30.6.04

Ora, não se estava mesmo a ver...

«Os agentes acusavam Valentim Loureiro de os ter mandado "à merda", o que este garante não ter feito, embora admita que usou a palavra, mas dirigindo-se ao genro e para classificar a situação.»

Também Tu, Nel

Prolongue-se o túnel.

Um pouco mais, e chegará ao aeroporto, facilitando a vida aos que já se vêem lá fora, a seguir o exemplo do cherne...

Dito efeito

Ouvido no debate de ontem à noite na RTP1:

«A obra do Dr. Santana Lopes está a vista de todos. É só ir ali ao Marquês do Pombal para ver.»

O país surreal

É bom saber que, no meio de toda a excitação euro-política, há sempre alguém que nos lembra que, apesar de Portugal estar a ganhar na UE e a caminho disso no Euro, o país real continua enfiado num balde (ou será um túnel?) de merda tão grande e tão fundo que só a muito custo de lá sairá.

No país surreal, o suposto pedófilo é que tinha razão: «se eu tivesse 30 anos, emigrava.»

Durões há muitos

Agora sou um moderado - perdão, um demorado...

«O meu nome é Barroso. José Barroso.

Se o Papa pode escolher o nome, eu também posso. Em Portugal chamava-me Durão porque lá o Durão era eu e havia muitos Zé Maneis e José Barrosos. Aqui é ao contrário: Durões há muitos - mas o Zé Manel sou eu!»

O meu Sonho .129

O meu sonho era que tudo isto não passasse de um pesadelo.

O meu Sonho .128

O meu sonho era poder, conseguir, ter coragem para.

O meu Sonho .127

O meu sonho era fazer a maior e a mais bonita greve de todas.

29.6.04

Sei para onde vou

«Este é o caminho. É por aqui que eu vou, nesta direcção, para cima, assim ...

Não sei para onde vou mas sei que vou por aí

Quanto a vocês... amanhem-se...»

O cortejo dos penitentes*

Vem detrás, em esgarabulhares...

SAM'PAIO
Que quereis?
SANT'ANA
Que me digais, pois parti tão sem aviso, se a barca de São Bento é esta em que navegais.
SAM'PAIO
Esta é; que demandais?
SANT'ANA
Que me leixeis embarcar. Sou fidalgo de solário, é bem que me recolhais.
SAM'PAIO
Não se embarca tirania neste batel divinal.
SANT'ANA
Não sei porque haveis por mal que entre eu e minhas senhoritas...
SAM'PAIO
Pera vossa fantesia mui direita é esta barca.
SANT'ANA
Pera senhor de tal marca nom há aqui mais cortesia?
Venha a prancha e atavio! Levai-me da praça alfacinha!

SAM'PAIO
Não vindes vós de maneira pera entrar neste navio. Essoutro está mais vazio. Trazeis já a cadeira? Queda-te e o rabo caberá e todo vosso rapazio. Ficareis lá mais espaçoso, vós e vossa confraria, cuidando na tirania do pobre povo queixoso. E porque, de generoso, desprezastes os pequenos, achar-vos-eis tanto menos quanto mais fostes fumoso.
S. MARCELLO
À barca, à barca, senhores! Oh! que maré tão de prata! Um ventozinho que mata e valentes remadores!
(...)

Devida vénia ao GenIaL Vicente, que de tão precoce se tornou histórico, dessoutra Barca de maior valor, tão actual que arrepia a maré ser igual.
* Titulo roubado ao Fausto Bordalo Dias

No gravador de chamadas de um onzeneiro

«Deixe a sua mensagem e o sinal»

No gravador de chamadas de um usurário

«Depois da mensagem, deixe sinal.»

No gravador de chamadas de um agiota

«Depois do sinal, deixe mensagem.»

O Sonho dele XXX

O sonho de Sócrates não acabava com a Itália.

O Sonho dele XXIX

O sonho de Sócrates não acabava com cicuta.

28.6.04

UEro 2004

E o povo continua à espera...

O novo regime

O poder em Portugal agora já não se faz por

sucessão
eleição
designação
cooptação
nomeação

agora, entrega-se.

27.6.04

Proposta

No rescaldo do disparate a que este país tão surrealisticamente chegou, este Galarza atreve-se a fazer duas propostas ao Governo ou a quem quer que mande nesta brincadeira...

Proposta Abs/2004:
- Que já a partir das próximas eleições seja obrigatório que todos os cartões de eleitor e os boletins de voto tenham à frente a atrás avisos como «A Abstenção prejudica gravemente a saúde do país» ou «A longo prazo, a Abstenção é uma das razões pela qual Santana Lopes pode vir a ser Primeiro-Ministro».

Proposta Euro/2004:
- Que o presidente da Comissão Europeia seja decidido juntamente com o futuro Campeão Europeu de Futebol. Assim, alinham-se para já os chefes de Governo de Portugal, Grécia, Holanda e (ainda por decidir) Dinamarca ou República Checa. O país vencedor ganharia, então, a Taça de Campeão e o lugar da presidência da Comissão.

Em estudo está ainda uma proposta relativa ao melhor funcionamente da UE - a futura Proposta UE/lelé.

Fim

Quando eu partir batam em leites,
Aguentem-se cos santanas e cos portas,
Façam estalar nas ruas mortas,
Foguetes que incendeiem os azeites.

Que a comissão vá sobre um burro
ajaezado à europeia...
Quem fica teme e receia,
que a um burro suceda o bi-burro!

(destilado da Esfinge Gorda, está claro)

Poema de: Idálio Juvino e Eustáquio Pinho

Fernando e Fernanda

Fernanda, a tua cama
não se arranja
desde o dia em que
ganhou uma grande mancha.
Deixaram-te sujos os lençóis
e até a tua curta franja
que remata o teu cabelo de caracóis.

Fernando, o sumo ou o morango.
A tinta do choco perversamente
ou a tetina na boca da serpente.
Arrastas o plátano na traça
e ficas sem dores de dentes.

Eustáquio Pinho e Idálio Juvino, Chegas de Bois, Edições Morteiro, A Gaurdía, 2003

Sampaito, qual Eanito?



«Ouvindo e lendo a Comunicação Social parece que está tudo resolvido, que há um novo presidente da comissão, um novo primeiro-ministro e até ministros. É caso para perguntar se alguém se lembrou que o regime constitucional português consagra a figura do Presidente da República»

- Jorge Sampaio, sábado, 26 de Junho de 2004

Resposta:
Não. E ninguém se lembra porque:

1. V. Ex.a disse ao jornal Público, antes das últimas legislativas, que não queria mais eleições antecipadas e faria tudo para impedir que isso acontecesse.

2. V. Ex.a tem deixado que os eleitores que votaram em si, os que realmente o elegeram, desiludidos. Fizeram a cruz para ter em Belém um homem que não deixasse passar politicamente a Lei Laboral do dr. Bagão, os embustes dos Orçamentos de Estado, o roubo de 30 por cento dos ordenados dos trabalhadores por conta d'outrém pelo Estado e, ao mesmo tempo, o mesmo Estado dizer que não garante que esse dinheiro sirva para assistir o cidadão (PPR/E e Médis à fartazana, dr. Sampaio).

3. Porque V. Ex.a escolheu desaparecer da vida política, ficando cada vez mais difícil perceber se os 29 por cento de 1991 seriam, de facto, o seu real valor. Não faz um discurso ao País que seja compreendido por todos - do Corvo a Caminha, de Vilarinho de Agrouchão a Melides. Embrulha-se nessa parvoice dos "recados" e das "mensagens políticas" e raramente - ou nunca - fala claro. Isto é, e dando o benefício da dúvida a V. Ex.a, quase nunca diz aquilo que a gente pensa que o senhor realmente pensa.

4. Um Presidente da República não pode mandar recados pelos jornais. Ou bem que naquela sexta-feira arrendava um estúdio na RTP e falava ao País, explicava às pessoas o que se passava, fazia o seu papel, ou então deve é calar esses queixumes. Não mate o mensageiro, muito menos quando este não tem grande mensagem para transmitir.

5. Despeça imediatamente o "rolha" que passou aos jornais a informação que V. Ex.a não gostava de ver o Santana Lopes como primeiro-ministro. Ou então, peça meças ao Durão Barroso. Ou ainda, desminta isto. Porque se a conversa foi privada, quem deita cá para fora informação quebra Segredo de Estado.

6. Para acabar, queira o senhor Presidente da República saber que nunca como agora estamos prestes a bater tão no fundo. A geração que é a da liberdade, esta que nasceu nos idos de 70 mas que se habituou à democracia e ao pensamento livre, sente que o barco há muito adornou. Ora, citando-o, «é caso para perguntar se alguém se lembrou que o regime constitucional português consagra a figura do Presidente da República». Aqui lembramo-nos. E a conclusão é simples: quase com dois terços do mandato cumprido, é V. Ex.a um dos responsáveis pela rebaldaria, o pântano, o encerramento das portas que, dizia V. Ex.a, Abril abriu.

Em conclusão: Se decidir ser coerente com o que disse aos portugueses quando foi eleito, se ainda considera ter condições para ser Presidente da República, se parar de fazer esse "vou-mas-não-vou" tão tíbio, pode ser que o povo se passe a lembrar que o senhor é o garante de muita coisa válida. Caso contrário, a sua vida política terá sido uma pobre e triste caminhada do MES para o eterno "mas".

Ó Pacheco, e entrega o cartão?

Não é costume cá da casa comentar a blogosfera, pois que nos incomoda severamente o lambe-botismo que se instalou entre autores blogueiros, cujo único objectivo é terem lá embaixo no contador os números a subir em flecha, não importa a inteligência, a argúcia ou a qualidade. O integralismo lustiano blogal chega mesmo a irritar-nos ao ponto do menosprezo. Se por vezes citamos ou damos espaço a outros blogues é porque estes têm a amabilidade de considerar que este The Galarzas tem algum sentido - Deus, como se enganam - ou porque há mesmo coisas boas ai a passear.

Feito o considerando, e destilado já o ódio noctívago, este Galarza tem uma inquietação, que se prende exactamente com um blogue, daqueles mais vistos, que marcaria presença no velhinho TNT, o Abrupto de José Pacheco Pereira, militante do PSD.

