30.4.04

Prognóstico à distância

Previsão The Galarzas para o Totoloto de amanhã

Números sorteados: 2 - 3 -7 -21 - 48 - 49 + 13

Joker: 2366503

Jogue que ganha. É mais que certo. Os The Galarzas vão riscar as cruzinhas em cima destes.

Ainda Bem

Ainda bem que o país Portugal apoia oficialmente a coligação político-militar que invadiu o Iraque para destruir as armas de destruição massiva, depor o ditador genocida e instalar a democracia e os valores de tolerância e civilidade a que todos nós ocidentais do Norte fazemos apologia activamente a toda a hora.
Ainda bem, porque assim temos a certeza de que as alegadas torturas e humilhações feitas pelos soldados da nossa coligação aos prisioneiros de guerra iraquianos, acontecem por motivos humanitários e com as melhores intenções.
Quem os manda não terem todos assinado a convenção de Genebra?
Quem os manda não serem americanos para poderem ter a imunidade cedida pelo Tribunal Penal Internacional para matar e torturar à vontade?

Informação fútil e dispensável mas agradável de saber

Halle Berry vai divorciar-se.

Informação útil e indispensável para o bom funcionamento do país, das suas gentes e instituições, em dia de debate na Assembleia da República

Hoje é dia 30 de Abril de 2004.

29.4.04

O paizinho dá

Espera lá que já vais.

motivos alheios

Por motivos alheios não podemos, de momento, prosseguir a emissão habitual com a programação habitual. Logo que nos seja tecnicamente comunicada a informação de que poderemos prosseguir como estava planeado, assim o faremos. Exigimos desde já as explicações devidas pelas autoridades, que devem manter-se atentas para que nos possam facultar toda a informação que nos seja indispensável. À empresa proprietária fazemos a requisição, de forma civilizada, de todas as facilidades necessárias. Partimos deste ponto absurdo e ninguém nos fará retomar pelo caminho por onde nunca passámos.

Ao nosso público, atento e concernado, lançamos o nosso Saravá e que se mantenha sentado ou deitado, já que o homem e, concerteza, a maioria esmagadora das mulheres também vivem do descanso. Saúdinha, pois.

Epá, tanta gente!

Diz a LUSA que «apenas quatro pessoas compareceram hoje frente à Câmara de Lisboa para apoiar Pedro Santana Lopes». Tenho dito.

Portugal, um disparate total

Ontem à noite, este Galarza foi à estreia da comédia musical «Portugal, Uma Comédia Musical». Estavam lá tantas estrelas de cadentes e tantas câmaras e tantos microfones que este Galarza pensou que a peça se desenrolava no átrio do São Luiz.

Ontem à noite, este Galarza foi ver «Portugal, Um Disparate Musical». Valeram as músicas do SG Gigante, a presença da Marisa Cruz e... pouco mais. Nada de tão hilariante como o jogo da Selecção ou os apitos dourados.

Esta madrugada, este Galarza percebeu que perdeu uma boa noite de descanso...

28.4.04

Assim Falava

- Adolfo Hitler falava com os seus cães com uma doçura e uma candura tal que faziam dele quase humano.
- Boris Ieltsin falava ao seu vodka como se este fizesse já parte do seu corpo.
- José Estaline só falava quando queria.
- Américo Thomaz sabia dizer o nome próprio.
- A rainha Victória só falava depois das 5 p.m.
- Benito Mussolini falava mal dos outros por causa de umas limalhas que tinha na garganta.
- Júlio César só falava para revistas e livros de História.
- Phol Pot nunca falou com ninguém.
- Winston Churchil falava entre brandys e baforadas de charuto.
- António Salazar não gostava de ouvir ninguém falar.
- Galileu falou até se lixar.
- Álvaro Cunhal falava com dogmas nas cordas vocais.
- Santo António falava aos peixes.
- Viriato nunca falou às Nações Unidas.
- Nostradamus falava de coisas estranhas.
- Fidel Castro Já falou melhor.
- Sócrates só parou de falar quando tomou uma bebida estragada.
- Eça de Queirós falava com a boca cheia de adjectivos extraordinários.
- Diz-se que Mikhail Gorbachev também quis falar a Santo António.
- Catilina baixava o tom de voz quando lhe calhava ficar na mó de baixo.
- Santana Lopes só gosta de falar nas parangonas.
- Quando George W. Bush fala, ficamos à espera de ouvir uma nova asneira.
- Martin Scorcese tem seis cotovelos que lhe permitem falar quase tudo o que quer.
- Beethoven ouvia mal mas falava muito bem afinado.
- Rudolfo Valentino nunca falou nos filmes.
- Federico Garcia Lorca falava só para dizer coisas bonitas.
- Martin Luther King Jr. gostava de falar como Lorca.
- John Kennedy às vezes falava em língua estrangeira.
- Greta Garbo escusou-se a falar, mas ninguém deixou de ouvir falar dela.
- Afonso Henriques não falava português.
- Jesus Cristo nunca falou para um gravador de cassettes.
- António Aleixo preferia falar. A escrita entediava-o muito.
- Mário Soares fala quando muito bem entende.
- Às vezes Rafael Bordalo Pinheiro fazia desenhos que ficavam muito mal falados.
- Apesar de não poder falar durante muito tempo, Nelson Mandela dava gritos tão estridentes que só não ouvia quem quisesse.
- Gonçalo Ribeiro Telles, que anda a tirar um curso de Santo António, não sabe para onde há-de falar.

«Eu vou!»

Os The Galarzas já foram convocados para a Manif In Túnel. Pedem-nos, em anúncio de página inteira no Correio da Manhã, para irmos «todos em apoio ao Presidente da Câmara Municipal de Lisboa eleito». E dizem-nos para irmos «pelo túnel mais cidade pela modernidade».

Ao que se m'alevanta uma questão: será que, como para o Euro 2004 e para o Rock In Rio Lisboa (ainda não conhecemos este tão falado Rio Lisboa, mas continuamos a procurar), vão estar disponíveis autocolantes a proclamar «Eu não fui convocado» e t-shirts a revelar «Eu não vou!»? É que nós queremos sete...

Reparo

Chega o Fuas Roupinho
Com travões ABS
Aterra na Portela da Azóia
O J. Oliveira Marques
E dez tomos de História
Vêm os pastorinhos
Todos três
Enganar-nos na Oliveira
Vem o Salazar
Afundar-nos em alto mar

Está o Martim Moniz
Engasgado entre
O ferrolho e o nariz
Embrulha-se a nação
Como era dantes
E entrega-se tudo ao
Eanes

Resmunga o Cerejeira
Com o caruncho da madeira
Alerta-se o João Jardim
Para mais um festim
Alija-se a carga de Belém
E fica lá o Santana, Marquês o tem.

Num saco bem fechado,
Vão a flutuar os revisionistas
Vai o Rosas, o Pulido Valente
Sarracenos, até judeus dos que sobraram
Tasqueiros é que nunca, somos país
De alta roda,
Homero tem um T4 na Quinta da Marinha
E faz jogging de manhanzinha.

E se não te basta
O bispo de Setúbal ou o
Salgueiro Maia
Se o Bloco de Esquerda
Não é mais que
A mesma treta
Deus salve, Pátria nossa
Enfia-se o Silva no Pulo do Lobo
Reacorda-se o Spínola
Faz favor, senhor Otelo
Sá Carneiro, o que chegar primeiro
Tomai conta do estabelecimento

A contento
Com o uso
Está difuso
O sustento
Dão promessas
Logo à noite
E remessas
De desgraças
São Falácias
Vos valha
Pois se acreditais
Que era isto Portugal
Fechai os olhos e gritai:

Puta que pariu, Afonso,
Tua mãe te fez algum mal?

de Eustáquio Pinho, Meia Bala e Forca, sobrevoando Lisboa, 2004

José Mário Branco

És um chato do caraças com aquela treta de proibir o FMI, mas a gente gosta de ti à mesma

Se ele deixasse, púnhamos aqui o disco todo.

27.4.04

«Ó... meu Deus!» (partes 2 e 3)

Em tempos, perguntava-me eu «Que mais faltará inventar?». A resposta é: isto...

Já havia o walkman, agora há o comewoman

...e isto...

O sonho de toda a mulher é mijar como um homem.

Mas quem me manda a mim perguntar coisas?

Roleta Alentejana

Diálogos com: Pardal Maluco
fragmento 96

-Olha lá!
-Qué?
-Põe os ovos cozidos junto com os outros [crus].
-Qué?
-Junta os ovos cozidos com os outros e depois podemos jogar uma Roleta Alentejana.

Lembrem-se...

26.4.04

Poema de: Saint-John Perse

Chanson

Mon cheval arrêté sous l'arbre plein de tourterelles, je siffle un sifflement si pur, qu'il n'est promesses à leurs rives que tiennent tous ces fleuves. Feuilles vivantes au matin sont à l'image de la gloire)...

