31.7.04

O meu sonho.141

O meu sonho era que a Capuchinho Vermelho usasse a cor de outro clube.

O meu sonho.140

O meu sonho era ter a casinha de chocolate sem a bruxa e a fruta cristalizada.

Poema de momento

"Estás perdido?
Iludido?
Mentido?
Desiludido?

Insatisfeito?
Desfeito?
Imperfeito?
É bem feito!

Mas não é o fim
A vida é sempre assim
Não me cabe a mim
Nem a ti dizer que sim

Ou que não.
E não há perdão.

O que fazer?
Então?
Enlouquecer!

A solução não é morrer
Porque não há que perder.
Esta é a realidade.

A verdade:
Não há liberdade
Só saudade."


Eduardo Moura, Porto,1978

O meu Sonho .139

O meu Sonho é um produto embalado e congelado da melhor proveniência.

30.7.04

Terras em branco

- Então Jotinha, essas férias?

Santana W Lopes

Por incrível que pareça, hoje dei por mim a concordar com tudo o que o MST disse no jornal sobre o que se passa por lá e por cá. E já não é a primeira vez. Ó meu Deus, qualquer dia estou a ler o Equador...

Fora de Serviço

Lisboa. Centro da cidade. Zona da Baixa, Chiado, Camões, Bairro Alto. Meia noite e meia. Noite quente de quinta-feira. Fim do mês. Verão. Gente, muita gente. Turistas, estudantes, jovens, adultos, amigos, conhecidos, colegas, pessoas. Aos milhares. Aos magotes. Uma dúzia de caixas Multibanco. Em todas, a mesma notícia, a fundo vermelho: «FORA DE SERVIÇO - DIRIJA-SE AO MULTIBANCO MAIS PRÓXIMO». Uma dúzia de caixas Multibanco fora de serviço... Em todas, as mesmas filas de gente à espera, impaciente. Fora de serviço. Como tudo em Portugal. Como todo Portugal: FORA DE SERVIÇO - DIRIJA-SE AO PAÍS MAIS PRÓXIMO.

29.7.04

O meu Sonho .138

O meu sonho ardeu...

O meu Sonho .137

O meu Sonho são postas mirandesas, cobertas de molhinho e com dentes de alho por cima, e com vinho verde ao lado.

Poema de Mestre Nestor Alvito

Arde-me

Tudo arde
Tudo ardeu

Ardeu-me a casa
Ardeu-me o carro
e a minha gente

Ardeu-me a terra
Ardeu-me a aldeia
e o meu país

Ardeu-me a alma
Ardeu-me o coração
e a vida

Tudo arde
Tudo o fogo consome

Ardem-me chamas nos olhos
da dor da minha gente
Ardem-me labaredas no peito
do choro dos meus vizinhos
que choram lágrimas fora de tempo
que mal chegam para apagar as chamas
que ardem cá dentro

Tudo arde
Tudo se perde
Nada se transforma

(in Édito, 2003)

A divagar se vai ao longe

Não sei porquê, mas tenho passado muito tempo vidrado, a divagar por aqui, em busca do resto...

1 d'Outubro, dia feriado

É uma notícia orgásmica: no dia 1 de Outubro, esta beluga e o seu mestre vão ser homenageados na toponímia lisboeta. Vem aí a Rua Galarza, a Rua Shegundo Galarza - avisa-nos o nosso mui apróchego Marujo, a quem ficamos deveras gratos.

Ó litâneas, ó medusas, ó que grande alegria, ó que desculpa para mais uma tertúlia, uma donzela de copos, uma cadela de noite...

O bom, o mau e a loja

Hoje vamos às compras...

Fado do Opróbrio

Paula Rêgo - A Noiva

Rosete, tadinha Rosete
Entrara um no coito, sairam do útero sete
Rosete, tadinha Rosete
Rapa as pernas com gillette
Rosete, tadinha Rosete
Por não seres santanete
Tadinha, tadinha Rosete

Duran Clemente, estás vingado, pá!


«Lisboa, 28 Jul (Lusa) - O Serviço de Bombeiros e Protecção Civil garantiu hoje que a recusa por Portugal de meios aéreos de combate a incêndios disponibilizados pela Alemanha, Noruega e Reino Unido baseou-se em razões de ordem técnica e não económicas.»

O meu Sonho .136

O meu sonho é perceber porque aqueles que nada conseguem ver querem sempre mirar a ponta do corno.

A verdade...

...é que Teresa Caeiro ainda há-de ser filha de Alberto Caeiro. Mas a família é muito discreta.

Inédito

 
Tirar as grainhas
Pelar
Trincar com os dentes da frente
Os molares não
Encontrar uma boca
Fresca
Um decote em
Explosão de líbido
Um certo olhar

Tirar as grainhas
Pelar
Ficar com a polpa inteira
Não trincar
Fazer derreter
Entre a língua e o céu da boca

Tirar as grainhas
Pelar
Abrir a janela
E voar

de Eustáquio Pinho, Vaticano e Vatitubo, Pinhel, 1969

O coronel V (comportamentos tipo passe)

Desta vez, deixei o telefone tocar quase até chegar ao gravador. Dez minutos depois, o Coronel ligou-me:

- Está?
- Sou eu.
- Ah! Viva! Diga lá!
- É por causa do programa do governo.
- Qual programa? Da palha, que é o que se dá aos burros.

O Coronel anda muito enraivecido.

28.7.04

O melhor remédio...

...para aguentar este Portugal, série Santana/Portas 2004:



(legal, eficiente e sem efeitos secundários - receitado pelos melhores médicos, farmacêuticos, políticos, wannabes, doutores da mula russa e cães-de-água)

Não pagamos, não pagamos, não pagamos, não pagamos!
Não pagamos, não pagamos, não pagamos, não pagamos!
(deve ser entoado com a melodia anti-propinas)



Dizia-se lá na minha aldeia:

- Há fogue!
- Dêxa arder, c'o mê pai é bombêre!

Ritual do (infelizmente cada vez mais) Habitual

«Hitler's syphilis-ridden dreams almost came true.
How could it happen? By taking control of the media.
An entire country was led by a lunatic...
We must protect our First Amendment,
     before sick dreams become law.
Nobody made fun of Hitler??!
»

(Jane's Addiction, Ritual de lo Habitual, versão «clean»)

Quadro classificado

elegante fluente
atende sozinha
completa perfeita
de corpo convive

Nota de culpa (Ouvido na rua)

«Gosto muito da Sílvia Mestrinho. E mais não digo.»

A Bola

O jornal Record descobriu-nos o segredo. É verdade o que diz aquele diário desportivo: o nosso mui caro e secreto irmão Sexteto é o novo jogador do F.C.Porto:

Terca-Feira, 27 de Julho de 2004
Sexteto apresentou-se e fez exames médicos

Só mais um desabafo ao fim de duas horas nas Finanças à espera de um papel que devia estar pronto há um mês mas de que eles se esqueceram

(e para o qual ainda me obrigaram a pagar uma pipa de massa):
PÔRRA MAIS A ESTA MERDA!

Apenas um desabafo ao fim de 18 horas de trabalho e de um ano sem férias decentes nem dinheiro na conta nem paciência para aturar este país queimado:

MERDA!

27.7.04

Poema de : Idálio Juvino

Lama

É tudo lama e entulho,
carne sem testo,
razia no cesto
e uma garganta larga
para passar mais engulho.

É tudo veneno e carrascão,
gente de olhar mortiço
a labutar em cortiço
e a afocinhar, a amochar
a levar canelada de cão.

São ferramentas do esquecimento,
cacos quebrados sem sentido
na carapaça dum bicho, punido
por ser vivo, apagado, forçado
prioritário na lista de castramento.

Idálio Juvino, "Operário Febril", Editora Por Detrás da Piscina , Barreiro, 1986

Ah, pois!

Ah, pois! A D. Rita tem toda a razão. Eu por mim acho que as garotas são do mais giro que há, especialmente aquela mais certinha do cabelo castanho... Lindíssima. Se bem que já tenho passado alguns episódios a babar pelas outras também.

A Imbecilidade ao poder!

Imbecilidade

Pelo direito à imbecilidade temporária, manifesta-se o Público, colam-se os The Galarzas. Afinal, nós também usamos...

O meu Sonho .135

O meu Sonho era ser um velho pervertido à porta do colégio feminino.

Diferenças

"A diferença entre temerário e funerário são duas sílabas para cada lado."

Monsanto Guedes

26.7.04

Dois Haikus*


A Secretária de Estado
Teresa Caeiro há-de cair
em qualquer lado.

Teresa Caeiro
há-de cair em
qualquer bueiro.

*Gentilmente cedidos pelo autor, Cinco Gajos 
(Também disponível em The Haiku (Blog)Spot) 

Delícias do Mar

Segundo fonte de água de mar contactada esta tarde pela redacção dos The Galarzas, o Ministro da D. e dos Assuntos do Mar, Dr. Paulo Portas, prepara-se para criar a Secretaria de Estado das Delícias do Mar. Ainda não são conhecidas as competências que lhe serão atribuídas, mas sabemos que no âmbito das medidas de descentralização preconizadas pelo novo Governo da República e ao encontro dos maiores ensejos dos Governos Regionais, esta nova secretaria de estado deverá ser instalada em plenas águas territoriais, num local que será o mais central possível em relação a todas as capitais de distrito a nível nacional, na intersecção do paralelo 36º N com o meridiano 20º O.
Esta será instalada numa plataforma petrolífera desactivada do Mar do Norte que será comprada em segunda mão e em leasing. Para as necessárias deslocações de serviço, sempre haja a necessidade de ir a despacho por exemplo, serão utilizados os serviços dos submarinos da Armada Portuguesa, as fragatas e um balão de ar quente para acolhimento e recreação dos visitantes VIP. Para o público em geral que necessite recorrer aos serviços da secretaria de estado, serão criadas carreiras de hidroviões, mas também de botes de borracha facilmente acedidos pelo cartão Lisboa Viva com a senha de coroa L123456789.
Terá ainda esmerado serviço de Bar.

Outra vez, senhores?





(fotos: Portugal Diário)

25.7.04

Fogo!

O anúncio de Santana como PM foi precoce. Agora é que o país devia levar um balde de água fria, sempre ajudava a conter os fogos.

Quem?

Quem tem medo do Alberto João?
...O substituto do Durão.

Santana Lopes baldou-se cobardemente ao desafio das tasquinhas do Chão da Lagoa. Por não aguentar o ritmo do bom tinto da Madeira à desgarrada com Alberto João Jardim?
Dois a zero para o Senhor Presidente do Governo Regional, que já no início da semana havia batido o Ministro da Defesa e dos. A. do M. por larga vantagem e sem esforço maior.

O Maior Espectáculo do Mundo !

Os The Galarzas souberam hoje por fonte mineral que as famílias de tradição circense se preparam para organizar uma manifestação de protesto contra a concorrência desleal praticada pelo novo governo de Santa Na Galopes.

