifa, senão...). Os bares não aceitam dinheiro - obrigam à compra de cartões de valores vários (2,50€, 5€ e 7,50€), o que me fez ter de trazer para casa um cartão que vale 2€ e que felizmente posso usar em todo o lado... desde que seja num bar do Estádio de Alvalade. Por fim, ainda perdi mais de meia hora a tentar sair de um parque de estacionamento improvisado, sem qualquer sinalização ou segurança. Depois ainda andei às voltas pela Alta de Lisboa, Musgueira e por pouco não fui ver o sítio onde caiu o avião do Sá Carneiro. Só para entrar na 2ª Circular.

Agora sim, percebo porque é que todos os fins de semana, milhões de portugueses vão à bola. É uma aventura - e nós, portugueses, é de aventura que gostamos!

(* sem ofensa para os Galarzas sportinguistas e para os sportinguistas em geral; aliás, a Quinta manda dizer que está contente)

23.10.04

O ódio é um gajo estranho

O que é que os Oasis, a cantora Jessica Simpson, a actriz Hillary Duff, o falecido Christopher Reeve, o Star Trek, o Garfield, as vacas e o Natal têm em comum?

O mundo é um gajo estranho


Nitrato de Sólido

Desta vez, o Comandante Sénior Silva sabia bem ao que ia. Já não era a primeira vez que o veterano de tantas guerras e rebeldias dava de caras com episódios desta natureza. A primeira vez - ainda se lembrava como se tivesse sido ontem - foi a mais difícil. Era ainda um jovem júnior, quando um telefonema para a sede o obrigara a correr para o local do vil acto. Lá chegado, o vómito foi mais urgente que a sensação de dever por cumprir.

Hoje não. Hoje, o Comandante é um Sénior graduado e uma chamada urgente já é recebida com a naturalidade de quem tem muitos anos disto e a calma de quem já viu e viveu tudo o que tinha para ver e viver. Afinal, se fizermos bem as contas, coisas destas acontecem todos os dias em todo o lado - é só preciso estar atento e conhecer os sinais.

Quantas vezes já não vimos nós pequenos monstros azulados de orenhas espigadas e sete braços sentados a ler o jornal de antes de ontem no banco do jardim? Quantas vezes não fomos nós ultrapassados na fila do supermercado por uma tartaruga avermelhada de olhos rasgados e cabelos louros a pedir apressadamente «Bzi-can-tro-lip! Bzi-can-tro-lip!»? Quantas vezes não sentimos vontade de dar uma palmadinha nas costas daqueles pobres montículos de nhanha verde com asas partidas, caídos enfermos no passeio junto ao parque? Quantas vezes não chamámos nomes feios aos gigantes de três pernas e oito olhos e quatro bocas e dois cérebros pendurados à cintura, só porque se esqueceram de trazer a salada?

E quantas vezes o Comandante Sénior Silva já não tinha sido chamado para resolver mais um não-crime à porta da Pensão Cléfikyt? Quantas vezes já não tinha visto aquele cenário: uma poça de sangue alaranjado, restos de poeira e seda e a terrível sensação de que aquele bricantífolo se tinha suicidado? Ou não fossem os bricantífolos a maior anedota da criação, suicidários por natureza e tradição, com um gosto matreiro por incriminar o próximo...

O Comandante Sénior Silva sabia bem ao que ia. Levou o seu tempo, entrou no café da esquina, sentou-se ao balcão, pediu a habitual dose de nitrato e o costumeiro dónut à elegante gafanhota rôxa por quem tinha um fraquinho e pensou: «é hoje».

22.10.04

O regresso do Inspector Varejeira - A Cavala (1)

«Não há ninguém tão habilitado para lidar com alimárias como você, homem, até no estrangeiro o conhecem como O Inspector Bestial. A Nação precisa de si

Foi com esta frase que o Superintendente Garcia me convenceu a suspender a actividade de aposentado. Falam-me da Nação e não consigo dizer não.
Com um olhar de luxúria engasgada, despedi-me dos meus serenos aposentos e parti para a costa algarvia. Em Sagres esperava-me a agente Gomes, baixinha e tão magra que diziam conseguir entrar e saír das celas da esquadra sem chave.

«A coisa está feia, senhor inspector. Temos uma cavala à solta e o povo está aterrorizado. Uns dizem que não passa de sardinha mascarada, outros crêem que os seus actos são involuntários. Até há quem jure que se trata do Infante D.Henrique reencarnado, ou melhor, reempeixado.»

O quotidiano diário de Mário Malta

22 de Outubro

Pela primeira vez este ano, vi formigas com asas. Caíam que nem moscas nos passeios. Quererão dizer-nos algo?

O túnel

O PM dizia esta semana que já via luz ao fundo do túnel. Agora, o túnel está fechado. O outro túnel nem sequer começa. De que túnel fala Santana?