Et ce n'est point qu'un homme ne soit triste, mais se levant avant le jour et se tenant avec prudence dans le commerce d'un vieil arbre,
appuyé du menton à la dernière étoile,
il voit au fond du ciel de grandes choses pures qui tournent au plaisir.

Mon cheval arrêté sous l'arbre qui roucoule, je siffle un sifflement plus pur...
Et paix à ceux qui vont mourir, qui n'ont point vu ce jour.
Mais de mon frère le poète, on a eu des nouvelles. Il a écrit encore une chose très douce. Et quelques-uns en eurent connaissance.

Já!

Os The Galarzas vêm por meio desta singela posta homenagear o nosso correspondente nas margens do Sado, o beira-Atlântico músico, romancista, jornalista, artista-plástico e outros, o excelso Marquês do Sado, pelo seu divórcio obtido ontem dia 25 de Abril de 2004. Não estando o acto ainda oficializado, este nosso camarada de asneira fez no entanto o abandono definitivo da casa conjugal e tornou-se no novel locatário de uma fracção num discreto edifício da bela Setúbal, onde se prepara para começar a receber visitas de pessoas do género oposto para fins exclusivamente lúdicos. Estima-se que dentro de três dias já estará disponível a máquina turn-o-matic, de onde as interessadas deverão recolher a senha de ingresso.

Como de costume este nosso amigo só abrirá a porta de sua residência a senhores que já façam parte do grupo de familiares e amigos, ou que venham a fazer, e que o façam com intenção de usufruir de alguns momentos de sã camaradagem (comidos e buídos, cultura geral). Todos os outros escusam de ir. O Futebol está absolutamente proibido de entrar.

Viva o 25 de Abril!

Nada

Não tendo coisa alguma a acrescentar a tudo o que já foi dito e escrito, me despeço até já.

O triste fado da nação

Vai assim o fado do ECT:

«(...) tudo isto é fado, Portugal é Madail, Portugal é Valentim, Portugal são Fátimas, Portugal é Marco de cada vez, Portugal é bola, vejem os anúncios cos senhores do governo mandaram fazer pó Euro, é tudo estádios, até as paisages, que pena não haver fadistas na política, só o Almeida Santos, porque padres até já há, mas só o padre Borga canta na TV, canta na TV, canta na TV, assim com o fado os efes já ficavam juntos na TV com a política, que é como devia ser, ele é futebol, ele é Fátima aqui como sinédoque para religião, mas isso não interessa nada, é Fátima porque começa por F e religião começa por R como evolução e Fátima não se pode confundir neste caso com Felgueiras só se vocês quiserem, e o outro F é o do fado, que é o nosso destino, e então política escreve-se com F e televisão também, são os cinco efes, ai a santa televisão, se não fosse ela, como é que nós havíamos de ver isto, agora é que sim, o nosso país real está todo na televisão (...)»

Rendo-me: este gajo é um Galarza...

25.4.04


Abril é o quê?

Paulo Portas foi vaiado. Durão Barroso foi vaiado. Os Capitães de Abril recusaram o convite. 40 mil desfilaram na Avenida da Liberdade. O Futebol Clube do Porto ganhou o Campeonato. O Gondomar ganhou aos Dragões Sandinenses.

Tudo está na mesma quando fica na mesma...

SEMPE. SEMPE, SEMPE, SEMPE!

24.4.04

«José Manuel Fernandes para o Iraque já!»

Não somos nós que o pedimos, é o Barnabé. Mas leiam a petição e, se quiserem, façam como nós: assinem...

Perguntas de Interesse Apócrifo

Será mesmo verdade o que me dizem, que as mulheres católicas têm em geral os seios maiores que as demais? E em que estudos ciêntifícos se baseia esta proposição? Será uma mera afirmação, ainda que de raíz empírica, perfeitamente despida de confirmação metódica?

E é mesmo verdade que devido ao desejo da salvação, a mulher católica, tem uma maior propensão para cometer o pecado da carne, uma vez que o arrependimento, a absolvição e o perdão são como código postal para a salvação eterna?

Sempre em dia



Anónimo

Quando as palavras nos separaram
E o olhar nos mandou embora,
A vida colou-nos pelas
Plantas dos pés.
Porque se desfizemos o que
Ela quís para nós
É tão só justo que,
Se algum dia nos tentarmos
Voltar a beijar,
Se estalem as vertebras,
Morramos.

de Eustáquio Pinho, De Si, Litro, Salvaterra, 1991

Amanhã, de manhã

«Aqui posto de comando do Movimento das Forças Armadas.

As Forças Armadas portuguesas apelam a todos os habitantes da cidade de Lisboa no sentido de recolherem a suas casas, nas quais se devem conservar com a máxima calma.

Esperamos sinceramente que a gravidade da hora que vivemos não seja tristemente assinalada por qualquer acidente pessoal, para o que apelamos para o bom senso dos comandos das forças militarizadas, no sentido de serem evitados quaisquer confrontos com as Forças Armadas. Tal confronto, além de desnecessário, só poderá conduzir a sérios prejuízos individuais que enlutariam e criariam divisões entre os Portugueses, o que há que evitar a todo o custo.

Não obstante a expressa preocupação de não fazer correr a mínima gota de sangue de qualquer português, apelamos para o espírito cívico e profissional da classe médica, esperando a sua acorrência aos hospitais, a fim de prestar a sua eventual colaboração, que se deseja, sinceramente, desnecessária.»

23.4.04

Daqui posto de Comando das Siglas Acrónimas


Investigação

Os The Galarzas anunciam aos seus dilectos ciberespectadores mais uma bombástica e absoluta verdade histórica, até agora mantida em segredo pelos sucessivos governos de Portugal e dos E.U.A., fruto de um grande trabalho de investigação, que nos levou a vários pontos do globo e nos fez percorrer milhares de documentos dos arquivos históricos dos dois países, só acessíveis a investigadores da nossa craveira, mundialmente reconhecidos por toda a comunidade científica. Para a perfeita execução deste trabalho, foi-nos ainda facultado o acesso a alguns documentos até agora não divulgados, que permaneciam e permanecem nas mãos de alguns particulares que preferem manter o anonimato, o que nós respeitaremos até ao fim.

Os The Galarzas anunciam assim, que numa tarde de Agosto de 1974, durante o torpor da canícula ribatejana e depois de ter enchido a barriguinha com um faustoso cozido à portuguesa, o embaixador dos E.U.A. em Portugal, Frank Carlucci, quis reivindicar para si a paternidade do actor português João Villaret. Prontamente impedido por um funcionário da embaixada do seu país, que o julgou temporariamente inapto para tomar decisões devido ao bom serviço do carrascão do Cartaxo, o embaixador voltou a adormecer debaixo da nespereira do amigo que o havia convidado para o repasto.

Mais tarde nesse dia, já recomposto do efeito do vinho tinto, pretendeu retomar o assunto. Foi nesse momento que recebeu instruções directas do presidente Richard Nixon para abandonar essa pretensão, a bem das relações entre os dois países e, particularmente, das relações de amizade pessoal que unia o Presidente norte-americano e o Primeiro-Ministro de Portugal, o Coronel Vasco Gonçalves.

Strong, strong, Vasco comrade!

Discos lamentavelmente esquecidos nas caves de grandes editoras

Kraftwerk unplugged

José Cid canta Gershwin

Sex Pistols and The Royal Philarmonic of London: a celebration of love

Marilyn Manson: the fado covers

Introdociendo Señor Kevin Johansen

Súbito, José Saramago levantou-se e começou a comer


«Guacamole

Sittin’ on a bencho, waitin’ for the teco guacamole
Carne con frijole’, carne con frijole…
Waitin’ for the sun to shine, hopin’ for the chicken yakisoba
Hope there’s some left over, hope there’s some left over…

Ay, mami, qué está haciendo, dónde va?
Ay, papi, no sé, pero vete ya!
Even when the pompan takin’ on a holey, guacamole…

Samarranch, Havelange, Copa Mundo, UEFA de la FIFA
Just like Queen Latifah, hope she got some reefah
Solitaire, happiness, joie de vivre just’ a like Lola
Hope she’ there sola, hope she’ there sola

Guacamole, Si Señor, Por Favor!

Ay, mami, qué está haciendo, dónde va?
Ay, papi, no sé pero voy pa’ allá!
Even when the pompan takin’ escabeche
Uy, café con leche!

Vamos a comer a lo de Beto, que nos hizo guacamole!
Carne con frijole’, carne con frijole’!
Cuchufrito, habichuela, hot tamale, trucha al escabeche,
Con café con leche, con café con leche…
Chimichurri, zucundún con chequendengue, Caraguatatuba
Y uma caipiruva, y uma caipiruva…
Un poquito de manteca, cuatro cucharada e’ milanesa
Queso con frambuesa, pongan bien la mesa!

