31.1.04

Garranos em debandada

Ó noite de vinagrete
atiça a melancolia
filosofas temerosa
expões fracturas na bacia

Jamais verás o Irão
a menos que a oliveira
se esparrame pelo chão
na próxima terça feira

Gaseados, pança farta
volteando pela noite
suplicas que te bata
mendigas um mero açoite

Óscar Machico, in «Gandulos na madrugada», Editorial Barrete Vermelho, 1993

Saldos

Frases soltas na selva da Amèlie:

«OLHA SÓ! Semelhanças...

Ao ler isto:

"
Na calçada, um moleque me pediu dinheiro. Vasculho o bolso e compro paz de espírito por trinta segundos e cinqüenta centavos"
Cuenca, JP., em
Corpo Presente

Lembrei disso:

"
Marcela amou-me durante quinze meses e onze conto de réis"
Assis, M., em
Memórias Póstumas de Brás Cubas»

Outro poema de Mestre Nestor Alvito

Dez A Bafo

Fico sem tino
Às vezes
Quando encontro o mar morto
Depois de uma sagacidade

Não bastava a liberdade roçar a mortandade
Ainda tenho que levar com as perguntas dos outros

(in Édito)

Poema de Mestre Nestor Alvito

Ensaio para poema

Fecundados
São os lírios do campo
Pelo Génesis
De tua bondade

(in Édito)

Poema de: Carolina Dulcídia

Nocturno

Fui por um serviço nocturno,
vi-me num aperto bem danado,
o cliente afinal, não tinha nabo.
Fiquei-me de semblante soturno!

Quem se chegou à minha beira,
pode até ser que não acredite,
não foi Hermes, foi Afrodite.
Amantíssima louca de bebedeira,

despiu-me, beijou-me os olhos lassos,
puxou-me o corpo para o colo rijo
e eu caí doida em seus alvos braços.

Assim lhe confesso num desabafo,
da minha boca à boca dela colada,
que foi a minha primeira lição de Safo.

Carolina Dulcídia, “Mera Actriz”, Editora Protelar, Vilarinho de Agrochão, 1989

Casual Saturday 2

A Cláudia hoje dormiu de brincos. Tinha um sonho importante.
Ela disse que era uma aula de saltar à corda em que todos os The Galarzas e associados participavam.

Quando pensava que não existiam mais anedotas

Há sempre anedotas em que entra um português, mas a última, que veio no Expresso, é demais: Bush descende de portugueses.

Com tanto gatinho inocente a ser afogado, como foi possivel um certo barco não estar no fundo do mar? Já temos muitas anedotas a denegrir os portugas, não precisávamos de mais uma.

The Beast of...

Porque é que as melhores belugas da blogusitânia tão cedo desaparecem ou se ausentam? Assim, obrigam-nos divagar por outras paisagens humorísticas que cedo perdem a piada ou deixam de dar gozo...

Há, na bela

«Impressionam-me os chatos. Parecem-me sempre os mais ensimesmados de todos os pulguídeos, com os focinhos altivos e aqueles olhos de quem espera algo que não sugará tão cedo. Em criança, experiência partilhada por multidões incontáveis por esse mundo fora, tive um chato. Na verdade, tive muito mais, mas àquele, em particular, chamei-lhe Leonardo. Na altura não achei explicação para o nome, pareceu-me apropriado e pouco mais. Hoje, à luz de uma maturidade entretanto adquirida à custa de algumas coçadelas, as do costume, percebo que era uma homenagem a priori ao grande génio da Renascença que foi Leonardo da Vinci. E o Leonardo, o meu, mais modesto de barbas do que o seu homónimo famoso, não deixava de exalar aquela aura de encantamento quase místico pelo saber do meu pequeno mundo púbico.»

(Obrigado a quem de direito pela possibilidade de o sentir.)

Casual Saturday

A Cláudia hoje dormiu de brincos. Tinha um sonho importante.

Ladies and Gentlemen, meet... the Cheese!

Ele está cá! É um Galarza e actua hoje no Porto. Ladies and Gentlemen, os vossos aplausos para Richard Cheese & Lounge Against The Machine...

Mr Cheese e os Lounge Against The Machine (Bobby Ricotta, Gordon Brie e Buddy Gouda)

...o quarteto que faz versões lounge dos êxitos do rock (e que faz muitos deles terem mais piada que os originais) e o homem que criou a Star Wars Cantina... Unfuckinmissable!