«Queremos igualdade de condições, caneco. Este governo tem grandes contorcionistas, mas contratados com dinheiros públicos. É injusto. Além disso, muito antes do senhor Galopes já nós praticávamos a deslocalização, há muito que o meu irmão dirige na Madeira o melhor atelier de pantomima da Europa.»
Paquito Jardim, empresário

«Acho isto uma grande palhaçada»
Misha Nascada, clown

«Sempre tivémos uma imagem simpática junto do público e estes animais vão deitar tudo a perder.»
Gonga, leão

«Estou a pensar dedicar-me à política, a concorrência no malabarismo começa a ser forte.»
O Dini, malabarista

«Tenho um convite para assessor de um ministro, mas não posso revelar pormenores.»
Piri, pulga amestrada

24.7.04

Noticia de última hora

Os The Galarzas souberam esta noite, através de uma fonte bem posicionada, que os The Galarzas se preparam para mudar de bruxa.
Esta mudança de posição totalmente inesperada, segundo apurámos, é consequência de um augúrio totalmente errado lançado pela, até aqui, bruxa oficial dos The Galarzas, em que a prestidigitadora falhou quase todos os números extraídos no concurso desta semana do Totoloto.
A mesma fonte garantiu aos The Galarzas que os The Galarzas ponderam a hipótese de vir a contratar a mesma parapsicóloga e leitora de cartas que há anos faz serviços regulares no Palácio de Belém.

Mudança no Governo:

Teresa Caeiro disponível para a vaga de calor.

Da terra dos cagaréus, Primo Galarza

Anúncio do Óbvio

O irmão Cesto voltou de mais uma tournée nacional, de onde esperamos que ele tenha, ao menos, trazido umas farinheiras e um queijinho para a próxima reunião.
Bem hajas, meu grande boi, diamante por minerar!

Mais Previsões

Os The Galarzas foram ontem à bruxa, que nos adiantou a sua previsão para o concurso #30/2004 do Totoloto. Os números que serão sorteados esta noite, segundo a nossa guia espiritual, são os seguintes: 2, 6, 13, 26, 29, 45, sup.: 47; Joker: 15667871.

Não estamos completamente seguros da infalibilidade da nossa bruxa mas, por via das dívidas que temos, lá vamos meter um boletim. Porque que las hay, las hay.

O sonho dele XXXIV

O sonho de Santana é o nosso pesadelo.

Previsões

Se o Ministro das Finanças for, de facto, a personalidade que aparenta ser - rigoroso, honesto e escrupuloso - os The Galarzas prevêm que Bagão Félix será o primeiro dos ministros do novo governo a apresentar a demissão do cargo que ocupa.

23.7.04

São de vidro, senhor!

No princípio do jornalismo Zé do Telhado dava informações aos jornalistas. Era a famosa Fonte da Telha 

Monsanto Guedes
 

Ambiguidade

A ambiguidade segue-se à terceira idade e está imediatamente antes do serviço funerário.
 
Monsanto Guedes

Curto relatório de pensamentos para hoje

Pensamento de Passagem
Às 18 horas no Marquês de Pombal era possível ouvir o ruído das cigarras, mesmo com o movimento automóvel característico da hora.
 
Pensamento Ocioso
A Secretária de Estado das Artes e Espectáculos em lingerie sexy (branca).

Pensamento Sem Sentido
Não me mexo mais. Fico aqui quieto até isto passar, e depois também.
 
Pensamento Lascivo
A Secretária de Estado das Artes e Espectáculos em lingerie sexy (preta).

A guitarra chora baixinho (Ouvido na rua)

«Durante muitos anos, não consegui ouvir a música de Carlos Paredes. Fazia-me chorar. Hoje, pela primeira vez em muitos anos, voltei a ouvir a música de Carlos Paredes. Hoje, pela primeira vez, não consegui chorar... É uma dor imensa demais.»

Pelas Paredes da memória

E por ele? Por ele alguém pendurou bandeiras à janela? Por ele alguém fez parar a nação? Alguém pintou de verde e vermelho o coração? Por ele alguém fez cantar o povo que o ouviu dedilhar a guitarra até todas as lágrimas do mundo se soltarem num canto novo, eterno e engrandecedor?

E por ele? Por ele alguém pendurou bandeiras à janela? Por ele alguém acenou um adeus perpétuo?

O primeiro adeus



Já se afogava em desculpas aquela mulher que, em 1993, chegou ao pé de mim e, ao lado da sala cheia, quinhentas pessoas lá dentro, me disse: "O Carlos não pode vir. Ficou muito nervoso e não se consegue quase levantar. Ele ainda se zangou connosco, mas não o deixámos vir".
À época, a minha preocupação era saber que desculpa arranjar para a multidão que enchia, preenchia, todo o salão. Pedi a esta mulher que subisse a palco e explicasse a todos o que se passara. Ela foi. Disse a todos que Carlos Paredes não vinha (um murmurio em coro, nada mais, ninguém arredou pé), porque estava doente, mas que mandava um pedido de desculpas.
Que me lembre, ninguém protestou. Foi o primeiro concerto cancelado do homem de mil dedos. Os que ali estiveram, naquela noite, nos Olivais, na velha Sociedade Filarmónica União e Capricho Olivalense, lembram-se.

Hoje, o Carlos foi.
Com um encordamento novo, a guitarra de sempre, o ar de homem-menino.

Poema de Mestre Nestor Alvito

Pessimismo

Hoje...
  já não.

Ontem...
  esqueci-me.

Amanhã...
  talvez.

Ou nunca
mais.

(in Salada de Brutas, edição de autor, 1977)

22.7.04

Apresentando... Genebra Caiado

 
Dorme do-dorme
Português
Va-vão levar-te
Outra ve-vez
Para o la-lado do
Ga-gamanço
Está-tás num trapo
E és m-manso

Por Genebra Caiado, poeta gago infantil, O Mu-mugir das Va-vacas, Olhão, 2004

Ajuda aos Secretários de Estado

The Galarzas sabem que andam aí secretários de Estado sem cadeiras, sem lugares, com as malas e as mesas às costas na Cidade, ora para a rua do Século, ora para a Praça de Londres, ora para o Caldas, ora vai um e leva a cadeira que lhe faz bem para as costas, ora outro que chega mas está lá um ministro sentado e vai para casa, ora que chamam gente de outras profissões que não especializadas para mudar as muletas, enfim. Uma canseira.

Pois não desesperes Teresa Caeiro, não chores Diogo Feyo, não soçobres, ó Patinha Antão. Aqui está o mapa. Não todo, mas aquela que vos interessa para vossa devoção.


And now, Mr Barroso



Anafado, de olhos castanhos, carão moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste de facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno;

Incapaz de crer num só partido,
Mais propenso à fuga do que à pachorra;
Bebendo em níveas mãos, por mala escura,
De zelos infernais letal veneno; 

Devoto incensador de mil saudades
(Digo, de cavacos mil) num só momento,
E somente no altar amando as uvas, 

Eis Durão em quem não luz algum talento;
Saíriam dele mesmo estas verdades,
Num dia em que se acharia mais pachorrento.

Desculpas ao Bocage

O meu Sonho .134

O meu Sonho é limpinho. Tudo bem esfregado com sabão azul e branco.

O Mistério do Ministério

Tudo lhe corria bem - o Presidente tinha medo dele, o Governo funcionava em velocidade de cruzeiro, o povo não gostava dele mas também não votava... enfim, tudo estava bem. Mas ainda assim, o Ministro estava macambúzio. Talvez lhe faltasse a voz. Talvez lhe faltasse o amor da nação. Talvez lhe faltasse a gravata da sorte. Talvez lhe faltasse o amor lá em casa. Talvez... Ou talvez lhe faltasse apenas acreditar em si próprio. Apenas aquele carisma que tem quem acredita em si, quem confia em si, quem gosta de si próprio. Seria isso? Seria essa a razão dos seus olhos cansados e velhos? Seria essa a causa dos seus cabelos brancos e das suas mãos trementes? Seria essa a sua falta perante Deus e os Homens?

Tanto tempo perdeu o Ministro a pensar nisso. Tanto tempo investiu o Ministro nessa causa. Que quando acordou, já o país era outro. O Presidente tinho sido deposto pelos militares descontentes com a falta de uma guerra. O Governo tinha sido expulso e enviado em galés para as novas colónias entretanto descobertas num cantinho esquecido do mundo. O povo tinha sido lavado, enfeitado e desligado com fintas e fitas de caubóis. E o país rodava à deriva, perdido, distraído, ingénuo... cativado pelas trovas de um flautista galanteador e de um manipulador sem escrúpulos, dupla de canastrões circenses que já havia tratado da saúde a outros 16 países antes de chegar à nação do Ministro.

Acabado o serviço nesta última paragem, o incansável duo fez as malas, guardou a poção da sua arte (um potente veneno macambuziador), e seguiu viagem, deixando para trás um megafone debitando a todas as horas a mais leve e sedutora canção do bandido. O Ministro - agora homem novo, alegre e consciente - olhou em volta e sentiu-se bem.

Ministérios Futuros e suas hipóteses

  • Ministério da Derrapagem e Economia Paralela - Dias Loureiro
  • Ministério das Desculpas Políticas - Luís Delgado
  • Ministério para Falar Manso com Sampaio - Ana Gomes
  • Ministério do Vasilhame e das Garrafas 750cl- Narana Coissoró
  • Ministério da Cabala - Moita Flores
  • Ministério da Venda de Armas para os PALOP - Grupo Coral "Bloco Central"
  • Ministério do Branqueamento da História - Fernando Rosas e Freire Antunes
  • Ministério do Pneu Sobressalente e Afins - Miguel Pais do Amaral
  • Ministério da Mão Pelo Pêlo - Vasco Graça Moura
  • Ministério dos Blogues e de José Magalhães - Pacheco Pereira
  • Ministério do Antigos Combatentes Contra os Combatentes - Manuel Alegre
  • Ministério do Estado de Espírito - Eduardo Prado Coelho
  • Ministério do Cinzeiro - João Bénard da Costa
  • Ministério da Culpa - D. Inês de Castro 

 

Poema de: Tuxedomoon

In a Manner of Speaking

In a Manner of speaking
I just want to say
That I could never forget the way
You told me everything
By saying nothingIn a manner of speaking
I don't understand
How love in silence becomes reprimand
But the way that i feel about youIs beyond words
O give me the wordsGive me the words
That tell me nothing
O give me the words
Give me the words
That tell me everything
In a manner of speaking
Semantics won't do
In this life that we live we live we only make do
And the way that we feel
Might have to be sacrified
So in a manner of speaking
I just want to say
That just like you
I should find a way
To tell you everything
By saying nothing.
O give me the words
Give me the words
That tell me nothing
O give me the words
Give me the words
Give me the words

Tuxedomoon, Holy Wars, CramBoy, 1985



21.7.04

O coronel IV (comportamentos tipo passe)

O coronel está cada vez mais bem disposto. Agora, diz que se tornará um hipocondríaco altruísta, porque está farto das doenças só para ele sem que ninguém tenha esse desidrato.
Entretanto, o Coronel telefonou-me já à tardinha:

- Sabe quem são estes do novo Governo?
- Sei lá eu...
- São os piratas, do Astérix. Afundam-se antes de se lhes tocar.