Boca Juniors, River Plate, Chacarita, Diego Maradona
Diego no perdona, Diego no perdona
Solitaire, happiness, joie de vivre, just a like a Lola
Hope she there a sola, hope she there a sola…

Ay, mami que esta haciendo, donde va?
Ay, papi no se pero voy pa’ alla!
Even when the pompan takin’ on a lilly
Don’t be so silly…

Guacamole, guacamole, si Señor, por favor!»


The Nada!

Abril Alegre

Trinta anos depois querem tirar o r
se puderem vai a cedilha e o til
trinta anos depois alguém que berre
r de revolução r de Abril
r até de porra r vezes dois
r de renascer trinta anos depois

Trinta anos depois ainda nos resta
da liberdade o l mas qualquer dia
democracia fica sem o d.
Alguém que faça um f para a festa
alguém que venha perguntar porquê
e traga um grande p de poesia.

Trinta anos depois a vida é tua
agarra as letras todas e com elas
escreve a palavra amor (onde somos sempre dois)
escreve a palavra amor em cada rua
e então verás de novo as caravelas
a passar por aqui: trinta anos depois.

(Manuel Alegre)

Gom Do Mar

Ó Peixoto, mas você já deu a guita ao Gondomar para lhe aprovar a obra?

se bem entendemos, o esquema é este: o euro passa do contribuinte para a direcção geral de impostos para o orçamento de estado para a ministra das finanças para as câmaras municipais para as empresas municipais para os clubes locais para os árbitros para as empresas municipais e para as câmaras e outra vez para os clubes que desta vez passam para outros clubes que passam para empresas privadas sa que passam para os partidos que passam para as campanhas que conquistam votos dos eleitores que ganham euros e o que sobra ao fim do mês de euro passa do contribuinte para a direcção geral de impostos para o orçamento de estado para a ministra das finanças para as câmaras municipais para as empresas municipais para os clubes locais para os árbitros para as empresas municipais e para as câmaras e outra vez para os clubes que desta vez passam para outros clubes que passam para empresas privadas sa que passam para os partidos que passam para as campanhas que conquistam votos dos eleitores que ganham euros e o que euro passa do contribuinte para a direcção geral de impostos para o orçamento de estado para a ministra das finanças para as câmaras municipais para as empresas municipais para os clubes locais para os árbitros para as empresas municipais e para as câmaras e outra vez para os clubes que desta vez passam para outros clubes que passam para empresas privadas sa que passam para os partidos que passam para as campanhas que conquistam votos dos eleitores que ganham euros...

Certo, senhor Major?

22.4.04

Trova do tempo que passa

Não sei se será dos dias que passam ou por serem vésperas de Abril, mas à luz desta história do Major, lembro-me que já o Zeca cantava

«Se tem má pinta,
Dá-lhe um apito e põe-no a andar
De espada à cinta, já crê que é rei
D'aquém e d'além mar.
»

Pois um apito é o que parece que já lhe deram - ao Major «d'aquém e d'além mar». Já só falta pô-lo a andar.

The Galarzas on tour Upon-Gondomar

Dos Populares:

- "Vá sempre em frente aqui pela direita."
- "Vá até à rotunda mas não circule."

Vendem-se Russos ligados à Indústria Cinematográfica

Todas as funções, desde caracterizadores passando por cabeleireiros a «claquete–girls». Disponibilidade imediata. Vendemos à unidade ou em kits temáticos, que fica mais em conta. De momento, e até ao fim da semana, estarão em promoção o Kit som e o Kit luz, respectivamente com 3 e 4 elementos cada. Em caso de entrega ao domicílio, o preço será agravado em 15%. Na compra de dois Kits, oferecemos um jornalista Português correspondente em Moscovo.

Canção para o Major

Apita o Comboio
(Zimbro)

eu é que sou o apito dourado

Apita o comboio, que coisa tão linda
Apita o comboio perto de Coimbra
Apita o comboio, lá vai a apitar
Apita o comboio à beira do mar

À beira do mar, mesmo à beirinha
Apita o comboio no centro da linha
À beira do mar, debaixo do chão
Apita o comboio lá na estação

Apita o comboio sobre o rio torto
Apita o comboio ao chegar ao Porto
Apita o comboio logo de manhã
Vai cheio de moças para a Covilhã

Apita o comboio lá vai a apitar
Apita o comboio à beira do mar
À beira do mar, mesmo à beirinha
Apita o comboio no centro da linha

Pinto Dourado

Pois 'táva-se mesmo a ver que isto ainda ia dar ao Pinto da Costa (e ao Vale e Azevedo e, vai na volta, até ao Santana Lopes)... Agora, ao Sousa Cintra? Queres ver que afinal o «apito dourado» não é por causa do dinheiro mas por causa da côr da cerveja?

A Pita Shoarma

Ouvido por este Galarza num balcão do Joshua's Pita Shoarma num centro comercial lisboeta:

«Eu quero uma Pita Dourada...»

«He's My Friend»

O Primo e o Quarto viram esta noite o jogo de futebol Porto x Corunha. As equipas até parece que queriam jogar, mas lá no meio dos rapazes andava uma besta dum teutão vestido de preto que deve ser filho de uma roda de tractor e lixou aquilo tudo. E não sabe inglês. Cá na terra qualquer gaiato de 11 anos sabe o que quer dizer «He's my friend». A cavalgadura, pelos vistos, não percebeu nada.

21.4.04

O que faz falta

Chego ao aconchego do meu desconfortável local de bulimento, depois de uma frustrada tentativa de almoço (falhada pela chuva primaveril e pelo excesso de gente a fazer fila na bicha...) e ouço na rádio o Zeca a avisar

«o que faz falta é animar a malta,
o que faz falta...
o que faz falta é animar a malta,
é o que faz falta.
»

e dou por mim a pensar «tens toda a razão, Zeca!». E só depois me apercebo como a voz do Zeca ainda hoje me arrepia...

Sugestões para nomenclatura de futuras investigações da P.J.

Sobre as ligações entre construtores civis e formações políticas:
Tijolo Partido

Sobre as ligações de figuras gradas ao tráfico de drogas:
Baleia Branca

Sobre o tráfico de carne branca ou doutras cores:
Po(l)vo a Cavá-lo

Sobre as derrapagens financeiras em obras públicas:
Vi-o e Desvi-o

E nós aqui preocupados com o apito...

«Argentina reza e chora pelas melhoras de El Pibe» - diz na volta do Correio.

Don't cry for me, Argentina

Api(n)tos dourados

Quem não deve não teme.

E quem deve, pagará?

À pergunta «quantos são?»

A resposta é: «são 16».

Olhem, Batatas

Por motivos de força maior, tais como a solidariedade para com algumas pessoas que nos merecem o nosso mais vivo e sentido apreço e o nosso mais alto saravá, os The Galarzas hoje recusar-se-hão a comer batatas. E olhem que esse simpático tubérculo (ou lá o que é, que eu isso da biologia não sei) é um dos preferidos alimentos desta tertúlia.

20.4.04

Major

Major
sois o maior
sabeis de cor
os modelos da Ford
cagais na Dior
dais porrada em Thor
gostais de filmes gore
cuidais de argent e or
dais tostadeiras ao povo,
p'ra que não chore

Calúnias cobardes e torpes,
never more.

Óscar Machico, in «Ver o esférico aos quadradinhos», Edições Em Tom Major, 2004

Frases para os próximos dias e o seu real significado:

Confio inteiramente na justiça
Estou já a tratar da transferência do dinheiro para a conta do magistrado

Doa a quem doer
Que se culpe imediatamente o roupeiro do Vizela

Temos de ir até ao fim
O melhor é não mexer muito nesta merda

O senhor Major tem toda a minha solidariedade institucional
Ora, como não sou nenhuma Caixa Geral de Depósitos, tou-me bem marimbando pró Major

O desporto tem de estar acima destas coisas
Estas coisas eram em cheque, viagens à Argentina e tudo por baixo da mesa

Quem sabe de alguma coisa, que o diga e diga já
Para ver se encontramos os bufos e lhes espetamos com um tiro na cornadura

O Governo e o senhor Procurador Geral sabem dar valor ao Estado de Direito
Não tarda, vem tudo para a rua, como na Casa Pia

Portugal tem uma imagem a preservar no mundo do desporto
Como ninguém me ouve fora de Portugal, posso dizer o que quiser

Também em Espanha, com Gil y Gil ou em França, no Marselha, aconteceram coisas piores
Que isto está entalado, é verdade, mas a culpa é de todos. Ou não querem a média europeia?

Natália, ei-la, pois.


