31.8.04

A propósito de Rock n'Roll...

...aqui ficam um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez, onze, doze links que têm alguma coisa a ver com o assunto em questão. Ou talvez não. Enfim, definitivamente, não...

Sexo, Drogas e Rock N'Roll:

1. «Dualidade: É uma ex não nos sair do pensamento e outra não nos sair das fantasias.»

2. «(...) the greatest harm associated with marijuana is prison.»

3. «(...) a particularly offensive ditty sung by Whitney Houston was playing in the background. This tune started (...) with what surely must be the most insipid lyric in the history of what Little Richard calls “Rock-n-Roll” and Tom Lehrer more reasonably refers to as “children’s music”. Whitney warbled: “I believe that children are the future…”»

Asneira chegou!



- Estou? É da Caixa? Queria marcar uma consulta para o otorrino.

A Propósito

O Exmº. Sr. Presidente da República, Comandante Supremo das Forças Armadas, disse-nos à poucos minutos nos telejornais que ainda ninguém lhe tinha explicado o porquê da utilização de navios de guerra para impedir que o Borndiep (navio civil, não armado que veio aí a fazer postas de abortagem) entrasse nas águas territoriais portuguesas.
É Comandante Supremo do quê?

Eu Abortei

Foi executado esta tarde com perfeição, profissionalismo e todas as melhores condições sanitárias, a bordo do navio da Marinha Vaginal Holandesa, Borndiep, o aborto ontem solicitado pelo Deputado à Assembleia da República, Francisco Louçã.

A também deputada Jamila Madeira, aproveitando estar em águas internacionais, também despejou a sua água de bacalhau, enquanto a sua colega Odete Santos reservou para mais tarde o seu direito de abortar porque, segundo nos foi explicado, a Sra. Deputada teria feito um almoço bastante pesado e condimentado e a prática do aborto nessa situação poderia provocar-lhe uma indigestão grave.

De momento ainda não nos foi facultada a lista de abortantes para amanhã.

Crónica de Lobo Antunes sobre Zé Maria

Os gatos lá estavam, à janela, um deles ainda constipado com o que fizeste, do dia em que me apercebi que o teu telefone não tocava, eu na casa de Benfica a ver as pessoas passar, a dobrar a esquina, e tu vertiginoso pela calçada abaixo, ao gritos, como se em Agosto alguém ligasse a isso, como se procurasses algo mais do que uma vida simples como tinhamos em África
o teu pai telefonou-me, tem o microondas avariado, o general continua a poder comer sopas, não sei o que te diga
e quarta-feira vou buscar a tua toalha amarela, aquela com que escondias vergonha mas que deitaste fora, quando os bofes já não aguentavam mais, e o sol era uma bola amarela, um peso enorme que estava em pêndulo sobre ti, os teus sentidos a cederem e os gatos em protesto não ronronavam
eu em Benfica, na velha casa, onde o reboco se começava a ver por debaixo desse castanho claro que inventaram nos anos oitenta, tu ainda novo, sem saberes que um dia estarias cá em casa, que eu cuidaria de ti e, em troca, tu me fazias o avançado, tratavas das galinhas no quintal, fechavas a marquise e sem calor, ficávamos ali a bebericar uma torpe tarde de Agosto, igual àquela em que apareceste na clínica,
o coronel com as sopinhas, em África, e tu longe, a carregar o fardo, até que te despiste, até que correste para o rio, até que por um segundo te transformavas no desespero voador, vindo da casa fechada, pior que a PIDE, mil olhos sobre ti, a loira com quarenta anos a cismar que tu namorarias com a loira gorda
o coronel molhava o pão na sopa, em Benfica, a imaginar África nas ruas, os carros eram pacaças e impalas

Stupid Season

Manchete do prestigiadíssimo jornal 24Horas de hoje:

«'Ele está muito melhor', diz a família». 'De quem?', perguntamos nós

ESCRITOR FAMOSO CONTROLA ZÉ MARIA
António Lobo Antunes é psiquiatra e manda na clínica
onde o vencedor do Big Brother está internado


Alguém faz o favor de dizer a este jornal o que é que se passa neste país? Alguém me faz o favor de dizer o que é que se passa neste país?

Lisboa é o quê?

Não, não me apetece falar sobre aparelhos que flutuam na água. Apetece-me mais voltar atrás e recordar a obra lisboeta do agora primeiro de alguns portugueses (o que nem sequer inclui todos os membros do seu partido).

Passava eu esta tarde pelo Marquês de Pombal (ou o que dele resta), quando começo a ler os dizeres dos tapumes que disfarçam (mal!) o buracão acompanhado de um monte de entulho também conhecido pela "oitava colina de Lisboa". E não é que estes têm inscrições do tipo «Lisboa é boa para se morar», «Lisboa bonita para visitar» e outras frases inócuas e semelhantes ali deixadas como única herança visível pelo "iluminado" Pedrito não só da Figueira da Foz como de Lisboa e agora também de Portugal.

Perante este cenário, alguém acredita no que lê ou, pior ainda, que este não é um país terceiro-mundista?

No i-mail, a mensagem seguinte:

«caros senhores,
há uns anos, num bairro histórico da nossa capital podia ler-se uma frase
bombástica e enigmática:

viva hilter!

assim mesmo, sem mais. sempre me perguntei quem teria sido o seu autor.
se o conhecerem, digam qualquer coisa.
parabéns pelo berloque e viva a república, qualquer república menos a nossa.
changuito»

The Galarzas contactaram Goebbels, mas este negou a autoria.

Exclusivo Explosivo

Os The Galarzas souberam esta madrugada que o deputado Francisco Louçã vai amanhã visitar o chamado "Barco do Amor", não para apoiar a causa do pró aborto, como foi comunicado aos jornalistas, mas sim para ele próprio fazer um dito.

Eis aqui as provas irrefutáveis e conclusivas, conseguidas através de gravações lícitas de um jornalista de um periódico que não vamos mencionar, mas que é vendido todas as manhãs e entregue através dos serviços dos correios.


A ecografia que o sr. deputado irá
amanhã apresentar no Barco do Aborto

30.8.04

Cacilheiro médico

Seguindo o exemplo do Barco do Aborto, o ministério da Saúde vai disponibilizar, já a partir de amanhã, as seguintes embarcações:

O Cacilheiro da Desvitalização Molar
O Catamarã da Neurocirurgia
O Rabelo da Lavagem ao Estômago
O Moliceiro do Enfarte
O Poveiro da Apendicite
A Escuna do Pé de Atleta
A Fragata da Sinusite
O Carocho da Overdose
O Varino da Catalepsia
O Barrel da Ejaculação Precoce
A Traineira da Calvice
A Bateira da Frigidez

Elo

Elo gratuito e a completo despropósito. A função lógica deste espaço de colagem não o é. Encha-se mais uma folhinha com os restos deixados ao abandono pela sociedade de consumo.

A Tia

A minha tia cheira mal.
A minha tia é sentenciosa, coscuvilheira, estúpida, ignorante com muito gosto de sê-lo, imbecil, ranhosa, provinciana com a mania que é muito cosmopolita porque já esteve em Espanha, tem a mania que sabe cantar a canção do bandido, é ordinária, não consegue falar sem ser aos berros, é histérica, mora num prédio cor-de-rosa, pensa que sabe alguma coisa, é idiota, decora a casa com quinquilharia da China e jarrinhas de barro pintadas com tinta de esmalte verde fluorescente, tem um marido sem cérebro e uma filha nojenta, e julga-se uma senhora.
Qualquer dia dou-lhe uma cotovelada nos olhos e proíbo-a de entrar em minha casa.
Gostava que ela morresse de sífilis!

Ex Citador

Ainda a aborto a navegar num blogoceano nem sempre pacífico:

«Há um outro barco que me lembro de ter sido barrado com terra à vista: o Lusitânia Express, nas costas de Timor, pelo regime ditatorial de Suharto.»

«A puta da realidade não há maneira de se conformar às nossas convicções.»

Aviso Inter-Galárzico

Informo os nossos electro-espectadores, família Galarza em restrito e em geral, para o belo acontecimento de que fui alvo, parte fulcral, porque não actor principal na noite que há bocado terminou. Pois tenho a honra e a distinta soberba de anunciar que nesta referida noite me fiz acompanhar à cama por cinco mulheres, com idades compreendidas entre os treze e os vinte e oito anos, que comigo permaneceram carinhosas até ao romper do novo dia. Foi bonito e muito agradável! Espero que sintam a devida inveja.

O Presidente do Comité Lateral: Optimus Galarza

29.8.04

Senhoras e Senhores...

...é com desmedida honra e desproporcional prazer que os The Galarzas apresentam o seu novo melhor amigo: um saravá do tamanho de uma ervilha para o Baney!

It's alive! It's aliiive...

Ao fim de três dias e três noites de duro, pesado e metálico labor, este Galarza regressou à sua humilde e nova casa, vivo, de saúde e, sobretudo e muito importante, bem alimentado (apesar ter andado três dias a almoçar vitela, mais vitela e muita vitela).

Desde já e desde aqui, os devidos engrandecimentos a quem se sinta a haver, pela solidariedade e apoio demonstrados.

E na chegada, uma má e uma boa notícia. A má: o Santana ainda não caiu da cadeira. A boa: o Beleneses ganhou! Valha-nos isso...

28.8.04

The Galarzas on tour

Quinto Ermal Life Tour

Desapareceu do belógo de seus irmãos o blógado Quinto Galarza. A última vez que comunicou com a casa irmã encaminhava-se a passos trôpegos em direcção à simpática ilha minhota. Julga-se que tenha caido num rio de vinho verde. Teme-se que, devido a esse acidente, esteja agora coberto por uma espessa camada de postas mirandesas... grelhadas... com alho e azeite... e batatinhas assadas a acompanhar.

