11.6.05

Poema de: Roberto Leal

Isto está tudo muito bonito, tudo muito moderno e clássico ao mesmo tempo, é uma beloga de grande bom gosto que temos aqui para oferecer aos nossos i-letrados, mas cá para mim, há bastante tempo que tenho notado a falta de um poema a sério, de um verdadeiro ícone da lusitanidade, da amizade e da paz entre os povos, que afinal vai-se a ver e são todos irmãos.
Corrijo agora esta tão grave falha, esta ignominiosa injustiça. Ei-lo, o poema que já cá faltava:




Imigrante

Tantos sonhos são desfeitos
Uma mão que afaga o peito
Seu filho que vai partir
Pra longe vai o imigrante
Pra outra terra distante
Outro caminho a seguir
Mal olha ao sol e ao navio
Ao coração dar-lhe o filho
Das saudades que já tem
E olhando o lenço branco
Que se agita vem o pranto
E acena pra ninguém

Nunca mais nunca mais
Sua terra há de voltar
Nunca mais nunca mais
Sua terra há de voltar

E depois de alguns anos
De esperanças e de desenganos
Pela fé foi que venceu
Mas foi com tanta alegria
Que ele viu chegar o dia
De poder rever os seus
Mas olha que hoje a festa não vem
A noite faço uma ceia
Pra alguém que vai chegar
Tanto tempo tão distante
Está de volta o imigrante
Com o coração a cantar

Nunca mais nunca mais
Sua terra há de deixar
Nunca mais nunca mais
Sua terra há de deixar