30.1.04

Fragmentos do Túnel Parte Um

Os The Galarzas promitem e comprem. Começa hoje o strip-tísico dos fragmentos pré-histéricos arrancados à espinha do túnel do Marquês. Eis-i-o:

Ecos da Caverna
Edição de Lua Nova de 9021 AC

Editorial
Muito se tem falado sobre essa descoberta recente, o fogo. Sendo inegável que traz alguns benefícios – quem não se divertiu já a atear o rabo do seu mamute? – é nossa esperança e convicção que esta inovação irá cair rapidamente no esquecimento. Um naco de carne crua continua a ser bem mais saboroso e nutritivo que o cubo tostado em que se torna depois de lambido pelas chamas; e quantos lares não serão desfeitos se um qualquer Kurgh, em vez de puxar a si a fêmea pelos cabelos para se aquecerem mutuamente, se afastar até à fogueira para aí se abandonar a um mutismo quente e hipnótico?
Progresso sim, mas não assim.

Sexo e Drogas em Público

O Público de hoje parece um manual de más educações... Começa com uma crónica de João Bénard da Costa, onde o Cinemateca Man disserta sobre a Playboy, o velho Hefner e as suas coelhinhas,

Para assinar este magazine cultural de alto teor intelectual carregue duas vezes no nariz do coelhinho

e acaba com uma entrevista a Luís Fernandes, autor de um estudo sobre o consumo de droga em Portugal, que diz coisas tão bonitas como estas:

«a cannabis é como a infidelidade: está generalizada»;

«há um grande paralelismo entre a droga e o sexo (risos): são governados por paradigmas morais
»;

«[a cannabis] é uma droga democrática, de partilha - diferente da heroína, que é totalitária, não se dá, compra-se, por vezes, rouba-se»;

«o perfil mais comum é o recreativo: há o indivíduo mais velho, que fuma em casa, como quem bebe um digestivo; o mais jovem que fuma num convívio».

Já só falta o rock n'roll...

Por vezes até um palito nos espanta

Ao acabar de uma refeição, enquanto beberrico o meu café, pedaços de douradinha teimam em não me largar um dente. «Por favor podia-me arranjar um palito... »– peço a um perito de grelhados que anda sempre por lá. Rapidinho chega-me um pacote de papel branco, com um itálico tampografado a azul dizendo: “Palito redondo individual”. Sorri. Fiquei contente por mais uma vez não me ter calhado “Palito esférico colectivo”, cujo modelo me deixaria com vincadas reservas ...

Ministério das Postas Parlamentares

Na Assembleia, mais um dia de festa. O ministro das Postas Parlamentares, hoje coadjuvado pela pessoa Só, dá a conhecer as melhores frases do debate.

Frases do Presidente do Conselho:

O PS está a precisar de um carinho.

O subsídio de alimentação é de 80 milhões de contos [atenção trabalhadores].

O senhor está enganado, está enganado, está enganado.

Frases de um líder da oposição que é comunista:

Quantos bóis é que o senhor tem?

Frases de um ex-líder do PSR:

O senhor tem a medalha do pior da Europa.

O senhor quer ser campeão do campeonato para o pior país da Europa.

Veio a ministra das finanças safar a ministra da justiça.

Frase de Ferro:

O senhor está enganado, está enganado, está enganado.

Frase de António Filipe, que também se senta:

Qualquer dia todos os seus ministros estão inscritos no CDS/PP, porque façam as trapalhadas que façam estão sempre defendidos.

Frase de um deputado do PS, com um sinal característico na face:

Vamos, senhor primeiro-ministro?

O ministro e sua assistente, a linda Só, que agora fará o pino invertido...

Agenda d'ôje



Lançamento do Baralho de Cartas Pedagógico Bocageano, seguido da palestra «Bocage: o jogo da vida, o jogo das cartas»: no Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal (Setúbal), às 21:30h.

Posto isto, eu hoje, afinal, vou jogar às cartas...

Acontece?

Eu hoje vou instruir-me.

29.1.04

Deitados populares X

O perú metido é de vidro, o perú do Bush era de plástico.

Reparação de Automóveis

Diálogos de Pardal Maluco
(fragmento 57)

Reparação de Automóveis

Sete Solas e Pardal Maluco à porta da oficina:
- Repara nestes automóveis.
- Estou a reparar.

(Esta posta foi escrita na criptográfica língua original. Atempadamente os The Galarzas reproduziram-na em Português para entendimento geral da grande Nação Galárzica)

Repara��o de Autom�veis

Di�logos de Pardal Maluco

(fragmento 57)

Repara��o de Autom�veis

Sete Solas e Pardal Maluco � porta da oficina:
- Repara nestes autom�veis.
- Esou a reparar.