The Galarzas on tour

Primo Castañuelas Tour

Primo Galarza foi observado há poucos minutos pelas calhes d'Extremadura ostentando um autêntico sinal de riqueza, cortado ao meio e com três furos, que é para ter a certeza que não está podre.

The Galarzas on tour

Quarto Blitz Tour

Está tudo como era dantes no quartel de Abrantes.

27.8.04

Também tu, Tankhamon

Nas barcas do rio Nilo,
carregadas de pescado,
o que quis fazer eu fi-lo,
e não lamento um bocado.

Sondei o nariz com o dedo
indicador, por sinal,
audaz sem ponta de medo,
abri com ele um canal.

Baptizado de Suez,
Soez achei o baptismo,
pois se fui eu quem o fez,
eu, o je, moi, yo mismo.

Mas, enfim, a história injusta,
não dá contas a ninguém.
Mas lá que isto custa, custa,
oitenta, noventa, cem.

Óscar Machico, in «Crocodilo odontológico», Editora K Kontra K, 2002

Pensamento do Dia

Heiner Müller syle

A minha vida é uma merda, corre tudo sob rodas.

Carta Aberta

a Primo Galarza

Pois eu não te dizia que era inelutável...? E tu de cabeça erguida a gritar impropérios, a atirar latas de feijão vazias contra os moinhos. Eu bem te dizia que havias de ir pelo caminho das estrelas, mas tu, a fingir que eras outro, metias as mãos nos bolsos e respondias-me que não, que havias de passar ao lado, ainda que com um sorriso tímido destemperado.

Ah, essa asneira, que eu previa breve; essa dor mitigada pel'a matéria em decomposição, pelos cortinados cor-de-laranja!

Eu bem sabia que havias de jactar-te nessa corrida numa velocidade astral, luminosa; que o melhor era quebrar cerce as muralhas que escondiam a tua ilusão e profundamente, passar aquém da traquitana.

O off do Octávio

As cassetes do Octávio
Gravadas em dolby digital
No auto-rádio pela manhã
São um prazer fundamental.

Sem segredo nem justiça,
Quem se segue ao Adelino?
Coitado, ninguém o salvou
De falar muito com pouco tino.

A culpa foi do off do Octávio
Qual machado impiedoso, frio
Sobre a cabeça desamparada
Já fora do judiciário corropio.

Apreenda-se o mais possível
Foram as ordens do tribunal
E ninguém escreva uma linha
Até esquecermos o principal.

Godofredo Freire
[in "(In)justiças lusitanas", Alfarrabistas Anónimos, 2004]

O meu sonho .150

O meu sonho era acordar com vista para um campo de papoilas e berrar a plenos pulmões «se isto não é a solução perfeita para o stress, que me caia uma maçã em cima da cabeça».

Asneira feita!



Põe-te bom, homem!



The Galarzas não querem ficar sem ídolos
Não querem ficar sozinhos
Não querem viver no país do sr. Lopes
Sem o Zambujal, o Letria, o Fialho,
O Listopad, o Cesariny, o Eládio,
O Sousa Veloso, o Júlio Isidro,
e já se foram mais do que
queriamos, por isso, ó Fialho,
Aguenta até, pelo menos,
O Juri de Castelo Branco,
Reunido na sede da
Gazeta Albicastrense,
Dar uns doze pontos ao
Carlos Rafael
Por causa de um baile mandado.

Combinado?

Há um ano e 11 dias

...que vendemos tabaco
a um japonês que rima.

Não há testa como esta!


DVD, já!



A cidade é para fazer dinheiro
E se tu és um tipo inteiro
Vais passar um mau bocado


Vais ver o que custa
Não ser ouvido
No meio de tanto homem vendido
Em silêncio comprado

Quem és tu, zé gato?
O que é que te faz correr
Pelos cantos mais sujos desta terra

Tu já deves saber
Que mesmo quando vences batalhas
Estás longe de acabar com a guerra

Quem és tu, zé gato?

Mas tu és teimoso como um burro
Vai na luva ou vem a murro
Nada te faz desistir

A luta é de vida ou de morte
Mas a consciência é mais forte
E não te deixa fugir

Quem és tu, zé gato?
O que é que te faz correr
Pelos cantos mais sujos desta terra

Tu já deves saber
Que mesmo quando vences batalhas
Estás longe de acabar com a guerra

Quem és tu, zé gato?

És mais um caso de solidão
Porque afinal poucos são
Os que se entendem contigo

E às vezes é num marginal
Que vais encontrar, encontrar a tal
Compreensão de amigo

Quem és tu, zé gato?
O que é que te faz correr
Pelos cantos mais sujos desta terra

Tu já deves saber
Que mesmo quando vences batalhas
Estás longe de acabar com a guerra

Quem és tu, zé gato?

(e um saravá a estes senhores)

26.8.04

O meu Sonho .149

O meu Sonho era por as meias a secar nas ameias do castelo de Almourol.

bastardo- (A) s.m. filho ilegítimo; BOTÂNICA híbrido; casta de videira produtora de espessos cachos de bagos pretos pequenos e muito doces; uva desta videira; => bastardinho; TIPOGRAFIA tipo um pouco inclinado para diante; BOTÂNICA híbrido; NÁUTICA cabo que entra nos furos das lebres; vela triangular de embarcação pequena (B) adj. que nasceu de pais não casados; degenerado; ilegítimo ( Do lat. med. bastardu-, «id.», pelo fr. ant. bastard, «id.»)

Patos com laranja

Os construtores civis têm usufruído de má fama. Imerecidamente, diga-se.
O prateado Francis é apenas o exemplo mais mediático e recente dos valiosos serviços que os chamados patos bravos têm prestado ao país.

Atentai:

Sabeis que António Damásio carregou baldes de cimento durante anos? Pois que sim, até que o caos urbanístico que via em redor o levou a questionar que retorcidos cérebros permitiam tal coisa.

Sabeis que o ritmo catatónico dos filmes de Manoel de Oliveira não passa de reacção à estonteante velocidade de crescimento da metrópole nortenha?

Sabeis que a destreza de Maria João Pires foi forjada aos comandos dum bulldozer?

Sotôr Santana e companhia, toca a assentar tijolo, rogamos nós.

O meu Sonho .148

O meu Sonho era ter uma faca que cortasse tudo menos os dedos.

Português suave (com filtro)



Ligar a televisão e levar com um programa do Malato em directo da Ribeira do Porto já é suficientemente mau. As perguntas à populaça sobre o seu contentamento por estar ali são um must nestas ocasiões e revelam bem o nível (mais propriamente a falta dele) a que chegou o pequeno ecrã.

Mas então que dizer de um final com direito a hino português interpretado por esse ícone lusitano chamado Roberto Leal? O homem trouxe uma bandeira para se embrulhar e tudo, apesar de mal disfarçar o sotaque brasileiro que muito jeito lhe deu para que do outro lado do Atlântico se esquecessem da sua origem "tuga" e de um destino certo como padeiro.

No entanto, a cereja no topo do bolo ficou por conta do solo de guitarra heavy metal como introdução a A Portuguesa tocado pelo filho do artista - e se isto não é atentado aos símbolos da nação, então não sei o que o será. Já agora, convém recordar que por muito menos foi o João Grosso "crucificado" ainda há não muitos anos.

Volta lá para a terra da Maria, rapaz - sobretudo se esta ficar bem longe daqui.

Afinal havia outra



A Terra, afinal, não está sozinha. A descoberta foi de um português e, como não podia deixar de ser, por acaso. O tuga, astrónomo, encontrou um novo planeta-tipo-calhau a rondar uma estrela a coisa de 50 anos luz. Isto não é o blogue do Pacheco, mas que uma notícias destas deixa a malta contente, lá isso deixa. Senão, vejamos:

1) Se deus cricou a terra em sete dias... E este planeta? Em quanto tempo?
2) Terão também Narcisos Mirandas e Luís Filipe Menezes?
3) Até que ponto as rochas podem ser escaladas por João Garcia?
4) Já que foi um tuga a descobrir o planeta, pode chamar-se "Zé Manel" ao planeta?
5) Haverá morangueiro?
6) Haverá uma mina que se chame "da panasqueira" para praticar actividades sexuais alternativas?
7) Como é rochoso - e deve ser vermelho - é de lá que vem o dr. Spock?

Viva o planeta "Zé Manel"! Viva a libertação da Terra! Viva o barco do aborto em viagem até ao planeta "Zé Manel"!

25.8.04

O meu Sonho .147

O meu Sonho era o fim-de-ano calhar numa sexta-feira 13.

Prémio Nobel do quê?

Não sei se esta é para rir, mas dá mais vontade de chorar. E para piorar as coisas, a página em questão até tem uma fotografia do Luís Delgado.

A rainha do Uruguai

Entretanto esta bela notícia vinda do reino da Microsoft.

A ignorância continua a ser uma coisa um bocadinho feia e, ao mesmo tempo, bela, pois, se por um lado, este artigo nos revela a perfeita dessincronização dos atletas da referida empresa que nos mantém aqui no ar, algumas das suas pequenas falhas são também reveladoras da falta de humor e da intolerância de alguns estados e comunidades.

A Índia a proibir a venda de produtos Microsoft... Pois, pois, mesmo ofensivo, como se não fossem eles os maiores produtores mundiais de software! A rainha do Uruguai sim, é uma boa piada.

Passatempo

Este é um passatemposimples que consiste em chatear um gajo muito pacífico, bastando para isso carregar-lhe nos olhos.

Os outros

Sé gostava de saber por que raio a nossa selecção olímpica de futebol não aparece por aqui?

Solidariedade

Venho por este meio prestar os singelos sentiments ao Quinto e desejar um rápido restabelecimento após a jornada de luta que vai efectuar, bem como um regresso nas melhores condições possíveis. Aconselha-se ainda o uso exaustivo de tampões de ouvidos combinados com a ausência de higiene otorrínica durante os próximos dias.