Pacheco Pereira brada «Pobre País o nosso» nos mais recentes escritos que lança para a internet. E o que escreve merece observação de lógica. Mas o que Pacheco Pereira ainda não disse é que este Galarza gostava de saber: se o PSD não der ouvidos à sua mui lógica e até aplaudível proposta de caminho, considera o ex-eurodeputado que este partido já não é o seu? Isto é, um PSD que se esconda atrás de Santana ou outro qualquer, sem ir a congresso, para manter o poder, pode sustentar um militante como Pacheco?

Ou, numa pobre ironia, o que José Pacheco Pereira propõe é apenas o impossível, a "quadratura do círculo"? E aceitará Pacheco Pereira o cargo na UNESCO se Portas mandar nos Estrangeiros? E que pensa, de facto, o ex-eurodeputado do golpe de rins, quando vê Santana Lopes a "negociar" com Dias Loureiro?

Numa frase: até agora, o escrito merece apenas um "apoiado". Mas, explicada a tese e a antitese, que síntese faz?

Seu,

26.6.04

5 de Outubro de 2003

Nós avisámos.

O jazz em forma

Abro este pequeno aparte extra-política e extra-Euro 2004 para mandar daqui um forte (embora atrasado) saravá ao Nuno Catarino, que há um ano que mantém o jazz em forma. Be bop, camarada!

25.6.04

Cherne para exportação

De acordo com as mais recentes tabelas de preços afixadas no mini-mercado da minha rua, a ida do Cherne para Bruxelas fica a 6,95€ o kilo.

Aviso qualificado pelas autoridades de Importância Grande.

Aviso à População

Os The Galarzas avisam a população em geral para o facto de que as bandeiras expostas para consumo da casa estarem já a ficar em mau estado. Sujas, muito sujas, e esfiapadas.

Depois não diga que não avisámos.

Balança comercial

A vitória de ontem já influencia beneficamente a economia nacional.

Os sinais de retoma são agora inequívocos: exportamos Primeiros-Ministros e ingleses. A ligeira subida nas importações (japoneses, inspectores da UEFA, bolas de futebol) não chega a pôr em causa esta tendência positiva.

Milhões de portugueses sondados pelos The Galarzas esperam que os próximos triunfos da selecção provoquem um aumento nas exportações de presidentes de câmara da capital, autarcas e ex-autarcas de Matosinhos, ministras das finanças, fiscais da Emel, funcionários de telemarketing, presidentes de federações de futebol, agentes da autoridade neandertalenses, taxistas, sandes de torresmos e outros produtos típicos da nossa terra.

Haver vamos.

Eleições já, não! Sofram um bocado

Manifesta este Galarza que não concorda com eleições antecipadas ainda que o primeiro-ministro se venha. A demitir.

Este Galarza quer que o povo, este grande povo de colchas à janela, sinta que a honestidade, a verdade, a honra e a frontalidade de Paulo Portas, Santana Lopes, Durão Barroso, Dias Loureiro, Bagão Felix, Ferreira Leite, Carlos Tavares e quejandos são uma terta de tamanho tal que devem sofrer o bofetão democrático da mentira plena.

Talvez um dia os eleitores deixem de ir à praia, ao campo ou às putas das delongas e passem a usar o voto como deve ser usado. Talvez com um desastre em São Bento, mas daqueles tão grandes que não lembra aos filmes-catástrofe dos anos 70, o povão se conscencialize que a porcaria da cruzinha tem algum valor.

Não me dói que o Santana seja Primeiro-Ministro. Dói-me que haja um país que deixou um ser como o Santana estar à beira de ser Primeiro-Ministro. E se assim é, engulam.

Sublinho que nada na lei fundamental nem na eleitoral obriga a eleições antecipadas. Por isso, calminha. A esquerda que resolva lá os complexos e a falta de originalidade, o Sócrates não pense que pode comprar o cargo de líder num outlet qualquer, arranjem lá um tipo com qualidade e depois berrem propostas e oposição.

Afinal, foi ou não o PSD que ganhou as eleições? E, já agora, alguém neste país vota para Primeiro-Ministro? Não. E não tenho ideia de grandes alaridos quando metade da bancada do PSD saiu para dar lugar aos suplentes da ordem.

Disponíveis

Os The Galarzas avisam desde já que estão disponíveis para serem Primeiro-Ministro e Governo. Como somos vários e temos empregos e casitas para sustentar, as pastas serão distribuídas não por temas ou grandes áreas, mas por dias da semana. Assim, Cesto Galarza será o Ministro da Sexta-Feira, Quarto Galarza o Ministro da Quarta-Feira e assim por diante.

Cada ministro será responsável pelo que acontecer no dia em que é ministro, a não ser que se prove inequivocamente que foi o ministro do dia anterior que o armadilhou. Por isso, desde a tomada de posse, haverá uma comissão de inquérito. Esta comissão investigará imediatamente a tomada de posse.

A monogamia sequencial aleatória será uma das grandes promessas dos The Galarzas.

Já reparou que o sacana é que vai mandar nisto?

Agora que Santana Lopes é mais que provavelmente o nosso Primeiro-Ministro...

...quanto tempo vai passar até vermos florir os primeiros cartazes por esse país fora com dizeres como «Já reparou que o país está mais alegre desde que eu aqui cheguei?» ou «Em dois meses, já limpei mais pó que o Guterres. Falam, mas estiveram cá seis anos...».

...qual será a primeira gaffe ministerial do futuro grande líder?

...qual será o papel das Santanetes no Governo? E quantas mulheres loiras e joviais entrarão no Governo na próxima remodelação?

...qual será o elenco ministerial? Será Margarida Rebelo Pinto a próxima Ministra da Cultura? Será Cinha Jardim a futura Ministra do (Bom) Ambiente? Será Luís Delgado o eventual Ministro da Prosopopeia Fácil?

Aceitam-se apostas.

Calma nas hostes, o povo é-se Reno

Jogada 1

Durão faz que vai para a Europa. O povo fica à nora. Ele é mau, mas minha nossa senhora, e agora? Durão chega mesmo a ir ao conselho e fazer que é candidato. Está tudo quase decidido mas, na próxima terça, num acto patriótico do carago, regressa a Portugal a dizer que os desafios de Portugal são muito mais importantes do que um cargo lá fora. Entretanto, o povo respira aliviado, por não ter que levar com o Santana a primeiro-ministro. Com a trapalhada, já ninguém se lembra que é preciso remodelar, porque a jogada do "vou-não-vou" é brilhante e o povinho lá respira de alívio. É a jogada
"Segurem-me senão eu bato-me"

Jogada 2

Durão está mesmo farto disto e, na moleirinha, já tem decidido que isto é um pântano. Como não pode dizê-lo, porque foi a desculpa do Guterres para se por a milhas, vai de arranjar tacho na Europa. Entretanto, o Santana ou o rato Mickey (aqui pouco importa) sobe a primeio-ministro. Sampaio vai na conversa mas avisa Vitorino que venha imediatamente para Portugal. Congresso extraordinário do PS em Agosto ou Setembro. Entra o Orçamento de Estado para 2005 no Parlamento. Nas ruas, como não se vê desde os anos 80, o povo varre com violência o Governo do Rato Mickey. Vitorino é eleito secretário-geral do PS. Sampaio diz que a contestação social é de tal ordem que, por muito que lhe custe, vai dissolver a Assembleia. PS ganha com maioria mas para ter à vontade faz coligação com o PCP e deixa o Bloco a bradar sozinho. Esta é a jogada
"Tu foges mas eu lixo-te"

Jogada 3

A sanidade desapareceu. Durão vai para a Europa, Santana é primeiro-ministro. Ninguém se mexe e o país vai de popa em vento. Isto é, às arrecuas. The Galarzas mudam-se para a Extremadura, abrem uma loja de enchidos e produtos artesanais e acolhem 9 milhões de portugueses na sua quinta. É a jogada
"Que fiz eu para merecer isto"

A minha aposta: Jogada 1
A aposta de Durão: Jogada 2
A dura realidade:

O naufráfio, o rato e a sobrevivência

A decisão está tomada. O Primeiro-Ministro de Portugal vai aceitar o cargo de Presidente da Comissão Europeia. Durão Barroso vai mesmo ser o primeiro a abandonar o barco que ajudou a afundar. E vai colocar o país numa situação ainda mais caótica, com a pasta de chefe do Governo a cair de bandeja nas mãos de Santana Lopes.

Ao longo da tarde, muitas pseudo-dúvidas têm assaltado a mente deste Galarza:
- há quanto tempo é que isto anda a ser negociado (por outras palavras, há quanto tempo é que Durão anda a mentir aos portugueses)?

- terá este hipótese (decerto há muito na mesa) alguma coisa a ver com o então repentino silêncio de Santana Lopes sobre as presidenciais?

- porque é que esta hipótese e consecutiva decisão são reveladas apenas depois da vitória de Portugal no jogo contra a Inglaterra, em período de inconturbável euforia nacional?

- porque é que a Europa é mais importante que a recuperação económica do país e os «compromissos de honra» do Primeiro-Ministro?

- porque é que a União Europeia avança com o nome de um Primeiro-Ministro em pleno exercício de funções - e tão importantes funções?

- sou só eu que acho ou isto é inaceitável, ridículo e surrealista?

Até isto sobe

Portugal é o segundo país da União Europeia a Quinze onde o cannabis, a cocaína e o ecstasy são vendidos a preços mais baixos, segundo o relatório da ONU sobre a Droga divulgado sexta- feira em vários países.

De acordo com o documento, uma grama de cocaína custava 52 dólares (42,9 euros) em 2003, um aumento de 16 dólares (13,2 euros) em relação ao ano anterior.

Eleições Já

O homem que ganhou as eleições há dois anos, que formou governo como Primeiro-Ministro, abandonou o cargo.

Exmo. Senhor Presidente da República,
os The Galarzas exigem ELEIÇÕES LEGISLATIVAS JÁ!

Nunca mais voltes

Ó DURÃO, Ó DURÃO ÉS UM GRANDE CABRÃO!

O Guterres fugiu, não foi? Então e tu, foste para a guerra combater?

Olha, compra fios de nylon tranparentes que é para não se ver o Chirac e o Berlusconi, mais o Blair e o Schroeder, a mexerem-te com os cordelinhos.

The Hangover

Para hoje, os The Galarzas sugerem um passeio pela imprensa desportiva britânica.