(Esta posta foi escrita na criptogr�fica l�ngua original. Atempadamente os The Galarzas reproduzi-la-�o em Portugu�s para entendimento geral da grande Na��o Gal�rzica)

A mim não me enganas tu

Ora, clique aqui, faz favor.

Nos 30 anos da velha receita de almôndegas da mãe de Martin Scorcese

«The sauce:
Singe an onion and a pinch of garlic in oil.
Throw in a piece of veal, a piece of beef, some pork sausage and a lamb neck bone.
Add a basil leaf.
When it (the meat) is brown, take it out.
Put in a can of tomato paste and some water.
Put a quart of packed whole tomatoes through a blender and dump it in.
Let it boil.
Add salt, pepper and a pinch of salt. Let it cook for a while.
Throw the meat in, cook for one hour.

The meatballs:
Put a slice of bread without crust, two eggs, a drop of milk, ground veal and beef, salt, pepper, some cheese and a few spoonfuls of sauce into a bowl.
Mix it with your hands.
Roll them (the meatballs) up, throw them in [the sauce].
Let it cook for another hour.»

Martin Scorcese's mother's recipe for meatballs, in ficha técnica do documentário Italian American, de Martin Scorcese (1974)

(tradução? talvez aqui...)

O meu Sonho .92

O meu Sonho foi num hotel em Valência e tinha uma mulher bonita.

Água das Pedras

Confirmou-se. Ontem não voltei a postar desde o Far Oeste. Hoje ainda é cedo, mas soube de fonte de água de pedra que os The Galarzas continuarão a tentar ser o mais imbecís possível... ou não.

A propósito, a isto possa quem possa interessar, quero só acrescentar que a cópia de segurança está boa e recomenda-se com a loucura costumeira.

Mumento de coltura

Os The Galarzas apresentarão em breve aos seus leitores, aos camones que filtram o Echelon e a quaisquer telepatas que captem (mentecaptos, portanto), um conjunto de documentos desencavado recentemente nas obras do túnel do Marquês. Trata-se do primeiro jornal conhecido da espécie humana, uma descoberta que, segundo o histórico especialista em história pré-histórica Joaquim Mamute da Silva, pode vir a entreter meia dúzia de especialistas por esse mundo fora durante algumas horas. O programa segue dentro de mamutes, perdão, momentos.

28.1.04

Far Oeste

Este Galarza hoje não posta. Acontecimento raro, quase inaudito, que se deve sobretudo a um cansaço mental (está a dar uma das canções fatelas do Sting na telefonia; vou pôr o CD dos TALKING HEADS - «Fear of Music» -, se não também fico com cansaço auditivo), a uma incrível preguiça digital e ainda à imperiosa necessidade de testar uma cópia de segurança, que nos chegou às mãos através das mãos de um distinto Galarza do Oeste.

Excepcionalmente, como de costume, reservo-me o torto de me contradizer assim o entenda fazer. Ou não.

Can't get you out of my hands

Mamã, mamã: eu quero uma Kylie Minogue! Ou duas. Ou mais, muitas mais... Ai (suspiro)...

Tena Lady lança modelo Cardona

A Ausónia vai lançar o novo modelo Tena Lady Cardona, que retém até mais 33 por cento do que é habitual.

Após experiências laboratóriais, os cientistas descobriram um novo método de reter os descontos líquidos, que ficam agora num saquinho azul superabsorvente.

O novo produto deve sair em breve.

Cardona não rima com impostos

Parece que uma ministra não pagou a segurança social de uns trabalhadores do seu ministério para poupar uns trocos e que isso é ilegal.

Os The Galarzas, a ser verdade a notícia, enviam daqui um abraço a esse país onde tal aconteceu, que deve ser a Guatemala, a Bolívia ou a República Centro-Africana. E dispõem-se a enviar desde já altos governantes nacionais para ensinar a fazer estas coisas com melhor estilo e maior tranquilidade.

27.1.04

Depois do Natal...

...da Natália:

«O acto sexual é para ter filhos»
disse ele
Já que o coito - diz Morgado -
tem como fim cristalino,
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai de um só rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou - parca ração! -
Uma vez.
E se a função
faz o órgão - diz o ditado -
consumada essa excepção
ficou capado o Morgado.

escrito de Natália Correia dirigido ao deputado do CDS (então sem PP) João Morgado, aquando do debate sobre o aborto na Assembleia da República em 1982.

