Arroz Doce
A Artrite esteve cá há bocado e deixou duas pêras. Não percebo porquê, eu não gosto de fruta.
A propósito de ter sido convidada para uma vernissage veio para aqui falar dumas tretas, de sabe-se lá onde raio é que ela vai inventar estas coisas, pegou num livro do Vaclav Havel e foi-se embora toda contente com os lábios pintados de vermelho, com um vestido púrpura lindíssimo.
A Renata até me disse qualquer coisa acerca dela e duma viagem de comboio, duma história de namorados e o Mascarilha a vingar os indefesos, mas eu, quando as começo ouvir a falar nunca percebo nada, desligo-me e depois o que dá é ficar a arder com uns pratos de arroz doce.
Falta-me insolência e um bocadito de graça para mudar de emprego. A Renata diz que ainda me faltam algumas lições de tédio, que ainda não estou pronto para deixar cair o molho de chaves sózinho. Eu acho que perdi algum tempo a olhar para o boletim meteorológico e para as ramas do eucalipto, mas dúvido um bocado que valha a pena rir por causa disso.

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