24.8.04

O quê?

Não sei porquê, achei que era importante fazer isto. Um blógo diferente.

Olímpico

Os The Galarzas entram em acção amanhã no Estádio Olímpico de Atenas onde vão disputar a disciplina do salto à vara. Os fantásticos não-sei-quantos atletas prometem lutar para dignificar todos os países cujos nomes comecem por P, terminem em L e tenham ortuga pelo meio.

Os atletas garantiram à tertúlia oficial do conjunto azorrague-músico-poético The Galarzas que já fizeram as suas libações às deusas da antiga mitologia, brindaram ao Travassos e que, se a Vara não se mexer muito, trarão para oferecer aos seu apaniguados a medalha de ouro.

Eis a vara que será utilizada na prova de amanhã:


A fusão do cobre com o estanho

A coisa 'tá preta

Este Galarza vai entrar em modo buraco negro: nos próximos dias, este alegre plumitivo vai para norte, para reportar sobre belas melodias, líricas sensíveis, enfim... lenitivos feitos música. É triste a vida assim mas trabalho é trabalho, como diz o chefe. Se sobreviver a esta verdadeira prova de fogo, regressarei um homem novo. Espero eu...

O meu Sonho .146

O meu Sonho era uma espanhola sexy com sapatos encarnados e castanholas, que é assim é que são as espanholas a sério.

Pensamento profundo do dia

Se a siesta fosse um desporto olímpico, até eu ganhava uma medalha...

Pesadelo de uma noite de Verão

Marcianos a comerem tremoços numa esplanada do Ginjal com a Avril Lavigne a cantar em som de fundo.

23.8.04

Ó tio, ó tio!

Dito pela tia do Quarto sobre o marido – tio do Quarto – durante o jantar de hoje:

«Eu não te digo que ele não sabe de nada? (...) Eu não te digo que ele só anda neste mundo porque tem que haver de tudo?»

Oh happy days!

Não há fumo nem fogo, o governo está a banhos antes de meter água, o Benfica ainda pode ser campeão, o calor está fresco, há sede nova onde matar a sede, a prata é da casa e a Miss sai daqui a dez meses.

The Abort Boat



Abort, exciting and new
Come Aboard. We're expecting you.
Abort, life's poorest reward.
Let it go, it floats away from you.

The Abort Boat soon will be making another run
The Abort Boat promises a nail for everyone
Set a course for placenta,
Your mind on a new paycheck.

Oh! Abort, won't hurt anymore
It's an open belly on a friendly shore.
Yes ABOOOORT! It's ABOOOORT! (hey-ah!)
Welcome, abort, is
Looooove!

Atenas 2004: o pódio

Medalha de Ouro:


Medalha de Prata:


Medalha de Bronze:

Haja Fé...

...e pastéis de Belém, que este ano é que é!

Negócios

Depois de tanto livro, DVD, CD, azulejos de Nossa Senhora e afins, é de admirar como é que os nossos patrões da imprensa ainda não se lembraram desta...

Pois... pois...

Agora faz-te de desentendido...

Duas letras, um nome
Simplesmente Zé
Regressa ao povo
Olvida formal José

Dois homens, mas um destino
Unidos pelo nome e a televisão
O primeiro já conhece a tragédia
O outro quer mostrá-la à nação

De além Tejo ao Miguel Bombarda
Dista o passo do mais pequeno anão
Armado de bombas-gato na noite
Nu e famoso como um grande irmão

E nas Beiras, nasceu filósofo hábil
Que ao largo espreita o Rato órfão
Partido, à força de ferro e fogo,
Em casa pia mas sem direcção

Godofredo Freire
(in "Desconexões", Edições Alquimista, 2004)

E não querem também um primeiro-ministro?



Os dois quadros mais famosos do pintor norueguês Edvard Munch, "O Grito" e "Madonna", foram roubados do Museu Munch, em Oslo, por um grupo de homens armados que irrompeu pelas salas de exposição, noticiou a rádio estatal norueguesa NRK."Dois ou três homens armados ameaçaram um funcionário com um revólver", declarou a porta-voz da polícia Hilde Walsoe, acrescentando que ninguém ficou ferido e que os suspeitos fugiram num automóvel Audi A6.

22.8.04

A Paixão Segundo

Apaixonei-me em Moscavide e foi a pior coisa que já me aconteceu. Desde esse momento, sublime ou rídiculo, vejo-me obrigado a passar por essa vila pelo menos uma vez por dia. Às vezes tenho que dar voltas imensas, correr quilómetros e mais quilómetros, como um doido, sem me aperceber da doideira que um cabelo castanho escuro, tão vulgar como outro cabelo castanho escuro qualquer, me faz cometer. Foi um azar tremendo, porra, apaixonar-me em Moscavide, com tantos sítios com tantas mulheres por quem me poderia apaixonar.

Há noites em que mal chego a olhar lá para cima para a janela do quarto dela no terceiro andar, saio logo a correr para não ser visto de maneira nenhuma. Bebo um ou dois copos no bar ao fundo da avenida a ver se ganho coragem para olhar mais um bocadinho lá para cima, só para ver a luz no quarto dela filtrada pelas cortinas, ou para vê-la a fumar à janela e a largar a cinza para cima de quem passa na rua. Eu sei que ela é uma senhora bem ordinária, que tem uma voz enervante, que é pior que suburbana, orgulhosa da sua babilónica ignorância - não consegue articular uma frase em que haja ao menos concordância. Tem a mania de andar por aí com uns penduricalhos à cintura que tilintam e que se ouvem na rua inteira de ponta a ponta. Mas o pior é o seu riso histérico e odioso que se liberta por qualquer coisa por mais estúpida que seja, e se espalha em redor como um relincho ou um grunhido alarve.

Um dia destes trouxe um amigo cá a Moscavide para a ver e dizer-me o que achava dela. "É uma grande vaca", disse-me ele, "tem umas boas mamas." Que azar do diabo, apaixonar-me em Moscavide, mas que hei-de fazer, ele há segundos assim.

Poema de Mestre Nestor Alvito

Canto V

Viriato cantou alto
à dona do seu peito
(nada mais, era um facto,
o dito estava feito):

Xilofones encantados
passeiam lado a lado
numa noite estrelada
com óleo avinagrado

Hipopótamos brilhantes
rinocerontes cantantes
e uma girafa doente
numa orgia decadente

(in As Luzidias [Poemas Épicos Para O Futuro], Edições Cátevia, 1989)

O Código d'Avintes

Em breve, conheça o livro que está a mudar a forma como se olha para o quadro «A Última Ceia», de Leonardo DaVinci.

Em O Código d'Avintes é, pela primeira vez, explicado que o pão pita não foi aquele repartido entre os apóstolos. Numa intriga internacional, de Nova Iorque a Sidnei, com passagem em lugares tão paradisíacos como Paris, Kuala Lumpur ou São João da Madeira, um jovem polícia desmonta finalmente o mistério da famosa pintura do mestre italiano.

O jovem investigador da C&A descobre que, no quadro, a paisagem não corresponde nem ao monte das Oliveiras, nem mesmo ao Sinai. É sim o Vale do Rio Sousa. Num desenvolvimento único, com lutas sangrentas entre duas poderosas organizações secretas, a Opus Dei e a Panificadora de Avintes Lda, leia a verdadeira história sobre o pão que Judas Iscariotes molhou no vinho.



Um verdadeiro page-turner, cujo volume atingiu a página do Top do New York Times!

Leonor Beleza

És tesa,
Uma dama na mesa,
És a nossa fortaleza,
Contaminado na pureza,
Do sangue a represa,
Teu filho cheira clareza,
Agora está na maltesa,
Já tiveste uma surpresa,
Quando penavas com frieza,
C'o Marcelo na moleza,
Tua família não é coesa,
Valha-nos tua irmã Teresa,
E nunca foste presa,
Ó Leonor Beleza!

de Eustáquio Pinho, Figuras de Estilo, Horta, 1999

Prato do dia

Um ovo estrelado com um bife a cavalo e batatas frias

Poema da manhã

Do injustamente desconhecido poeta Godofredo Freire, publica-se o seguinte escrito:

A flor singela baloiça ao vento matinal
Sob um céu de Agosto a ameaçar chuva
Ninguém vai fazer-lhe bem (ou até mal)
Nas flores não se bate nem com uma luva!

Para acabar de vez com a abstenção

A melhor forma de acabar com a abstenção é convocar eleições para um dia de trabalho. Assim, quem fosse à urna teria direito a uma justificação oficial e devidamente assinada para faltar ao emprego.

Intriga capitalista

Mas afinal, o que vem a ser isto?

O senhor Haiva...

...manda isto. Só com uma mão.

Comunicado do Comité Lateral



Inaugurou-se esta jorna nova sede dos The Galarzas na cidade. Regada a um bom tinto, acompanhado de melhor mexicano com patatas elaborado pela Quinta, salpicado depois com aromas de um licor de medronho com mel, que deixou as galarzianas em favo e, como hábito, o destilado liquido do filho do senhor Tiago, eis que está assim com sinal OPEN Olivais B.

Neste momento nada solene, em que a poesia deambulou sem nunca se sentar à mesa, foi também admitido à confraria

X Galarza,

que participará, regularmente, neste palco de coisas telúricas. A galarcha está paga.

Por ser verdade e por ter estado a dormir,

Optimus Galarza
coordenador do Comité Lateral

Linha de Sintra, Ponto de Cascais

._ _._ _
_ _._..
.._ _ ._
_ _ _ _ _.

Óscar Machico, in «Morse, remorse, entorse», Editorial Pipipi, 1983

21.8.04

O meu desporto olímpico...

