2.2.06

Apesar da iluminação má ainda se vêm os furinhos dos pregos nas paredes

Era uma tarde fria e chuvosa na frande metrópolis urbana. Em dias como este em que a habitual confusão das ruas parece multiplicar-se infinitamente, sentia-se sempre perplexo, sem destino e prestes a cair numa gripe que o faria estourar.

Seguia pela Avenida Torta, a principal artéria de mercância e diversões, onde nas noites de fim do dia todos os rostos pareciam raiar sorrisos perenes, decidiu entrar no salão de chá e tomar um chá de gorreana. Erro crasso!

Por pura infelicidade, ou grande distracção, tinha entrado no salão de acolhimento do bordel mais elegante da cidade. A simpática funcionária que o atendeu, compreendendo mal o pedido do cliente, ao invés de servir-lhe um revigorante chá de gorreana, enfiou-lhe com uma camada de gonorreia que o obrigou a ir refugiar-se na sua velha aldeia muito desmoralizado para ser tratado pelo velho doutor Serôdio, médico-curandeiro-ferreiro-taberneiro-fatalista, único tratador a quem alguma vez confiaria o reparo dos desmazelos do corpo.