21.12.05

Ao Bocage que anda lá fora a lutar pela poesia

bocage

Já Bocage não sou!

Já Bocage não sou!... À cova escura
Meu estro vai parar desfeito em vento...
Eu aos céus ultrajei! O meu tormento
Leve me torne sempre a terra dura.

Conheço agora já quão vã figura
Em prosa e verso fez meu louco intento.
Musa!... Tivera algum merecimento,
Se um raio da razão seguisse, pura!

Eu me arrependo; a língua quase fria
Brade em alto pregão à mocidade,
Que atrás do som fantástico corria:

Outro Aretino fui... A santidade
Manchei!... Oh! Se me creste, gente ímpia,
Rasga meus versos, crê na eternidade!


Passam hoje duzentos anos do dia da morte de Manuel Maria Barbosa du Bocage, ínsigne poeta da Arcádia, que com o seu verso fluído fazia tremer as tabernas da Lisboa em estrofes raras.