...é ouvir os comentadores da RTP, que parece que só trabalham de quatro em quatro anos e criam momentos de televisão únicos. Como este brilhante diálogo, protagonizado pelo casal de comentadores da prova de trampolim:

- O trampolim não é feito para quem não tem calma...
- Ou para quem não gosta de voar...


...ou como esta genial elocução sobre o atleta português Nuno Merino:

- (...) Ele é estudante de engenharia no Instituto Superior Técnico... Vamos ver se a engenharia consegue colocar uma medalha ao seu pescoço...

...ou como este curioso aparte sobre um atleta mais velho:

- A provar que a idade faz muito bem...

...ou como esta fabulosa introdução da jornalista em estúdio depois do intervalo:

- E como estamos no trampolim, pode dizer-se que vamos voltar aos saltos para Atenas...

Medalha de Ouro, já!

28


E agora, o jogador de esparregata mista em arco deambulante, categoria mais de 50 quilos, ainda em expansão, com mais títulos conquistados em todo o mundo: 28 (entre manchetes [no saco amarelo] e chamadas de primeira página [às costas]).

27


E aqui, o futebol em actividade, apesar do jogador com mais títulos.

26


O jogador de futebol ainda em actividade com
mais títulos conquistados em todo o mundo: 26.

Desmedido capitalismo

Lista de casamento de The Galarzas

Conjunto de Chá em Porcelana
Conjunto Café 6
Aspirador de pó
Batedeira
Cafeteira
Centrífuga/mixer
Circulador de ar
Espremedor de frutas
Ferro de passar
Forno de microondas
Liquidificador
Máquina de café expresso
Miniforno elétrico
Multiprocessador
Torradeira/tostador
Ventilador

(continua...)

Then something went wrong...



(1907-2004)

...for Fay Wray and King Kong
They got caught in a celluloid jam...

20.8.04

Poema de: Gil Vicente

A Afonso Lopes Çapaio

Estando em Santarém muito doente de câmaras

Trovas
I

Senhor, eu ia-vos ver,
para vos ver e ouvir,
e eu ouvi-vos gemer,
um gemer e espremer
como arremedar parir.
Eram câmaras sem telhas
para vós agastadiças;
vós cafgado até às orelhas,
as vossas calças vermelhas
tinheis-las por corrediças.

Vosso cu com surdos brados
apupava a seus vizinhos,
que estavam dependurados;
um deles, por seus pecados,
cercearam-lhe os focinhos.
Diz que tínheis tal desmaio
na tripa do cagalar,
que vos disse o mês de Maio,
melhor vos fora, Çapaio,
que cagareis em Tomar.

Outras
II

Pois vosso negro bespeiro
se vasa no mês de Maio,
Afonso Lopes Çapaio.

Que quem tem vida guaiada
coma vós da vossa sorte,
por vós é cousa provada
que quem tem vida cagada,
cagada há-de ser a morte.
Quando vierdes à corte,
e o cu vos der desmaio,
dai-o ó Demo, Çapaio.

Tomareis destes vasculhos
que pintam pelas paredes,
uns à vela outros já vedes
e tapai esses angulhos,
assim que o pousadeiro,
que vos pôs em tal desmaio,
se o quereis vedar, Çapaio.

Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, Antígona Frenesi, 3ª edição, Lisboa 2000

O meu Sonho.145

O meu Sonho foi muito estranho. Havia um cão, que era um cão que me mordia uma nádega, só que o cão mordia humanamente com oito incisivos que me causavam uma aflição do diabo, especialmente porque eu sabia que estava a sonhar e não conseguia acordar para espantar o animal.

19.8.04

Camelos

Mais um sáiter com informações muito úteis, especialmente para quem queira participar nalgum concurso de televisão e ganhar umas massas, o Portal das Curiosidades, de onde transcrevemos estes três exemplos:

Na escrita chinesa, o símbolo que significa a palavra "problemas" é representado desenhando duas mulheres sob o mesmo tecto.

No Novo Testamento, no livro de São Mateus, está escrito «é mais facil um camelo passar pelo buraco de uma agulha que um rico entrar no Reino dos Céus». O problema é que São Jerónimo, o tradutor do texto, interpretou a palavra "kamelos" como camelo, quando na verdade, em grego, "kamelos" são as cordas grossas com que se amarram os barcos. A ideia da frase permanece a mesma, mas qual parece ser a mais coerente?

O actor Mel Blanc, que fazia a voz de Bugs Bunny, era alérgico a cenouras.

Santa Macacada, parte 3: a prova do burrié

Depois de procurarem atentamente, os The Galarzas descubriram as provas que Sua Sanidade não foi capaz de esconder: por baixo do seu assento papal, lá estavam eles - discretos, imóveis, escondidos... TRÊS BURRIÉS: um macaco mascarado, um filhote de macaco e... uma cabeça de galinha?!

Santa Macacada, parte 2: in search of the Pope

Um gajo vai, inocentemente, ao Yahoo! fazer uma pesquisa. No rectângulozinho escreve o objecto a pesquisar - «Pope» -, esperando, na volta do correio, obter um mundo de fotos, notícias e histórias sobre o Papa. Mas afinal, o que aparece é... isto:

The name is Pope. Carly Pope

É impressionante...

Santa Macacada

Os The Galarzas estão chocados com um seu primo... É esta a imagem que Sua Sanidade O Papa João Paulo Segundo (olha, é da família do nosso mestre!) quer transmitir da igualdade entre os povos, da salvação da humanidade, da vida para além da morte? Então e os pobres dos MACAQUINHOS?

Vëm... cá... êxtúpido... Non... mê... fujass...

O que é que Sua Sanidade vai fazer com os coitados dos burriés...? Vai esmagá-los implacavelmente contra a parte de baixo do trono? Vai atirá-los discretamente para longe? Ou vai entregá-los a uma associação de protecção dos animais? Isso é que era bonito, não era? Pois... mas em casa de ferreiro, espeto de pau, não é?

TAP: algumas dúvidas

A transportadora aérea portuguesa anunciou esta semana o aumento dos preços das suas viagens, para conseguir suportar o aumento do preço dos combustíveis nos mercados internacionais. Os The Galarzas lamentam, mas compreendem a decisão do seu Fernando Pinto. É pena que tenha que ser assim, mas nós, responsáveis que somos, compreendemos perfeitamente as vicissitudes da vida em geral e do preço da gasolina em particular, pelo que não nos escandaliza a atitude da TAP.

No entanto, existem ainda nos nossos espíritos algumas dúvidas que, julgamos, deveriam ser aclaradas para bem dos utentes.

Gostariamos de saber, por exemplo:
1. Como é que se fazem as contas do serviço, é tudo pago ao Quilómetro ou à Milha?
2. Existe em todos os aviões um avímetro, ou aviómetro, onde o cliente possa confirmar que o piloto não o está a enganar com umas voltas extra à pista para aumentar o custo da corrida?
3. Em que circunstâncias e em que zonas é que o piloto deve mudar a tarifa?
4. Tem Livro de Reclamações?
5. Está prevista a introdução de um passe social combinado com a Transportes Sul do Tejo e Metro de Lisboa (ou STCP e Metro do Porto)?

18.8.04

O fim do mundo em cuecas

Percebe-se que o fim do mundo está perto quando:

- o Primeiro-Ministro de um país europeu contrata a ex-«relações públicas» de uma revista côr-de-rosa para sua «assessora de imagem»...

- um respeitado jornal diário dedica as páginas centrais aos mistérios do croissant...

- a capital do capitalismo abre um café para gatos...

Assim, não há silly season que nos valha.

O que é que tem o cu a ver com as calças?

Depois de uma notícia destas...
Componente da "cannabis" poderá ser usada para tratar tumores cerebrais

...não se percebe uma coisa destas:
Detido aos 71 anos por cultivar droga!

Este é o meu lema: Quando há chuva, não há penicilina.

17.8.04

COMUNICADO MUITO SÉRIO (a sério!)

Depois de olharem atentamente para a esquerda e para a direita... depois de lerem jornais e verem televisões e ouvirem rádios... depois de conversarem com as pessoas... os The Galarzas decidiram que o país e os tempos não estão para facilidades nem brincadeiras. Vai daí, após necessária consulta ao Conselho Lateral e a Optimus Galarza, os The Galarzas decidiram mudar de ares e optaram pela solução mais viável: VOLUNTARIÁMO-NOS PARA SERMOS ABDUZIDOS! É verdade, preenchemos o formulário, inscrevêmo-nos e agora só estamos à espera da chamada. Estamos ansiosos...


Mas será que ninguém tem nada melhor para fazer...?

Pelos vistos não! Agora, até um canal de TV norte-americano inventou um programa sobre Jennifers. Isso mesmo, Jennifers - esse importante e valiosíssimo contributo divino para a salvação da humanidade, para o fim da guerra, para o paz no mundo, para a estabilidade política, para o cumprimento orçamental que são as Lopez, as Capriatis, as Jamesons... Não é que a gente não goste delas, mas também gostamos de Angelinas e Camerons e Etelvinas e Felisbertas e não há séries de TV sobre elas. Olha que isto...

Notícias do Dia

Um que flipou.

Ainda há esperança para os fumadores que vão ser impedidos de exercer nos edifícios públicos, afinal, o cancro quando nasce é para todos!

O cassetête deixou-os entalados. Injustiça e bigodes farfalhudos não fazem a Primavera.

Ainda bem que o governo eleito é o mais rigoroso, o mais competente, o mais preocupado com as necessidades do povo. Ainda bem por vós!

Onde se prova que um árabe vivo vale menos que uma quantidade de judeus mortos. É mais um com a congruência toda partida.

Apesar do instrumento de tortura ser completamente Kosher, os The Galarzas voluntariam-se para ajudar a acabar com a torpe greve de fome. O governo de Israel que mande os bilhetes de avião e pague a conta do hotel, que lá iremos, de sorriso nos lábios, mandar abaixo umas vitelas e uns borregos.

