2.12.05

Juvenal

Juvenal é um rapaz normal. Assoa-se à fralda da camisa, tira macacos do nariz, abre a porta às velhinhas e ajuda as donzelas a atravessar a rua. De dia, é tão banal como uma sardinha numa lota, ou numa lata. De noite, transforma-se em combatente do crime. Do crime, note-se, não contra o crime. Não age em proveito próprio mas porque julga que um mundo às avessas terá forçosamente o seu espelho algures, numa quinta ou sexta dimensão, e aí todos os seus actos maliciosos, mais que malévolos, terão efeitos benfazejos. Ou talvez não pense nisso sequer, e ache apenas que a vida do crime é muito mais divertida.