O coronel depois tossiu, por causa do SG Gigante. O sinal ficou verde. Ia eu a pensar que cada vez é mais difícil tudo. Até meter a primeira, depois do telefonema do Coronel. 

A Linha é de Ferro 13ª

O mais difícil na actividade de um caçador de alicates são as esperas e a dureza da presa. Esperar debaixo de uma árvore, um imbondeiro, ou uma alfarrobeira, dependendo dos locais onde tenha sido denunciada a caça.
O caçador de alicates verdadeiro, é um profissional que leva tudo muito a sério e nunca descura nenhum dos pequenos pormenores que são necessários para executar uma boa peça e levá-la em boas condições de venda aos exigentes mercados de Londres, Tóquio ou de Nova Iorque.
O momento em que vislumbra a presa, carregando entre as tenazes, parafusos, pregos e arames, é com toda a certeza um verdadeiro inferno. É aqui que tudo se decide. Não há um segundo a perder e qualquer pequeno movimento por detrás da barricada onde o caçador fica camuflado, pode destruir o trabalho de várias semanas de procura, perseguição e preparação, espantando a caça para bem longe, o que obrigará a ter que recomeçar tudo de novo.
Toda a equipa está ansiosa. Foram sete semanas que passaram desde que os camiões com todo o equipamento, os engenheiros, os ajudantes de campo e os dois caçadores chegaram. A estes ainda se juntou o par de batedores, homens duros, habituados às dificuldades da região, dos seus acidentes e vicissitudes.
O Sol já começa a declinar. Se houver tempo, e parecer oportuno, ainda hoje um dos caçadores vai tentar lançar uma linha e capturar o primeiro alicate da campanha. Os olhos estão postos num ponto logo ali a 37 metros de distância.
Momentâneamente há um alvoroço quase imperceptível. Alguém irá tomar a decisão.


20.7.04

Dïcheme konkenan das, dirtiëi kemës

Bis jetzt habe kein e-mail von Ihnen bekonnen.
Bitte schiken mir Ihre telefonnummer wo ich Ihnen erreichen kann.
Danke fuer Ihre Freundlichkeit.

Posten conjunten von várius

Má posição (adenda)

Diálogo imaginário:
 
- Assuma a posição, cabo dobradiço!
- Sim, Sr. Ministro...
 

Má posição

Santana tem as Santanettes. Portas não quer ficar atrás e já tem os Dobradiços...

Má digestão

Lendo, vendo e ouvindo os mais recentes debates, desabafos e opiniões apercebi-me de um pormenor. O problema do Governo de Durão Barroso não foi má gestão. Foi indigestão...

Citemos, pois

«Esperava-se muito pouco de Santana Lopes? Pois bem, ele está a cumprir as expectativas.»
 
(João Miguel Tavares, in DN)
 

O regresso da Madre Superiora

Ai que saudades, que saudades, 'tá a ver? Quase um ano depois da primeira investida, a nossa mui cara e catita Sô Dona Paula Bobone volta ao ataque, plena de prosopopeia, ritmo no linguajar e um perfeito domínio da revienga conversadeira. Ora leia-se no «Inquérito de Verão» do DN de hoje:
 
«1. Qual a sua ideia de felicidade perfeita?
A minha maior felicidade seria ter talento.
 
2. Que talento gostaria mais de possuir?
Gostaria de ter talento para ser feliz.
 
3. Qual considera a sua maior realização?
A minha maior realização é de pouco ou nada me arrepender.
 
4. De que é que se arrepende mais na sua vida?
Arrependo-me quando me sinto realizada.
 
5. O que valoriza mais nos seus amigos?
Nos meus amigos valorizo a extravagância.
 
6. Qual é a sua maior extravagância?
Tenho a extravagância de valorizar os amigos.»
 
Quando fôr grande, também quero ser assim, como a Paula Bobone: talentoso, extravagante, estúpido que nem uma porta, convencido que nem um carapau de corrida, sei lá...
 

Coincidência

Esta semana, o Diário de Notícias está a disponibilizar um DVD de... Santana. O fundo da capa é... cor-de-laranja.
 

Só p'ra dizer...

...I'm back! Mas entretanto aqui pelo Armazém dos Blogs só vejo coisas novas e giras. Quanta alegria... Já dá para mudar mais facilmente o tipo de letra, o tamanho da dita e a sua cor, já podemos colocar imagens sem ter que andar à procura da cábula, já dá para

  1. numerar
  2. sem ter que
  3. escrever
  4. os números
e pôr

  • pontinhos
  • antes
  • da frase
e até já se justifica à vontade do freguês. 
 
Isto assim fica muito mais fácil. Perde metade da piada, mas é mais fácil. 

19.7.04

Carta de:

Lou Andreas-Salomé a Frieda von Bülow
 
Nas visões que nos oferecem os nossos sonhos solitários, experimentamos um elixir de amor no estado puro, o que constitui um perigo mortal; transposta para a realidade, a experiência não tardaria a esgotar-nos e a matar-nos, já que a vida só nos autoriza a conhecer elixires diluídos e com um menor grau de pureza. É por isso que deveríamos até congratular-nos com as decepções causadas pelo nosso amante, e que são tanto mais vivas quanto mais amarmos, quanto mais o nosso sentimento quiser impor um elixir mais forte. Nos momentos de harmonia perfeita, em que as duas partes realizam reciprocamente exactamente aquilo com que sonhavam,  tem-se por vezes o sentimento de que isso só pode durar um breve, muito breve lapso de tempo, pois se assim não fosse morreríamos. Todos nós vivemos, em certa medida, do confronto com realizações impossíveis ou parcelares. Porque todos nós, nos nossos desejos e nos nossos sonhos, somos portadores de poderes de criação e de destruição temíveis que escapam ao nosso controlo psíquico e que provavelmente necessitam sempre que as trivialidades e os acasos da vida lhes sirvam de contrapeso. Se um dia o homem viesse a aceder a tais dimensões, a uma sabedoria de tal modo infinita que deixaria de necessitar dessas trivialidades, a vida seria inteiramente nova e maravilhosa: seria a expressão do ser humano, seria em si mesma o seu próprio esplendor. Mas eu sou demasiado imbecil e cobarde para falar nisso - fundamentalmente, eu sou imensamente imbecil desde há muito tempo. Entretanto, amo-te e beijo-te com todo o coração,
Tua filha-Lou.
 
Stéphane Michaud, Lou Andreas-Salomé, tradução de: Teresa Curvelo, Edições ASA 2001

Oposição in utero

 

Um belo dia

Olá leitor,
 
Bem vindo ao país (se está noutro lado, sorte sua), onde finalmente podemos escrever
 
O primeiro-ministro, Santana Lopes, acompanhado do ministro de Estado, Paulo Portas, estiveram hoje na inauguração...
 
É bem bonito. Diga lá se não se sente mais confiante, mais tranquilo, mais triunfante?
É isso, leitor. Nada de análises políticas, feitas com agulhas de agendas escondidas. Encaremos o futuro com o mesmo fulgor que agora nos surge esta oportunidade única.
 
Acabou-se o stress. Viva a liberdade.

18.7.04

Poema de: idálio Juvino

Sentido-se bem no exílio o poeta jura que não há-de voltar tão cedo.
 
Meteram-nos violinos no Chopin
quem tinha cuidados com os rapazes,
para sair à noite a chupar ananazes,
andando por aí, inchado como uma rã.
 
Quem lhe pôs  o machado em assis
tão alto e de improviso, dizendo
mentiras falsas,  torpes e vis?
 
Não vou por esse cortejo
do país das mulheres falsas,
para andar a pé e de caranguejo,
caindo, perdendo as calças.
 
Eu, para não os mandar p’ró caralho,
descalço-me já dessas botas
e fico aqui mais um migalho.
 
Idálio Juvino,  A Coruña 2004

A Sujeição

"O Estado é sodomita e o sujeito é sempre passivo"
 
J. da Rocha Pedro - chefe de repartição, em "Memórias do Modelo 1516 para trabalhadores por conta de outrém", editora Paga-a-Pronto, 1999

17.7.04

Tuga Forever Sempre Toujours

Mais uma valente frechada da portuguesidade em particular, mas também da latinidade em geral, foi esta noite lançada a partir da Helvécia para os cinco cantos do mudo (perdão) do mundo.
Jogavam-se os momentos finais do jogo de treino entre o Carouge e o S.L.Benfica quando um espectador irrompe pelo campo relvado empunhando um cartaz. Prontamente placado por quatro de agentes de segurança estava em pleno processo de detenção, quando o luso público indignado, ao que pareceu, pelo uso de força excessivo invadiu defenitivamente o campo expulsando os agentes a pontapé.
Jogo terminado numa bonita confusão em que não faltou a exuberância da Europa meridional, também com o treinador do S.L.B., o italiano Trappatoni, a assinar autógrafos no meio da confusão.
Foi bonito. Do jogo não sabemos nada, eventualmente terá sido igual aos outros jogos treino que se fazem por esta altura do ano, mas com este momento final a apimentar a coisa, a proporcionar-nos um belo momento de diversão que é também testemunho da solidariedade lusitana.

Poema de: Maria Esther Maciel

PRESENÇA
 
a Altino Caixeta de Castro  

Não vim para ficar:
não sou senão minha possibilidade de volta
minha indizível presença
que se resvala
no espanto de ser

Vim 
provisoriamente
desafiar o século
amnistiar meu susto
traduzir no tempo
este absurdo de nós

Não cheguei tarde
porque tarde é para os incrédulos
e os fantasmas que não se vingaram em vida

E porque nem tudo está falado:
o mundo ainda é uma esfinge
que devora os mudos
e os simplesmente chegados.
 
Maria Esther Maciel, Dos Haveres do Corpo, Ed. Terra, 1984


Prestígio

"Eles que tomem os cargos de prestígio que quiserem. Oxalá não afundem e nos encham as costas com os seus detritos, e nos destruam o modo de vida, e nos enegreçam para sempre."
 
Idálio Juvino, de A Coruña, 07/04

16.7.04

Maori

Tatuar na cara
um mapa sereno
de viagens a tempo,
cuspir
a rota do vento.
 
Sob o baobab
inchados de chuva.
 