Para aperitivo, o rei dos tablóides The Sun. A abrir, uns acepipes roubados à suíça; de seguida, uma pescadinha de rabo entre as pernas e um frango à capitão; para o final, mousse de melão.

Ainda na montra dos tablóides, o Daily Mirror prefere explorar a criminalidade em Portugal e, nomeadamente, no inferno da Luz. Já o igualmente puro Daily Star trata de dar um toque de amargura ao passeio.

No outro lado da ementa, o insuspeito The Times dá uma pequena aula de seriedade, enquanto o independente The Independent levanta de novo ondas de suspeição.

Mas a iguaria principal fica por conta do mui simpático The Guardian, desde o apaixonado resumo à apaixonante leitura geral, terminando nesse soberbo relato virtual.

Posto isto, bom apetite e have a nice weekend.

«- O que é que se passa ali?
- Ah, foi aquele tipo que marou.»

Ei-la!

24.6.04

Thank you very fuckin' much!

How do you say 'TOMA LÁ E EMBRULHA'?

Alguém tem comprimidos para o coração? Talvez esta farmácia tenha...

Durões

Depois da difícil vitória de Portugal sobre a Inglaterra no mais emocionante jogo do Euro 2004, a RTP descobriu dois novos comentadores de futebol: Durão Barroso e Ferro Rodrigues. É impressionante como a RTP, depois de fazer serviço público, consegue logo estragar a festa...

Previsão Para o Prognóstico Desta Noite

O Instituto das Natural de Portugal prevê para esta noite um recrudescimento acentuado de teofasia de quadrante Norte. Esperam-se aguaceiros mas não é certo que se precipitem. Divagação ao nível das botas, com prisão de ventre nas terras sagradas.
Numa visão dialética das condições, diremos que o materialismo histórico pode marcar pontos, e mesmo ganhar o direito de voto.
Numa perspctiva mais hemenêutica, tudo ficará ainda esconso sob um manto que trará abertas ao fim da madrugada, não se esperando no entanto que haja descanso para a galinha.
Frazão II deverá proferir declarações aos quatro ventos, que se manifestarão na forma indicada pela lei homologada. Zéfiro sentir-se-há ferido de Sotavento.

A vizinha da minha galinha

"A bisbilhotice é a única actividade em que a bilhotice tem encore"
Monsanto Guedes, depois da sesta.

Vim ter mil

É com muito gorgulho e desmedido cansaço que anunciamos que, por volta das 16 horas e vinte e poucos minutos de hoje, esta beluga atingiu a redonda quantia de 20 mil leituras.

A todos os que contribuiram para este ruinoso sucesso, os The Galarzas agradecem e sugerem uns brinquedos.

Boletim mauterológico

O tempo está bera. O tempo está húmido e abafado. As nuvens estão cabisbaixas e ameaçadores. Cuidado: o tempo está a favor deles...

O meu Sonho .126

O meu sonho está por aí... não sei onde o deixei, mas acho que não o perdi...

Já agora

Se o Durão Barroso fôr mesmo para Bruxelas (o que já era uma boa notícia!)... será que pode levar o Paulo Portas com ele (o que seria uma orgásmica notícia!)?

23.6.04

Ouvido na rua

«Tu não és uma pessoa normal. Eu é que estou sem dinheiro no telemóvel!»

Adivinha

Um Galarza perdeu a cabeça. Pede-se a quem a encontrar o favor de a devolver para esta morada.

Grandes homens esquecidos



O exame nacional de História, perpetrado esta manhã contra milhares de candidatos ao ensino superior, citava um texto de Ramalho Eanes mas atribuia-o a Costa Gomes. Ora, levantam-se vozes de crítica sobre a incúria da instituição Estatal, que tão hediondo erro colocou em prova prolixa de conhecimento. Mas os The Galarzas não alinham neste ataque. Outrossim, acreditam que tão bela bujarda será o início do grande integralismo lusitano, onde finalmente se provará que o 25 de Abril e o 25 de Novembro foram, na realidade, ao mesmo tempo.

O meu Sonho .125

O meu Sonho munca será redimido.

22.6.04

Uma pôrra!

«Foi você que disse "pôrra!"?» - perguntou-me.
«Não. Nunca!» - respondi, acendendo um cigarro lascado com a ponta do dedo mindinho.
«Mas não como?» - insistiu, à beira de um ataque de sistematose.
«Eu nunca diria "pôrra". Ou pelo menos, só "Pôrra".» - iniciei a explicação, como que espicaçado pelo cair das nuvens altas. E continuei, divagando ao sabor da calçada alentejana: «Na minha terra sempre aprendi que a Pôrra é singular. A Pôrra não é abstracta, é sempre palpável, divisível e objecto de pormenorização. A Pôrra tem carimbo de identidade e bilhete postal. A Pôrra tem código de barras lacrado na base. A Pôrra tem pés e cabeça, tronco e membros. A Pôrra é una, única e uma só e leva "P" grande à frente. A Pôrra não é só pôrra. É "A Pôrra" (ou "Uma Pôrra", se ainda não nos foi apresentada). Daí o dizer-se, de semblante franzido, "Olha a Pôrra!" e não "Olha pôrra".» - concluí, antes de me despedir com um pálido guardanapo displiciente ao som de um jovial mas necessário «Há que ter respeito pela Pôrra. Não vá ela, um dia, sair-nos pela culatra...»

Poema de: Amélia Oom

IV

Sei que as paisagens terrestres
continuarão a existir
mesmo depois da minha morte.

No entanto, gostaria de deixar,
embora como um verme,
um sulco na terra,

Nesta terra que amo
e que tão poucas pessoas
se apercebem Dela.

Desgosta-me saber
que um Dia
terei de A abandonar.

É cruel saber que outros olhos,
não estes,
A contemplarão

E tenho ciúmes Futuros,
apesar de ainda me sentir
tão presa ao Presente.

Mas se esses olhos
que me fitam na rua,
souberem vê-La como eu,
então continuarei neles
a minha eterna contemplação;

Verei de novo o lago que existiu
no jardim da minha infância
e os nenúfares que desabrocharam
no lago da minha adolescência.

Viola Delta - 15º volume, Edições MIC, São João do Estoril, Julho de 1990

Fiambre?

"A Arte contemporânea é toda aquela que tem fiambre por cima."

Palavras proferidas por Monsanto Guedes num encontro de autores de arte. Para os que não acreditaram na sua profecia, a revista Isto É, N.º 1810, avança uma pequena nota que aponta para a inevitabilidade da explosão do conceito preconizado pelo Guru da arte do séc XXI português:

"• Está fazendo sucesso nos EUA a obra do artista plástico americano Cosimo Cavallaro. Trata-se de uma instalação que mostra uma cama coberta por 140 quilos de presunto fatiado."

Isto É, página 22, coluna Números, 16 de Junho/2004 N.º 1810

O meu Sonho .124

O meu sonho era ser uma força de bloqueio, um opinion maker e uma desgarrada. Tudo ao mesmo tempo.

O meu Sonho .123

O meu Sonho era ter uma subversão para cada dia da semana.

21.6.04

Esplicativo

Em relação à matéria deixada em aberto por Quinto, meu irmão mais novo, que com "-Hã?" expôs a sua diferença, devo procurar esclarecer com toda a veemência dois pontos: com este aforismo proclamado por Rod Stewart: Se a minha avó tivesse dez rodas era um camião.

Necessário acto de resposta fulminante em duas partes a Quarto Galarza

1ª Parte (ao SMS enviado esta tarde):
- Ok!

2ª Parte (à posta postada esta noite):
- Hã?

Ganimedes

Pedir meças
medir ganas
canas e foguetes
torre sinos a repique
primas manas
sacos camas
Fins de tarde
o copo arde
fica
um tique

Óscar Machico, in «Só vim cá ver a bala», Editorial Cinco a Zero, 2004

GREVE

O distinguido Quarto eu, hoje fez e continuará a fazer greve à posta como medida de retaliação contra as coisas que estão mal e que ainda não foram discutidas e que as partes se têm recusado a pôr sobre a mesa. O nosso protesto de mim será levado às últimas inconsequências, inclusivé se for caso disso, não voltar a consumir os bens que habitualmente catalizam para os ovos estrelados da esfera do diário de rede.
Parafraseando o meu irmão Quinto "Em Portugal diz-se: Caralho e foda-se". Eu não irei tão longe a não ser que a isso as circunstâncias obriguem. Obrigado pela compressão. Hajam!

Aljubarrota XXI

No bonito Estádio Aljubarrota XXI, as hordes lusitanas derrotaram os conquistadores castelhanos, após uma nervosa e hipocondríaca batalha. Para a história fica a pazada da novel Padeira de Aljubarrota, Nuno Gomes, e a táctica de nervos em espiral do neo-Condestável, Luís Felipe Scolari.

Pois, que viva España!*

PS: a Cadena Ser já voltou a ligar?

* la la... la la la la la... que viva España...

20.6.04

A Linha é de Ferro 10ª

Gostava de ficar sentado na esplanada do lago artificial ao meio da cidade a olhar para a Rua Certa e para o Fundo da Rua, a ver as pessoas a passar a admirar os rostos e silhuetas das mulheres, a dar-lhes nomes pela aparência, nomes que nunca chegava a saber se estavam bem. Gostava de ver os bichos, os carros, os carteiros a sair do posto de correios pela manhã carregados de contas e recados, e a voltar à tarde cansados mas mais leves, com o tipo das guedelhas cinza mais esperto do que os outros, sempre o primeiro a voltar já com duas cervejas a refrescar no estômago.
Às vezes chovia e tinha que esperar que os empregados do café saíssem a montar os resguardos de plástico transparentes, para se sentar só a ver os pinguinhos de água que escorriam devagar por toda a parte. Nesses dias acontecia ver-se menos gente pelas ruas, então entretinha-se a contar quem passava sem guarda-chuva e com guarda-chuva. Punha-se a ver os que corriam para não apanhar molha mas que acabavam sempre molhados e ainda por cima mais cansados.
Fazia riscos nos pedaços de papel que trazia sempre nos bolsos, se acontecia ouvir alguma conversa nas mesas de trás apontava caoticamente tudo o que conseguia ouvir, nomes de pessoas que nunca veria, contas números e datas que não lhe serviam de nada conhecer e que somava resultando invariavelmente em coisas como: 19000 escudos e 33 minutos, do dia 27 de Março de 95 quilos.

