26.7.05

Poema de: Idálio Juvino

Disse-me o sabujo de rompante:
Vou procurar ter uma vida nova;
Vou fazer aqui um implante -
Disto tudo te darei franca prova.

Vou desistir de ser um pulha;
De fazer sempre um alvoroço;
De tudo queimar com faúlha.
Vou ser agora um gentil moço!

Olhei-o nos olhos e a rir cá dentro,
Ouvi-o dizer-me ainda inflamado
O soez, o herbívoro, o jumento,
Que se fazia dali um rapazito atilado.

A grande proeza do enxundioso!
Ninguém te crê já em regenerações,
Ó beicinho torto, ó olho choroso!

Idálio Juvino - Um Grande Cárrego de Carvão - Editora Portinhola Ferrugenta, Alcanede, 1985