Os filmes da nossa vida I

  • Subitamente no Verão Assado
  • Engenheiro Jivago
  • Contra os Canhões de Navarone, Marchar, Marchar

Os filmes em Cartaz

Explicação pedagógica aos cinéfilos

Agente Triplo
Drama sobre a vida de uma vacina que cura a febre tifóide, asiática e da carraça
No Nimas

As Leis da Atracção
Monólogo de uma maçã em queda
No Amoreiras, UCI Cinemas

Baran
Uma aventura de um barão da Madeira: «Olhó Baran, júlgâ quié ipourtânt»
No Quarteto

De Repente, Já Nos 30!
Filme sobre o número de sócios que aderiram ao Benfica em 2003
No Colombo, Millenium Alvaláxia

Dirty Dancing 2 - Noites de Havana
Um par de bailarinos de tango vai a Havana demonstrar a dança argetina quando é surpreendido por uma luta de lama
No Millenium Alvaláxia

Duplex
A história de um aleijado de guerra, em cadeira de rodas, que tenta alcançar a casa de banho
No Colombo, UCI Cinemas

Fahrenheit 9/11
Monólogo intimista de Fahrenheit com as nove virgens e os 11 filhos, no paraíso
No Alvaláxia

Falsas Aparências 2
Comédia musical, onde o protagonista descobre no fim que todas as notas que recebe são falsas
No Amoreiras, Fonte Nova, Millenium Alvaláxia, OlivaiShopping, UCI Cinemas

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban
Documentário sobre a prisão de Guantânamo, conhecida como Azkaban pelos árabes, contado na primeira pessoa por um guarda prisional
No Amoreiras, Colombo, Fonte Nova, Millenium Alvaláxia, Monumental Saldanha Residence, OlivaiShopping, Turim, Twin Towers, UCI Cinemas, Vasco da Gama

Homem-Aranha
História de um homem com as unhas muito compridas que ficou preso na torre dos Clérigos e sofre com as bocas da populaça
No Amoreiras, Colombo, Millenium Alvaláxia, Twin Towers, UCI Cinemas, Vasco da Gama

Homicídios Ocultos
Um corpo é encontrado no quarto escuro do Trumps
No Amoreiras

Galarzas com Açucar

Ai, tão lindos que nós somos:

Nós somos os Morangos com Açucar! É do caraças, meu...

Agora a sério. A sério... Vá lá, a sério, pá...

16.8.04

Poema de: Al-Umîado Ibn’d’Hasan

Amendoal

Alisavas com teus dedos
o vestido de seda branca,
deitada debaixo da sombra
perfumada
das amendoeiras em flor.
A água dum regato corria perto
e soava a cristal retinindo
nos ouvidos, dessedentando
as gargantas na distância.
Os meus dedos, segurava-os
junto dos teus, segurando
a cor dourada de tuas mãos,
entardecendo com o dia.
A minha boca, insensata,
secava dizendo-te palavras
acerca da eternidade do amor,
e resfolegava, imprudente,
aspirando o perfume ardente
de teu colo inupto.

Al-Umîado Ibn’d’Hasan, 1025-1079

Há mar e mar...

...há ir e já não poder, por mais que se tente ou se diga que está mal, voltar atrás.

A fome, a fome...

...só a tem quem não come.

15.8.04

Poema de: Tomás de Alencar

Vieste! Cingi-te ao peito.
Em redor que noite escura!
Não tinha rendas o leito,
Não tinha lavores na barra
Que era só a rocha dura...
Muito ao longe uma guitarra
Gemia vagos harpejos...
(Vê tu que não me esqueceu)...
E a rocha dura aqueceu
Ao calor dos nossos beijos!

Vai um copinho?

You Fat Bastard!

Olímpicos



Eis as modalidades e os participantes nacionais nos Olímpicos de 2004:

Modalidade
Participante

100 metros prosa
José Saramago
Lobo Antunes


100 metros barreiras
Ricardo Chibanga
Pedrito de Portugal


300 metros estafetas
José Sócrates
Manuel Alegre
João Soares


Salto para a frente
Jorge Sampaio

Salto para o túnel
Santana Lopes

Salto do túnel
Carmona Rodrigues

Levantamento do capachinho
José Cid
Carlos do Carmo


Marcha para a derrota
Adelino Salvado
Sara Pina
Souto Moura
Celeste Cardona


Ginástica rítmica com fitas
Otávio Lopes

Trampolim
Paulo Portas

14.8.04

Abruptamente no Verão, assado

Mais ar puro?


Jim Avignon

13.8.04

Hepá! Olha um blogue dum gajo gordo



Fomos avisados de que há um novo blogue. Diz que se chama Kissama. Cá para nós, é coisa de um ex-Galarza ribatejano. Mas isso...

Um, dois, um, dois, teste

A nação abençoada, no ano da graça de 2004, mês de César Augusto, sexta-feira 13, diabos a levem, vê um jornal fundado por um ministro, dirigido por uma familiar de um advogado do processo Casa Pia, publicar excertos que, asseguram, são retirados das famosas gravações que um certo jornalista terá feito com a malta aí das polícias.

O serviço público dos The Galarzas, agora activado à cata de subsídio estatal, aí está: eis as conversas que O INDEPENDENTE transcreve, dizendo que são entre Adelino Salvado, Sara Pina (assessora de imprensa do Procurador Geral da República) e Octávio Lopes.

Os The Galarzas têm em sua posse bobines de conversas entre John Reed e Alves dos Reis. Essas sim, de intenso interesse e que publicaremos em breve.

Como o país está tipo cenário de Monty Python, eis as conversas:

Ferro Rodrigues II

Octávio Lopes – Isto tem fundo?
Adelino Salvado – Tem, tem fundo, o quê?
OL – Ele está a mandar tiros para o ar ou o nome dele apareceu mesmo no depoimento das testemunhas.
AS – Claro. É um facto. Ele está a falar com conhecimento.
OL – Mas é uma, duas...
AS – (risos)
OL – Nós, até agora, sabemos que há pelo menos uma. E, já agora, contamos tudo o que sabemos. Há, pelo menos, uma que o situa num sítio onde terá ocorrido isto, mas que não terá feito nada, terá só visto. O que é que nos aconselha, sr. Dr., paranão errarmos?
AS – O que é que quer saber? Um ou mais?
OL – Sim.
AS – Mais.
OL – Foram mais? Mas...
AS – Agora, como sabe não tem consequências criminais.
OL – Porquê?
AS – Por falta de legitimidade, porque o MP não deduziu a acusação, uma vez que já atingiram a maioridade e não foi deduzida oportunamente queixa.
OL – Então, foram factos que já se passaram há mais de 5 anos.
AS – Não, não, não.
OL – Não?
AS – São factos em que os intervenientes atingiram entretanto a maioridade e não apresentaram queixa. Como o crime é semipúblico, o MP não tem legitimidade.
OL – Ah, então, o Ferro só não estará detido porque não houve queixa formal das crian...
AS – O MP, sem queixa, não pode deduzir a acusação.
OL – Portanto, estes indivíduos atingiram a maioridade.
AS – (...) já não me recordo, já passou muito tempo, são pessoas com essa possibilidade de já não poderem exercer a acção penal, porque já passou o prazo.
OL – Sr. Dr, uma das coisas que se dizem por aqui é que já foram tiradas mais certidões ao mega processo.
AS – Isso acredito, porque o MP, já tinha dito isso anteriormente, não tem tempo para pegar nas pontas todas que tem no processo. Tem de haver processos paralelos depois.
OL – De acordo com aquilo que se pode saber, e que nós sabemos também, o Ferro estará safo disto, não haverá nenhuma maneira de ser constituído arguido?
AS – Nesta investigação principal do processo, não, se surgir mais alguma coisa, entretanto, não sei. Sinceramente não sei.
OL – Ele diz também que poderá haver mais dirigentes do PS envolvidos nisto.
AS – Ah, ele diz isso?
OL – Deixe cá ver onde é que diz isso. Ah, não, não, essa parte não diz, isso sabemos nós. Depois, há aqui uma frase dele muito estranha que diz o seguinte “aqueles que coordenaram estas calúnias foram os mesmos que fizeram a divulgação das escutas”.
AS – Isso não acredito!
OL – Ó sr. dr, por aquilo que nós sabemos, isso caía-lhe em cima [do Ferro Rodrigues] que era uma coisa doida.
AS – Eu acredito é que alguém no caminho do processo para a Relação tirou fotocópias das contra-alegações do MP. Penso eu que foi isso que sucedeu. Agora, que o homem sabia, quando foi ouvido, sabia, dessas fantochadas todas, acho que sim. Aquele diálogo todo...
OL – O que se diz por aí é que, quando ele foi ouvido, foi apenas na história do segredo de justiça. Portanto isso não é verdade?
AS – Sim, mas foi informado. Ele sabe o que existe no processo. Já me disseram que o Nabais [advogado João Nabais], não sei se é verdade ou mentira, tem o processo todo fotocopiado no escritório.
OL – O processo da Casa Pia?
AS – Sim.
OL – Aah!
AS – Admito como plausível tudo.
OL – No fundo, isto é que é preciso saber, em princípio, não poderá suceder nada ao Ferro, uma vez que as queixas...
AS – Não são queixas.
OL – Perdão?
AS – Os factos apurados pelas testemunhas em relação a ele não podem ser levados à acusação uma vez que a pessoa que os relata não deduziu queixa nos 6 meses subsequentes a atingir a maioridade.
OL – Ah, mas é só uma pessoa ou várias?
AS – Não sei, penso que são, pelo menos, umas três. O que eu acho engraçado no Ferro e, nessa perspectiva, no PS, e estou a falar sempre como cidadão, é que basta ter acesso ao processo, porque ele deixa de estar em segredo, e se relatar aí, no seu jornal, os depoimentos, isso é a morte física e moral de qualquer pessoa. Como é que se subsiste a isso? Como é que se subsiste a isso? Vai dizer que é uma calúnia, que não é verdade? É uma coisa que aparece logo no princípio do processo, logo ali em Janeiro. Vai dizer que é uma cabala, isto, aquilo e aqueloutro...?
OL – No fundo, o sr. dr. está-me a dizer aquilo que já sabíamos.
AS – Os factos, quando aparecerem, são factos com tal poder de destruição que ele não resiste. O que é que ele vai dizer, diga-me lá? Que é uma cabala?
OL – Não pode dizer.
AS – Como é que prova uma coisa destas?
OL – Tá bom dr, mais uma vez, obrigadíssimo.
AS – Portanto, acho que basicamente ele está num beco sem saída, está a ganhar mais 6 meses, tá bem, mas para quê?
OL – Não se percebe bem, talvez para minimizar os estragos em relação ao próprio PS, digo eu.
AS – Tá bem, talvez, mas de qualquer das formas é a crónica de uma morte anunciada (...)