Direito de Resposta

Finalmente uma resposta à antiga portuguesa, como nos tempos das nossas avós. Os castelhanos continuam a perturbar o neo-português Felipe Scolari, mas, desta vez, o selecionador de Portugal responde de forma conclusiva, muito à maneira nacional e que nos enche de orgulho:

«Você e a sua rádio vão mas é tomar no cu!»

19.6.04

Um dia na vida de um cidadão (nova actualização)

Após vários dias de espera, foi finalmente assinada a escritura da casa nova deste Galarza!

Os últimos dias foram, assim, passados entre o banco (duas horas e meia), o cartório notarial (três horas), a agência imobiliária (pouco mais de 30 minutos), a casa nova (duas horas).

Os próximos dias deverão ser, pois, passados entre o banco, as finanças, a casa nova, a EDP, a EPAL, a Loja do Cidadão, a casa velha, a TV Cabo, a GDP, a Câmara Municipal, o emprego, a junta de freguesia nova, a junta de freguesia velha...

E depois vêm as mudanças: tardes inteiras em lojas de móveis, fins-de-semana de viagem a Paços de Ferreira, manhãs com carpinteiros, longos dias a pintar paredes, a ensacar roupa, a encaixotar livros, discos...

Lá para o Natal devo estar despachado. Finalmente, casa nova...

Há 20 anos prendiam este pá homem



«A prisão de Otelo deixa-me preocupado, mas a hortaliça faz-me gases.»

Monsanto Guedes, depois de receber a notícia.

Amanhã muda tudo

O destino da nação lusa muda definitivamente durante este fim de semana. Não é por acaso que proliferam as bandeiras verdes e vermelhas, não é por acaso que numas o vermelho predomina, noutras os castelos se assemelham a peças de xadrez, noutras ainda a esfera armilar sugere padrões mouriscos. A partir de amanhã:

- Olivenza torna-se Olivença.
- A paella passa a chamar-se arroz de marisco.
- Goya destrona Malhoa.
- O tablado esmaga a casa de fado.
- O chefe de governo é sapateiro.

Ou:

- Passamos a ter Realmente uma família real.
- A expressão «fixe» é substituída por «bale».
- É abolida a fartura em detrimento do churro.
- Pedrito de Portugal passa a ser conhecido por Pedrito Ibérico.
- Almodóvar contrata Paulo Portas para o seu próximo filme.

18.6.04

Eles Lá Sabem

Os rapazes do pontapé na bola castelhanos andam já a queixar-se que o país anfitrião dos grandes torneios de futebol é sempre ajudado pelos árbitros a conseguir melhores resultados. Eles lá sabem.

Curiosamente, os rapazes lá daquele lado da fronteira já organizaram o campeonato da europa de 1964, que venceram - Espanha: 2 - URSS: 1; o campeonato do mundo de 1982, final Itália: 3 - R.F.A.: 2 (os árbitros deviam estar de folga) e os Jogos Olímpicos de 1992, que também venceram - Espanha: 3 - Polónia: 2.

Eles lá sabem do que falam... Mesmo assim, ainda temos uma desvantagem de duas roubalheiras.

Aljubarrota, né chapa?



Ora, se prova havia ainda para dar de que este homem é uma besta tipicamente lusitana, eis que a Cadena SER dá a resposta. Ora ide ouvir e agitai a bandeirinha lá fora da varanda:

Scolari à Cadena Ser

O meu Sonho .122

O meu Sonho era ir de Barreiro A a Coimbra B sem passar na casa de partida.

Euro News

É indiscutível: o Euro 2004 tem trazido a Portugal mais turistas (as lojas de Albufeira nunca foram tão requisitadas), mais dinheiro (nunca se vendeu tanta cerveja) e mais jornalistas. Aliás, nunca Portugal foi tantas vezes referido em jornais estrangeiros. Basta pegar num qualquer tablóide - por exemplo, o inglês Daily Star - e ler a quantidade de vezes que se fala de Portugal ou de portugueses. E nem só por causa de futebol: «o DJ Fatboy Slim vai ter um filho, anunciou a sua mulher em Coimbra»; «Victoria Beckham fotograda enquanto andava nas compras em Lisboa»; «o melhor spot deste Verão é o iate de Abramovich atracado em Lisboa»; «batalha campal no Big Brother 5 inglês, com protagonismo da concorrente portuguesa Nadia»; «dois portugueses na lista de candidatos à liderança da Comissão Europeia»... Isto até parece um país...

Noticiário

Hoje só há boas notícias no jornal: ele é OVNIs em Seattle, ele é burros em África, ele é pandas na TV... Isto é que é uma alegria!

Doença

«Os ingleses, os espanhóis, os holandeses, os noruegueses e os belgas sofrem todos de uma doença súbdita.»

Monsanto Guedes

17.6.04

No princípio era o fim

Por esta altura, já toda a gente que por aqui anda deve ter dado com o nariz no fim da Internet. Mas - tendo em conta que muitos fazem parte da Geração Chocapic, nunca viram um Spectrum e já nasceram formatados para a Playstation - decerto nem todos se recordam de como tudo começou. Fazem ideia, por exemplo, de qual terá sido a primeira página da Internet?

Depois não digam que o Professor Galarza não dá boas notas ao domingo...

Correio Elétrico

A Blogo Esférica colega Sandra, irresponsável pelos «Pedaços de Nada», atira-nos com esta missiva para o nosso caixote de correio, que publicamos agradecidos pela idolatria, mas também por ser a primeira do mês que não traz um vírus nem um worm agarrado. Obrigados colega, pela simpatia e por ajudar a manter saudável esta casa de cretinos.

«Oi Galarzas!
Já há algum tempo q visito o vosso blog e quero com este mail enviar os parabéns pela originalidade e sobretudo pelo excelente sentido de humor.
Gostei sobretudo deste último site q descobri à vossa pala: the knight who
say ni... é de facto imperdível ;)
keep up the good work! Vocês vão conquistar o mundo! (ou então não!) :)
Podem visitar o meu cantinho se desejarem:
pedaçosdenada.blogspot.com
»

Aviso Irra Cional

Optimus Galarza, após várias semanas de meditação profunda em que se escusou a proferir qualquer declaração ao colectivo galárzico e ao mundo, aproveitou ontem a saída da sua posição meditativa para nos dizer a todos a palavra «golo». «GOLO». Palavra que tem repetido sobejas vezes ao longo das últimas 20 horas.

Resta-nos tentar descobrir, com a nossa menor argúcia, todo o significado metafísico da nova descoberta do nosso grande Secretário Geral e Presidente.

16.6.04

O Relato

O Figo está maduro mas felizmente a bola deu à Costa.

«highly illogical!»

Live long, eat more salsa and prosper!

Os The Galarzas vêm por este meio anunciar a sua associação à famigerada Leonard Nimoy Should Eat More Salsa Foundation. Visitem a nossa loja e procurem os descontos assinalados.

Um dia na vida de um cidadão diferente dos outros anteriores

07h 23 – Sai de casa a abotoar a braguilha porque não há tempo suficiente para completar a toillette em casa e ainda assim tomar o transporte público.

07h 24 – Ao passar em frente ao café da esquina a toda a velocidade é atingido pela água suja de lavar o chão lançada a balde pela dona do estabelecimento para “lavar o passeio”.

07h 24m 49s – São ditas as primeiras palavras do dia e não são bem o melhor exemplo da literatura portuguesa: “Foda-se, caralho!”

07h 25 – O autocarro passa à tabela. Passa e não pára. O próximo é daqui a meia hora.

07h 26 – Retorna a casa para trocar roupas e comer qualquer coisa a ver televisão.

07h 50 – Nova saída para tentar pôr-se em trânsito.

07h 55 – O transporte chega à hora prevista, mas já vem substancialmente mais cheio que o anterior. Inicia-se a viagem de pé inspirando brutalmente os odores dos 80 cidadãos que acompanham na viagem.

08h 48 – Fim da primeira parte da viagem. Espera

08h 55 – Segunda parte da viagem a bordo doutro autocarro. Esta é mais calma e confortável, prossegue de pé mas com algum espaço em redor.

09h 43 – Chegada ao local de trabalho retocado com olhares reprovadores dos pares e dos ímpares.

09h 45 – Começo da actividade laboral em meio de uma sensação de absoluta impotência, pensamentos pouco salutares e “morte à rainha”.

09h 46 - Acidentalmente corta um dedo. Deixa-se ficar quieto à espera que a hemorragia se torne irreparável na esperança de que o administrador seja acusado de homicídio.

(...)

Ni!

Para começar o dia, nada melhor do que passar os olhos por um interessantíssimo site, eloquente e cheio de informação, acessível e de navegação extremamente intuitiva e com um grafismo cuidado, cativante e sedutor. Com as colunas ligadas, promete-se uma experiência inolvidável - nunca mais navegará na Internet da mesma maneira, depois de descobrir este site. Palavra de Galarza!

15.6.04

Outro dia na vida de um cidadão

Caro leite or/ora - leia abaixo a descrição completa do dia de um cidadão. Depois, volte aqui e perceba que pode haver dias ainda piores.

11h10 - Início da descida das Escadinhas do Duque

11h12 - Tropeção monumental. O corpo rola por ali abaixo. Com o antebraço protege-se a cabeça.

11h13 - Fim da queda. Populares gritam «ai jesus», mas apenas olham para um gajo.

11h14 - Finalmente alguém diz: se o gajo não se mexe é melhor chamar uma ambulância.

11h22 - Chega a ambulância. Perguntam de que zona somos. Como o maxilar está perto da tíbia, dizemos «urghuurgh», convencidos que explicitámos «São Jorge de Arroios»

11h22m18s - «Se não sabe de onde é, vai para São José, porque parece ortopedia», diz o paramédico. O "parece" é bem visto: só há uma fractura exposta.

11h30 - Chegada a São José. Nova busca dos documentos. Chamam um polícia para o fazer. A zona não é a correcta: «Devia ter ido para o Curry Cabral». Suspeitas fortes de hemorragia interna.

11h34 - Deflagra um incêndio nas urgências do hospital. Um doente a receber oxigénio abriu a garrafa para o ar e decidiu fumar uma beata. A maca onde estamos é arrancada em grande velocidade corrdedor fora. Ligam-nos a uma coisa qualquer, no telheiro de entrada.