E o burro?

Diz a Lusa: «A PSP de Santarém anunciou hoje a detenção de um homem de 50 anos que conduzia uma carroça alcoolizado e que embateu numa viatura.

Segundo fonte da PSP, o homem, que apresentava uma taxa de alcoolemia de 2,20 gramas por litro, foi constituído arguido e presente a tribunal, aguardando a decisão judicial.

A detenção ocorreu cerca das 17:00 de segunda-feira na estrada que liga a Ribeira de Santarém a Alcanhões, na sequência da queixa apresentada por uma condutora, em cuja viatura o homem embateu com a carroça, pondo-se em fuga.

O homem vive num acampamento na Ribeira de Santarém e a carroça, puxada por um burro, foi entregue à família.»

Perguntamos: E o burro?

Pr'ós carros que levei à revisão na vida

O mesmo colega deste Galarza que um dia recebeu este SMS, recebeu hoje este:

«O mmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmeu carro vai na 5ª à revisão».

Cai Cai



Está mau para este gajo. Ora, o homem estava convencido que o MI6 não mentia. O MI6 estava convencido que a CIA e a NSA não mentiam. E a CIA e a NSA estavam convincidos que a oposição iraquiana nãomentia (rir).

Agora, a 24 horas de sair o relatório sobre as armas de destruição em pasta, o PM do Reino Unido já admite que está feito.

The Galarzas esperam que o primeiro-ministro português, que só «entrou na guerra porque prefere estar ao lado dos aliados», tome semelhante atitude à que se veja em Blair. E que mande desinfestar os Açores.

Novas modalidades olímpicas...

Os The Galarzas tiveram em 1ª mão conhecimento de mais uma reunião underground da AMCIA (Antigos Membros do Comité Olimpico Association). A ordem dos trabalhos passou pela integração de novas modalidades já nos próximos jogos, atribuindo assim uma tedencia mais avant-garde ao evento. Não querendo romper com uma tradição para lá de milenar, procura-se um rejuvenescimento dos jogos que resulte na conquista do interesse das camadas mais jovens.
O exame aos milhares de PCPNM's (projectos de concepção para novas modalidades), que têm vindo a chegar à sede da AMCIA no decorrer deste último ano, como resposta ao concurso “Jogos não só para Olímpicos, mas também para nós”, resultou na descoberta de 4 inovadoras modalidades que serão a grande aposta dos próximos Jogos Olímpicos garantindo um aumento exponencial do público e do telepúblico de eventos desportivos. Seleccionadas devido ao seu alto grau de improvável exequibilidade temos em primeiro lugar os 400 metros mariposa barreiras, a ser praticado no interior de uma piscina olímpica, sendo que as barreiras se encontram a 25 cm do nível de agua; segue-se a prova de salto em latitude, precedida de uma preparação de corrida ao lado possibilitadora do impulso enviesado; temos ainda o tiro ao arco costas, no qual ainda se discute a possibilidade, ou não, do uso de um espelho retrovisor de braço, a ser usado por cada um dos atletas durante a competição, como modo de prevenção e segurança dos apanha setas; e por fim a prova de marcha à ré, esta última em duas modalidades distintas a de marcha à ré velocidade e marcha à ré endurance que, por motivos óbvios deverá ser praticada unicamente em circuitos fechados.
Já foram lançados vários comunicados para a imprensa e para várias Associações Recreativas de Desporto Amador no sentido de as informar das mudanças e de modo a sondar a sua receptividade quanto a estas novas modalidades. Até à data foi recebida uma única resposta vinda com manifesto entusiasmo do SCXDC (Sporting Clube de Xadrez e Damas de Carnaxide).

A coisa 'tá preta

Os bilhetes para o concerto do Nick Cave no CCB custam 50€. Dez contos! Como é possível? E como é possível que já estejam esgotadas as duas datas?

EU QUERO UM BILHETE PARA O NICK CAVE! Aceitam-se propostas para o sítio do costume...

O meu tio Óscar



Hoje, o tio Óscar está de volta! As apostas começam às 13.30h.

O Fascínio

Este não é um bom filme - este é um grande filme: «Lost In Translation», de Sofia Coppola, com o inesperado Bill Murray e a surpreendente Scarlett Johansson...


Acontece

Eu hoje vou ao cinema.