Montanhas

Diálogos com Monsanto Guedes
fragmento 651

"- A minha terra é muito montanhosa.
- O quê? Mas isto é tudo plano, rapaz.
- Nã, nã! Isto é uma grande cadeia montanhosa.
- Como é que vês montanhas neste sítio? Isto é plano, volto a dizer-to.
- Então não consegues ver a quantidade enorme de ratos que andam por aí?
- Ãnh!
- Pois, se cada uma pariu um rato, as montanhas têm que ser obrigatoriamente muitas."

Ei-lo...

...o malvado, o terrível, o vísceral, o maquivélico:

eu é que sou o apito dourado

Já não há heróis...

Quantos são, quantos são...?

Até o Major de Gondomar, meu Deus... quem diria?

19.4.04

Poema de: José Gomes Ferreira

(ESPERAREMOS CEM ANOS...
Em frente da estação do Rossio, quando os ponteiros se aproximam da meia-noite.)


Amigos: vai passar mais um ano no relógio luminoso do Rossio.

E a nossa Revolução
cada vez mais sonho frio,
eterna paisagem
de merda sem canos
em que os homens continuam como são
com bocas de granizo
numa repetição de poços de ecos.

Deixá-lo!

Se for preciso
teremos a coragem
de esperar mais cem anos
pela transformação do mundo
no relógio dos Séculos.

(Cem anos que voem nos relógios com asas de um segundo.)

José Gomes Ferreira, A Poesia Continua, Moraes Editores, 1981

Ai, Rouxinol

Dentro em breve, os The Galarzas terão a honra e o prazer de devolver à nação uma das suas mais histriónicas heroínas: Natália de Andrade, a Padeira de Aljubarrota do canto lírico-ligeiro.

Para ajuçar o apetite, ficam as palavras de Pedro Osório: «Há cerca de 15 anos, uma cantora portuguesa tragicómica, de seu nome Natália de Andrade, cujos trinados pseudo líricos provocavam o riso em toda a gente, excepto nos poucos que conheciam a sua triste história, foi levada à televisão a um programa de grande audiência do Júlio Isidro. O sucesso hilariante que obteve levou a que um disco autoeditado vendesse cerca de 500 cópias.»

Em breve, num belógue perto de si...

Cesário Évora

Nhá nossas rua ao entardêcê,
Nhá nossas rua ao entardêcê,

Soturnidadê mêlancolia

Nhá nossas rua ao entardêcê,
Nhá nossas rua ao entardêcê,

Soturnidadê mêlancolia

Sôdade
Sôdade
Sôdade
desse nha terra
San Niclau

«Ó... meu Deus!»*

Que mais faltará inventar depois disto:

Tou sim? Tou... sim...? Sim...? Sim! Sim! SIIIIMM!!!

(* in The Ren & Stimpy Show, versão portuguesa)

18.4.04

Sorriso louro

Às vezes descobrem-se coisas giras no Blogger, para alegrar o fim do fim-de-semana...

23 Mil Contos

Parece que o senhor Residente na Câmara Municipal de Lisboa, um certo Pedro Sacana Lopes, decidiu comprar um carrito novo. Não, não foi o tão badalado Smart, de que tanto se falou e escreveu (e que até deu para o senhor Sacana Lopes mostrar que é um homem como qualquer outro, que comete infracções como qualquer condutor e que se está a cagar para as regras de trânsito como qualquer lisboeta). O carro novo do senhor Residente na Câmara é um Audi A8, igual ao do Senhor Presidente da República e que custou a Lisboa a módica quantia de 23 mil contos...

Ora, com 23 mil contos, o senhor Residente podia ter plantado as árvores que anda a arrancar no centro de Lisboa e em Monsanto. Poderia ter acabado as obras que começa e não termina na zona antiga da cidade. Poderia ter realojado os moradores dos bairros degradados como prometeu. Poderia ter feito mil e uma coisas. Poderia ter ido para o raio que o parta. Mas não... Comprou um Audi A8. Deve ser para ficar mais perto do tal cargo com que tanto sonha...

B.B.B.A.

Ao contrário do que se poderia legitimamente pensar, a verdade é que Bush, Blair e Durão se congratulam com a saída de cena de Aznar.

A razão da divergência numa coligação aparentemente tão coesa?

O bigode.

Em variadas ocasiões foi censurado a Aznar o uso de tão proeminente acessório capilar: «Ó Zé Maria, você destoa neste grupo. Esse seu bigode é um terror e tem que ser eliminado» terá dito num momento de cólera Zé Manel.

Face à intransigência do seu hermano, Blair, Bush e Durão optaram por tácticas distintas.

Sabe-se que, durante um breve período, Blair deixou crescer as suiças, mas os seus assessores não ficaram satisfeitos com o resultado. «Suiças grandes, só as contas», confidenciou aos The Galarzas uma fonte do governo britânico.

Já Bush adoptou o visual de judeu ortodoxo, mas a sua incapacidade para impedir os cabelos de taparem os olhos e os repetidos tombos que sofreu, embora nunca tenham afectado o seu elevado grau de discernimento, levaram a sua equipa a abandonar a experiência.

Durão Barroso seguiu talvez o caminho mais original. Comportou-se com elevadíssima discrição, manteve sempre o rosto impecavelmente barbeado, e desse modo simples, honesto e abnegado ganhou o respeito e a admiração dos seus superiores, perdão, aliados.

Estes três líderes estão de acordo quanto a Zapatero:
«É bom rapaz

17.4.04

Ontem dormi o dia todo

Quando me vieram acordar
Éram para aí umas sete da tarde
Bradavam rubros
Que já se podia dizer
O que se pensa.

Julguei-os loucos.
Virei-me para o lado.
Rogaram que ouvisse telefonia.

Pena, disse-lhes,
Que só agora não tivéssemos
Nascido.

de Eustáquio Pinho, Parlamentos a Você, Lisboa, 1974

Ora, Filmezinho

Ai vão seis megas de Abril. Passe aqui com o cursor e depois, com o botão direito do rato escolha «Guardar destino como...».
Pode carregar para ver logo, mas é necessária uma ligação valente.

Programa oficial do 25 de Abril

10h00 - O General Spinola é desenterrado.
10h15 - Kaúlza de Arriaga, Marcello Caetano e Rosa Casaco recebem medalha da Liberdade.
10h30 - Mário Soares, Álvaro Cunhal e mais uns 200 são encarcerados simbolicamente em Caxias.
11h00 - Sessão solene na Assembleia da República, a que assiste o democrata José Eduardo dos Santos.
12h00 - Final da sessão solene. Pausa para a sardinhada, ao som do fado «A Casa da Mariquinhas»
15h00 - Subida da Avenida da Liberdade
15h10 - Presidente Sampaio acaba a subida da Avenida.
15h45 - Os restantes notaveis concluem a subida da Avenida.
17h00 - Recepção do ministro da Defesa aos combatentes do ultramar.
17h30 - Médico legista chamado ao forte de S. Julião da Barra para remover ministro da Defesa.
17h33 - Causa de falecimento do ministro: indigestão promessal.
18h00 - O general Spinola queixa-se da tíbia. Paragem para um pequeno lanche.
19h00 - Desfile de carros alegóricos das Marchas de Santo António em 1973.
20h00 - O primeiro-ministro Durão Barroso dirige-se ao seu homólogo espanhol: «Olhe que estou a ser Franco», afirma.
20h30 - Jantar no Palácio das Necessidades.
20h31 - Dado o cheiro das necessidades, jantar é transferido para a Pizza Hut de Alverca.
21h00 - Almeida Santos é agraciado com a Ordem das Empresas de Material Didático para África.
22h00 - Paulo de Carvalho reconcilia-se com Dias Loureiro.
23h00 - Grande espectáculo oferecido pela Câmara de Lisboa, onde é imolado José Pacheco Pereira.
23h12 - A pira não arde.
23h13 - Nuno Cardoso, ex-futuro presidente da Câmara do Porto diz à TSF que compreende o problema do fogo, pois já lhe aconteceu uma vez, na passagem de ano.
23h30 - Fernando Santos, Camacho e Mourinho abrem o seu restaurante "Hard Balls Café".
23h45 - Lançado o vírus "Apagazeca.rtf", que destrói todos os ficheiros que contenham o nome, poesia ou músicas de José Afonso.
23h48 - Spinola pede licença para regressar à tumba.
00h00 - Champalimaud, Mello, Espírito Santo vêm finalmente devolvidos os 300 contos de impostos pagos desde 1974.

Resposta à Nota Interna

Perguntas tu, caro irmão Quarto, quem é a D. Rebeca Romeu Santos. Pois perguntas tu mui bem: quem é mesmo a Dona Rebecca Romijn-Stamos? Ora, a Rebecca (Rabeca, p'rós amigos) era uma modelita que um belo dia decidiu ser actriz de Alaúde - perdão, Óliúde... E até fez uns filmezinhos, uns X-Menzitos... Não é lá muito boa actriz, mas é muito boa atrás.