Óscar Machico, in «Anilhas no país das maravilhas», Edições Pastel de Nada, 1995
 

Transeunte

«Não posso deixar a minha casa sozinha»

Turismo de protesto

Os The Galarzas desejam expressar ao Sr. Primeiro Ministro em digitado, antes de mais, a sua mais veemente indignação perante a criação do novo Ministério do Turismo, a nomeação do Sr. dr. telmo Correia para alto executor do prestigiante, embora que certamente trabalhoso cargo.
Protestamos, não a competêntia do dito senhor, nem sequer o nosso distanciamento ideológico, até porque o nosso ideal era que quatro dos cinco grandes ganhassem o campeonato todos os anos.
Protestamos isso sim, pelo facto de no processo de formação deste ministério, não termos sido sequer consultados, ouvidos e levados em conta. Nós que tanto temos feito pelo turismo, também no estrangeiro, mas sobretudo nas pousadas, no campismo, nos hotéis, nos museus do país, Portugal. Nós insígnes frequentadores dos museus e bibliotecas nacionais; nós que desde tempos imemoriais, temos tratado de levar avante, (perdão!) para a frente, a cultura, os bons nomes das artes e da música aos lugares onde elas ainda não tinham estado desde, Vilarinho de Agrouchão até ao Porto Santo; nós que somos a imagem perfeita da simpatia e hospitalidade portuguesa que tanto encanta os visitantes de todas as divisas e cartões bancários; nós reconhecidos em toda a parte depois de termos passado lá uma primeira vez...
 
Sentimo-nos tristes, é bem verdade, mas o nosso olhar peremptório e confiante na direcção do futuro, a nossa presciência inabalável, diz-nos que não haverá muito que esperar, e que o Senhor Ministro do Turismo nos reserva ainda uma surpresa, que ele mesmo revelará em breve.
Os The  Galarzas estão prontos Senhor Ministro, para desempenhar as importante e difíceis funções para as quais, temos a certeza, vossa senhoria nos irá em breve convidar a ocupar.

Coisas de Galinhas

Não contribua mais para a extinção das espécies avícolas.
Coma Sucedâneo Sintético.
Sucedâneo Sintético, feito a partir de atoardas, conserva sempre o sabor primordial de um produto naturalmente desenvolvido, cujo segredo de composição é mantido desde a Idade Média pelos monges Escalavrados das altas montanhas da Provença.
Não aceite sucedâneos, prefira o autêntico Sucedâneo Sintético.

A origem do discurso ideológico de José Sócrates

Santana Lopes convida José Sócrates

Futuro ex-líder do PS deverá ocupar a pasta da Vacuidade e Lugares Comuns

Pacheco Pereira refugiado na embaixada da Argélia

 
«É o único local onde não deve haver interferência deste Governo», disse o ex-eurodeputado, que comunica com o mundo através de um blogue na internet e, sabem os The Galarzas, encomendou já uma cadeira igual à de Stephen Hawking para que, no programa de tv em que participa, os santanistas não oiçam a sua voz.
 
Manuel Alegre disponibilizou-se já para lhe dar o velho transmissor de rádio que usava no país de origem da embaixada.

Passeio

 
Frondosa vítima
Calhada em chão
Foste tu que
A medo
Compraste um cão?
 
Frondosa viuva
De seios fartos
Foste tu que
Lúbrica
Semeaste os factos?
 
Frondosa terra
Imensa cheia de mar
Foste tu que
A tempo
Te deixaste
Afundar?
 
Frondoso índio
De púbis arregaçado
Foste tu que
Do levante
Nos pegaste
Os chatos?
 
de Eustáquio Pinho, A Nau Ladies and Gentlemen, Corvo, 1995
 

15.7.04

A difícil decisão de Sampaio

Contrariamente ao que foi escrito e divulgado as opções do PR não eram entre convocar eleições antecipadas ou indigitar Santana como primeiro-ministro. Aliás, a primeira das opções referidas nem sequer chegou a ser colocada. Em primeiro lugar porque este PR, na senda de Carlos Queirós, quer ficar para a história como o Presidente Invisível. Em segundo lugar porque, como é do domínio público, Sampaio não grama o PS e não queria correr o risco de ter que comer com eles nos últimos dois anos de mandato. Por último, porque a sua cunhada gosta do Santana!
Então quais eram as difíceis opções que se colocavam ao nosso PR? Segundo fontanários bem informados junto da presidência Sampaio hesitava entre convidar para formar governo o Sr. Lopes, o Sr. Chen e o Sr. Cardinali. Ao que apuramos O Sr. Lopes era o único que efectivamente queria exercer o cargo e que não colocava qualquer tipo de exigências. O Sr. Chen exigia o congelamento dos jardins do palácio de Belém e que as reuniões do concelho de ministros se passassem a realizar no Jardim Zoológico. O Sr. Cardinali afirmou já não ter idade para palhaçadas e só aceitaria o cargo se o Farinelli, assim é conhecido Jorge Sampaio neste meio, se dispusesse a exercer o cargo de mestre de cerimónia nos próximos natais organizados pela família Cardinali.
Após longa ponderação e diversas consultas a escolha acabou por recair sobre o Sr. Lopes pela sua capacidade de entretenimento, riqueza das vestes e contorcionismo de carácter. Como mais tarde desabafou Sampaio; “the show must go on”! Traduzindo para português “eu quero é que isto se foda”!

Despacho interlúdico

Este Galarza vai trabalhar. Para o campo. Nos próximos dias, estarei num bulício bucólico, em silêncio político, retiro estrutural e fim-de-semana sabático. De caneta numa mão e saudades na outra. Porque o que tem que ser tem muita força e mugidos de vaca não pagam almoços.

Se me amam, deixem-me ir.

14.7.04

«Posso chamar-lhe Eneida?»

«Não teria aborrecido o leitor com o meu modelo de pensamento sobre a corrida do ponto de vista da psicologia do inconsciente, se este modelo não pudesse contribuir para explicar o facto de a prática do jogging constituir uma excelente terapia antidepressiva. Ocorreu-me pela primeira vez essa ideia em 1972, mas sem levantar no momento essa hipótese (para além de a comunicar ao professor Erwin Ringel, de Viena, o investigador do suicídio).»

Werner Sonntag, «Jogging, correr para manter a forma», Presença, 1982

Estação orbital

Dizer que o olho vazado tinha um aspecto dantesco será exorbitar?

Só nos saem duques

Como diria Franquin, é favor não confundir o País Real com Duques da Nação.

Piada fácil

Com Santana Lopes, o país vai ficar mais bem «Calafatado»...

Rui Calafate, assessor de imprensa de Santana Lopes e... enfim, é melhor ficarmos por aqui...

Nota interna versando assunto da mais grave actualidade

Belos e lindos irmãos, atentai cuidadosamente à Galarza caixa de correio...Já vos desteis conta de que ultimamente temos recebido algumas missivas de aqui há atrasado?
Pois, atentai nas datas das coisinhas que etão lá no princípio da fila. As mais recentes enviadas a 26/09/2002 por vários remetentes e a piéce de resistence enviada pelo cidadão Peter Nkosi a 12/01/1980 (doze de Janeiro de mil novecentos e oitenta). Tenho cá para mim que não são cartas dos nossos fãs.
Alguém quer arriscar a ter que comprar um novo aparelho só para ver qual é (são) o(s) vírus? Mil novecentos e oitenta? O cortina que mandou esta provavelmente não tinha ainda nascido, mas pronto 'tá bem.

Ouvido na rua...II

...Numa tabacaria:

-"Boa tarde minha senhora, tem revistas da pívia?
-Como?
-Tem revistas da pívia?
-Ah, não.
-Então pode a ser aquela New Look e a Photo."

13.7.04

Ouvido na rua...

...frente a um quiosque:

«Bom dia, tem revistas porcas, revistas porcas, porcas? Tem revistas porcas, tipo... tipo a Playboy, a Playboy? Tem a Playboy? E outras marcas? Tem de outras marcas? A Maximen? Revistas porcas... (...) Tem? Revistas porcas? Quero três. Três! Revistas porcas, nojentas. Sim, sim! Ranhosas! Tem revistas ranhosas?»

O meu Sonho .133

(Em resposta ao meu mui querido Quarto)

O meu sonho é que que as minhas decisões possam ser tomadas por mim e não por outros em meu nome nos bastidores.

O meu Sonho .132

O meu sonho é ser feliz a viver num almofariz.

Ainda agora

«Ainda agora, descia eu com umas postas de bacalhau pela rua das Flores, quando ouvi um índio. Fui a correr.»

Monsanto Guedes, 1937, sobre a necessidade

O sonho dele XXXIII

O sonho de Freud era ser um inconsciente.

Cores & Sabores

Recado para o esbelto irmão Quinto Galarza meu:

Ó pá, mas os governos fazem sempre política para as pessoas. Podes é não conhecer nenhuma das pessoas que são beneficiadas pela política, assim como eu não conheço, mas pronto pá, ao menos uma parte do teu sonho já está arrumadinha e não tens mais que te chatear com isso.

O meu Sonho .131

O meu sonho tinha um governo de todas as cores e fazia política para as pessoas.

12.7.04

Amargor

O JMF avisou, os The Galarzas foram ver e confirmaram: a demissão de Ferro já deixou ferrugem - o Canhoto também se demitiu, porque...

«Não me apetece exercer o direito de expressar a opinião a propósito de um país onde ela é vista como "dispendiosa e irrelevante", não me apetece falar sobre partidos em que não me revejo, nem comentar os dislates de um governo circense e muito menos expressar o desprezo que sinto pelo representante máximo da nação.»

Assim não vale. Assim não tem piada...

Inventar i u

jardim repleto de bombas atónitas
borboletas a cair que nem tordos
sacos de água jorrando da torneira
variações infindas duma asneira
tigres embalsamados em vitrines
Vanessas na cadeia das Mónicas
anorécticos que se julgam gordos
janelas a la fenêtre nas cuisines
aventais que já não voltam mais
colheres de pau para toda a obra

Óscar Machico, in «Alimárias de escabeche», Editorial Potassa, 1980

Mancheia

Uma
mancheia de nada
outra
de coisa nenhuma

vou indolente ao pinhal
apanhar
caruma

Óscar Machico, in «Gargarejo logo existo», Editorial Reumatismo, 1975

The Galarzas Comem CARNE



Nhô Quim perambula com seu cachorro pelo interior paulista, sonhando com duas coisas: encontrar uma noiva e comer carne de vaca. Ele conhece a jovem Carula numa aldeia que reza todos os dias para Santo António, pedindo que lhe arranje um marido. Para fisgar Quim, ela o engana dizendo que seu pai, Nhô Totó, possui um boi que será carneado no dia do casamento. Entretanto, antes de casar, Quim deve cumprir uma série de provas.