11h40 - Saimos em direcção ao Curry Cabral. Vêem-se as chamas no São José.

12h00 - Chegada ao Curry Cabral. Estão dois enfartes à nossa frente.

(...)

Um dia na vida de um cidadão (actualização)

Ligaram do banco: a declaração está pronta - vamos buscá-la amanhã de manhã. Dizem que desta vez é que é.

Ligou a agente: a declaração da Câmara Municipal não está pronta - só amanhã. Diz que a escritura fica adiada.

Pôrra para isto!

Um dia na vida de um cidadão

Em breve, este Galarza vai mudar de casa. «Parabéns!», dirão os amigos, entre sorrisos e palmadinhas nas costas. Tudo muito bem - não fosse o martírio que se sofre neste país para comprar casa.

Exemplo - a manhã de hoje, véspera da assinatura da escritura, ao fim de quatro meses de espera depois da assinatura de contracto-promessa de compra e venda (com prazo de 90 dias até à escritura):

8.30h: ida ao banco A para levantar uma declaração pedida na véspera com urgência, depois de uma primeira declaração, pedida à várias semanas, ter vindo mal passada.

9.00h: ida ao banco B para visar um cheque de valor absurdo - operação fácil, mas de acentuada demora devido à ineficácia do sistema informático e ao facto do bancário não perceber como funciona o computador.

9.30h: chegada à agência imobiliária, com alguns minutos de atraso - a agente estava atrasada (já é hábito...).

9.50h: a agente continua atrasada - a recepcionista entrega-nos uma fotocópia dos impressos para irmos andando para a Tesouraria das Finanças, para comprar e preencher os impressos do Imposto.

10.00h: impressos pagos e preenchidos, seguimos para o balcão das Finanças para os entregar - a agente continua atrasada.

10.01h: chegada à fila para as Finanças - a agente continua atrasada.

10.30h: à espera na fila das Finanças - a agente continua atrasada.

10.45h: à espera na fila das Finanças - a agente continua atrasada; de trás do balcão pedem-nos calma - eu respondo que «eu tenho calma, o meu chefe é que não».

11.00h: à espera na fila das Finanças - a agente finalmente chega.

11.15h: à espera na fila das Finanças - percebemos que a declaração do banco A vem outra vez mal passada; telefonema para o banco a pedir nova declaração e desta vez como deve ser, por favor!; dizem que ligam de volta.

11.30h: ainda à espera na fila das Finanças - do banco, ninguém liga.

11.40h: finalmente, somos atendidos nas Finanças - entregamos os impressos; a agente segue para a Câmara Municipal para levantar uma declaração que estava em falta há vários dias mas que só agora o notário se lembrou de avisar, porque sem essa declaração não há escritura e a escritura está marcada para amanhã; do banco, ninguém liga.

11.45h: recebemos os recibos dos impressos e o aviso de que depois da escritura temos que 60 dias para entregar fotocópia da mesma no notário e depois nas finanças, junto com uma planta autenticada do andar, e para pedir isenção de contribuição autárquica - os impressos vêm com erro; do banco, ninguém liga.

11.50h: corrigido o erro - a caminho da Tesouraria para pagar o Imposto; do banco, ninguém liga.

11.51h: na fila para pagar o Imposto; do banco, ninguém liga.

11.55h: pagamento do imposto; do banco, ninguém liga.

12.00h: a caminho de mais um dia de trabalho; do banco, ninguém liga...

Amanhã é dia de escritura. A ver vamos se se segue mais um dia na vida frustrante de um cidadão português, bem recebido nas Finanças e bem atentido nas repartições públicas. Acho que vou tirar a minha bandeira da janela...

PS: do banco, ainda ninguém ligou.

Euro dúvidas

O Partido Humanista (Ph), será neutro, ácido ou alcalino?

Ou seja, serão suiços, sarcásticos ou pilhas de longa duração?

O meu Sonho .121

O meu Sonho era que o Doente do Movimento pelo dito (MD) se curasse. O que deve ser fácil, um doente com movimento não pode estar muito mal.

A Linha é de Ferro 9ª

A Laura continuava a lembrar-se do chefe da estação ao lado da linha a gritar para o Lopes, e da miúda que ia a pé ao lado do carrinho das malas a assustar-se, a desatar a correr e só parar à beira da praia.
A Laura conseguia rir e chorar ao mesmo tempo mesmo sem sentir as emoções correspondentes de alegria ou de tristeza. Qualquer objecto ou acto que visse acontecer do outro lado da rua, lhe serviam para exteriorizar uma coisa qualquer que não tinha nem no peito nem cabeça. O sonho da Laura era apaixonar-se a sério e levar esse sentimento excessivo até à mais longínqua consequência. Não fazia contas a nada. Não levava um pensamento até ao fim. Aborrecia-se sempre pelas mesmas coisas que a entusiasmavam no momento ulterior.
Quando se sentava sózinha em casa no sofá, ligava o televisor e fazia força para adormecer depressa porque não queria ver o seu filme preferido: era "bonito demais", e como tanto podia deliciar-se pela centésima vez, como podia ficar imensamente melancólica, fazia força. Mas nunca lhe acontecia adormecer. Aninhava-se e esperava que um avaria inesperada lhe desse cabo do aparelho e a salvasse.

O meu Sonho .120

O meu sonho era ser taberneiro; ter um facalhão grande e um avental imundo.

14.6.04

Faz mal!

Segundo notícia vinda a Público hoje, o Presidente dos EUA devia andar com um aviso à frente e atrás a dizer «Eu prejudico gravemente a saúde» ou «Eu mato».

Vale a pena ouvir

Keane: Hopes & Fears

(apesar de algumas semelhanças demasiado óbvias com uns certos ingleses, a coisa vai entrando suavemente até não se querer ouvir mais nada - sim, ainda há discos assim: tristes, melancólicos, bonitos, não para ouvir mas para ir ouvindo!)

13.6.04

A levedura de cerveja

Que bem que me tem feito a levedura
de cerveja!
Limpou-me a casposa brotoeja
e a literatura!

Ou será a pulseira japonesa
que me prende à saúde?
Ou esses banhos em que o corpo exsuda
à finlandesa?

À porta dos quarenta todo o cuidado
é pouco!
Devaneios? Pois sim... Allegro ma non troppo...
...e há-de ser dado!

Quem sabe se, minaz, um carcinoma,
do corpo nos recessos,
a esta hora não me faz progressos
a caminho do coma?

Complexado como eu também não há
ninguém!
A não ser, talvez, a minha mãe,
que já lá está...

A vida, mãezinha, foite dura,
muito embora...
Adeus, adeus!, que está na hora
da levedura!

Alexandre O'Neill, «Poesias completas 1951/1986», INCM

Poema de: Fernando Pessoa



Bicarbonato de Soda

Súbita uma angústia...
Ah, que angústia, que náusea do estômago à alma!
Que amigos que tenho tido!
Que vazias de tudo as cidades que tenho percorrido!
Que esterco metafísico os meus propósitos todos!

Uma angústia,
Uma desconsolação da epiderme da alma,
Um deixar cair os braços ao sol-pôr do esforço...
Renego.
Renego tudo.
Renego mais do que tudo.
Renego a gládio e fim todos os Deuses e a negação deles.

Mas o que é que me falta, que o sinto faltar-me no estômago e na circulação do sangue?
Que atordoamento vazio me esfalfa no cérebro?

Devo tomar qualquer coisa ou suicidar-me?
Não: vou existir. Arre! Vou existir.
E-xis-tir...
E – xis – tir...

Meu Deus! Que budismo me esfria no sangue!
Renunciar de portas todas abertas,
Perante a paisagem todas as paisagens,
Sem esperança, em liberdade,
Sem nexo,
Acidente da inconsequência da superfície das coisas,
Monótono mas dorminhoco,
E que brisas quando as portas e as janelas estão todas abertas!
Que verão agradável dos outros!

Dêem-me de beber que não tenho sede!

20/06/1930

Álvaro de Campos, "Poesias", Assírio & Alvim 2002

Completam-se hoje 116 anos sobre o nascimento em Lisboa de Fernando António Nogueira Pessoa.
Haveria de falecer na mesma cidade a 30 de Novembro de 1935.
Pelo meio passou físicamente pela África do Sul e mentalmente por todos os lugares onde os homens que lhe habitavam o espírito estivessem. Nunca foi rico, não tinha tempo para se pôr a ganhar e a arrecadar dinheiro, só o suficiente para pagar a renda e sobreviver. O tempo roubava-lho o papel em branco.
Fernando Pessoa só queria escrever a poesia que trazia na cabeça e passar os dias a magicar se de facto era dor ou não a coisa que sentia.


12.6.04

«Vamos deixá-los em ruínas»

Nada como os clássicos gregos para recuperar a perspectiva.

A bola é redonda, os submarinos custam mil milhões, a relva é verde, o túnel é uma calinada, o Collina é careca, a Casa pia baixinho, o Pinto é Papa, o Scolari é ateu, o futebol é um jogo e não a tábua de salvação nacional.

Ver os Pixels por um canudo

O Super Brocas Super Rock em vol-de-oiseau:

-Filas gigantescas para ingerir líquidos.

-Para os mais pudendos e pudendas, filas gigantescas para despejar líquidos.

-Os Pixies em Pixels de écran nos arredores de Braga.

-O Lenny enKravado nos mais batidos truques de palco.

-O Trancão um nadinha mais poluído.

Viram-se gregos!

O Euro 2004 já é um sucesso. Logo ao jogo inaugural (Portugal - Grécia), foram quebradas duas velhas tradições: pela primeira vez, o selecção anfitriã (Portugal) perdeu um jogo de abertura de um Campeonato da Europa; pela primeira vez, a Grécia ganhou um jogo num Campeonato Europeu. Começa bem, o Euro 2004!

A defesa grega esteve de pedra e cal

Poema de: Idálio Juvino

O meu Farnheit é maior que o teu.
O meu pé de atleta é olímpico
e o teu só vai às corridas do bairro
Recebi uma herança de Prometeu
que acendi debaixo de ti.

A sardinha mais gorda ficou
preta no teu prato
e o porco grelhado, no meu,
em ponto de rebuçado.