E pronto: eis a Rabeca, uma bonita senhora de quem a gente gosta muito. No fundo, como se diz em bom transmontando, é uma senhora gaja boa!

Posto isto, dorme bem, caro irmão cardinal. Um saravá e uma massagem na omoplata, do teu sempre pronto.

16.4.04

Poema de: Natália Correia

Quarto

De engaiolado canário o dia tem
a maviosa maldade musical.
Ao vento do tráfego flutua
a vida folha de suor e sal.

Aqui livros em sangue aos pedaços
de uma perdida verdade feita às postas.
Que plaino que distância que outro lado
fita a cadeira que me volta as costas?

Trevo de quatro sustos este quarto
quatro cantos que estão de sentinela
interior de envelope fechado
A que me endereço? o selo é a janela.

Abrir o selo! acertará no infinito
a disparada dor, tiro de um salto?
ou flor com pétalas de encravado trânsito
acertará apenas no asfalto?

Ácido quarto de solidão pernalta
maliciosa provocação de poemas
ocupação de querer provar que existo
para a eternidade fazendo vãos telefonemas.

Quatro paredes de mais um dia errado.
Quem não erra a vida não merece!
Mata-borrão de mágoas absorvo
o soluço do dia que esmorece.

"A Mosca Iluminada", 1972

Sem chumbo

De repente fez-se madrugada
o galo não tinha cantado nem nada
um carro chegava de longe
e lá dentro havia gente
evitavam auto-estradas, prozacs rodoviários
devastavam aviários
despojavam milionários
chamavam-se todos Mários
(excepto a moça, Miquelina)
pararam p'ra uma bucha
na bomba
de gasolina

Óscar Machico, in «25 evoluções por minuto», Editorial Cravos e Ferraduras, 2004

Nota Interna

Isto está tudo muito bem, mas como de costume não fui informado de nada. Os meus irmãos já me conhecem há algumas décadas e sabem perfeitamente que eu não conheço estas pessoas de parte alguma. Vai daí eu pergunto a quem mo possa responder:
-Quem é a D. Rebeca Stamos?
-De onde vem?
-O que é que fez para se tornar reconhecida (para além das evidências demonstradas)?
-Há alguma coisa que eu deveria saber.

Para que não aconteça como com a outra que eu confundia com um toureiro espanhol, façam o favor de me facultarem as informações necessárias através das vias do costume. Obrigado.

Rebeca, Stamos contigo!

Do nosso admirável correspondente da lezíria ribatejana recebemos esta importante missiva, à qual concedemos a nossa profunda e muito grata cocordância:

"Concordo que se pare a rotativa por causa da rebecca.
Mas nesta foto, é que se vê os atributos da jovem....
Abraços. "

Tagus Galarza

Atenção, Sras e Srs

Os The Galarzas vêm por este meio anunciar que, por enquanto, não têm nada para dizer. Ou talvez tenham, porque a esta hora por aqui a coisa está negra. Nuvens cabisbaixas toldam a mente e o espírito desta gente sem rumo, que, a meio de uma sexta-feira igual às outras, aguenta a cabeça em dor sobre um pescoço rapinante. Ou não...

#!%&ª@!

«Life sucks! Thanks for listening...»

15.4.04

(R)Evolução

(R)eparem que a tinta é cor de laranja. Quanta ironia...

(e um valente saravá ao grande ML pela [r]evelação deste esclarecedor instantâneo)

ADENDA: parece que o Marujo viu o cartaz antes dos Galarzas; e o Barnabé antes do Marujo... Chiça, que nada escapa aos olhares atentos desta malta!

Guevolução

Às vezes penso que o meu irmão Quinto não sabe escrever. Os outros irmãos Galarzas lamentam o incómodo mas, infelizmente, tivémos que corrigi-lo. A posta anteriormente lançada com o título "25 de Abil é Evolução" deve, portanto, ser lida da seguinte forma:

25 de Abguil é Guevolução

Andam aí uns cagtazes a dizeg que 25 de Abguil é Guevolução. Nós, atentos The Galagzas, já tínhamos avisado: não podem deixag o Ministgo Mogais Sagmento fazeg tudo... Depois sai asneiga, faltam letgas, cguia-se a confusão...

25 de Abril é Revolução

Podem esconder a coisa, podem escamotear a coisa, podem tentar reescrever a coisa... Mas não há volta a dar-lhe: 25 de Abril é Revolução. A Evolução veio depois disso, da Revolução. Devagarinho, discreta, pequenina. À medida do país...

Aliás, agora que escrevo isto pergunto-me se terá mesmo havido Evolução... É que, de repente, parece que este país continua tão atrasado como antes, tão último como antes, governado por mentes tão tacanhas como as de antes, por gentinha tão «puta que a pariu» como a de antes... Por gente que queria ter escrito nos cartazes «25 de Abril é Evil».

25 de Abil é Evolução

Andam aí uns catazes a dize que 25 de Abil é Evolução. Nós, atentos The Galazas, já tínhamos avisado: não podem deixa o Ministo Moais Samento faze tudo... Depois sai asneia, faltam letas, cia-se a confusão...

14.4.04

Alto e pára o baile!

Pára a rotativa! Stópe! Esta é que é a notícia. E uma destas não chega todos os dias. Isto sim, dá esperança a um homem na hora de procurar esperança... Uma notícia tão boa que até lhe tirámos a fotografia - ora toquem lá no nariz da menina:

Ai Rebecca, Rebecca. Rebecca, rói-me os estames...

(longo suspiro)

Assim não dá, pá!

O SirHaiva é do caraças... 'Tá sempre a descobrir as cenas mais hilariantes. Depois um gajo quer fazer um brilharete e não consegue, porque o SirHaiva chegou lá primeiro, o SirHaiva postou primeiro. Mas a gente perdoa o SirHaiva, porque a gente gosta do SirHaiva.

Portanto um saravá, SirHaiva, e obrigado por nos mostrares o Saddam armado em Outkast a cantar o Hey Allah (entre outras coisas mais mundanas com que os The Galarzas se têm babado, perdão, entretido).

A morte do actor

Hoje à tarde, numa travessa da avenida Ullöi, caíu sem sentidos o popular actor Zoltán Zetelaki.
Conduzido por transeuntes a uma clínica próxima, resultaram infrutíferas as tentativas de o trazer à vida, apesar do recurso aos inventos técnicos mais avançados, incluindo o pulmão de aço.
O excelente actor viria a falecer às seis horas e trinta minutos, após uma longa agonia. Os seus restos mortais deram entrada no Instituto de Medicina Legal.
Apesar deste trágico acontecimento, a representação, à noite, de Rei Lear decorreu sem incidentes. Zetelaki, chegado embora com ligeiro atraso e parecendo sobremaneira cansado no primeiro acto (por várias vezes teve de recorrer ao ponto), começou depois a sentir-se bastante melhor e interpretou a morte do rei com tanta convicção que, no final, recebeu uma chuva de aplausos.
Convidado para jantar, escusou-se:
- Hoje tive um dia difícil.

István Örkény, in «Contos de um minuto», Bico d'Obra, 1983

As Férias do Padrinho Quarto

O meu padrinho é marado da tola. Está-lhe no sangue e tudo, não há nada a fazer. Hoje foi a preencher o papel de marcar as férias, pôs-se naquela atitude semi-filosófica dele, a pensar, a ponderar em que data havia de ter o seu muito mais que merecido descanso, e vai-se a ver teve mais uma ideia brilhante. Resolveu gozar as férias em retrocesso. De trás para a frente, portanto.
O meu padrinho está sempre na vanguarda do pensamento filosófico-pragmático e inventou este novo conceito, o período de férias dele vem de 2 de Agosto de 2004 até 31 de Abril de 2004. Só ainda não sei é se o patrão dele vai aceitar que o padrinho tenha umas férias tão prolongadas, porque só estavam previstos 25 dias que assim serão largamente ultrapassados.
O meu padrinho é uma "pedra", quando eu quiser saber coisas importantes e conselhos práticos e assim essas coisas que as pessoas idosas sabem, vou sempre perguntar ao meu padrinho.

O Comité Lateral:
Optimus Galarza

A Chuva

Diálogos com Rato-Monte
fragmento 901

"Um amigo meu andava a regar a horta e um outro foi lá ter com ele e perguntou:
-Eh pá, o que é que tu estás a fazer?
-'Tou a regar.
-A regar?! Mas está a chover!
-Não preciso cá de favores de ninguém."

Fundamentalistas

Diálogos com Pardal Maluco
fragmento 54

"Isto está mal escrito. Os habitantes do Fundão não são os Fundalenses, são os Fundamentalistas."

