28.11.05

Uma História Muito Verdadeira

O Rato e o Rei da Rússia, que faziam uma parelha de grande qualidade nas competições de tiro aos pratos, que já tinham conquistado alguns prémios internacionais e que estavam a tentar qualificar-se para os Jogos Olímpicos, saíam muitas vezes pelo campo para caçar e desfrutar dos prazeres bucólicos, das paisagens rudes e das suaves e conversavam acerca de assuntos mundanos ou de Estado porque eram muito amigos. Esta unha e esta carne também se sentavam juntas para as refeições, incluindo a sobremesa, com altos dignitários estrangeiros que se reuniam com o Rei para combinar negócios importantes. O Rato só não suportava o Embaixador da Roménia, que era de facto um sujeito boçal e ordinário que se descuidava nalgumas matérias de higiene, mas não fazia mal porque o Rei da Rússia mandava chamar o amigo logo no dia a seguir para contar tudo o que acontecia nesses jantares.

Uma tarde soalheira de Verão, os dois amigos estavam a cair de tédio estendidos numas redes e decidiram jogar à garrafa e ir tocar às campainhas das portas e fugir para se divertirem, mas acharam bem não fazer essa brincadeira porque uma vez aconteceu que o Rei tocou à campainha de uma senhora velhota que lhe atirou com um balde cheio de àgua de lavar o chão e encharcou-o até aos ossos e deixou-o a cheirar a esgoto. A velhota esteve quase a safar-se com isto de atirar àgua porca para cima das pessoas, mas felizmente o Rei era a pessoa que chefiava a polícia secreta do país e, segundo se ouviu dizer mais tarde, a idosa nunca mais foi vista a fazer despejos inusitados para cima das pessoas. Nem voltou a ser vista sem ser a fazer despejos.

Entretanto, a Rolha, que também fazia parte da Corte, estava a fazer uma desintoxicação para ver se conseguia ver-se livre de uma adição que lhe andava a lixar o fígado e outras partes do corpo e lhe estava a deixar ideias suicídas na cabeça.