Nietzsche é do Benfica

Última Vontade

Morrer assim
como outrora o vi morrer
o amigo que lançou relâmpagos e olhares
divinos na minha escura juventude:
malicioso e profundo
um bailarino na batalha
entre guerreiros o mais jovial,
entre vencedores o mais grave,
um destino sobrepujando o seu destino,
duro, pensativo, clarividente : estremecendo porque vencia,
exultando porque morrendo vencia
ordenando, ao morrer,
e ordenou o aniquilamento...
Morrer assim como outrora o vi morrer
vencendo, aniquilando...

Nietzsche

Ao Pedro Roseta


Ora estes

Felizmente, ainda há gente que leva isto a sério. Vá e volte!

Siemens Masoq A50



in Livro de Instruções, Siemens A50

26.1.04

Diálogos de Pardal Maluco

Circus Máximo

Fragmento Nº. 223

- Os romanos tinham o maior recinto de espectáculos jamais construído. Ao Maracanã ainda lhe faltavam uns 100 000 lugares para o igualar.
- Olha a tecnologia que eles deviam ter para fazer isso tudo...Mas os gajos tinham um problema muito maior.
- Ãnh!
- Pois era!
- O quê?
- Já viste que eles tinham que falar todos com uma língua morta?

Afonso, praça!

Corda de Boa Hora

O magala
Escreve à família
À coca da precária
Com traça de traço
Esgalha pessegueiro
Embotijado

Rachada,
Detesta maçaroca,
Vence parnau
Na quina
Onde usa a papadeira
Anda na rebaixolice
Com calaceiro do bairro

Por calhoada
E por estarem ambos
A pôr-se a fancos
Perderam a pitorra
E vai de pitocar
Antes de emborcar
O quartilho do roxo

Ela teme a tanoa
Mas crê que o Chico,
Tinegra de timbales duros
Não fique cona de unto
E que ela coma linguiça
Sempre que tenha gana

de Eustáquio Pinho, Burundanga e Prosa, Barcelos, 1996

Jornais de referência

Numa época dada a sensacionalismos, é confortante constatar que ainda se pratica o jornalismo sério, responsável e solidamente ancorado nos factos. Cara leitora, caro leitor, ponha aqui a setinha do seu roedor.

Antologia d'a Furismos

Reza Pahlevi é uma conhecida marca de chá da Pérsia.

O queijo curado pode ter recaídas.

O panaché foi inventado pelos franciús, o Pinochet pelos américas.

Quando se mistura um legume com uma fonte de luz, obtém-se uma leguminosa.

Se a comida cai mal, um europeu pode rapidamente tornar-se aziático.

Bola branca

Quando os cães lavram a caravana empasta, dizia o Ti Tobias concluindo um truque de magia com a garrafa de tintol, dois minutos antes ainda cheia. À sua volta minguava o grupo de ouvintes, mais interessados no torneio de bisca lambida na mesa central. Meti-ós a todos no Campo das Cebolas, era vê-los chorar pela Madre Tesa do Tal que está. Havia de ser no meu tempo, havia, ó Manel avia aí mais um copito. No meu tempo, enchia-lhes o canastro sem espiga. Agora são todos uns molengas. Aqui atrasado dei uma coça num qu'inda deve andar de gatas. Foram dez anos em grande, sim senhor, nesses dez anos não perdi um único jogo de matraquilhos.

Poema de: Teixeira de Pascoaes

O Doido e a Morte
(excerto)

«Súbito, a Morte sofreou as rédeas
Do cavalo-fantasma que montava,
Estacando no meio do planalto.
E a sua sombra negra se tornou
Imóvel, na brancura do caminho.

E, vendo diante dela um corpo humano,
Logo escondeu nas dobras do seu manto
O rosto de caveira, onde o luar
Batia como sobre um frio mármore.

E então aquele estranho viandante
Solta estridente e doida gargalhada.
E o eco, estremunhado, repetiu-a;
E foi, de vale em vale, desfazer-se,
Cinza de som, na cinza da distância.»

Magiar


Who said what?

«Agora que sou famosa não vejo brilho», disse a actriz Inês Castel-Branco à revista Lux (citada pela cada vez mais pequena Grande Reportagem).

A Inês (qualquer laço familiar com José será pura coincidência?)

Pergunta este Galarza: quem é a Inês Castel-Branco?

25.1.04

Do fundo do baú 2

A redescoberta da pré-história dos The Galarzas prosseguiu por outros caminhos, quando na gaveta ao lado, encontrei outros dois pedaços do passado. O primeiro foi o grande êxito musical de Mestre Nestor Alvito, autor do poema-canção que ofereceu à primeira teen-blonde-girls-band portuguesa, As 3 Marias:



Com «Alto! Deixa passar o Amor...», As 3 Marias tiveram um sucesso estrondoso em 1986. As suas actuações na Casa Pia e na Prisão de Caxias são ainda hoje recordadas com saudade.