13.4.04

Poema de:Idálio Juvino

Desconchavo

Loiça lavo
Num desconchavo.
Oiça leve
Um grito breve.
Foi-se a carne
Que era p’rá tarde
Em cima duma lama cobarde.
Poderoso malfeitor
Arregimentado a regedor
Cortou cabelo crespo
Num golpe duro e lesto.
Parto a porta de pontapé
Com a minha partida fé.
Trave que mestra
Minha mão branca e dextra,
Ensina a fuligem
E a vida e a origem.

Parede caio,
Cor da noite do raio,
Cara esfacelada
Em rixa desapiedada.
Trémulo o trabalho
De tal coisa que falho
E que não posso ainda dizer
Que nunca há-de acontecer.

Idálio Juvino, "A Queima dos Dias", País & Mundo Editores, Rossio ao Sul do Tejo, 1993

Arbeit

Ontem passei a noite a ler "Asturm und Drang Lyric Auswahl - der Texte und der Materialien" von Friedrich Burhardt, da editora Ernst Klett Schulbuchverlag, em alemão, língua que desconheço quase em absoluto (tirando para aí a palavra arbeit, que é feia como o raio que parta), que me ofereceu o meu diamante por minerar e irmão Cesto. Foi bonito. Senti de facto a emoção do som das palavras, o ruído da caneta com a ponta do aparo partido a rasgar o papel...

Foi assim que, sem perceber nada daquilo, decidi reler o "Fausto" do Sr. Johann W. Goethe, a fingir que era o outro. Graças a Deus e aos senhores da Relógio d'Água que fizeram o favor de traduzir, obviamente para Português, de onde, apesar de me ter cansado um bocado mais, sempre consegui fazer algum sentido. Não é que seja fácil, sobretudo se os nossos irmãos resolvem, no mesmo dia, presentear-nos com alguns periódicos como Celebrity Sleuth ou Nouvel Émoi.

Com tantas e importantes solicitações culturais, uma pessoa fica assim exaurida e, pronto, quase a desfalecer.

Estórinha de encantar

«Gumes
5.


O rei mimado está
Feliz e sem rival
E verte para mim
Cem gotas de água e sal
Aos saltos e pinotes
Percorre agora o chão
Mas pára p’ra lutar
À vista de um dragão
Batuques e tambores
Ilustram o combate sem dó
Alguém me afaga a lã
Me puxa num trenó
Me leva na manhã
Do sol-e-dó

Acordam os amores
No reino da paixão
São elfos e duendes que
Nos levam pela mão
As folhas são azuis
O sol vermelho está
A relva sua e diz que
A vida é um sofá p’ra gozar
São monstros de cordel
Histórias de encantar
No espelho de Babel
A festa não tem fim
Volteia agora o vento
E eu peço um gin.»

(in i saw the best minds of my generation destroyed by madness, starving hysterical, hoje nas bancas com o Blitz)

12.4.04

Pois.

É bom saber que, apesar de não sermos detentores de altos cargos na administração pública, ainda há quem nos manifeste a sua solidariedade, mesmo nos momentos mais difíceis, como este. Difíceis não... Não era esta a palavra. Era esquisitos.

Eh, pá... Porra!

Vós sois todos uns bois. Uns autênticos diamantes por minerar.

30 voltas

Quarto Galarza, 3 da manhã: um chapéu de feltro, um copo de uísque, uma tigela de gelado, um isqueiro do FCP.

Quarto Galarza, faz hoje anos, comia alarvemente antes de recitar o poema que haveria de roubar os aplausos da audiência e provar que, se havia poesia, era ele. Um abraço, camarada. Um obrigado, amigo Galarza, à força ou não, pouco interessa, pois, de nós, foste o primeiro a ir ao céu e voltar, para o descreveres como ninguém.

30 voltas



Yuri Alekseyevich Gagarin, faz hoje anos, partia para a sua missão que haveria de rasgar o céu e provar que os cosmonautas estavam nascidos. Um abraço, camarada, voluntário à força ou não, pouco interessa, pois foste o primeiro a ir ao céu e voltar.

para Quarto Galarza

Balada para los poetas andaluces de hoy
(de Rafael Alberti)

¿Qué cantan los poetas andaluces de ahora?
¿Qué miran los poetas andaluces de ahora?
¿Qué sienten los poetas andaluces de ahora?

Cantan con voz de hombre, ¿pero donde están los hombres?
con ojos de hombre miran, ¿pero donde los hombres?
con pecho de hombre sienten, ¿pero donde los hombres?

Cantan, y cuando cantan parece que están solos.
Miran, y cuando miran parece que están solos.
Sienten, y cuando sienten parecen que están solos.

¿Es que ya Andalucia se ha quedado sin nadie?
¿Es que acaso en los montes andaluces no hay nadie?
¿Qué en los mares y campos andaluces no hay nadie?

¿No habrá ya quien responda a la voz del poeta?
¿Quién mire al corazón sin muros del poeta?
¿Tantas cosas han muerto que no hay más que el poeta?

Cantad alto. Oireis que oyen otros oidos.
Mirad alto. Veréis que miran otros ojos.
Latid alto. Sabreis que palpita otra sangre.

No es más hondo el poeta en su oscuro subsuelo.
encerrado. su canto asciende a más profundo
cuando, abierto en el aire, ya es de todos los hombres.


11.4.04

25 do Baril

«(...) Não era isto a revolução.
Não era esta a liberdade lisérgica que te estava prometida (...)»

(Cárcere, de Mão Morta
in Nús, 2004)

Golfe

Esse desporto que só as elites compreendem

Os The Galarzas confessam aos seus três do costume que de facto não entendem "um boi" desse magnífico, maravilhoso, radioso, cosmopolita e fantástico desporto que é o Golfe. De facto não fazemos a menor ideia do que sejam um birdie, um putt, um par, o green, ou mesmo um boggie, não senhor. No entanto, num dia em que se predispunham a tentar tornar-se entusiastas da modalidade, eis um comentário de um senhor jornalista desportivo, que acompanhava à viola (pensamos nós) um desafio algures no Algarve:

“Eriksson, o seu pai grande jogador e avô que lhe ensinaram este jogo.”

E assim se perdeu a devoção à causa do conhecimento, que nos fazia, vibráteis, manter os olhos no aparelho catódico, e quem sabe não se tenham perdido para sempre os mais extraordinários atletas da modalidade.

10.4.04

Remodelação

Poema de: Nico

My Heart is Empty

My heart is empty
But the songs I sing
Are filled with love for you"

A man said that to me
That how I know
Sometimes love it does not show
Sometimes it does not even know
There is no witness to my anger
When it stabs until he dies
I'm looking for the strengler
To help me,help me with my crime

Show me the way to warning
Warning for the morning light
I will stab it with a knife
The blinding sun
The heartbeat for the time to come

The honesty
That lies to you

My heart is empty
But the songs I sing
Are filled with love for you

Nico, Camera Obscura, Beggars Banquet, 1985

Carta a Eustáquio Pinho

Vim aqui à procura de não ter que procurar-me mais e para maior despeito, voltei a encontrar-me.
Para onde quer que me volte lá estou eu, mãos queimadas, frio, gelado e encharcado da humidade do mar. Do mesmo mar que tu julgas que me atormenta, enganado.

Talvez seja a mais bela de todas, a do cabelo dourado. Talvez tenha havido em mim uma brevíssima centelha de desejo, numa das noites em que nos embriagávamos, como sempre, de vinho e nos vinhos da poesia. Talvez os meus olhos a tenham visto despida. Só os meus olhos, à frente de todos de uma maneira que só eu podia ver, que o seu cansaço a despiu para mim, enquanto corríamos o livro do riso que temos estado a escrever em conjunto.

Que ela tenha ido para lá, e que eu tenha posto mais uns metros na distância da nossa separação não faz diferença, que ela nem sequer ouvia a minha voz, nem eu gritava para me fazer ouvir, nem me punha na sua frente para que desse conta de mim.

O meu peito esvaziou-se, ou encheu-se de cinza, tantas vezes tem procurado outro que o ajude a manter o ritmo e a respirar, mas eu digo-lhe que não se canse, que não se canse mais e que não invente nenhuma dor nova.

Não vou comprar, só desdenho.

Idálio Juvino, A Coruña, 04/ 2004

9.4.04

Poema de: Hesíodo

Teogonia 736

Aí estão, em fileira, da terra sombria e do caliginoso Tártaro e do mar estéril e do céu constelado, de todos eles, as nascentes e os limites terríveis e bolorentos que até os deuses detestam; precipício imenso a cujo fundo se não chegaria durante a duração de um ano completo, se alguma vez alguém lhe transpusesse as portas. Mas borrasca sobre terrível borrasca arrastá-lo-ia de um lado para o outro; medonho é o prodígio mesmo para os deuses imortais; e a medonha morada da Noite tenebrosa ergue-se envolta de nuvens sombrias.

