4.7.05

Passaporte

A sonhar caiu um pato para cima do pote da manteiga, enquanto tentava fazer a curva do Mónaco em excesso de velocidade.

Imigrante sazonal, acabava de chegar da Tunísia para passar o verão lusitano na Costa do Estoril, flirtar mulheres nórdicas em troca de punhados de milho, assistir ao fim da sessão legislativa em São Bento e à volta a Portugal em bicicleta pelas curvas da Estrela.

Depois de uma primeira semana a relaxar principescamente instalado no Hotel Albatroz, ontem à noite dirigiu-se ao Cinema Mundial em Lisboa, para ver a actriz Sofia Alves grávida implorando por um aborto, ou coisa que a valha. No regresso a Cascais ainda parou no bar O'Gillins para uma sandwich de pão e uma cerveja Guiness, que se transformou em sete transtornando gravemente a mobilidade e a capacidade de orientação do veraneante.

Já em estado deplorável fez-se ao ar em desrespeito pelas leis da gravidade e quando passava pela curva infame a alta velocidade, confundiu a luz do farol com o lume de um isqueiro, e como, segundo testemunhas no local, já tinha parado para tentar acender um cigarro por duas vezes no trajecto até Caxias, desferiu um golpe de asa de díficil execução. Infelizmente a manobra correu mal para o infeliz turista, que foi estatelar-se na barrica da gordura num triste espectáculo que só não terminou gratinado porque este fazia-se acompanhar de passaporte diplomático.