A minha má fama é a mais limpinha.
A tua é uma carroça com roda ferrugenta,
com uma corda peganhenta
e uma mentira que ninguém adivinha.

A minha perna é coisa fina.
A tua é um resto de porcelana da China
feita em cacos, por seres tão quadrado e azelha.

O meu amor é diferente do teu
e dos outros, porque eu faço um molho especial
que não leva especiarias,
nem daquelas coisas que tu querias.

Fui eu quem inventou a luminescência.


Idálio Juvino, "Operário Febril", Editora Por Detrás da Piscina , Barreiro, 1986

O meu Sonho .119

O meu sonho é «redondo e amarelo com quadrado vermelho».

«Deixem-me sonhar!»



«Ilustre, veio um dia perguntar-me como se poderia enfatizar a memória de um afecto. Disse-lhe, olhos nos olhos, pois era mais alto que eu mas parámos ali nas Escadinhas do Duque e como estava degrau acima, fitei-o: "Torres, pá. Deixa de sonhar". Compreendeu-me mal e, dias depois, saía-lhe aquilo da boca, antes de voar para a Alemanha.»

Monsanto Guedes, in Ocorrências Lisboetas, 1988, ed. autor

11.6.04

Olha o anacronismo!



Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu jucundo
O Oceano, a rugir d'amor,
E teu braço vencedor
Deu mundos novos ao Mundo!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal do ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!




A Bandeira: de D. Sancho I (1185-1211), por D. Afonso II (1211-1223), a D. Sancho III (1223-1248. Nesta época, as armas reais eram representadas por cinco escudetes de azul em campo de prata, dispostos em cruz, os dos flancos deitados e apontados ao centro. Cada escudete era semeado com um número elevado e indeterminado de besantes de prata. Sobre a origem e simbolismo destes escudetes existem muitas teorias. Segundo as duas mais conhecidas, os escudetes aludem às cinco feridas recebidas por D. Afonso Henriques na Batalha de Ourique ou às cinco chagas de Cristo.

A Portuguesa, poema de Henrique Lopes de Mendonça, canção de intervenção anti-inglaterra, que a república havia de aproveitar como hino.


Castelos

A propósito da moda da semana, quem andar pelas ruas um bocadinho atento, talvez repare que em matéria de castelos na bandeira nacional de Portugal há neste momento uma grande falta de consenso. Podem ver-se penduradas por toda a parte, algumas de pernas para o ar, ou melhor de ameias para baixo, ou de Norte para baixo, e entre todas elas existem pelo menos meia dúzia de desenhos diferentes a representar os castelos. Já nem sei qual seria o desenho original aprovado pela Assembleia da República.

Para o Saara

Gosto muito de festivais de rock, especialmente porque não são de uso obrigatório, porque eu não quero ir a nenhum. Mas porque é que me têm que ficar sempre no meio do caminho? Porque é que eu tenho que perder mais tempo no trânsito da minha viagenzinha quotidiana? O Senhor Medina pagou-me alguma coisa? Ou pagou alguma coisa às pessoas que moram no bairro ao lado da coisa do festival que não puderam dormir durante seis dias? O Senhor Covões vai pagar-me alguma coisa pelo tempo que perdi nos últimos dias para chegar a casa? De repente as confusões passaram todos para a mesma zona da cidade e quem está cá todos os dias que se lixe.

Da próxima vez façam a coisa lá para o Estoril, ou para a Serra de Sintra (mandem árvores abaixo se for preciso). Melhor aluguem um bocadinho do deserto do Saara ao Rei de Marrocos, o senhor há-de ter lá algum espaço que possa dispensar.

Hoje há Peixes

This monkey's gone to heaven...

Hoje há Pixies no Super Bock Super Rock. E este Galarza vai ver Pixies.

Vem aí a órbita


Comendadores



Comendador da Ordem de Mérito - Tim
Comendador da Ordem de Mérito - Zé Pedro
Comendador da Ordem de Mérito - João Cabeleira
Comendador da Ordem de Mérito - Kalu
Comendador da Ordem de Mérito - Gui (fora da foto)

10.6.04

Euro2004. Mai Nada.

A lota continua



À tua, camarada!

Poema de: Álvaro de Brito

(Excerto de Poema)

Ja cousa nam sei que fale
acerca de vos amar
e menos nam hei que cale
nem que me possa prestar.
Fortuna é contra mim,
vós também,
a vida que me sostem
é pior que minha fim,
que tarde vem.(...)

(...)Sentimento seisto tenho
receo de falecer
este viver que mantenho
e perda vos receber.
Perda de tal servidor
é de sentir,
falece em vos servir,
sem ouro tal amador
restituir.

O sentimento seteno,
querer querendo prisam,
u forçadamente peno
sem sair de sogeiçam.
Ca por meu contentamento
descontente,
vivo vida padecente,
nam podendo ser isento
nem servente.

in Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, INCM, 1990

Poema de: Luis Vaz de Camões

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

The Galarzas no Benfica

Segundo notícia do diário islandês, Skessuhorn, os The Galarzas terão chegado a acordo com o Benfica para representarem este clube pelas próximas duas épocas. Não estão ainda confirmados os detalhes do contrato, mas sabe-se que estarão envolvidos números redondos com cerca de oito algarismos.

9.6.04

Francamente!

Quando eu for grande quero ser conhecido e morrer logo a seguir, que é para ver se, de um dia para o outro, falam bem de mim e, dias depois de me chamarem «orelhudo», «caixa de óculos», «feio», «gordo», «inconsequente», «analfabeto» e outros mimos, virem para aí dizer que têm muitas saudades minhas e que eu era um «homem bom» e um «cavalheiro» e um «excelente estadista» e um «político com p grande» e outras hipocrisias. Como está a acontecer com um senhor que morreu hoje e que ainda ontem era o detestável inimigo!

Vestido, de noite

De noite
vestido
de noite
velado
fendido
corpo
interrompido
rasgado
como
vestido
de noite

Óscar Machico, in «Chanel de la Mancha», Edições Disse Ões, 1991

Bastardo

Dado que este, chamemos-lhe assim, governo é constituído por vários apologistas dos valores familiares tradicionais, talvez seja desta que a responsabilidade pelo défice orçamental, por portas travessas atribuída em exclusivo a quem já não vê nascer o sol, é, pelo menos, partilhada.

Mas o mais provável é o pobrezito continuar órfão.

E sem periquito.

Fumo, logo cuspo

«Portuguesa Estuda Saliva para Detectar Droga em Condutores»

Ora aqui está um bom pretexto para cuspir na BT.

Da Poesia

«Escrever poemas de amor é igual à masturbação: com uma musa boa, tudo o que nos sai da mão é mais inspirado.»

Monsanto Guedes, in «Discursos Flamejantes - Estudos e Comparações»

Voto em Branco

Sem Sousa Franco,
o voto é em branco!


Até amanhã, camarada

(e um beijinho deste Galarza à sua ex-professora Matilde Sousa Franco)

A pena é que nos começámos a afeiçoar à D. Matilde


Requiescat In Pace

Europa

«digamos que é coisa que consta nos mapas e nas Páginas Amarelas: Euromeia, Euromac, Eurolupa, Europortas, Euronível, Europsia, Euroshop, Eurotur, Eurocalor, Eurocanal, Eurosanitar, Eurorumo e assim por diante. Há muitas Europas, portanto. Só com uma Eurolupa seria possível descortinar o Euronível do debate eleitoral e, ainda mais difícil, o Eurorumo onde estamos metidos.»

É uma pontinha do véu. O strip integral está aqui.

Fraca recuperação

Encharcado em anti bióticos, traumáticos, ortopedológicos, dei por mim a levantar-me agora mesmo da cama, onde estou há cerca de 48 longas e dolorosas horas. Febril, dirigi-me à sala, para desentorpecer do decúbito. Oiço ao longe a Fátima Campos Ferreira de Matos Lima a pedir ao Pinto da Costa que recite um soneto dos Lusíadas.
Passo por aqui e vejo o computador ligado. Não resisto.

8.6.04

Aviso Iluminativo

Jà está à venda nos locais habituais a revista de «humor sórdido», A Gaiola Aberta Nº 14 da II série, fundada e dirigida pelo grande artista José Vilhena. O número deste mês versa sobre Durão Barroso, a História de Portugal, a Televisão, Luís de Camões e muitos outros artigos de cultura em geral.

Para quem não goste do género «sórdido», sempre pode ler o Jornal de Letras. É um estilo mais limpinho que nós não apreciamos, mas como até temos um amigo que trabalha lá incentivamos os e-leitores a que o comprem, que sempre ajudam a manter o emprego do nosso amigo.

Que estranha forma de vida

É o Euro, é o Euro!
cura hemorróidas e calos
cura doentes e sãos
aos pernetas crescem mãos
aos cegos olhos na testa
a economia explode
o do costume se fode
e no fim faz-se uma festa

Faróis da nação

Vencer o Euro, eis o grande desígnio nacional.
O escudo já foi derrotado há uns anos...

Poema de: Ana Hatherly

Variação VI

Feigenbaum, seit wie lange schon ists mir bedeutend

Figueira
ó árvore que irrompes da rua secura
suportando o penoso desdobrar de teus ramos
amaldiçoada
ofereces ainda a doçura de teus frutos
a sombra de tuas folhas
a firmeza do teu apego à terra

Ó dura bruta forma
heroína da escassez
ó teimosa
que insistes e insistes
e nos ensinas
que a vida é feita de incessantes mortes
e que a nós
suas futuras vítimas
nos aguarda
a todo o momento
a derrocada do templo
sem nenhum outro fruto
além da amrgura

Ó doçura
porque amargas tanto
a nossa tentação de florir
ao mesmo tempo sendo tudo
e nada?


Ana Hatherly, Rilkeana, Assírio & Alvim, 1999

À venda, num dealer perto de si

Atenção: este papel não serve para enrolar charros.

Já nas bancas, diz o Público. Finalmente, digo eu.

Já se foi

Vénus já passou. Para este Galarza, o transe de Vénus foi como o Rock In Rio: eu não fui, eu não vi!

Lembradura («Portem-se bem!»: o regresso)

Parece que há quem se ande a queixar de não ter recebido a cartinha do Senhor Ministro... Ora, para que não digam que os The Galarzas não são amigos do seu amigo, recuperamos o resumo da dita: é aqui mesmo, se faz favor. É um gesto bonito, não é?