Ficha Técnica

Título Original: A Marvada Carne
Género: Comédia
Tempo de Duração: 77 min.
Ano de Lançamento (Brasil): 1985
Distribuição: Embrafilme
Direção: André Klotzel
Roteiro: André Klotzel e Carlos Alberto Soffredini
Produção: Cláudio Kahns, Tatu Filmes
Música: Rogário Duprat
Fotografia: Pedro Farkas
Desenho de Produção:
Direção de Arte: Adrian Cooper
Figurino: Maísa Guimarães
Edição: Alain Fresnot Elenco

Adilson Barros
Fernanda Torres
Dionísio Azevedo
Geny Prado
Regina Casé
Lucélia Machiavelli
Paco Sanchez
Henrique Lisboa
Chiquinho Brandão
Tonico
Tinoco

Aviso: O texto que acima se publica foi afanado de outro sáiter. Para quem queira saber mais acerca deste delicioso (já provámos aqui há atrasado) filme é só escrever no motor que a informação aparece quase tão depressa como a pornografia no E-mail.

O sonho dele XXXII

O sonho de Napoleão Bonaparte era ter um sítio mais vistoso para enfiar a mão desocupada.

Asneiras Avulsas

Quarto em recessão mental, enquanto a União Europeia não começar a nova retoma, propõe uma variada gama de...

Asneiras Avulsas Para Toda a Família

Livros de Verão Para:
o jornalista Luís Osório - "Inventem-se novas primeiras páginas"
o novel Primeiro Ministro, Santana Lopes - nenhum, ele não precisa
ao próximo secretário geral do Partido Socialista - "Super Album Confissões Íntimas, 294 páginas", Palmeira Editora e Edifumeto, Milano

Para já não aconselhamos mais nada a não ser fugir do calor, dos impostos e da congruência.
Que se lixem a praia, as gajas boas e os gajos bons a mostrar os bifídos activos e o corpinho a pedir cancro da pele. Toca a comer mousse de chocolate, alguns doces conventuais, batatinhas fritas enquanto são novas, com carne assada; a grande carne assada que veio de avião e pousou na Tap Erware. Está ainda estacionada lá em baixo no arrefexedor de materiais.

Traí o meu amante. Comprei droga num fornecedor estrangeiro; estava a 500 paus, não resisto a preços destes.
Fico à espera que alguém me queira vender uma casa em Lisboa por 500 contos. Só aceito propostas depois das três da tarde até às cinco.

Poema de Pablo Neruda...

...no centenário da sua vida:

Pablo Neruda (1904 - 1973)

XXXI

A quién le puedo preguntar
qué vine a hacer en este mundo?

Por qué me muevo sin querer,
por qué no puedo estar inmóvil?

Por qué voy rodando sin ruedas,
volando sin alas ni plumas,

y qué me dio por transmigrar
si viven en Chile mis huesos?

in Libro de las Preguntas, Buenos Aires, 1974 (edição póstuma)

Right Wing Horror Government Show




Frank:
How d'you do, I
See you've met my
Faithful handyman.
He's just a little brought down
Because when you knocked
He thought you were the candy man.
Don't get strung out by the way I look.
Don't judge a book by its cover.
I'm not much of a man by the light of day
But by night I'm one hell of a lover.
I'm just a sweet transvestite
>From Transexual, Transylvania.
Let me show you around
Maybe play you a sound.
You look like you're both pretty groovy.
Or if you want something visual
That's not too abysmal,
We could take in an old Steve Reeves movie.

Brad:
I'm glad we caught you at home,
Could we use your phone?
We're both in a bit of a hurry.

Janet:
Right.

Brad:
We'll just say where we are,
Then go back to the car.
We don't want to be any worry.

Frank:
Well you got with a flat, well, how `bout that?
Well, babies, don't you panic.
By the light of the night it'll all seem alright.
I'll get you a satanic mechanic.
I'm just a sweet transvestite
>From Transexual, Transylvania.
Why don't you stay for the night? (Night)
Or maybe a bite? (Bite)
I could show you my favourite obsession.
I've been making a man
With blond hair and a tan
And he's good for relieving my... ...tension
I'm just a sweet transvestite
>From Transexual, Transylvania.
HIT IT, HIT IT!
I'm just a sweet transvestite. (Sweet transvestite)
Sweet transvestite
From Transexual, Transylvania.

So - come up to the lab,
And see what's on the slab.
I see you shiver with anticipation.
But maybe the rain
Isn't really to blame.
So I'll remove the cause.
But not the symptom.

The Galarzas congratulam-se pela criatividade de Richard O'Brian ter finalmente chegado a um país, sob a forma de governo

11.7.04

A Linha é de Ferro 12ª

Joel tinha um estigma muito peculiar. Ao fim da tarde, aparecia-lhe gravada no braço direito a sombra de uma frase que se lia: "Quebrar em caso de emergência". Esta marca surgira-lhe um dia a meio do percurso da carreira 56, quando o sol incendiário de verão o apanhara, projectando-lhe no braço a frase escrita no vidro da janela do carro colectivo.
Se alguém lhe chamava a atenção para a coisa esquisita que o acompanhava, sorria e deixava sair uma palavra de agradecimento, enquanto esclarecia aos curiosos e também aos que de facto estavam preocupados, que "não era nada, nem sequer doía. Pois, então se não haviam coisas mais estranhas com que se preocupassem?"
Dizia que nunca tinha estado em tão boa forma, a sombra era só uma companhia inesperada. Mas agora que passava os fins de dia com ela, gostava de a encontrar a sós e de falar com ela, como quem confidencia as suas coisas mais pessoais a um amigo, como se fosse um bicho de estimação, ao qual dedicasse todos os dias um momento para fazer festas e brincadeiras.
Ainda assim, sentia que algumas pessoas ficavam mesmo perturbadas com a sua improvável sombra, então dizia que "Isto ainda havia de dar para um prémio do Livro do Guiness
pela sombra mais invulgar do mundo".

Poema de: William Blake



The Tyger

Tyger! Tyger! burning bright
In the forest of the night
What immortal hand or eye
Could frame thy fearful symmetry?

In what distant deeps or skies
Burnt the fire of thine eyes?
On what wings dare he aspire?
What the hand dare seize the fire?

And What shoulder, and what art,
Could twist the sinews of thy heart?
And when thy heart began to beat,
What dread hand? and what dread feet?

What the hammer? what the chain?
In what furnace was thy brain?
What the anvil? what dread grasp
Dare its deadly terrors clasp?

When the stars threw down their spears,
And watered heaven with their tears,
Did he smile his work to see?
Did he who made the lamb make thee?

Tyger! Tyger! burning bright
In the forests of the night,
What immortal hand or eye
Dare frame thy fearful symmetry?

Poema de Mestre Nestor Alvito

Sem Dias

A poesia morreu
Desceu triste numa lenta madrugada

A face foi-se
Fechou-se enfim numa tarde descansada

O coração parou
Bateu mais forte numa última chamada

A vida perdeu
Ficou à solta, meio louca enjaulada

Sem poetas para tecer uma cantada
Sem dias para contar à desgarrada
Sem futuro para escrever esta cartada

(inédito de Mestre Nestor Alvito - regressado do exílio literário por via das nuvens negras se avizinham - em homenagem a Sophia, Henrique e Maria de Lurdes)

Epitáfio de esguelha

A Maria de Lurdes Pintassilgo,
Ex-Primeira-Ministra,
Sem dias.

10.7.04

A morte saiu à rua


Abrantes, 1930 - Lisboa, 2004

Do sentimento trágico da vida

Não há revolta no homem
que se revolta calçado.
O que nele se revolta
é apenas um bocado
que dentro fica agarrado
à tábua da teoria.

Aquilo que nele mente
e parte em filosofia
é porventura a semente
do fruto que nele nasce
e a sede não lhe alivia.

Revolta é ter-se nascido
sem descobrir o sentido
do que nos há-de matar.

Rebeldia é o que põe
na nossa mão um punhal
para vibrar naquela morte
que nos mata devagar.

E só depois de informado
só depois de esclarecido
rebelde nu e deitado
ironia de saber
o que só então se sabe
e não se pode contar.

Natália Correia


Maria de Lurdes Pintasilgo morreu. Ontem. De madrugada. O corpo da mulher que chefiou o V Governo Constitucional vai para uma capela na Basílica da Estrela a partir das 16:00 deste sábado, 10 de Julho.

Centro de documentação 25 de Abril

Nos tempos em que fizemos as malas

(c) edward hopper

No dia em que a mala ficou pronta entregaram um folheto de publicidade com descontos nos fatos de banho e num leitor de DVD com marca ilegível, composta por sete vogais e três consoantes, o teu pai colecionou os selos do Record e acabou por adquirir uma magnífica enciclopédia onde a jugoslávia ainda vinha inteira, a minha irmã tinha casado não faz um mês e o gajo que casou com ela veio ao pé de nós, sorriu e disse
a isabel está grávida
e sorriu outra vez e abriu uma garrafa, mas eu continuava a ouvir
a isabel está grávida
e a pensar nele, ele estaria o quê?, doente?, imortal?, cansado?
a isabel está grávida
e quando saimos de casa, com o miúdo ao colo, o cão a saltar, uma vizinha a oferecer ajuda, ainda viamos na televisão ligada um homem de cabelo branco a dizer que era o garante da democracia e que os tinha debaixo de olho e
a isabel está grávida
e ele ali com aquele sorriso de quem a emprenhou mas agora o problema é dela, e o homem de cabelo branco a dizer que não perdoaria falhas, e eu, na minha cabeça, de repente ouvi o ruben, ou como se chama o marido da minha irmã a dizer
o homem de cabelo branco engravidou-nos,
o que explicaria muita coisa

Diálogo Belém - São Bento



- Não asneires, senão mato-te.
- Não mates, senão ganho.

País CPU

Desde esta noite, Portugal é o país spam. Santana e Portas são trojões que se infiltram. O populismo um vírus. A esquerda um ficheiro comprimido. O Sampaio o sistema operativo que "crashou".

Na velha anedota informática, só resta uma solução: deitar abaixo e voltar a ligar.

Aviso Intorno

Especialmente dedicado ao Quinto Galarza, que está em correio de voz.

HOJE -GRANDIOSA REUNIÃO- HOJE

Sede Mundial dos
THE GALARZAS

Hoje - Sábado, 10 de Julho

Grandes atracções
POESIA
MÚSICA
MORFES
VENENO
ANÁLISE

9.7.04

Obrigado, Sr. Presidente

Por nos fazer acreditar que, apesar de tudo, os quase 60% de portugueses que não votaram nas últimas eleições é que tinham razão. Por decidir que decidir por nós é que é correcto, por isso não vale a pena a gente preocupar-se. Por nos dizer «vão lá para a praia amanhã, que a gente trata disto entre nós». Por me dizer que afinal não tinha valido a pena eu levantar-me cedo para ir votar, porque a maioria amanha-se sem o meu voto. Por ter ouvido os portugueses: se ganhou a abstenção, o povo que se abstenha desta decisão.