Mas o conto de fadas acabou bruscamente, com a saída (ainda hoje mal explicada) de uma das Marias, a dez minutos da actuação no Natal dos Hospitais, que prometia fazer d'As 3 as maiores estrelas da pop nacional. As duas que ficaram ainda tentaram manter a banda, mas, nas várias audições que fizeram, o melhor que conseguiram foi uma Marta. Era o fim das Marias...

O fim? Não. Em 1989, três anos depois de abandonar as outras duas, Maria Bico voltou:



«Guarda Corassões» foi o primeiro CD-Single português e um relativo sucesso... lá em casa. Nas discotecas, o fiasco foi tão brutal, que Maria Bico voltou a desaparecer. Mestre Nestor Alvito - mentor d'As 3 Marias e presumível cérebro do falhado regresso de Maria Bico - também. Até 2003, ano em que escolheu os The Galarzas para o seu regresso póstumo à ribalta. A ver vamos, Mestre. A ver vamos...

Do fundo do baú 1

Remexendo em velhas gavetas cheias de memórias do antigamente e traços do passado, dei de caras com a pré-história do conjunto musico-poético The Galarzas. Foi com espanto, um largo sorriso e uma lágrima subtil que redescobri o primeiríssimo single editado por um dos actuais The Galarzas, na altura conhecido por Quim Abbaricoque:



Nos idos de 70, «Bom De Girls» foi um êxito contagiante nas discotecas de Sacavém, Bobadela, São João da Talha e arredores. Mais tarde, Vítor Espadinha viria a plagiar o tema no clássico «Recordar É Viver», o que deixou Abbaricoque à beira de uma terrível depressão. Até 2003, ano em que criou os The Galarzas, para experimentar um triunfal comeback. A coisa está a demorar, mas, como diria o outro, «mais tarde ou mais cedo, vou ser Primeiro Ministro»!

Marte, ataca, ataca!


Eis a triste realidade sobre o discurso que o residente da casa branca fez há semanas, quando prometeu o «regresso ao espaço».

Mordaça

O ruído excessivo é uma das principais causas para a perda de audição.
Os The Galarzas recomendam:
Na próxima meia-hora, não ouça os aviões passar. Proteste contra o uso da fala. Escreva tudo o que quer dizer. Ouça música com o volume de som a zero. Não ligue o motor do seu automóvel. Em caso de necessidade utilize-o em zonas de boa inclinação. Não provoque a sua sogra, ou aplique-lhe uma mordaça.

Estou contigo AMR

Anabela é grande. Ela não está só. Ela é a seguidora dos grandes pensadores renascentistas. Vejam Leonardo:

«O próprio Petrarca era reputado como tendo sido proprietário de um manuscrito original de Homero, mas não conseguia ler uma palavra que fosse. Em nome da autoridade dos escritores romanos a quem se reportava, aceitava que Homero era um grande poeta e beijava o livro todas as noites antes de se ir deitar.»

«Logo nos anos 1360, Petrarca e Boccaccio haviam tentado introduzir a lingua nos círculos intelectuais de Florença e, embora nenhum deles percebesse grego, tentaram criar uma cadeira de Grego na universidade. Não lograram o seu intento, mas duas gerações mais tarde, e impulsionados pela espantosa colecção de obras originais que tinham agora ao seu dispôr, os herdeiros dos homens que haviam financiado a busca original dos livros patrocinaram uma cátedra no Studium. Em breve foi ocupada por um eminente erudito, Emmanuel Chrysoloras, de Constantinopla.»

in «Leonardo - O Primeiro Cientista»
Michael White, Lisboa, Europa-América, 2003
Págs. 46-47

Afinal havia outra...

Andava aqui este Galarza a remoer as mais recentes declarações da suposta AMR (sobretudo aquele fascizóide «Para quando uma separação absoluta dos públicos?»), quando me cruzei com esta posta do homem da conspiração:

«URGENTE - Anabela desmente autoria do blogue!

Acabei de telefonar para a própria Anabela Mota Ribeiro que me confirmou: Não é ela a autora do Possibilidade do Sentir.

Anabela disse-me que soube que havia um blogue com o seu nome, com referências à "A Dois", no início da semana, através de um programa da Antena 2, onde, aliás, negou desde logo a autoria do mesmo.

