16.9.05

A figueira brava dá uns frutos viçosos mas não comestíveis

Vinte e três anos a trabalhar que nem um louco em Oklahoma City e de repente tenho que deixar tudo, recomeçar noutro sítio qualquer.

Mas o que nunca esquecerei, o que me há-de deixar mentalmente perfurado até ao fim dos meus dias, é o facto de não ter havido sequer uma palavra. Uma da companhia, a agradecer o esforço que lhe dediquei, os clientes, por vezes roubados no último momento aos concorrentes, graças às minhas manigâncias, que angariei. Uma dos que eu julgava terem sido meus amigos, a lamentar ou a dar-me um apoio qualquer.

Nada. Não houve nada em que pudesse apoiar-me por um momento, antes de meter na mala do carro os certificados do banco estrangeiro onde tinha depositado o resultado de todos os anos de fraude cometida na empresa, algumas fotografias, vídeos e cassetes incriminatórias contra o Presidente e o Conselho de Administração.

Em breve, os meus ex-amigos e colegas de trabalho vão desejar abraçar-me para sempre. Vai ser tarde demais.