29.8.05

Quem tem lobos calça-lhes as botas!

Hoje tive um inimigo meu para jantar cá em casa. Não sou comedor muito dado às carbonaras, massas em geral, italianadas gastronómicas, ou mesmo qualquer coisa que se pareça vagamente exótica ou que eu não consiga identificar à primeira vista, mas como não sou muito mal educado aceitei que fosse ele a trazer a refeição já preparada: uma lasanha de carbonara, acho que era esse o nome da coisa, e uma salada com umas plantas estrangeiras. Tudo bem - não me fez cócegas no estômago e, até agora, a digestão corre normalmente.

Foi uma noite simpática. O meu inimigo fez-me algumas juras de morte, eu tentei envenenar-lhe o digestivo com ácido moriático, insultámo-nos e, para não perder a forma, telefonámos a uns tipos da nossa confiança para que nos tentem matar. Vai ser divertido passar os próximos dias a olhar para trás, à espera de uma facada, de uma carga mal colocada num camião ou de um empurrão acidental na plataforma da estação de comboios.

Estivémos a discutir um bocado de política e chegámos à brilhante conclusão que é uma coisa que não nos interessa rigorosamente nada. Decidimos que só um de nós é que vai votar nas próximas eleições para poder irritar o outro.

Este é bem capaz de ser o meu melhor inimigo. Se não acreditam, olhem que, enquanto estava a escrever isto, comecei a sentir-me um bocado mal, de modo que vou chamar uma ambulância e vou ao hospital fazer uma lavagem ao estômago.

Espero que ele só se aperceba que eu aproveitei o pretexto de ir à garagem buscar a velha espingarda para lhe desapertar as porcas num pneu da frente do carro dele, quando for tarde demais e já esteja perfeitamente descontrolado na Auto-Estrada a alta velocidade.

É bom quando conseguimos resolver as nossas divergências com as pessoas através do ódio, da destruição e do medo.