Face à situação, porém, disse-me que não pretende tomar qualquer medida judicial e não pretende "dar qualquer importância" àquele blogue nem apurar quem são os autores que assinam os "posts" com o nome "Anabela" e têm na identificação do blogue o nome "AMRibeiro", que poderia significar Anabela Mota Ribeiro.
»

Verdade ou conspiração?

24.1.04

Poema de: Idálio Juvino

Cavalgadura

O Poeta luta e não corre.
As cantigas dos estrangeiros
têm amores a mais e coisas
sempre, sempre azuis;
cheiram a comida passada,
enervam, mas seduzem à vista
num desarme com mestria.

O Poeta em greve de zelo, pôs
demasiados adjectivos num
complemento de salário.

O Poeta galgou o muro,
desviou-se da estrada e do rumo.
Com uma vénia fez-se galante
e propôs uma laranjeira
para os anos mais próximos,
debaixo de uma balaustrada
que já tinha acolhido uma desgraça.

O Poeta perdeu um riso desmedido,
pensando nas meias-noites
que ainda lhe faltava passar.

Cavalgadura, ainda há-de olhar
para aqui, sem perceber
quem é que tem os arreios.

Idálio Juvino, "No Caminho dos Correeiros", Tremelga & Badejo Editores, Constância, 1988

Dabliu dabliu dabliu

Esclarecimento

Vimos por este meio aclarar as dúvidas de alguns leitores (ok, foi só um, mas assim soa melhor): o URL (u-érre-éle), a morada, o address dos The Galarzas é http://galarzas.blogspot.com. Assim mesmo, sem www entre as barras e os galarzas.

É mesmo só paneleirice, mas é melhor para as contas e faz bem ao ego. A Internet é um país maravilhoso.

Hopper, em azul


E agora, Luis Fernando Verissimo


Lixo

«Encontram-se na área de serviço. Cada um com seu pacote de lixo. É a primeira vez que se falam.

- Bom dia...
- Bom dia.
- A senhora é do 610.
- E o senhor do 612
- É.
- Eu ainda não lhe conhecia pessoalmente...
- Pois é...
- Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo...
- O meu quê?
- O seu lixo.
- Ah...
- Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena...
- Na verdade sou só eu.
- Mmmm. Notei também que o senhor usa muito comida em lata.
- É que eu tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar...
- Entendo.
- A senhora também...
- Me chame de você.
- Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Champignons, coisas assim...
- É que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas, como moro sozinha, às vezes sobra...
- A senhora... Você não tem família?
- Tenho, mas não aqui.
- No Espírito Santo.
- Como é que você sabe?
- Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Espírito Santo.
- É. Mamãe escreve todas as semanas.
- Ela é professora?
- Isso é incrível! Como foi que você adivinhou?
- Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora.
- O senhor não recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo.
- Pois é...
- No outro dia tinha um envelope de telegrama amassado.
- É.
- Más notícias?
- Meu pai. Morreu.
- Sinto muito.
- Ele já estava bem velhinho. Lá no Sul. Há tempos não nos víamos.
- Foi por isso que você recomeçou a fumar?
- Como é que você sabe?
- De um dia para o outro começaram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no seu lixo.
- É verdade. Mas consegui parar outra vez.
- Eu, graças a Deus, nunca fumei.
- Eu sei. Mas tenho visto uns vidrinhos de comprimido no seu lixo...
- Tranqüilizantes. Foi uma fase. Já passou.
- Você brigou com o namorado, certo?
- Isso você também descobriu no lixo?
- Primeiro o buquê de flores, com o cartãozinho, jogado fora. Depois, muito lenço de papel.
- É, chorei bastante, mas já passou.
- Mas hoje ainda tem uns lencinhos...
- É que eu estou com um pouco de coriza.
- Ah.
- Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo.
- É. Sim. Bem. Eu fico muito em casa. Não saio muito. Sabe como é.
- Namorada?
- Não.
- Mas há uns dias tinha uma fotografia de mulher no seu lixo. Até bonitinha.
- Eu estava limpando umas gavetas. Coisa antiga.
- Você não rasgou a fotografia. Isso significa que, no fundo, você quer que ela volte.
- Você já está analisando o meu lixo!
- Não posso negar que o seu lixo me interessou.
- Engraçado. Quando examinei o seu lixo, decidi que gostaria de conhecê-la. Acho que foi a poesia.
- Não! Você viu meus poemas?
- Vi e gostei muito.
- Mas são muito ruins!
- Se você achasse eles ruins mesmo, teria rasgado. Eles só estavam dobrados.
- Se eu soubesse que você ia ler...
- Só não fiquei com eles porque, afinal, estaria roubando. Se bem que, não sei: o lixo da pessoa ainda é propriedade dela?
- Acho que não. Lixo é domínio público.
- Você tem razão. Através do lixo, o particular se torna público. O que sobra da nossa vida privada se integra com a sobra dos outros. O lixo é comunitário. É a nossa parte mais social. Será isso?
- Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo. Acho que...
- Ontem, no seu lixo...
- O quê?
- Me enganei, ou eram cascas de camarão?
- Acertou. Comprei uns camarões graúdos e descasquei.
- Eu adoro camarão.
- Descasquei, mas ainda não comi. Quem sabe a gente pode...
- Jantar juntos?
- É.
- Não quero dar trabalho.
- Trabalho nenhum.
- Vai sujar a sua cozinha?
- Nada. Num instante se limpa tudo e põe os restos fora.
- No seu lixo ou no meu?»