Predadores III

Predadores II



A vice-presidente cessante da Comissão Europeia, a espanhola Loyola de Palácio, afirmou ontem que está à «espera que (Fidel) Castro morra», porque a morte do presidente cubano é «a única solução para a democratização de Cuba». «Todos estamos à espera que Castro morra», afirmou De Palácio numa conversa informal com um grupo de jornalistas, defendendo que a morte do histórico líder cubano é a única forma de mudar a situação e de a democracia chegar à Ilha. «Esperamos, mas não desejamos» o falecimento de Castro, ressalvou. «Não digo que o matem, digo é que morra, porque duvido que mude enquanto viver», acrescentou a vice-presidente da Comissão numa reunião de despedida com os jornalistas espanhóis em Bruxelas antes de finalizar o seu mandato, no próximo dia 31 de Outubro.

Nesta reunião, De Palácio criticou a política do governo socialista espanhol de restabelecer um diálogo com as autoridades cubanas. De Palacio salientou que «preferiria» que ocorresse uma mudança na postura de Castro, mas considerou-o «improvável». «Eu não desejo a morte a ninguém, mas a única solução seria que Castro desaparecesse», acrescentou. Afirmou, a propósito, que o seu desejo é que «quanto antes, haja liberdade em Cuba». Considerou que para alcançá-la o desejável seria que Castro procedesse às mudanças e não ter de esperar que o líder cubano desapareça.

O presidente cubano, Fidel Castro, 78 anos, fracturou o joelho esquerdo e feriu-se no braço direito depois de uma queda quarta-feira à noite no final de um discurso em Santa Clara, no leste de Cuba, anunciaram hoje fontes oficiais. Perante as câmaras de televisão e numerosos fotógrafos, Castro tropeçou e caiu, sendo prontamente socorrido.

Fonte: Agência Lusa

Predadores I



Portugal é o segundo país do mundo que mais contribui para a redução das espécies marinhas, por causa do elevado consumo de bacalhau, revela o Relatório Planeta Vivo 2004 da organização ambiental World Wide Fund (WWF), ontem divulgado. Baseando-se em dados de 2002, o estudo da organização ambiental World Wide Fund (WWF) - que mede o impacto do homem sobre o planeta - indica que, em média, cada português consome anualmente recursos marinhos de 1,25 hectares, quando a média do mundo é de 0,13 hectares. Só a Noruega (com 1,28 hectares) ultrapassa Portugal no ranking mundial da destruição do meio marinho, o que a WWF explica com o elevado consumo de bacalhau nestes dois países.

«É um problema de tradição alimentar. Tanto em Portugal como na Noruega o consumo de bacalhau é muito elevado, o que tem graves consequências no meio marinho uma vez que o bacalhau está no topo da cadeia alimentar», explicou à agência Lusa o porta-voz em Portugal da WWF, Eduardo Gonçalves. Se as plantas como o fito plâncton fazem parte do primeiro nível da cadeia alimentar, e o zooplâncton e outros animais que se alimentam deles fazem parte do segundo nível, as espécies como o bacalhau e o atum encontram-se no quarto nível, o topo da cadeia alimentar.

A WWF estima que a quantidade destes peixes de alto nível tenha diminuído em cerca de dois terços no Atlântico Norte entre 1950 e 2000, em grande parte por causa da pesca. À medida que diminuíram os predadores principais (como o bacalhau), as espécies do terceiro nível tornaram-se mais abundantes, mas também começaram a ser cada vez mais um alvo dos pescadores. «Os bacalhaus mais pequenos começaram também a ser pescados e, como estes bacalhaus ainda jovens se alimentam de peixes mais pequenos, isto agravou efeito da redução da cadeia alimentar através da pesca», explicou Eduardo Gonçalves.

Além da redução das espécies marinhas, aquele responsável da WWF alertou para a diminuição mundial das populações de espécies terrestres, que foi de cerca de 30 por cento entre 1970 e 2000. «Portugal tem uma situação muito grave também nas espécies terrestres. Já desapareceu a águia imperial ibérica e, agora, está em vias de acontecer o mesmo com o lince ibério», comentou Eduardo Gonçalves. Este responsável salientou que o eventual desaparecimento do lince significa a primeira extinção de uma espécie felina há mais de dez mil anos. »Talvez se isso acontecer o governo português comece a ponderar o impacto habitats da construção de barragens ou auto-estradas para as espécies e habitats», afirmou.

Eduardo Gonçalves criticou ainda o nível de emissões de dióxido de carbono em Portugal: «Ao mesmo tempo que a União Europeia se esforça para reduzir as emissões, Portugal teve um aumento superior a 40 por cento nos últimos 14 anos». A WWF considera também preocupante a «pegada ecológica» - a relação entre o consumo de recursos naturais pela homem e a capacidade produtiva da natureza - de Portugal, que é de 5,2 hectares/habitante por ano, a 18ª mais elevada das 60 nações estudadas pela organização. «Os incêndios florestais são cada vez mais graves. Os picos de frio e de calor cada vez mais intensos. Gradualmente, as alterações climáticas manifestam-se de forma mais evidente. Há que fazer alguma coisa», conclui o porta-voz da WWF em Portugal

Fonte: Agência Lusa

21.10.04

Um grande, grande disparate português

Delfins Not Deaf!

