11.11.05

Rolando

Ia Rolando rolando encosta abaixo, olhos fixos no espesso muro de nevoeiro, quando num impacto seco a carroçaria se lhe estremeceu toda. Eh lá, será outro cervo com o GPS avariado?, pensou, não com os seus botões, pois envergava uma camisoleca tresmalhada, mas com um dos atacadores das sapatilhas, ou ténis, embora seja vocábulo a evitar por dificuldade de conjugação singular. Meteu pé ao travão e num protesto sibilante, o camião parou na berma.
Retrocedeu cem metros ao longo da estrada, até perceber o que tinha acontecido.
Espalmado no asfalto, jazia D.Sebastião.
Afinal a lenda era verdadeira, pensou Rolando, enquanto regressava ao habitáculo magicando como justificaria a mossa no pára-choques.