7.6.04

'Ganda Moca

Os The Galarzas aproveitaram cinco minutos desta noite para assistirem aos jornais de televisão e ficaram a saber de duas noticias que lhes deram uma 'ganda moca.

Na Televisão Independente soubémos que a Polícia Judiciária apreendeu 17Kg de Cocaína proveniente da Colômbia, e que esta seria suficiente para fazer 200.000 (duzentas mil) doses da simpática droga.

Na Sociedade Independente de Comunicação descobrimos que a Polícia Judiciária de Aveiro apreendeu 14 Kg de Heroína remetida de Espanha, de que resultariam também 200.000 (duzentas mil) doses para venda ao público.

Os The Galarzas fizeram as contas e concluiram que:
1º- Para apanhar uma moca de Heroína bastam 0,07 gramas da dita.
2º- Para obter efeitos similares com Cocaína é necessária uma dose um pouco maior, 0,085 gramas, para ser mais preciso.
3º- Se não houver diferença entre os preços dos dois estupefacientes é preferível o consumo da Heroína, porquanto haja a possibilidade de fazer algumas economias.

Por falar em mierda...

...esta extraordinária descoberta é capaz de ter algum interesse. Ou não. Ou talvez o que interesse é saber que, em dois anos, seis pessoas cagam seis toneladas de merda! É muita merda...

Mierda, han descubierto nuestro secreto!

Pôrra! Agora, já toda a gente sabe porque é que, na resguardo da noite, no sossego do lar, os The Galarzas se tratam por El Salivotas, El Duende, El Cachorro, Winnie The Pooh e Dulce Maria. Já um gajo não pode criar alcunhas, que vem logo a CNN fazer disso uma espalhafatosa notícia. Mira la mierda, coño!

Put on a Happy Face

Depois do Homem-Aranha, eis a Aranha-Cara-de-Gente-a-Rir:

Esta aranha ri. Ri de quê?

Isto é que é um bicho feliz.

The Galarzas not on Tour

«I'm back», gritou Quinto Galarza à chegada. Depois de vários dias a banhos perto de Cegonhalândia, Quinto Galarza percebeu que estava de volta quando viu dos GNRs pachorrentos debaixo de um chapéu-de-sol à beira da estrada e quando teve que parar na Auto-Estrada para pagar portagem.

Ainda assim, na cidade dos meridianos, Quinto Galarza viu uma bodega com Super Bock e um méson com café Delta ao lado de um banco do Grupo CGD. E muitas cegonhas, impávidas e serenas, nos seus discretos ninhos... As cegonhas não fizeram nada. Não atacaram, como se esperaria. Não fizeram barulho, como se temeria. Não chatearam, como se suspeitaria. Nada. Limitavam-se a estar lá. Impávidas. Serenas. Cegonhas...

6.6.04

A Linha é de Ferro 8ª

João Paulo II sentava-se displicentemente na sua poltrona em frente ao aparelho receptor de televisão e ia assintindo à apresentação das últimas notícias da noite, enquanto aguardava pela emissão da telenovela. Numa das últimas peças apreciava a sua própria postura junto de um primeiro-ministro estrangeiro que o visitara nesse dia e pensava: «Grande cabrão! Isto 'tá-me sempre a sair cada pulha na rifa! Devia era mandar estes gajos todos à merda. Canalhas. Porcos. Hereges. Sabem lá estes cabeças de muco o que é ser católico... Nem cristãos são, estes moncos!»

No episódio dessa noite, Ramiro, o homem bom da história, iria ser traído por sua mãe mais uma vez. Emiliano, o amigo inseparável, iria ficar cego pela terceira vez. Suely, entrava na linha, perfilhava a sua filha ilegítima e renunciava à herança do pai, Dom Gugelmín, ao que este, orgulhoso pela primeira atitude de mulher adulta que jamais vira na filha, havia de largar cinco lágrimas inconfundíveis do olho direito.

O Santo homem remexia a tisana com a colher comprida e pensava: «E se eu metesse uma cunha para o Cagliari ganhar a taça? Bah! Até um velho com a minha divina paciência se farta de ver a mesma jogada todos os anos. E os tipos podiam vir beijar-me o anel. Falando nisso, e se eu deixasse de o lavar só para ver os sabujos cheios de feridas na boca?»

Velázquez, o velhaco urdiria um novo plano para ver-se livre de Ramiro, que iria finalmente dar-se conta de que a enfermeira Sónia fazia jogo duplo e esperava recolher dividentos das duas partes. E diria Ramiro: «A minha vontade é a mais dura porque é de ferro.»

É bom

Morreu mais um pulha. É bom. Fico contente com isso, apesar de ir com 93 anos de atraso.

Mr Spock, I presume?

Bradam da Rua da Judiaria uma curiosidade interessante. No centro de um dos mais populares gestos da ficção científica dos anos 60 está uma ancestral saudação judaica, Birkat ha-Cohanim, conta-nos Nuno Guerreiro, autor do referido bélogue. Além do mais, há lá material do melhor.

5.6.04

Reagan gone home (Soares still with us)



Lírica em mode baixo


4.6.04

O meu Sonho .118

O meu Sonho era que o Brasil ganhasse o Euro 2004.

Rock In Rio: Eu Vou II

Pagando mais de trinta contos eu vou ter acesso à tenda VIP. Este mega-bilhete concede a maravilhosa possibilidade de ouvir «das gentes VIP» um «quem é este?», aparecer na SIC e comer em puffs do tamanho da minha cama. Eu vou ser VIP (Very Important Pintas).

Rock In Rio: Eu Vou I

Segundo informações de canais de televisão que não a SIC, eu vou evitar uma mega-intoxicação alimentar.

The Galarzas on Tour - As Cegonhas

Os meridionais, moradores da pequena cidade extremenha de Mérida, estão mais sossegados, relata Quinto Galarza em missão, a partir da região mais ocidental do reino vizinho. As cegonhas, que esta manhã chegaram a ameaçar, com uma ou ambas as vistas, descer do alto das chaminés e picar contra os bonitos monumentos da cidade histórica, ficaram-se por voos planantes e plácidos.

Quinto Galarza, atento, dará mais notícias em breve.

Debate... Debalde

Depois de muito aturadamente perscrutarem esse belo compêndio editado pela Assembleia da República que é o «Programa do XIV Governo Constitucional - Apresentação e Debate», os The Galarzas concluem que a frase mais ouvida no plenário é:

- Muito Bem!

Quando calhar, e se houver a boa vontade para tal, faremos um estudo sobre outros plenários da mesma casa, mas com a grave sensação de que esta será de facto a frase mais ouvida em todos eles.

Pelo que concluímos que, segundo os senhores deputados da Assembleia da República Portuguesa, está tudo «muito bem».

3.6.04

OVNI postal

Os Extra Terrestres

Dizem-nos neste saiter nacional que foi fotografado um humanóide na Serra da Estrela. Muito, muito bom.

Óvení

Quando uma única sigla carrega aos ombros a responsabilidade de nomear toda a sorte de fenómenos tantas vezes díspares e não relacionados, torna-se urgente diversificar o léxico. Caro OVNI, não mais estarás só. Toma lá parentela:

OVQI - Objecto Voador Quase Identificado.

ONVI - Objecto Não Voador Identificado.

OVONI - Objecto Voador OU Não Identificado.

ORNI - Objecto Rastejante Não Identificado.

AVNI - Abjecto Voador Novamente Identificado.

ONIV - Objecto Naturalmente Identificado e Voador.

OOVESI - Objecto Objectivamente Voador, Embora Subjectivamente Identificado.

OTVEDI - Objecto Talvez Voador E Deficientemente Identificado.

Figuras de Estilo II

Na sua mocidade, o talentoso professor de educação sexual Karol Woytila distinguiu-se com a revolucionária teoria de que os preservativos seriam mais eficazes se usados no polegar.

Diálogos com...

Rato-Monte
(fragmento 620)

Diz Rato-Monte:
- Deus é pai de cada filho da puta!

Parto sem dor (tsab-style)

Escrito postado à porta desta beluga por este Galarza, em véspera de longa viagem:

VOLTO JÁ!

Semi fusa

Se te falo em francês, escuta, se te falo em francês ainda que arrastado, ainda que já velho, ainda que a janela esteja fechada e lá em baixo seja Évora
se te falo em francês é porque acredito que possas ainda entusiasmar-te pela língua, pela ideia de um dia, comigo, pensares em francês,
repara no piano,
cantavas Kurt Weill, rapavas as pernas, eu aqui sentado só tocava com a mão equerda, a dos graves,
repara na foto, tinha seis anos, havia padres e padrinhos e um homem que tinha morto outro e quando isso acontecia era a loucura a causa, o alibi, o mote, não havia crimes, havia culpa, o tio foi a entrerrar e deixou-nos o piano cá em casa
dos grandes,
e tu quando nasceste foste uma alegria, não por mim, que sempre te desejei lascivo, mas esperei, ao contrário do teu outro tio que levou um tiro no meio da cabeça, estávamos todos a jantar, eu tinha seis anos e lembro-me do crâneo a abrir-se como se fosse um espelho a estilhaçar para cima do sarapatel, a tia Inês já desgraçada, viúva aos 27, a tua idade, repara, viúva e sem nada para fazer a não ser lamentar-se e lamentar e então
o piano veio cá para casa e um dia aprendi a tocar ao som do rádio,
tu cantas e eu toco Elvis Costello, Portishead,
claro que não sou louco, mas sempre te desejei, és mais nova, tens umas pernas lindas, tens peito, o teu rabo é redondo e proeminente,
não tens cauda como as outras mulheres e lá por ser teu tio não impede que possa desejar-te mas deixa estar,
o diabo seja surdo, mudo, mas que te veja,
um piano daqueles enormes, aqui na janela, olha

Figuras de Estilo I

D. Duarte Pio apanhado de madrugada a grafitar as placas toponímicas da Avenida da República.

Insultos para uma campanha rica

Embuidos no espírito de critica feroz que tem pautado a grande campanha eleitoral para as europeias, The Galarzas lançam aqui vários insultos para que sejam utilizados pelos nobres candidatos ao parlapiê europeu.