(in Os Filósofos Pré-Socráticos, Fundação calouste Gulbenkian, 1994)

8.4.04

Poema de Boris Vian

Cores e Paladares

Há sexos curtos
E outros que dão pelos joelhos
Raiados de amarelo e lilás
Como a sombra do sol através das grades
E as mulheres, algumas cheiram
A caldo de coelho bravo.
É bom, com pão torrado.

(in Cantilenas em Geleia, Relógio D'Água, 2004)

O coronel III (comportamentos tipo passe)

O coronel não está habituado a beber. Contou-me que passou sete anos sem ver pinga de água. Hoje, não vê o corpo abaixo do abdómen.

7.4.04

K

Podia-se tirar do teclado e fazer um suporte para a caneta.

Y

Em miúdo, tinha-me dado jeito uma fisga tão bem feitinha.

W

Devia ter extinto os W, pensava Napoleão mirando o mar em Santa Helena.

Bifidus activo (adenda)

De um conhecido chef alemão de origem romena que habitualmente confecciona leves postas num restaurante cá no bairro recebemos a seguinte adenda:

Bacalhau com Nadas, prato leve, muito leve, tão leve, que nem bacalhau leva

Bifidus activo

Na linha dos produtos saudáveis, os The Galarzas apresentam...

Pratos para as pessoas que já andam a pensar no Verão:

Bacalhau sem Todos, prato leve, posta de bacalhau fina, a solo

Eira, uma farinheira sem farinha nem gordura

Carne de Porco à Àrabe, prato que não demora a confeccionar

Moê-las, cartilagens moidas, ao natural, com raspas de limão

Musse de Tília, macere as folhas com um pouco de vinagre e engula

Minuta portuguesa para reivindicação de atentados

AO _________________ (inserir jornal).

O _____________________ (nome do grupo terrorista), vem por meio desta reivindicar o atentado levado a cabo em ____________ (inserir localidade), na freguesia de _____________, concelho de ________________, distrito de ________________.

Os organizadores do atentado, _____________________________________ (nome ou nomes), de filiação _______________________ (nome do pai) e __________________________ (nome da mãe), descendentes ainda de ____________________ (nome avô paterno), _________________________ (nome avó paterna), _________________________ (nome avô materno) e _____________________ (nome avó materna), assumem toda a responsabilidade pelos danos materias causados nas propriedades _________________________________________, que constam na(s) consertavória(s) do(s) registo(s) predial(ais) _____________________________________________, sob os assentos número __________________________, e declaram que conhecem a lei portuguesa e aceitam as devidas consequências.

Mais se informa que os (riscar o que não interessa) bombistas / operacionais / bombistas suicídas / autores / co-autores, com o(s) número(s) de Bilhete de Identidade ______________ __, de ____/____/20__, do(s) arquivo(s) de Identificação de ________________, têm residência habitual em Rua/Praça/Largo ________________________________ número/lote ______, código postal ______-____.

Por ser verdade, e por estar de acordo com as normas de reivindicação vigentes, assinam obrigados,

_________________________________

_________________________________

_________________________________

(Assinaturas conforme Bilhete de Identidade. Observações no verso, p.f.)

O Estado Português reserva-se o direito antes de confirmar a autoria dos atentados, e só o fará depois de verificados os dados acima referidos. Caso haja algum engano, a autoria reverterá a favor do Estado, bem como os possíveis ganhos políticos ou morais que advenham da acção conduzida sob forma tentada ou concretizada. Estabelece-se que os litigios legais deverão ser apresentados no tribunal da comarca onde ocorrem os atentados ou, na falta do mesmo, daquele que mais próximo fique da sede de concelho da localidade.

Passeio

Passe vite
Vi-te a meio
Tomar pelas partes
O que foi de um todo
Tomar a polpa
Tomar o sumo
Tocar a ostra
Interrogar os meios em Mao
Intemporal, sossegar
A princípio
Maio era de todos
A meio de nenhum
Mês de medo, de mãe
Que fora nos tempos de
Outrém
Inquestionável vontade
Violável serenidade,
Empresta-me um bico de fogão
Aqueço-me agora,
A sopa não.

de Eustáquio Pinho, Luanda Que Vais Tão Alva, Vila de Rei, 1997

6.4.04

Pub. Categórica

Aproveitamos para informar o fantástico público interessado pelas artes e humor, que já está disponível nas bancas o Nº12 da revista Gaiola Aberta.

(Não, não ganhamos nada com este bloco publicitário. Só o introduzimos por uma questão de devoção.)

É Milagre

Pequena lista de milagres organizada pelos The Galarzas, que estes gostariam de ver concretizados pela nacional plêiade de santos e beatos:

-O milagre da multiplicação dos peixes. (Estamos particularmente preocupados com as sardinhas e o bacalhau. Parece que há cada vez menos no mar o que os torna mais caros, além disso parece que já se comercializam os de aquacultura que não são grande coisa.)

-O milagre do Euro 2004 I. (Aquele da rapaziada ganhar aquilo.)

-O milagre do Euro 2004 II. (Aquele da festarola não dar muito prejuízo.)

-O milagre económico. (Era porreiro que um dia o povo cá da terra tivesse uma vidinha desafogada, à europeia.)

-O milagre da Justiça. (Bom, que aquilo funcionasse a tempo e horas.)

-O milagre dos transportes públicos. (Bom, que aquilo funcionasse a tempo e horas.)

-O milagre do fim das listas de espera. (Mas só se for tratando os doentes, hem! Não vale aldrabar as contas.)

-O milagre da despoluição dos rios. (Este foi incluido sob protesto das taínhas da foz do Tejo, que encontram no desemboque dos esgotos um manacial de abundância.)

-O milagre de resolver os problemas sem botar a culpa nos outros. (Ele há coisas difíceis de fazer mesmo para os pobres dos santos.)


Os The Galarzas ficarão em concílio permanente, discutindo e redigindo sobre a necessidade de outros milagres que ainda não figurem nesta lista. Reservamo-nos o direito de a qualquer momento apresentar outros pedidos de milagre.

O coronel II (comportamentos tipo passe)

O coronel mandou parar a guerra e foi, num instante, comemorar o seu aniversário com as mulheres dos oficiais, a quem tinha organizado o campeonato de canastra. O coronel sabe-la toda.

O coronel I (comportamentos tipo passe)

O coronel contou-me hoje que era campeão nacional de 400 metros femininos. O coronel sabe-la toda.

5.4.04

Aí vem ele

Mocidade, Mocidade /Já chegaste ao teu fim / Ó Caetano, a mocidade / Fugiu, tás sozinho, é verdade / Olha aqui o principio do fim

É um 25 de Abril para esta gente, por favor.

Cartazes de Branco Galarza


Contra o crime


Contra a crise


Contra o desemprego


A favor do desemprego


A favor da crise


A favor do crime

O voto em Branco

A pedido de avariadas famílias e acirrados por insistentes apelos No-Bélicos, os The Galarzas apresentam em primeira demão o seu candidato a futuras eleições. Como o atentado leitor terá já deduzido, falamos de Branco Galarza.

Quem é Branco Galarza?, perguntará o des-traído leitor.

Poderíamos responder de forma clara e sucinta, como corpo em pedra dura e fria. Mas não o vamos fazer. Preferimos dar apenas algumas pistas, de modo a incentivar a curiosidade do e-leitor, soprando as brasas da criatividade humana sempre pronta a iluminar os recantos negros da ignorância.

Saiba então que Branco Galarza nasceu em Cabo Verde, filho de mãe negra e pai crioulo, e ainda jovem foi seduzido pelos vermelhos, como então se chamava aos comunistas. A sua rebeldia rapidamente levou à expulsão do partido, tendo mesmo havido cenas lamentáveis em que foi apelidado de amarelo. Ainda hoje Branco fica azul de raiva ao recordar este episódio. Já homem feito, mas não de pau, Branco emigra para os Estados Unidos onde se torna um empresário de sucesso nas indústrias químicas, mais concretamente no ramo das lexívias. O resto é história.

A campanha prossegue com ritmo hirto e firme; Branco está confiante na Vitória (sua esposa dedicada) e tem já algumas ideias alinhavadas para o seu programa e leite oral. O resumo:

Branco mais Branco no ar!

Branco é, Galarza opõe!

Vote em Branco, e deixe o cherne manco!

Verdes são os campos, e leitores são Branco!

Branqueamento de capitais Não! Branco e aumento de capitais Sim!

O Branco é sereno!

Acabou a bronca, chegou o Branco!

Vota em Branco e rouba um Banco!


O Branco tem todas as cores!