Eu não me abstive, Sr. Presidente. E também ia ter gostado de não me abster desta vez. Mas agora, depois de tanta prosopopeia e apelo contra a abstenção, é o Sr. Presidente e a maioria PPD/PSD+CDS/PP que apregoam a mais descarada abstenção.

Obrigado Sr. Presidente por nos confirmar que, realmente, GANHOU A ABSTENÇÃO!

Já o tínhamos previsto, mas agora é que é:

IRMÃOS PEDRO & PAULO, PORTUGAL S.A.
VENDE-SE PAÍS

Momento de Educação e Cultura

Banana: A - s.f. fruto (bacáceo) muito nutritivo e apreciado, produzido pelas bananeiras; ficha eléctrica individual. B - s.m. [fig.]pessoa sem energia; indolente; palerma. C - adj. 2 gén. molengão; palerma (do ar. banána, "dedo").

Tímido: A - adj. que carece de segurança, de confiança em si; acanhado; medroso. B - s.m. indivíduo acanhado (Do lat. timido, "id").

pusilânime adj. e s 2 gén. que ou a pessoa que tem ânimo fraco; tímido; cobarde (Do lat. pusillanime-, "id.")

in Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora, 8º Edição

P.S.: A minha avó, que era analfabeta mas não era tonta, acrescentaria outro significado para estas duas palavras: «Cona-de-Unto».

O Reino da Fantasia

O Senhor Presidente da República diz que continua a exercer a sua função de acordo com os princípios pelos quais foi eleito. Desculpe, Sr. Presidente, eu percebi mal, pensei que fosse aquilo da Democracia, do Socialismo, aquela coisada toda. Mas se, afinal, agora, a sua grande preocupação era manter a política do governo de direita, desculpe, fui eu que percebi mal quando ajudei a elegê-lo... Senhor Presidente, importa-se de me devolver o voto que eu lhe dei? Foi mesmo engano meu!

O sonho dele XXXI

O sonho de Santana Lopes era ter uma maioria, um governo, um presidente. JÁ TEM!

Parece que Ferro se vai

Ah pois! Andam para aí a dizer que o Ferro Rodrigues, não tarda uma hora, vai bater com a porta. A palhaçada, assim, não tem meio de acabar.

Desilusão Antecipada

Os The Galarzas souberam há uma hora e coisa, de fonte inquinada, que o Residente da República se prepara para atirar o Santana e o Portas para o poleiro.

Os The Galarzas aplaudem a decisão. É que há muito sabemos que moramos em Portugal. Líricos são os outros.

Beijos.

Então é esse o truque!

Os The Galarzas descobriram mais uma grande conspiração para toldar a mente dos portugueses e fazê-los esquecer a Cabala Maior. Depois do futebol, o álcool! A prova aí está, em anúncios de jornal que convidam:

«No Dia do Vinho, domingo, 11 de Julho, visite uma adega, quinta ou garrafeira. Peça um vinho, espumante, um branco, um rosado ou um tinto e faça uma saúde à vida.»

Como se fosse preciso um anúncio para os portugueses irem beber vinho...

Depois do Euro 2004...

...(e do RoboCup 2004) aí está o Euro Vespa 2004.

Perigo no mail dos The Galarzas

O he-male dos The Galarzas foi recentemente alvo de um atentado terrível e fatal, perpetrado por um bem conhecido anónimo. O teor da e-missiva não pode ser aqui revelado, tendo em conta a sua perigosidade. Tudo o que podemos revelar - para que vós, nossos mui queridos e ex-timados leitores, possam avaliar o nível de terror inerente à carta - é o seu subject:

«Concurso no Colombo cancelado! STOP! Vai-se proceder à sua transferência para outro local! STOP! NOTÍCIAS FRESCAS NA PRÓXIMA SEMANA! SALSA FOREVER! STOP!»

...e a forma rompante como amedrontavam logo a abrir, com um chocante «OLÁ BAILONAUTAS!», só para terminar com um muito suspeito e tenebroso «SALSA CON FUEGO! Até já ou lá, ou até à próxima dança».

Mais do que isto, caríssimos e louvados e-leitores, é-nos impossível citar, tal o medo e a angústia provocados.

Jornal diário plagia The Galarzas

Um conhecido jornal diário português traz hoje em destaque uma proposta para o elenco do possível governo de Santana Lopes. Foi com estupefação que, esta manhã, os The Galarzas deram de caras com este disparate. Estupefação justificada pelo simples facto dos The Galarzas terem já aqui publicado proposta não só semelhante como também parecida e até idêntica. Aliás, quase igual, tirando alguns pormenores de somenos importância, que se devem, decerto, a uma tentativa de disfarçar o plágio.

Este jornal alinha na pista os nomes de Cinha Jardim (Ministra Adjunta), Elsa Raposo (Finanças), Pimpinha Jardim (Defesa), Lili Caneças (Cidades, Ordenamento do Território e Ambiente), Betty Grafstein (Negócios Estrangeiros), Margarida Prieto (Educação) e Marisa Cruz (Cultura) - proposta abusivamente aproximada da anunciada pelos The Galarzas logo a 25 de Junho.

Apesar das distintas diferenças, os The Galarzas não têm pejo em acusar este conhecido matutino de expropriação de ideias e roubo de pensamentos (e até mesmo de espionagem profissional). Em breve, serão activados os meios necessários para a reposição da verdade e do bom nome desta beluga. Ou então cagamos para o assunto e rimo-nos todos juntos...

8.7.04

«A cozinha fecha às 4»

-Guten morgen, Herr President.
-Assim espero, Heinz, assim espero.
-Was ist das, Herr President? Estárr abatidu...
-Passei mal a noite, caro Heinz, pesadelos horríveis. Sonhei que um cherne saltava da grelha e me abocanhava o nariz.
-Mein Gott! Ein cherrne?
-Sim, Heinz, e eu ficava todo nu no relvado, no grelhador à minha frente o ferro arrefecia, e eu ali em pelota com os vizinhos a espreitar pelas sebes contendo o riso.
-Ach, Herr President, fénha comerr o péquenalmosso, fai fer que se sente mélhorr.
-Excelente ideia, Heinz.
-Tomei a liberrdade de prreparrar um gaspacho. Para decidir com frrieza, Herr President.

Sampaio responde com a Carta de Paulo aos Coríntios

O Presidente da República enviou ou há-de enviar para os jornais uma resposta à argumentação escrita do CDS, baseada em escritos do líder Portas, na conhecida "Carta de Paulo aos Coríntios".

Na violenta réplica, Sampaio lembra que Paulo escreveu: "32 Em tudo quanto vocês fizerem, eu quero que estejam livres de preocupação. Um homem solteiro pode despender seu tempo realizando a obra de Deus e pensando no modo de agradá-Lo. 33 Mas um homem casado não pode fazer isso tão bem; ele precisa pensar em suas responsabilidades aqui na terra e em como agradar a esposa".
Neste ponto o Presidente remete para as palavras de Paulo que, uma vez casado, tem mais que fazer do que os solteiros e, note-se, "ele precisa pensar em suas responsabilidades aqui na terra".

Mais à frente, lê-se no comunicado de Belém: «Diz Paulo: «10 Irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo suplico a todos que concordem uns com os outros no que falam, para que não haja divisões entre vós e, sim, que todos estejam unidos num só pensamento e num só parecer». A Presidência da República considera que ainda não viu sinais claros de que todos os líderes partidários estejam de acordo sobre eleições antecipadas ou a continuação de um governo da actual maioria, o que vai contra o defendido por Paulo".

O violento documento caiu ou cairá mal nas hostes do Largo do Caldas.

7.7.04

Obra Homónima de Anónimo

Enquanto o país espera, airoso, pelo início dos Jogos Olímpicos daquele país irritante, onde os mais firmes atletas nacionais irão levantar tão alto quanto conseguirem o estandarte nacional; enquanto não vem o primeiro jogo de qualificação para o Mundial de 2006; enquanto, ansiosos,aguardamos que Sua Excelência o Senhor Presidente da República decida se vamos a votos, ou não, para ajudar à moralização do povo português os The Galarzas Apresentam:

Grandioso Espetáculo Musical

OBRA HOMÓNIMA
de
ANÓNIMO


Direcção:
Maestro - Jorge Sampaio

Solistas:
Marcelo Rebelo de Sousa - Ferrinhos
João Mota Amaral - Castrati
Francisco Pinto Balsemão - Piano
António Capucho - Três tenores
António Guterres - Viola flamenga, acompanhado à voz por:
Ferro Rodrigues, da famosa casa de criadores de sapos
Pedro Santana Lopes - Violino, interpreta "As Quatro Estações" de Machado de Assis

Elenco:

José Luis Arnaut - Gaita-de-foles
Narciso Miranda - Concertina
António Vitorino - Harpa
Marques Mendes - Alaúde
Carlos Carvalhas - Realejo
Francisco Louçã - Clarinete
Miguel Portas - Saxofone
Fernando Rosas - Contrabaixo
Luís Fazenda - Oboé
Paulo Portas - Didgeridoo
João Soares - Trombone
Narana Coissaró - Cítara
Telmo correia - Pratos
Odete Santos - Reco-reco
António Costa - Sopra e não sai som
Manuela Ferreira Leite - Trompete
Alberto João Jardim - Cravo
João Cravinho - Castanholas
Almeida Santos - Guitarra Portuguesa, versão coimbrã
Cavaco Silva - Viola
Mário Soares - Sintetizadores, Samplers
Dias Loureiro - Harmónica
Garcia Pereira - Toca-e-foge
Manuel Maria Carrilho - Flauta de Pã
Morais Sarmento - Ocarina
luís Nobre Guedes - Fagote
Durão Barroso - Cavaquinho
Guilherme Silva - Viola de Gamba
António Saleiro - Guitarra Campaniça
Leonor Beleza - Xilofone
Vera Jardim - Violoncelo
Rui Rio - Roca
Celeste Cardona - Pandeireta
Isaltino Morais - Timbalão
Fátima Felgueiras* - Tímbalo
Eurico de Melo - Adufe
Jaime Gama - Fender Stratocaster
Jerónimo de Sousa - Serra eléctrica

Coro da Bancada Central da Assembleia da República


Produção - The Galarzas
Realização, Encenação - Sete Solas e Cinco Gajos

*(regressada de tournée internacional)



Weapons of Mass Destruction...

...ou, em bom português, Armas de Destruição de Massas.

PPPP (Projectos Para um País Porreiro)

Os turistas já se mostram interessados em voltar cá (nove em cada dez, dizem os cartapázios mandados colocar em Lisboa pelo senhor Lopes).

Agora que o Euro se foi e os euros também, há que apostar em novas atracções. Segundo o irmão Nónó, encontram-se em fase ascendente os Jardins Suspensos da Trafaria, a Mesquita do Cacém pode vir a fazer inveja aos sauditas e o Túnel Elevatório de Ranholas será tudo menos ranhoso.

