2.12.05

O amor em tempo de guerra

Na surra-feira à noite, reencontrei num bar uma velha amiga-mais-que-amiga. Chama-se Inverno e não a via há mais de 10 anos. Passámos horas e horas a pôr em dia a conversa e as nossas vidas, afastadas pelo acaso dos anos. Recordámos os tempos de amizade etílica e as ébrias brincadeiras. Lembrámos a cor do quarto dela pela manhã e o cheiro da minha cama pela noite. Suámos de novo na melancolia do reencontro e chorámos uma vez mais pela despedida devida.

E assim, por horas e horas, esquecemos o presente e mergulhámos no passado. O nosso passado - só nosso - onde nadámos de novo por horas e horas, que soaram a dias e anos. E assim, horas e horas depois, nos despedimos, por entre um copo e um beijo, por entre vozes distantes e silêncios cúmplices.

O bum-de-semana passou-se entre nuvens carregadas de ânsia e a falta que um telefone faz.

Na blimunda-feira de manhã, chegado ao ofício, recebi um mail que me abocanhou pelos olhos, me mordeu pelo peito e me cuspiu pelas pernas. Assim, sem mais, um mail. A remetente chamava-se Inverno e perguntava-me sugestivamente «remember the old days?».
Tremi.
Cansei.
Suei.
Temi.
Olhei em volta.
A medo, abri o mail.

Era spam...

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