Insultos contra Deus Pinheiro:

"Vai lá, não leves a manta!"
"Tás batido na Universidade Taberna"
"Só não te dou uma pêra porque já a tens"
"Deus, amigo, Cavaco está contigo"
"Ó Pinheiro, és manso ou bravo?"
"Ó João, não uses o nome de Deus em vão"
"Ó João, olha o palavrão"
"No PP/PSD, cada tacada, minhoca"

Insultos contra Sousa Franco

"Isto entra-lhe por uma orelha e sai-lhe pela mesma"
"Ele é a inseminação artificial do déficit"
"Mais tarde ou mais cedo, Sousa Franco mete medo"
"Se Sousa Franco fosse vivo, o déficit não teria nascido"
"Déficit só há um, o de Franco e mais nenhum"

2.6.04

Frango assado-masoquista II

Informamos com grande pesar que Aníbal passou a outro nível.
Agora, Aníbal é ex-Aníbal.
Rest In Piece.
Ou seja, Descansa Em Pedaços.

Ovni

Perante a descrição do fenómeno que assolou Portugal na madrugada de dia 2 de Junho, e que abaixo se reproduz, chegaram The Galarzas à conclusão de que se tratou de...

"uma luz branca que deitava fumo e sem som"

...uma bufa, que como se sabe não tem som, deita gás e, à frente de materiais incandescentes, pode criar luz.

'Tá a marchar!

Ora aqui fica o que é, para que depois não digam que os The Galarzas isto e os The Galarzas aquilo. É serviço público? Ora toma:

MARCHAS POPULARES DE LISBOA
12 Junho - 21h - Avenida da Liberdade:

Marcha Infantil d'A Voz do Operário (Rita Lopes e Tiago Fernandes);
Marcha de Carnide (Ana Rocha e Francisco Brás);
Marcha da Bica (Mª João Quadros e Nuno da Câmara Pereira);
Marcha de Âlcantara (Flora Miranda e Manuel Magalhães);
Marcha de Campo de Ourique (Mª José Valério e Gonçalo da Câmara Pereira);
Marcha de Campolide (Susana Pinto e Marco Quelhas);
Marcha de Alfama (Helena Isabel e Heitor Lourenço);
Marcha de Marvila (Carolina Tavares e Fernando Monteiro);
Marcha do Castelo (Maria Rueff e Joaquim Monchique);
Marcha do Alto do Pina (Wanda Stuart e Pedro Migueis);
Marcha do Bairro da Bela Flôr (Valéria Carvalho e Paulo Azenha);
Marcha da Graça (Carla Andrino e Diogo Morgado);
Marcha do Bairro Alto (Liliana Fernandes e Octávio de Matos);
Marcha da Mouraria (Maria da Fé e João Ferreira Rosa);
Marcha da Ajuda (Dina do Carmo e Nuno Norte);
Marcha do Lumiar (Anita Guerreiro e Fernando de Sousa);
Marcha do Beato (Rita Ribeiro e Hugo Rendas);
Marcha da Penha da França (Sónia Matias e Joaquim Bastinhas)
Marcha de Benfica (Fernanda Freitas e Nuno Graciano);
Marcha da Madragoa (Joana Solnado e João Catarré);
Marcha de S. Vicente (Kátia Guerreiro e João Melo).

Siga a marcha!

«Fotografia do Iraque - Impressionante»



Envia-nos esta esclarecedora imagem o emérito Zé Ruizinho, membro infalível do Gang do Zé (tem o linkezinho aí ao lado), naturalmente preocupado com os desenvolvimentos da guerra em que estamos envolvidos no Iraque e particularmente, como não poderia deixar de ser, com a situação das crianças, que, como é sabido, são sempre quem mais sofre.

O meu Sonho .117

O meu Sonho não existe nem em sonhos, ou não é coisa que valha a pena dizer.

Signs

Parece que ontem à noite (estava eu a ver os Sinais do Shyamalan) andaram aí umas luzes e umas manchas de fumo a sobrevoar os céus lusitanos. Será que os ETs também foram convocados para o Euro 2004? Ou vieram ao Rock In Rio?

Cá para mim, foi tudo um golpe de marketing de um filme porno-sci-fi português. Eles até arranjaram um «especialista» para dizer que «a torre de controlo do Porto detectou um objecto com uma atitude ascendente». Pessoalmente, já lhe ouvi chamar muita coisa, mas olha que «objecto com uma atitude ascendente» é bem visto...

Debacle eleitoral

Reuniram-se na associação histórico-cultural de Carnaxide, na noite passada, quatro dos vários candidatos a deputados europeus. Eis as melhores frases:

SOUSA
«Ó minha senhora, ó minha senhora».

DEUS
«Já pedimos desculpa».

PORTAS
«As pessoas não comem décife», ao que acrescentou «as pessoas não comem défice».

ILDA
«Assim é impossível».

As outras frases foram bem piores. Um saravá.

1.6.04

Frango assado-masoquista

Certo dia, Aníbal acordou e viu-se transformado num frango. Ou melhor, sentiu-se transformado num frango, pois não conseguia ver nada. Palpou-se com a asa esquerda e notou com alguma apreensão que não tinha cabeça. Alguém lha tinha cortado, e fora trabalho de profissional. Não admira que não visse nada. Além disso, estava fechado num sítio hermeticamente escuro. Escuro e quente, demasiado quente, mesmo para um galináceo depenado. As patas também não estavam no sítio costumeiro. É preciso manter a calma, pensou, não perder a cabeça. E riu-se com gosto, nada como manter bom espírito em situações difíceis.

(Com ti nua)

O meu Sonho .116

O meu Sonho era correr com eles, e não me refiro a jogging.

O meu Sonho .115

O meu Sonho agora é 112.

Direito de Reposta

Reposta ao Exmo. Sr. Ministro Adjunto do Primeiro-Ministro de Portugal:

Pois, caro amigo, queria só, por meio desta, não deixar de cordialmente o contravencionar, isto é, dar-lhe um sentido mas muito pouco agradecido saravá.

Postas as cordialidades, passo desde já a comunicar-lhe que, pela parte que me toca, os cámones que vierem por aí a ver a bola estão mesmo à vontade. Se, por exemplo, precisarem de indicações para chegar à estação do Rossio, basta que mas demandem com educação e com o esforçozinho de o fazer na língua pátria do amigo Luís Vaz, ou de outra forma certamente se verão na contingência de irem em direcção a Odivelas, porque quando vou às terras deles tenho também que me desunhar lá com a algaraviada dos senhores.

Espero, meu caro amigo, que, já agora, multiplique os transportes urbanos aí por essas alturas, porque eu tenho que andar por cá o ano inteiro, a vida toda, só vou à cidade para trabalhar e quando venho, ao fim do dia, gosto de me sentar no autocarro e vir em sossego. Não me fazem falta nenhuma duas dúzias de foliões aos gritos depois de passar o dia a arranhar para pagar as batatas, o bacalhau corrente e a senha do Lisboa Viva. E garanto-lhe que, se já não é lá muito agradável viajar com a sobrelotação habitual, menos será em sobre-sobrelotação.

O meu Sonho .114

O meu Sonho, que é recorrente, são dois. Mas só posso usá-los à noite quando estou sozinho para não desinquietar ninguém.

Desculpa de ausência

Doente o infante
Logo esgarabulha bactéria
Àquele da paternidade
Virose de vontade
Que retira à saciedade
Inspiração postal
Tem mal?
Pois terá
Deixar aos outros
O que nosso também é
É como pedir uma bica
E em vez de água
Sair café.

de Eustáquio Pinho, Águas Paradas não Movem Moinhos, Terrugem, 2004

«Portem-se bem!»

Em vésperas de eleições europeias. Em dias de tormento internacional. Em horas de pôr à prova a justiça e os criminosos do país. Em tempo de crise financeira, de despedimentos em massa, de Ministros a negociarem nas costas do povo, de Ministras a lembrarem-se que se esqueceram de pagar os impostos. Em boa hora, o Governo decidiu pôr as mãos à obra e os pés ao caminho.

Eis que, chegado a casa, este Galarza encontrou, por entre o molho de cartas e contas para pagar, uma carta do senhor Ministro Adjunto do Primeiro-Ministro. Envelope creme. Letras douradas. Institucional e, no entanto, provocante.

Será para nos pedir para ir votar? Será para nos dizer que a crise continua e que, por favor, temos que continuar a fazer um esforço? Será para nos lembrar que vêm aí tempos difíceis com a entrada de mais 10 países para a UE e a perda de euro-dinheiros? Será para nos pedir desculpa e paciência pelas intermináveis mas necessárias obras nas cidades, nas vilas, nas aldeias, nas estradas, nos montes, nos vales, no país? Será para nos sossegar, que o país está seguro contra possíveis ataques terroristas? Será para nos pedir compreensão, porque os nossos soldados têm que ficar mais uns tempos no Iraque? Será para nos lembrar que vem aí o calor e temos que cuidar das nossas matas e ter cuidado com os fogos e os incêndios? Será?

Mas não. Não. Não... A bonita cartinha do Ministro Adjundo do Primeiro-Ministro - simpático, digo; caríssima, penso! - é para nos dizer:

«Caros Portugueses

Estamos a poucos dias do início da Fase Final do Campeonato Europeu de Futebol, Euro 2004, que constitui o terceiro maior evento desportivo a nível mundial.

Trata-se de uma oportunidade única para a projecção internacional do nosso País, da nossa riqueza humana e patrimonial e da nossa ambição.
»

E, após enunciar este grande destino lusitano, segue por aí fora, enumerando os milhares de jornalistas que aí vêm e os milhões de turistas que se seguem, avisando que isto vai causar perturbações na nossa vida quotidiana.

Por fim, o senhor Ministro Adjunto lembra que:

«Importa aproveitar ao máximo este evento e demonstrar, a quem nos visita, a nossa intrínseca e cordial hospitalidade.

Estou certo que, todos juntos, faremos deste momento um grande sucesso, desde logo pelo empenho dos portugueses em agarrar de uma forma determinada esta grande oportunidade.

Estamos todos convocados - Portugal está pronto e conta consigo!

José Luís Arnaut
Ministro Adjunto do Primeiro-Ministro
»

Ou seja, resumindo e concluindo em letras que todos percebam: PORTEM-SE BEM!

Oh, grande e consciente Governo da Nação! Mil e um eternos e humildes obrigados, pois que, antes de Vós, estávamos à beira do Abismo. ConVosco, damos um passo em frente...