Mas não chega.

Porque não uma Marquise de Pombal com o maior estendal de roupa da Europa?

Porque não um Convento Com Vento (talvez o Mosteiro dos Jerónimos possa ser adaptado para o efeito) onde os maiores fabricantes de automóveis venham testar a aerodinâmica dos seus protótipos?

Porque não uma torre de clérigos de carne e osso digna de actuar nos mais conceituados circos?

Porque não geminar Braga com Praga, e ver ambas por um canudo?

Ferreira Leite dá estocada no défice!

A Primeira-Ministra interina continua a sua cruzada contra o défice. Desta vez, numa medida sem precedentes, resolveu atacar em duas frentes aliando ao primeiro desígnio o combate à droga. Na senda do estrondoso sucesso da campanha «FUMAR MATA», presente em todos os maços de tabaco, a Dama de Liga Leve – como já é conhecida – pretende nacionalizar o narcotráfico. Numa primeira fase esta medida apenas irá abranger a heroína e a cocaína, que passarão a ser comercializadas em estabelecimentos oficiais designados para o efeito. As referidas drogas serão sujeitas a um imposto semelhante ao aplicado ao tabaco o que fará elevar o seu preço a patamares quase inalcançáveis. Pelas contas da ministra uma dose diária passará a custar o equivalente a arrumar 300 carros. Nos célebres “panfletos” passarão a contar as seguintes mensagens; «PICAR PODE SER FATAL», «SNIFAR AGRAVA A RINITE» e a mais dura, da autoria de Macário Correia, «UM CHUTO POR DIA É O QUE TU PRECISAS NO CU». A título experimental já se encontram a circular em alguns ministérios as placas «Cavalo só ao balcão» e «A Branca é paga no acto da entrega». Por fim, segundo fontes próximas da ministra, se as receitas extraordinárias obtidas com esta medida ultrapassarem as expectativas, para além do combate ao défice, já estão na calha alguns investimentos com vista à retoma: os Jardins Suspensos da Trafaria, a Mesquita do Cacém e o Túnel Elevatório de Ranholas.

Equívocos

O trangalhadanças que toma conta dos aparelhos na casa mãe às vezes enfia-me estes barretes. De modo que esta noite esta porcaria trabalhou um bocado mal cá para o meu lado, sendo que a mesma posta que para mim ainda estava crua, para o e-leitor provavelmente já estava estragada e a definhar no prato. Isto vai mal. Em verdade vos digo que não é mentira, mas simplesmente um equívoco, que maliciosamente me foi imposto, pelo que não tenho gratificações a apresentar.

Valência

“Prefiro não alimentar com coprofagias estéreis e insensatas toda a questão presidencial acerca da nomeação do novo governo. Os rancores entre as diversas cores têm debotado, quanto a mim, em sensações profundamente rasas de competência e de boa vontade. A complacência não pode ser um prazer nem uma profissão de fé. Guardem-se os papéis para secar o rasto dos bordões desnecessáriamente desfraldados em nome da dicotomia poder/povo, e das dialéticas que nos falam em movimentos impalpáveis, irrealizáveis, obtusos e no fundo chatos como a tia-avó a fazer sala, na hora em que queremos é namorar com a melhor miúda do bairro deitados no sofá. O nosso objectivo não é o fim, mas temos presente toda a nossa valência.”

Alcalá Jedente, Madrid, 1933

6.7.04

Nova máxima de Sampaio

«Choro, logo existo.»

De volta à normalidade!

Ok! Assim sim. Já estava farto de me sentir o melhor do mundo... A derrota com a Grécia trouxe-nos de volta a casa. Ah doce depressão, as saudades que eu já tinha da minha mediocridadezinha! É bom voltar a ser uma merda, poder ter o Lopes como primeiro. É disto que eu gosto em ti Portugal, és um país montanha russa.

Sonda Cassini encontra Pacheco Pereira


A estampa que acima se reproduz foi enviada através do espaço profundo e mostra, pela primeira vez, a verdadeira morada de José Pacheco Pereira (mancha branca, em baixo, resultado do reflexo da já fraca luz solar na barba de Pacheco).

Os cientistas há muito procuravam a sua verdadeira localização, uma vez que há anos ninguém o vê em carne e osso. Alvitrou-se mesmo que Pacheco Pereira fosse a versão masculina de Ananova. Agora, revolucionária fotografia, confirma: José Pacheco Pereira estã em Titã, lua de Saturno, onde representará a UNESCO durante os próximos tempos.

Antes, passou quatro mandatos em Ganimedes, lua de Júpiter, como deputado europeu junto das comunidades gasosas. Em Portugal há quem reclame o seu regresso, para que as novas gerações - anteriores aos dias em que Pacheco aparecia em público - possam ver este ícone que tem tanto de Marx no físico como de Cavaco no intelecto. A sua ausência levou mesmo Santana Lopes a desabafar: "Pobre país, o nosso".

Scolari ajuda Judite de Sousa

No final da primeira parte da entrevista com Santana Lopes, feita ontem à noite nos estúdios de Chelas, o novo presidente do PSD ganhava por 3-0 a Judite de Sousa, tendo atacado bem pela ala direita e central e apanhando à toa a entrevistadora.

Os The Galarzas estão em condições de avançar que, no intervalo, Luiz Filipe Scolari, presente nos estúdios, fez algumas substituições, levando a que a entrevistadora que mais vezes foge às perguntas, apesar das boas respostas dos entrevistados, tivesse sucesso.

Assim, ao intervalo, as substituições:

1. Saiu OLHAR VAGO DE JUDITE e entrou OLHAR DE PACHECO QUANDO É ABRUPTO.

2. Saiu TENHO UNS SAPATOS DE SALTO QUE SE PODEM VER QUANDO O PLANO É ABERTO e entrou TENHO UMA CÁBULA NA MÃO ESQUERDA PARA NÃO ME ESQUECER DO QUE PERGUNTEI.

3. Já no final da segunda parte, Scolari fez entrar DIZ LÁ QUE ÉS UM DANDY, em substituição de SAIS MAIS NAS REVISTAS COR-DE-ROSA DO QUE EU.

O resultado foi um estrondoso 4-3, vitória de Judite, com Santana no tapete, a dizer algaraviadas sozinho e lugares comuns.

Vai um copinho?

Nós não queremos ser acusados de promover más condutas e comportamentos desviantes mas não há como impedir a propagação da coisa... Primeiro foi a revista côr-de-cânhamo, agora é esta bebida refrescante de sabor a natureza:

Vai um copinho de Cannabis Vodka?

Ah, como é bonito o engenho que faz arte...

Pois sim, Pim!

Destas Terras vastas veio um saravá simpático e uma bela prenda. Fossem todos os amigos assim...

5.7.04

Poema de: Teixeira de Pascoaes

O Doido e a Morte

- III -

E o Doido viu a Morte e o seu eterno
Riso esculpido em mármore de sarcasmo
Ocultar-se na branca e fria névoa,
Que, ao receber no seio aquele espectro,
Como que cheia de água, escureceu.

E assim cantou aos montes acordados:

"Tive nos braços a Morte;
Tu bem viste,
Noite triste!
E viu-nos o luar e o vento norte...

"Tive a morte nos braços, que alegria!
Que loucura!
Nas trevas, encontrei a luz do dia,
Nas pedras a ternura.

"E ri, de noite; e o meu riso
Na sombra do ar chorava...
E tudo abria os olhos e falava...
A noite é como o dia do juízo!

"Vi mortos ressurgidos,
Mostrando a carne em flor sobre o esqueleto,
Quando o frio crepúsculo se espalha
E a dor que anda no céu a terra orvalha,
E os mochos piam nos pinhais transidos
De terror secreto.

"E eu ri, de noite. E fiz mais:
Bebi o riso na origem,
Nesses lábios espectrais
Da morte virgem!
Vi o riso verdadeiro,
O riso desmascarado;
Não esse riso amortalhado
Em nevoeiro...

"E vi o fundo ao riso. A minha dor
Tocou-lhe o fundo. E vi de perto então
A sombra inicial da criação,
A luz final do Amor!

"E ri, na escura noite! E à luz da aurora,
Como estrelinha de oiro, o riso treme,
Empalidece e geme
E chora...

"Manhã cinzenta e baça!
Que tristeza!
Como perdem os campos a beleza:
A penumbra que os veste, e é sonho e graça.

"Adeus, ó morte, velha irmã
Do outono! Ó desencanto da manhã!
Ó sol! Ó sol! Aparições do ruído
E do tumulto humano desmedido!

"Roubou-me o claro do dia o que me trouxe
A noite, a solidão, a luz do luar....
E a morte, que em meus braços foi donzela
e corpo de beijar,
Pega na férrrea fouce,
Salta, ligeira e alegre à dura sela
E vai ceifar, ceifar!"

E enquanto o Doido, ao vento, assim cantava,
Trotava a Morte ao longo do planalto,
Na meia luz, na meia realidade...
E a sombra da sua Fouce, em negra curva,
Ia da aurora ao poente; e a do seu vulto
Parecia manchar toda a paisagem.

A Linha é de Ferro 11ª

Rompiam-se-lhe os olhos num lacrimejar quase imperceptível. Era um choro de uma raiva sem sentido, sem um objecto sobre o qual pudesse lançar a violência dos actos ou das palavras. Uma linha de um fio fino estrangulava-lhe o descanso e a vigília com uma força de ferro.
Não suportava ouvir a sua própria voz e procurava refugiar-se nos sons alheios. Cada pensamento lhe fazia estremecer as cordas vocais num discurso de pavor a cada palavra mais estridente, a cada sílaba mais dura, lacerante, incomportável.

Primeiro achou que se pudesse ouvir só os sons alheios, encontraria um paliativo seguro para, apesar de tudo, conseguir viver uma aparência de normalidade, invisível entre os invisíveis das ruas da cidade roída da beira-mar. Depois, ouvia as vozes dos outros e foi como se a sua voz continuasse a cortar como lâminas cirúrgicas pelos pontos nevrálgicos, pelas regiões cerebrais por onde mais o afligiam as dores. Calou-se e tentou deixar de ouvir.

A normal idade

E hoje o país regressa ao normal. O Primeiro-Ministro demite-se. O Presidente almoça com jogadores de futebol. Os médicos fazem greve. Os incêndios continuam. Nas praças, restos de bandeiras de vários países confundem-se com os bêbados ainda dormentes... Enfim, tudo normal.

4.7.04

É o destino

Não podia acabar de outra forma um Euro que teve como tenente um ministro chamado Sócrates...