Sara Pina I

Sara Pina - ...os poderes...Ah!Ah!Ah!
Octávio Lopes – No exercício, depois entre parêntesis, gargalhadas.
SP – Ah! Ah! No exercício dos poderes hierárquicos que a lei atribui ao Procurador-Geral isto não é uma colisão com o Código do Processo Penal nem nada disso. O Procurador-Geral de uma instrução que na prática se dirige a duas magistradas e que são duas magistradas que não têm nada a ver com a equipa de magistrados que investigam o caso Casa Pia. Isto não é uma circular, é uma instrução concreta para um caso concreto que é legalmente e legitimamente dada pelo Procurador-Geral porque o Ministério Público (MP) é uma estrutura hierárquica e que, na prática, é dirigida apenas por dois magistrados que trabalham na Casal Ribeiro, aliás, não têm nada a ver com a equipa que trabalha na Gomes Freire, não é?
OL – Qual foi a instrução?
SP – Hã?
OL – Qual foi a instrução?
SP – A instrução foi a seguinte: nos processos por denúncia caluniosa relativos a factos conectados com a Casa Pia, os processos seguem normalmente com os seus trâmites, com excepção das queixas feitas por arguidos.
OL – Sim.
SP – (...) as queixas feitas por arguidos têm de ser suspensas até ao julgamento (...). Se os magistrados do MP acreditam nas testemunhas e deram como provados os factos que as testemunhas relataram, tanto que acusam os arguidos, o processo vai para instrução. Se a juíza os pronunciar (...) então estava tudo a fazer denúncias caluniosas, todos os magistrados envolvidos neste processo (...) Porque só quando houver julgamento, se não houver condenação, é que se pode pôr a hipótese de ter havido uma denúncia caluniosa (...)
OL – E em relação a Ferro Rodrigues?
SP – Continua
OL – Continua o quê?
SP – O processo continua normal e está a decorrer a investigação.
OL – Contra o Ferro Rodrigues está a decorrer uma investigação?
SP – Em relação à queixa.
OL – Mas o Ferro Rodrigues não é arguido.
SP – Por isso mesmo. (...)
OL – Quem foram os arguidos que apresentaram queixa?
SP – Não sei.
OL – Ó Sara, isso é que é preciso saber, fogo.
SP – Não sei ao certo.
OL – Não sabe ao certo?!
SP - Vou-lhe dizer alguns nomes que eu tenho, mas não sei se são todos. Mas primeiro que tudo só põe fonte da Procuradoria na primeira parte da conversa, o resto não põe.
OL – Está bem, está bem.
SP – Está bem?
OL – Está bem. Depois eu leio-lhe a peça.
SP – Pronto, esta parte posso-lhe dizer em “off”. Que eu saiba, os arguidos que apresentaram queixa foi o Cruz, o Abrantes, o Pedroso e o Ferreira Diniz.
OL – Só estes? São estas queixas que só vão prosseguir após o julgamento, independentemente das outras queixas dos não arguidos versarem sobre a mesma pessoa. Isto é ridículo, mas enfim (...) Eu vou escrever e depois digo-lhe alguma coisa ainda.

Os The Galarzas agradecem à D. Serra Lopes o servicinho e num se esquecem que as revistas do Taveira foram apreendidas.

Sexta-feira, 13

Ai o gato preto... Cruzes, canhoto!

Fliegender Zirkus, parte 2

Para meter inveja ao irmão que nos quis meter inveja...
ó o que eu achei cá em casa:
Monty Python's Flying Circus DVD Megaset!

e ó o que eu achei cá em casa também:
The Life of Python!

e ó o que mais eu achei cá em casa:
Pack Conan!

12.8.04

Poema de: Tom Verlaine

Friction

I knew it must have been some big setup,
Our action just would not let up.
It's just a little bit back by the main road,
Where silence spreads and mended holes.

I start to spin a tale, you complain about my diction,
You give me friction, you give me friction.

My eyes are like telescopes,
I see it all backwards, but who wants hope?
If I ever catch that ventriloquist,
I'll squeeze his head right into my fist.

Some come of(?) trackin' it in, oh what is it, what's the prediction?
I bet you it's friction.

I had to sneak, get out of school, I didn't return.
Oh, stop this head motion said the sales,
You know all us boys are gonna wind up in jail.

Well, I don't want to grow up, it's too much contraction,
And too much friction (friction), but I dig fiction (friction),
In the (?) about fiction (friction), F, R, I, C, T, I, O, N.

Television, Marquee Moon, Double Exposure, 1977

Fliegender Zirkus

Para meter invéija aos meus irmões...
ó o que eu achei cá em casa:
LIVE ZIRKUS!

chouriço s.m. pedaço de tripa cheio de bocados de carne de porco preparada com gordura,sangue e outros temperos, seco ao fumo; [fig.] saco comprido e cilíndrico, cheio de areia, para tapar as fendas das janelas e impedir a entrada do frio e da humidade; rolo de cabelo postiço para altear o penteado (Do cast. chorizo, "id.")

Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora, 8ª edição

11.8.04

O Pecado

Dois em Um

Esta noite cometi um pecado que foram dois. Dois em um...vezes três. Foram seis. A luxúria e a gula três vezes seguidas, ali em menos de dez minutos. Três vezes uma dose linda e agoniante de mousse de chocolate com chantilly; um nojo; um fastio.
Foi coisa de Deus, certamente o Diabo não se lembraria de tanto.
Vou à cozinha buscar mais.

P.S. Resposta à pergunta que o e-leitor fará concerteza de seguida*: Nada, você não tem nada a haver com isso. Mas também o que é que qualquer um de nós tem a haver com a vida de qualquer cronista blogueiro ou jornaleiro? E não são lidos de qualquer forma?

*Não se aplica ao e-leitorado do costume, que esse já está habituado.


ÚLTIMA HORA: Nick Cave plagia Pacheco Pereira

Agência GaLUrZA: Segundo fontes aproximadas, o poeta australiano Nicholas (vulgo Nick) Cave escreveu uma nova música a partir dos escritos de José (vulgo Zé) Pacheco Pereira no seu blog Abrupto.

O tema There She Goes, My Beautiful World - incluído no próximo disco do cantor (a editar em Setembro, de acordo com fontes ouvidas em cassetes encontradas numa gaveta) - baseia-se nos vários posts da série «Pobre país, o nosso» do conhecido opinion faker português.

Os The Galarzas souberam ainda, de fonte gravada sem conhecimento, que Pacheco Pereira não deu autorização a Nick Cave para se basear nas suas declarações, até porque o poeta austral não pediu autorização ao comentador da SIC para se basear nas suas declarações.

A prova do plágio/tributo de Nick Cave a Zé Pereira pode perceber-se facilmente através de uma rápida leitura do poema:

THERE SHE GOES, MY BEAUTIFUL WORLD

The wintergreen, the juniper
The cornflower and the chicory
All the words you said to me
Still vibrating in the air
The elm, the ash and the linden tree
The dark and deep, enchanted sea
The trembling moon and the stars unfurled
There she goes, my beautiful world
There she goes again

John Willmot, penned his poetry riddled with the pox
Nabakov wrote on index cards, at a lectern, in his socks
St. John of the Cross did his best stuff imprisoned in a box
And Johnny Thunders was half alive when he wrote Chinese Rocks
Well, me, I’m lying here, with nothing in my ears
Me, I’m lying here, for what seems years
I’m just lying on my bed with nothing in my head
Send that stuff on down to me
There she goes, my beautiful world
There she goes again

Karl Marx squeezed his carbuncles while writing Das Kapital
And Gaugin, he buggered off, man, and went all tropical
While Philip Larkin stuck it out in a library in Hull
And Dylan Thomas died drunk in St Vincent's hospital
I will kneel at your feet
I will lie at your door
I will rock you to sleep
I will roll on the floor
And I’ll ask for nothing
Nothing in this life
Give me ever-lasting life
I just want to move the world
I just want to move
There she goes, my beautiful world
There she goes again

So if you got a trumpet, get on your feet, brother, and blow it
If you’ve got a field, that don't yield, well get up and hoe it
I look at you and you look at me and deep in our hearts know it
That you weren’t much of a muse, but then I weren’t much of a poet
I will be your slave
I will peel you grapes
Up on your pedestal
With your ivory and apes
With your book of ideas
With your alchemy
O Come on
Send that stuff on down to me
Send it all around the world
Cause here she comes my beautiful girl

There she goes my beautiful world
There she goes again

Solidariedade Galárzica

Por solidariedade com o revista FOCUS, os The Galarzas publicam, em exclusivo nacional, o polémico conteúdo das famigeradas cassetes do Octávio. Ei-lo:









PROIBIDO








Agora sim, percebe-se o porquê de tanta azáfama. Esperamos nós, optimistas The Galarzas, que os nossos esclarecidos leitores compreendam a relevância desta informação e a necessidade de desrespeitar a providêncial cautela. A partir daqui, lavamos as nossas mãos.