As viagens do Repórter Galarza

O repórter Galarza chegou há poucas horas de Manchester, onde foi visitar um dos finest pubs da Britain, onde assistiu a uma manifestação de pelo menos sete pessoas contra qualquer coisa e onde perdeu quase duas horas numa Waterstone's Bookstore.

Ah... pelo meio ainda entrevistou e assistiu a um concerto dos Scissor Sisters na cidade universitária lá do sítio, comeu num verdadeiro Oriental Buffet e descobriu vinhos ribatejanos à venda num supermercado em frente ao Palace Theatre (onde em exibição estava o musical «Footloose»).

E apanhou uma molha. E assustou-se com o alarme de incêndio do hotel, que disparou por causa da caldeira do tal Oriental Buffet na cave do hotel e que obrigou o repórter Galarza a andar pelos corredores descalço porque ficou fechado fora do quarto...

É assim a vida dura e atarefada do repórter Galarza.

4.4.04

Com Patos Disks

O porta voz da A.P.D.C.P. (Associação de Produtores de Discos Com Patos) expressou hoje em conferência de imprensa grande apreensão quanto ao futuro da indústria musical: «os dois últimos anos têm sido terríveis; a pirataria cresce exponencialmente e, como se isso não bastasse, os surtos de gripe das aves também tendem a tornar-se mais frequentes»

Pergunta de Interesse Teológico

O Condestável de el rei D. João I, D. Nuno Álvares Pereira, vai ser levado ao Vaticano para processo de canonização. Será mais uma somar à extensa lista de santos e beatos de Portugal.

Pergunta: Se temos um panteão tão bem recheado de santos e beatos, porque é que ainda não nos aconteceram os milagres que tanta falta nos fazem?

A deriva dos incontinentes

Kurt Weiss, o maior especialista mundial em placas teutónicas, publicou ontem na Scientific Cooking & Garden um artigo que promete reacender a polémica sobre a origem vulcânica (ou não) dos montes alentejanos.

A comunidade científica está dividida, desunida e não convencida: se para uns a teoria não passa de «um monte de esterco mal cheiroso e inútil que provoca vómitos a um calhau», para outros as ideias de Weiss «são o produto de um mentecapto necessitado de um transplante urgente de neurónios».

Instrucciones para salvar el odio eternamente



Si ella se va no la perdones.
Si te deja cultiva bien tu odio.
Nunca seas generoso en olvido, si ella se va.
Si te deja no digas adiós
o "Qué vamos a hacerle", no pidas perdón.
No repases vuestras fotos
y, mirándole a los ojos,
regálale eterno tu odio.

Si ella se va no trates nunca de entenderla.
Maldice sus pasos.
Nunca creas sus despedidas, sus promesas, su explicación.
Y provoca llanto y dolor,
que queme su conciencia como el sol,
que el adiós le corte como una cuchilla.
No te confundas ella, es la asesina.

Porque cuando ella se va
alguien la esperará en la esquina.
En otros brazos reirá con otras mentiras,
dirá "Te amo, cuanto tiempo te he estado esperando".
Y te olvidará, todo habrá muerto,
y aquel otoño nunca habrá sido vuestro.
Para qué mentir, que ella se lleve,
aunque dure poco, tu odio para siempre.

Rodolfo Serrano

3.4.04

Um post de José Saramago:

, , , .
, , , ; .

, , .
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.

Dignidade profissional

Eu sou um carácter forte!
Eu sei dominar-me.
A cara não me denunciava, embora o trabalho diligente de longos anos, o reconhecimento do meu talento, todo o meu futuro tivessem sido postos em jogo.
-Sou um artista - disse.
-O que é que sabe? - perguntou o director.
-Imito o canto dos pássaros.
-Infelizmente - fez um gesto de quem lamenta -, isso já passou de moda.
Como? O gemer da rola? O chilrear do pintarroxo nos canaviais? O canto da codorniz? O grito da gaivota? O cantarolar da cotovia?
-Passou - disse o director, aborrecido.
Aquilo magoou-me. Mas penso que a cara não me denunciava.
-Adeus - disse eu delicadamente, e saí a voar pela janela aberta.

Istvan Örkény, in «Contos de um minuto», Bico d'Obra, 1983

2.4.04

A Barra de Chocolate

André e Andreia amavam-se. Amavam-se delicadamente desde a infância, apaixonadamente desde que o corpo de um teimou em pedir o amplexo do corpo do outro.

André e Andreia casaram um com o outro e viviam juntos e faziam amor.

André queria ter um filho ou uma filha porque tinha muito amor para dar e porque amava as coisas que Andreia fazia. Só que Andreia ainda não queria ter filhos. Ao invés, preferiu ter uma enorme barra de chocolate, tão grande que não coube em casa e tiveram que guardar a maior parte no quintal.

Andreia andava feliz com a sua grande barra de chocolate. André, que andava triste e sorumbático, fosse por gulodice ou por filicídio, começou a comer a barra de chocolate. Foi comendo, foi comendo, até que engordou muito e inchou.

Um dia andava a passear no jardim Keil do Amaral muito inchado e houve alguém um bocadinho distraído que o confundiu com uma bolha e o levou para servir de matéria-prima numa fábrica de sabão.

Poesia via Mail

Singelo poema sem título enviado a este Galarza por um dos seus chefinhos:

«nunca me atendes o telefone
nunca me respondes aos mails
nunca me mandas os textos
nunca pensas em mim
és um caralho
eu sou um poeta
»

Como é bonita a leiga poesia, caro Bêbêgê...

The Galarzas na Moda!

O mail galárzico continua a ser assediado pelas mais ousadas propostas. Como esta:

«Central News
GÉMEOS GUEDES
SATOSHI SAIKUSA - NIKE - L'UOMO VOGUE

Os manos Guedes continuam a vincular a sua imagem em trabalhos de grande visionabilidade e notoriedade. Em Paris, fotografaram com o excelente fotógrafo japonês Satoshi Saikusa um publi-editorial para a marca Nike.

A produção foi publicada na conceituada revista italiana L'Uomo Vogue, revista para a qual os gémeos já haviam feito um editorial com o fotógrafo Mário Testino que os escolheu também para a campanha da Givenchy.

Este trabalho vem valorizar ainda mais o portfólio dos gémeos depois terem trabalhado para revistas como a Madame Figaro e a Wallpaper, e fotografado com Bruce Weber, Aldo Falai, Rasmus Morgensen e Ruven Afanador.
»

Quatro perguntas:
1. «visionabilidade»?
2. «publi-editorial»?
3. «Afanador»?
4. citando o chinezinho: «alguém explica?»

Ele papa

1.4.04

O Nião Euro Peia

Os alemães fazem birra
Oktober vem aí
Os hermanos zapateiam
Azneiras não são ali.
Blair, Which Project?
pergunta
o bretão atarantado,
A Chiraque deu-lhe um baque
só cai daqui a bocado.
Mas graças a Deles
por cá,
enfim,
por cá,
a chuva chega pr'ás couves.

Óscar Machico, in «Parti uma perna e soube-me bem», Edições Amuleto e a Muleta, 2004

O lucro da TAP

Não duvidaremos do lucro de 19 milhões de euros da TAP. Aliás, estamos certos de que todos os parafusos dos Caravel, Tristar 500 e Boings 737 e 747 foram devidamente valorizados.

Tal como no passado, e isto é um supônhamos, a TAP dava lucro sempre que na rubrica de património, os activos disparavam em barda. Os The Galarzas recusam-se a acreditar deveras que alguma vez tenha a TAP contabilizado, por exemplo, 10 mil parafusos sem uso, mas certificados, valorizado cada um deles de dez tostões para cem paus e, assim, ter lucro.

Na TAP não há maningancias.
Na TAP não há trafulhices.
A TAP, como a selecção da bola, são orgulhos do país, portuguesas, com lusos a dirigir os seus destinos técnicos e presidentes, como Madail ou Cardoso, longe de suspeitas.

Vosso,

Aforismo

O plebeu quando passa o culto a outrém cria um pleteu.

O problema lusófono

Aquando da legalização da droga em Portugal, o governo de Lisboa inspirou-se no articulado brasileiro. Mas a tradução impeliu o país para a toxicodependência e, por erro, para a cadeia.

Se no original brasileiro se dizia:

1. A droga é legal. A sua venda passará a ser livre.

A tradução portuguesa saiu assim:

1. A droga é porreira. A venda do senhor passará a ser livre.

Erótico

O Impiedoso Malaquias perguntava assim:

«Se um herege é alguém que diz ou comete uma heresia, isso quer dizer que um erótico é aquele que comete a erosão?»

O Coração

A Operação estava a correr tão mal que o cardiologista tinha o coração nas mãos.

(Posta enviada por Cesto Galarza a partir da frondosa região de Lafões.)