Aquele abraço

O desalento
A contento
Entra agora nas portas
E postigos
Choram lusos,
Todos Figos,
Vão de pranto
Bradam bosta
Costinha, Maniche
Rui Costa;
Na linha lateral
Com a bandeira
Já fraldada,
Olha sem perdão
Portugal,
Mátria violada.
Felizmente evitámos
Com galhardia enfastiada
Uma maior cabazada.
Mas as santas dirão
Se amanhã não volta
C'oa força das naus e das ondas
A grande depressão.

de Eustáquio Pinho, Sal Temos, Bucareste, 2004

O meu Sonho .130

O meu Sonho é assado no forno com bacon, batatinhas pequenas, e é servido com tinto da Quinta do Falcão.

Sou muito bom

Congratulations, Quarto!
Your IQ score is 126

This number is based on a scientific formula that compares how many questions you answered correctly on the Classic IQ Test relative to others.

Your Intellectual Type is Insightful Linguist. This means you are highly intelligent and have the natural fluency of a writer and the visual and spatial strengths of an artist. Those skills contribute to your creative and expressive mind. And that's just some of what we know about you from your test results.


Quem diz isto são os senhores do tickle, que são uns grandes cientistas e sabem-na toda. Eu acredito no tickle.

The Final contdown

Faltam 5 horas e pouco para começar o sofrimento.

Top perna

Eleitas as melhores pernas do ano. Eis o resultado:

Top 10 Gaijas:


1 Kylie Minogue
2 Cameron Diaz
3 Jennifer Ellison
4 Nicole Kidman
5 Anna Kournikova
6 Naomi Campbell
7 Kate Moss
8 Victoria Beckham
9 Tara Palmer-Tomkinson
10 Jodie Kidd

Top 10 Gaijos:


1 David Beckham
2 Brad Pitt
3 Johnny Wilkinson
4 Tim Henman
5 Orlando Bloom
6 Peter Andre
7 Jude Law
8 Leyton Hewitt
9 Peter Phillips
10 Ian Thorpe

Toda a explicação

É lê-lo, faz favor.

Aviso

"Timeo Danaos et dona ferentes."

Laocoonte aos troianos...E tinha toda a razão.

Virgílio, "A Eneida"

Agora é com eles!


Poema de: Dylan Thomas

A process in the weather of the heart

A process in the weather of the heart
Turns damp to dry; the golden shot
Storms in the freezing tomb.
A weather in the quarter of the veins
Turns night to day; blood in their suns
Lights up the living worm.

A process in the eye forwarns
the bones of blindness; and the womb
Drives in a death as life leaks out.

A darkness in the weather of the eye
Is half its light; the fathomed sea
Breaks on unangled land.
The seed that makes a forest of the loin
Forks half its fruit; and half drops down,
Slow in a sleeping wind.

A weather in the flesh and bone
Is damp and dry; the quick and dead
Move like two ghosts before the eye.

A process in the weather of the world
Turns ghost to ghost; each mothered child
Sits in their double shade.
A process blows the moon into the sun,
Pulls down the shabby curtains of the skin;
And the heart gives up its dead.

3.7.04

Epitáfio II

«The only thing an actor owes his public is not to bore them.»

(Marlon)

Epitáfio I

«Quando eu morrer voltarei para buscar
Os instantes que não vivi junto do mar.
»

(Sophia)

Poema

"A minha vida é o mar o Abril a rua
O meu interior é uma atenção voltada para fora
O meu viver escuta
A frase que de coisa em coisa silabada
Grava no espaço e no tempo a sua escrita

Não trago Deus em mim mas no mundo o procuro
Sabendo que o real o mostrará

Não tenho explicações
Olho e confronto
E por método é nu meu pensamento

A terra o sol o vento o mar
São a minha biografia e são meu rosto

Por isso não me peçam cartão de identidade
Pois nenhum outro senão o mundo tenho
Não me peçam opiniões nem entrevistas
Não me perguntem datas nem moradas
De tudo quanto vejo me acrescento

E a hora da minha morte aflora lentamente
Cada dia preparada"

Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004)

Curvados, The Galarzas

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Eu apoio SANTANA LOPES a Primeiro Ministro!

(Onde é que levanto o meu «subsídio»?)

Classificado

IRMÃOS PEDRO & PAULO, PORTUGAL S.A.

VENDE-SE PAÍS


O capacete da Laika

-Doutor, procuro uma dor.
-Aguda, crónica, grave?
-Aguda não, que perfura.
-Recomendo então a crónica.
-E tem cura?
-Não, mas arde.
-Nesse caso escolho a grave.
-Boa escolha. Muito digna.
-A gravidade nunca passa de moda.
-A menos que se esteja em órbita.
-Não exorbitemos, doutor.
-Tem razão. A dolorosa.
-Astronómica!

2.7.04

Esta Semana

Esta semana para mim é um sábado. Indolência, preguiça, lentidão de movimentos, falta de vontade, desinspiração, incompetência, deixa-andar, ingratidão, egoísmo e impaciência foi tudo o que consegui fazer. "Puta-que-os-pariu-porque-é-não-morrem-todos-e-deixam-de-nos-foder-a-vida-que-isto-até-podia-ir-andando-sem-a-gente-se-chatear", foi o pensamento mais profundo. Cansei-me e decretei sábado a partir da sexta-feira passada. Passei-me, eu. Que coisa mais sem graça nenhuma.

Espero em breve voltar a entediar o nosso amável público com a programação habitual... Isto também não interessa a ninguém.

Por favor, Sampaio.



O CORVO

Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de alguém que batia levemente a meus umbrais
«Uma visita», eu me disse, «está batendo a meus umbrais.
É só isso e nada mais.»

Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão) a amada, hoje entre hostes celestiais —
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
Mas sem nome aqui jamais!
Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundindo força, eu ia repetindo,
«É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
É só isso e nada mais».

E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
«Senhor», eu disse, «ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi...» E abri largos, franquendo-os, meus umbrais.
Noite, noite e nada mais.

A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais —
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
Isto só e nada mais.

Para dentro estão volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
«Por certo», disse eu, «aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais.»
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.
«É o vento, e nada mais.»

Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais.
Foi, pousou, e nada mais.

E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
«Tens o aspecto tosquiado», disse eu, «mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais.»
Disse-me o corvo, «Nunca mais».

Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos seus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
Com o nome «Nunca mais».

Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, «Amigo, sonhos — mortais
Todos — todos lá se foram. Amanhã também te vais».
Disse o corvo, «Nunca mais».

A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
«Por certo», disse eu, «são estas vozes usuais.
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais
Era este «Nunca mais».

Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureira dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
Com aquele «Nunca mais».

Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sombras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sombras desiguais,
Reclinar-se-á nunca mais!

Fez-me então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
«Maldito!», a mim disse, «deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!»
Disse o corvo, «Nunca mais».

«Profeta», disse eu, «profeta — ou demónio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais,
Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!»
Disse o corvo, «Nunca mais».

«Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!, eu disse. «Parte!
Torna à noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!»
Disse o corvo, «Nunca mais».

E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha dor de um demónio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão mais e mais,
E a minh'alma dessa sombra, que no chão há mais e mais,
Libertar-se-á... nunca mais!

The Raven, de Edgar Allen Poe, traduzido por Fernando Pessoa.

Obrigadinha, pá

A Cibertúlia de um indivíduo que assina duvidoso como Marujo (não é que haja aqui qualquer espécie de intenção sobre a sua orientação naval, nem temos nada a ver como atraca o senhor) e ainda um estranho blogue pictórico que mais lembra o Bela Lugosi, e que se diz chamar Cérebros a Retalho, enviaram publicamente os parabéns cá aos compadres.
A confraria, reunida, agradece. Para visitas a estes senhores, é ali do lado direito.

Breve inquietude adolescente

Indagas se o fio é azul,
indagas sem olhar,
mas o suave toque
na esquina dos dedos,
nos nós dos dedos,
declara um perigo
iminente de explosão e eu
sem querer saber
indago, se cortar
o fio errado,
que mal pode
a explosão fazer?

De Eustáquio Pinho, Fero de Passar a Ferro, Benalla, 1965

1.7.04

UM ANÚS

Comunicado Oficial aos leitores

The Galarzas completam este dia um ano de imbecil e ignara escrita, violência doméstica, insulto gratuito, poesia fácil, descarrilamento amiúde, garrafas de uísque vazias, muita fava, muita sardinha, muita farinheira com ovos, muita telepizza, muita água com gás, muito arroto e muito tabaco. Para melhor conhecerdes estes que aqui escribam diariamente, há 366 dias, sem que nenhum dia tenha falhado uma barbárie, continuai visitando este lindo endereço. Pois que é nossa promessa, na órbita que entra, revelarmos um pouco mais sobre o anonimato de todos.

Um bem haja p'la vossa, como a nossa,

P'lo Comité Lateral

Optimus Galarza

Hino da Final


(Cantarolar c'oa música da Néli Furtado)

Se um durão te abandona logo a meio
E um Santana quer o lugar do primeiro
Se a maioria só grita da varanda
Que no poder não é o povo quem manda

Se o Sampaio está muito baralhado
E o acto nunca mais é convocado
Se quando recebes não te dá pra todo o mês
Faz lá a asneira de votar neles, outra vez

Lev'os à forca
Lev'os à forca
Lev'os à forca
P'las goelas
A aleijar

Lev'os à forca
Lev'os à forca
Lev'os à forca
P'las goelas
A aleijar

Se o Maniche remata ao cantinho
Nem ouves a opinião do Canotilho
Se o Ronaldo cabeceia à baliza
Já nem te lembras do tacho da Maria Elisa

Mas se consegues sair à rua c'oa bandeira
Também tens tempo pra defender a tua veia
Se o teu sangue é mesmo verde e vermelho
Mand'os chupistas todos para o galheiro

Lev'os à forca
Lev'os à forca
Lev'os à forca
P'las goelas
A aleijar

Lev'os à forca
Lev'os à forca
Lev'os à forca
P'las goelas
A aleijar

Forca!
Forca!
Forca!
Forca!

Levanta-te do sofá...
Grita que queres votaaaar!

"Mais perto do céu
Mais perto do cééééu.."

Lev'os à forca
Lev'os à forca
Lev'os à forca
P'las goelas
A aleijar

Lev'os à forca
Lev'os à forca
Lev'os à forca
P'las goelas
A aleijar

Se um durão te abandona logo a meio / Lev'os à forca
E um Santana quer o lugar do primeiro / Lev'os à forca
Se a maioria só grita da varanda / Que as goelas
Que no poder não é o povo quem manda / Não podem apertar

Forca!
Forca!
Forca!
Forca!


Portugal a um passo do campeonato

À Sôlução

Instalada a euforia pós-jogo, as ruas do país foram invadidas de eufóricos lusitanos. No meio da festa, numa discreta parede do Rossio, em Lisboa, um pequeno cartaz anunciava a solução para os males nacionais que assolam estes dias. Dizia o cartaz:

«Luiz Felipe Scolari a 1º Ministro de Portugal»

Um português em Bruxelas, um brasileiro em Lisboa. 'Tá certo...