Uma dúzia, outra não

Palavras tramadas pra rimar,
troféus garridos entre dicionários,
as folhas verdes não são alfaces
necessariamente.

Ponha-se um país no gelo,
ainda que plantado em quente latitude,
essa doença chamada beatitude,
não depila grande coisa nem faz crescer o pelo.

Óscar Machico, in «Refrigerantes e depois», Edições Emplastro, 1998

10.8.04

País Del'Arte

Cite-se o nosso marinheiro preferido, pois que o tempo (e a falta de ânimo) para isso nos empura. Ora façamos rewind:

«O país tem um primeiro-ministro preocupado com cassetes. O país tem jornalistas que são detectives e ex-detectives que se armam em romancistas. O país tem romancistas que escrevem light agora que só interessa o light. O país espeta-se na estrada com chuva e a chuva cai no país quando se está a banhos. O país é um gajo estranho.»

Verdade, verdadinha

É de Verdade, verdade, verdades e vaidades (Modernas e antigas) que fala por aqui e por aqui o JMF, ainda requentado das férias... Como diria o nosso Primeiro, «Bemvindo» de volta, pá!

Poema de Mestre Nestor Alvito

Sem cura

A censura
nunca é pura
quem a atura
é quem dura

Como a dita,
que sempre
dura

Bem mais
que quem
a atura

(in Édito)

Edgar Rice Borroughs...
Mas nunca devolve!

Previdência Cautelar

O que é a Previdência Cautelar?

-É fazer um seguro de saúde na Império?
-É impedir que as crianças vão ao banho antes de terminar a digestão?
-É reduzir a velocidade numa via mal sinalizada?
-É não olhar muito para a mulher do vizinho que é campeão de Karaté?
-É usar preservativo?
-É subir ao telhado com muito cuidadinho?
-É um pleonasmo?
-É uma corporação de bombeiros?
-É uma conta poupança?
-É uma forma de evitar que aconteçam coisas que já aconteceram?
-É andar escondido para não ser assaltado na rua?
-É fazer de conta que ainda ninguém sabe o que toda a gente já sabe?
-É pôr menos sal na picanha?
-É lavar os dentes?
-É uma policia internacional para a defesa do estado?
-É uma coisa que se põe à volta das calças para elas não cairem?

Maldito Pecado

Sempre tive para mim que comer fruta não é lá grande coisa, pouco saudável. As minhas razões são de ordem natural. Como dizia Monsanto Guedes, «a fruta não é o fim da fruta, é a árvore», querendo com isto dizer que a fruta não foi feita para ser comida, foi feita para criar novas árvores. Depois, vejam bem, a primeira condenação, sumária digo eu, em tribunal aconteceu por um crime de comer fruta. Ainda só existiam duas pessoas que foram condenadas por comer uma maçã, foi chamado «o pecado original» e, a partir daí, desatou tudo a comer fruta prescindindo da originalidade, mas aproveitando o qualquer coisa que a fruta tem.
Pois agora, muito cuidado, a polícia da fruta voltou a atacar. Que o digam os Francisco Fernando.

Dizia ela, há anos...

Queixa das almas jovens censuradas

«Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola

Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade

Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência

Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro

Penteiam-nos os crâneos ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós

Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo

Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro

Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco

Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura

Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante

Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino

Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte»

Natália Correia

P.S.: Os tribunais impediram a revista FOCUS de publicar qualquer frase que fosse sobre o escândalo das cassetes roubadas a um jornalista do Correio da Manhã onde o senhor fala, pelos vistos muito e mal, com "fontes".

Nem uma palavra

A SIC brada que a revista FOCUS recebeu uma providência cautelar, oriunda de um zeloso tribunal, que impede a publicação de sequer falar no caso das cassetes roubadas. Isto porque, diz a estação, a FOCUS se estaria a preparar, ou não, para publicar, ou não, as mais apetecidas conversas telefónicas dos últimos dias. Uma espécie de 0670 à moderna, com pessoas importantes a falar. Mas, citando o Pacheco Pereira, há que reconhecer a verdade do «Pobre país, o nosso».

A ver se a gente se entende:

1. Um jornalista gravou conversas sem que os gajos que estavam a falar com ele soubessem.
2. Vai dai, guardava as cassetes num armário, numa gaveta, no jornal dele.
3. Alguém lhe gamou as cassetes - diz o jornalista.
4. Ninguém ainda sabe QUANDO é que lhe palmaram as ditas. O que se sabe é que na sexta-feira passada foi apresentar queixa à polícia. Ora, das duas uma:
4a. Ou lhe gamaram aquilo na quinta ou sexta e o homem assustou-se e foi a correr à polícia;
4b. Ou não abre a gaveta há muito tempo e as cassetes esfumaram-se (o que é estranho, pois anda aí muita cassete do ZX Spectrum ainda a funcionar);
4c. Já lhe tinham palmado as cassetes há meses mas só agora, perante a macacada das notícias, fez queixa.
5. Entre a chuva, demitiu-se o director da PJ, Adelino Salvado. Porquê?
6. E, para fechar, ainda ninguém sabe que raio há nas cassetes, mas a revista FOCUS já levou uma palmada. De facto, é publicidade à borla. E um sinal estranhíssimo do que é justo num País preso à legalidade.

Noutros tempos, havia páginas em branco ou um aviso: «Revisto pela Censura». Ou «Censurado».

9.8.04

censura s.f. acto de censurar; cargo de censor; exame crítico de obras literárias ou artísticas; poder doEstado de proibir ou de restringir a livre manifestação do pensamento , oralmente ou por escrito, quando se supõe haver perigo de consequências violentas, que ponham em risco a ordem pública;pena eclesiástica; tribunal encarregado de cencurar; PSICOLOGIA em psicanálise, função de defesa do ego e do superego contra pulsões perigosasrepelidas para o inconsciente ou com acesso à consciênciasob forma substitutiva e deformada, como, por ex. nos sonhos; repreensão; admoestação; ~teológica juízo negativo pronunciado pela igreja acerca de um ponto de doutrina teológica (Do Lat. censura-, "id")

Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora, 8ª Edição


exemplos:
"O que pensa Cardoso Pires da...PIDE"

"Marcelo Rebelo de Sousa - O Expresso e a Censura"

"Os livros e a censura em Portugal"

"UM POUCO DE UMA GRANDE HISTÓRIA
Foi durante o fascismo..."

"«Crash» CENSURADO"

Poema de: Idálio Juvino

Venho de um céu cheio de fealdade.
Tropeço quotidianamente nos escolhos
Lavrados por mãos de alheios,
Desfazendo-me num sentido bem literal
Nos poços falsos cavados de sobressaltos.

Um dizer corrompido,
Velado por aromas de um mel sem côo,
Desdenha as minhas fraquezas
E fá-las maiores e mais fáceis de derrocar.

Tenho a medida mais pequena de todas
Onde eu só fico ancho, enregelado,
Numa pedra pequenina sem valor
Que qualquer pé pode chutar para longe.

Uma varanda estacada de cimento
Ainda suporta vasos, que suportam lírios,
Cravos, Íris, que suportam os bichos,
Que esvoaçam nesta tarde de calor indómito
Em que eu, deleitado na sombra odorosa
Me revolto e recuso.

Idálio Juvino, "Folha de Flandres", Publicações Glúteo, Arneiro da Volta, 1991

Para que não nos acusem...

...de desleixo ou falta de comparência, aqui fica esta posta, até que algo aconteça por aqui. Só porque sim.

8.8.04

O meu Sonho .144

O meu Sonh...

Devido à anunciada folga imposta por ordem do Senhor Presidente do Comité Lateral, também este Sonho não poderá, nem deverá, ser publicado. Boa noite!

Folga

Excelsos e-leiteiros:

os The Galarzas fazem saber a vossas mundividências, a vossas magníficas belezas (isto não é blague, é apenas uma soez tentativa de bajulação), que devido ao cansaso... cansasso... perdão, cansaço intelectual de toda a trupe de blogádos deste conjunto azorrague-músico-poético, não serão produzidas e editadas as habituais pérolas lírico-gráficas, rúbricas, nem as demais novelas.

HOJE ESTAMOS DE FOLGA.

O Presidente do Comité Lateral,
Optimus Galarza

O coronel VII (comportamentos tipo passe)

- Já Viu?
- Olá Coronel.
- Já viu?
- Já vi o quê?
- O Del Neri.
- Quem é esse?
- O do Porto, caramba. Você não gosta de futebol?
- Sim.
- Foi despedido.
- Essa agora, porquê?
- Atrasou-se para um treino.
- E isso dá despedimento?
- Pois é. Ninguém ainda pensou, mas a Lei Laboral do Bagão fez a primeira vítima.

7.8.04

Crónica de um Metrossexual

Termo "metrossexual" - designação fashion-mercadológica para um homem das grandes cidades que gasta mais de 30% de seu salário com cosméticos e roupas, frequenta manicures, aprecia um bom vinho, adora um shopping, é (para resumir) mais que simpatizante da cultura gay. Mas não se engane: é um sujeito bem macho. (in Folha de São Paulo)



Crónica 1

Quando acordei senti que os lençóis de algodão não éram os mesmos. Estavam agora na pele como pequenas velas desfraldadas, uma sensação de ar e conforto, mas estranha às pernas. Os lençóis alvos, trazidos de uma das melhores lojas da cidade - Deus, que canseira é encontrar bons lençóis de algodão, quanto mais de sêda - estavam agora como as bandeiras que, de um só pano, se desfraldam em pequenas tiras, a lembrar a subtileza artística das romenas nos jogos olímpicos, em exercícios no solo, com aquelas pequenas fitas a baloiçar no ar.
Perante este desfiar, olhei para o meu corpo. Precisava de cuidados, claro. Os calos éram tais que rasgaram os lençóis. Arranquei um com uma unha, mas o outro teve de ser com uma navalhita. A vida de metrossexual é muito exigente...