Já está nas lojas a colectânea Delfins Not Dead! - um álbum de tributo aos Delfins, organizado pelos Delfins, com a benção dos fãs dos Delfins, e com 15 novas bandas portuguesas que actuaram no bar dos Delfins. Este Galarza já ouviu e ainda lhe doem os ouvidos... A ideia é boa - bandas de áreas mais pesadas a brincarem com a pop light dos Delfins -, mas a concretização é insipiente. E depois há a piada universal: uma banda que organiza o seu próprio álbum de homenagem (nem o David Bowie conseguiu isso!) para lembrar que ainda está viva. É d'homem!

Um grande, grande filme português



Estreia-se hoje Noite Escura, tragédia grega transposta para a realidade de um bar de alterne do Norte de Portugal. Violento, negro, duro e com excelentes interpretações (Beatriz Batarda, Fernando Luís, Rita Blanco, Cleia Almeida), é uma óptima oportunidade para acabar com o preconceito em relação ao cinema que se faz por cá e um dos filmes maiores deste 2004 quase a terminar. Este Galarza já viu e recomenda vivamente.

Essa é que é essa!

«A comunicação social é e será com este Governo uma comunicação social cada vez mais livre.»

Nuno Morais Sarmento, ministro de Estado e da Presidência, ontem no Parlamento.

NOTA: E quem quiser que não acredite! O problema é que o PS do senhor Sócrates parece igual.

i (2)

Afinal, esta noite, foram três Galarzas e uma Quinta ver o pequeno mas agradável recital dos Magnetic Fields à Aula Magna de Lisboa. Foi bonito. E o concerto também (eles até tocaram muitas músicas, novas e velhas, mas como são todas pequeninas, o concerto também foi pequenino - mas foi bonito, sim senhor). E a sanita quadrada com uma grade da casa de banho dos homens também era bonita...

ADENDA PÓS-POSTA:
Afinal, foram quatro Galarzas, uma Quinta e uma X-Acta. E pensamos que o número venha a aumentar com o passar dos dias...

20.10.04

A Finta

...E vai Gomes, vai, tem Marcelo à frente, pica a bola, provoca a falta e aí está, Marcelo cai sozinho mas o árbitro diz que o professor fez carga e mostra o cartão amarelo. É livre para o Governo. Toca Sarmento, curto, para Gomes, que agarra a bola e segue, está já na comissão parlamentar, finta o arquitecto Saraiva, finta o Zé Público Fernandes, que faz de parede! Que muro, minhanossasenhora! É falta, a favor do Governo! Zé Público está a protestar e leva um cartão amarelo. Com este jogo o treinador Santana já conseguiu encostar a equipa dos Jornalistas à defesa. E é novamente Sarmento a cobrar, mais longo, para o coração da RTP, entra Gomes, pára no peito, toca para a desmarcação de Sarmento, está na pequena área, vai atirar contra o modelo público de televisão e... é mão de Arons de Carvalho, que estava a marcar, homem a homem, Mário Crespo. E é penalty! É mostrado o cartão com a nova lei de imprensa a Arons de Carvalho, que abandona o campo. É um sururu no estádio que não se consegue ouvir nada. Uma barulheira infernal, com o sindicato dos jornalistas e todas as primadonas das redacções a protestar contra Sampaio, mas o juiz da partida manda marcar...

Susto

Ao ler as gordas hoje caíu-me um coração e um rim aos pés:

Coligação Poderá Ter Que Ficar Mais Cinco Anos.

Só depois constatei aliviado que a notícia se referia ao Iraque e não ao panorama político português...

Livra.

i

Esta noite, dois Galarzas e um apêndice vão à Aula Magna de Lisboa para ouvir cantar estes senhores:

The Magnetic Fields.

É só para pôr os pontos nos is.

O Estado da Nação

Ministro da Presidência defende «limites à independência» da televisão e das rádios do Estado;
Ministro dos Assuntos Parlamentares responde sobre acusação de censura com teoria da cabala;
Ministro dos Negócios Estrangeiros acusado de racismo;
Ministra da Educação responde sobre o falhanço da colocação de professores com um «apesar de tudo, até correu bem...»;
Procurador-Geral pronuncia-se descaradamente sobre processos em andamento...
E quem se fode é o mexilhão, que agora até a merda do very typical copo d'água nos querem cobrar!

«Volta Vasco (nem que seja para a consulta externa)!»

Pelo andar da carruagem, dá-me ideia que os velhotes da Soeiro Pereira Gomes ainda vão pedir ao Álvaro Cunhal que volte ao Partido... Digo eu.

Escolha outonal



Um disco para o início do Outono chuvoso propriamente dito. O líder deste sexteto nova-iorquino chama-se Ben Allison, é contrabaixista, e o grupo pratica um jazz com boa dose de improvisação e risco mas que não necessita de nos ferir os ouvidos.

19.10.04