As cassetes



Gamaram umas cassetes ao jornalista do Correio da Manhã. Gamaram umas cassetes que tinham gravações com gente importante. Gamaram as cassetes onde fontes importantes falam com o jornalista sobre coisas da Casa Pia.

(hehehe)

6.8.04

A Linha é de Ferro 15ª

Cada vez que sai à rua, a cabeça grisalha da avó aparece-lhe à janela para gritar "Não te constipes!", e o Edgar fica com um nó no estômago, que chega quase a arruinar-lhe o dia logo ali, e pensa "Porra que a velha é maluca! Então um gajo sai à rua de propósito para se ir constipar, ou quê? Se calhar um gajo tem para aí um sítio especial onde se vai constipar de propósito com a malta, que é para depois ficar tudo de cama e só se voltar a encontrar lá para o fim do mês. É mesmo maluca."
De repente dá por si a querer rir da ideia de se ir com "a malta" toda lá para a margem do rio, todos a mergulhar na água gelada que mais parece ferro a cortar os músculos, a deixarem-se despidos e molhados a apanhar o ventinho do Norte, à espera que se constipem ou apanhem uma pneumonia. A pensar numa excursãozinha à farmácia da Rua Deserta, uma verdadeira incursão de terroristas na terra do fármaco legalizado, para comprar os antigripais, roubar os preservativos da caixa por cima do balcão e fazer balõezinhos com eles atirá-los em todas as direcções. A ver o capachinho do Doutor desaparecer misteriosamente para dentro de uma gaveta e homem atormentado sair porta fora aos gritos.
De repente já está com a malta toda a espreitar para dentro da blusa sempre hiper decotada da farmacêutica, que ouve deliciada os piropos todos dos rapazes, mesmo os mais escabrosos "Ó sôra doutora, olhe qu'a senhora ainda 'tá muito na linha!" "A doutora alinha?" e ela responde com risinhos de satisfação, de ego bem preenchido.
O raio da avó com a cabecita fora da jenela da sala lá ao fundo da rua ainda a gritar e o Edgar irritado a dar pontapés nas pedras e no lixo que encontra pelo caminho, a esfolar os ténis novos.

Poema de: Manuel Maria Barbosa du Bocage

Dizem que o rei cruel do Averno imundo
Tem entre as pernas caralhaz lanceta,
Para meter do cu na aberta greta
A quem não foder bem cá neste mundo:

Tremei, humanos, deste mal profundo,
Deixai essas lições, sabida peta,
Foda-se a salvo, coma-se a punheta:
Este prazer da vida mais jocundo.

Se pois guardar devemos castidade,
Para que nos deu Deus porras leiteiras,
Senão para foder com liberdade?

Fodam-se, pois, casadas e solteiras,
E seja isto para já; que é curta a idade,
E as horas do prazer voam ligeiras.

Editora de revistas e Livros, Lisboa, 1991

O Juíz

Finalmente, a resolução do "caso" da "Casa Pia" está aí à vista. E-leia o que diz o juíz da comarca de Vila Verde de Pionés...

Contra os ineptos, a Inépcia total.

Exclamativo às portas do FM

Não há Musa para tanta Lusa.*
Às segundas. Às 15.30h. Há ressonância no FM:

Monday, 16 August 2004
15.30 Musa Lusa Miguel Santos
Contemporary fado to experimental electronica, alternative pop to ethno\folk, jazz, modern composition, upfront club music and many other genres you would never dream come from Portugal.


(* adaptação livre de um poema do grande Fernando Grade)

5.8.04

A Esquerda do Quarto


A Esquerda em Movimento

Vote for Change + Future Soundtrack for America = Rock Against Bush

A Esquerda da Moda

The name is Moore. Michael Moore!

A Esquerda Modernérrima

Scissor Sisters

A Esquerda Moderna

+ =

4.8.04

O meu Sonho .143

O meu Sonho era ter no meu teclado um ponto de viragem.

O coronel VI (comportamentos tipo passe)

O Coronel mandou-me um e-mail.

«Meu caro

Eis a minha primeira medida do novo e-government: vou deslocalizar-me para o Alentejo durante 15 dias. Bom trabalho.»

O fim

O fruto não é o fim do fruto: é a árvore.

Monsanto Guedes à saída do bar do Pires Répas em Vialonga, numa noite estonteante na Primavera de 1989.

Alguém põe uma etiqueta destas nos produtos portugueses, por favor?

E para quando uma em português?

(TRADUÇÃO: «Lavar blá blá à mão / Blá blá blá / Não secar blá blá / Blá blá blá / Não passar a ferro / Pedimos desculpa / por o nosso Presidente ser um idiota. / Nós não votámos nele.»)

PSicadelismo

É verdade que as coisas não andam lá muito bem na tasquinha do Rato... Mas isto assim também é demais, não? Ou será que alguém na secção de Benfica do PS anda a fumar charros e a ouvir discos de rock psicadélico a mais?

Bestiais Amigos II: a resposta que faltava

Caros Animais Amigos,
sou vosso leitor atento e gostaria de partilhar convosco a foto de um animal de pouca estimação que, tal como vocês dizem, se distinguiu pela invulgaridade do seu acto, ao tornar-se, de-repentemente, marquês do seu pombal. Se me permitem, aqui vai:

Santana Lopes: afinal, cão que ladra já morde

Bestiais Amigos

O Correio da Manhã não consegue parar de surpreender. O matutino inaugurou recentemente o fabuloso espaço Animais Amigos onde se pede:

«CONTE A SUA HISTÓRIA
Se o leitor conhece a história de um animal que se distinguiu pela invulgaridade do seu acto, não hesite em escrever-nos. Envie-nos a sua história acompanhada, se possível, de uma foto do animal de estimação (...)


»

E lá estão, pois, as histórias e as desventuras da Nelinha, do Velhote, dos irmãos Cacau e Chocolate, da Leonor, da Nina e de tantos outros.

Tudo isto e muito mais no jornal que, ainda há uns dias, se queixava que «Estamos a ser estupidificados»...

Relato dos dias passados

Sem tempo.
Sem paciência.
Sem família.
Sem vida.

Aviso Intempestivo

Os The Galarzas reservam-se o direito de ser estúpidos e brutos que nem portas; o direito a comer sem talheres; o direito a conduzir pelo lado torto da estrada; o direito a esmagar ervilhas com os pés; o direito a ir à merda sempre que o desejem; o direito a cuspir para o chão ou para o ar; o direito a odiar a torto e a direito; o direito a olhar; o direito a ficar quietos; o direito a mijar nos cantinhos escuros das ruas; o direito a punir severamente; o direito à perversão sexual legalizada; o direito a partir os joelhos; o direito a ir a direito; o direito a não saber de nada; o direito a acabar nas sarjetas; o direito a não acabar nada; o direito a não acabar de forma nenhuma; o direito a partir as mãos; o direito ao alcoolismo; o direito à vergonha; o direito a fugir sempre que julgem necessário; o direito à masturbação; o direito à falta de sorte; o direito a invocar direitos; o direito a não acreditar em ninguém; o direito a não gostar de padres e sacerdotes em geral; o direito a achar bonitas as máquinas de guerra; o direito a fazer avisos; o direito à autofagia; o direito a dar e a receber maus conselhos; o direito a dar e receber; o direito a ir outra vez à merda; o direito a sair dela.

O meu Sonho .142

O meu Sonho era ter dedinhos muito fininhos, muito maciozinhos, mais suaves que a sedazinha que fazem os bichinhos lá na China, dedinhos assim que arqueassem elegantezinhos, para vos pegar a todos devagarinho sem fazer dói-dói e para vos pôr a comidinha na mesa e para vos pôr na caminha sossegadinhos.

3.8.04

A Linha é de Ferro 14ª

Gárgula desfaz-se em tristeza a cada fim de dia, naquelas horas de trânsito entre o emprego e o lar em que se sente mais só. Não é que não goste de passar as noites todas em casa, que gosta. Aliás, assim que entra em casa e pousa a sacola de qualquer maneira em cima do sofá, ou desleixadamente no chão, sente-se maior que qualquer afortunado da alta finança. Em casa tem tudo o que precisa para se sentir bem, e ele sente-se esplêndido, em forma e cheio de vontade de ficar quieto.
Gárgula vai sempre pela mesma linha e não gosta nada de mudanças. Por mais pequenas que sejam para ele é sempre um suplício, uma provação, sentir que há uma pedra qualquer, ou um ferrinho por mais pequeno, que se lhe ponha debaixo dos pés, alterando-lhe de qualquer forma o caminho que ele já tem ensaiado mais de um milhão de vezes.
Ao fim do dia sente-se sempre triste, por mais que faça, não consegue deixar de se sentir lacrimejante a olhar pela janela do comboio e a ver vazios, a desviar-se dos olhos dos outros, a fugir-lhes das vozes. Anda pela rua em passo estugado, camisa desfraldada, sempre apressado, a fugir de alguma coisa indefinida que o não persegue.
Que raio de hora do dia em que tudo lhe é solidão e má sorte, que não consegue ser o homem de nenhuma mulher, que não se presta a sair da cepa torta e de se ver como o mais inepto de todas as pessoas que conhece.
Ninguém lhe há-de dizer num desses fins de dia, enquanto resta uma luzinha de sol, que ele tem a imaginação avariada e é melhor levá-la a reparar na oficina.
Gárgula não existe para as estatísticas.