Este texto está no livro O analista de Bagé

23.1.04

Como Diz?

Desculpe, não percebo!



Ah! Pois, tem toda a razão!

Direito de Rés Posta

Foi aqui escrita há dias a frase «os The Galarzas e a sua editora (a afamada Coentron Records)». Nunca suspeitámos nós, podres de espírito The Galarzas, que tal sentença pudesse ser portadora de tantas maleitas e tão desagradáveis mal-entendidos.

Pois hoje - aliás, há apenas alguns minutos - importantes órgãos máximos da excelentíssima editora Coentron Records fizeram chegar aos pudibundos ouvidos deste Galarza o seu desagrado por tal possessividade. Foi a seguinte a declaração tunitroante de Miguel Cunha (ou terá sido Júlio Fontes?), fundador da editora:

«Ó meu cabrão! Ó meu grande cabrão!»

Aqui fica, portanto, o necessário e acordado esclarecimento: quando dizemos «a sua editora», não queremos dizer que a Coentron Records seja pertença dos The Galarzas, mas apenas que é a editora que edita (editará) os discos dos The Galarzas. A Coentron é uma editora séria, vistosa e amiga do seu amigo.

Para que não restem dúvidas e para que se sarem as feridas, propomos um jantar. Os The Galarzas escolhem o repasto; os Coentrões pagam. Assim seja.

Eanes anacrónico

A situação em Portugal é greve.

Oops... I did it again!

Eu disse que os The Galarzas não falavam mais dela. Eu tentei. Eu juro que tentei. Mas por amor de Deus, ó menina, você tente também... Faça um esforço. É que assim não dá:

«23.1.04

Bárbara Guimarães partilha a sua beleza maternal com o mundo nas páginas da revista Vogue de Fevereiro. A não perder um exemplo comovente de evocação da figura primordial da deusa-mãe transposta para os dias de hoje.
- posted by Anabela @ 2:20 PM
»

A gente já só cita...

Terras do Sempre 2

Ainda o olhar (e o ouvido) atento do JMF:

«Anda aí uma nova campanha da Vodafone cuja banda sonora é a canção Sexed Up, de Robbie Williams. Eis o refrão que se ouve durante o anúncio: "Why don’t we break up, there’s nothing left to say". Para anúncio de telemóvel... parece-me muito apropriado.»

Siga mais um copo para a mesa do JMF!

Terras do Sempre 1

Nas Terras do Nunca, o JMF disserta sobre a nova táctica do Governo PPD-PSD/CDS-PP. Diz ele:

«A fuga para a frente costuma ser uma das saídas dos políticos em apuros. Há um problema? Inventa-se um facto novo para desviar as atenções. Esta passagem do bloco PSD/CDS pelo poder em Portugal veio introduzir uma profunda ruptura na acção política. Agora, o que está a dar é a fuga para trás. Tudo, rigorosamente tudo, o que possa ter impacto negativo junto da opinião pública é justificado com os erros do governo anterior.»

Como já aqui disse, a gente só cita. Mas «que las hay, las hay»...

Eu não queria, mas...

Eu prometi que não voltava ao assunto, mas perante tamanha reacção do blogoverso, este Galarza não pode deixar de aconselhar que se siga este trajecto: comece-se por aqui, veja-se a resposta aqui, a devida reacção aqui e, finalmente, o natural comentário aqui de novo.

Para ter a perfeita noção da abrupta (no pun intended) escalada do tema, passeie-se por aqui, por aqui, por aqui, por aqui, por aqui, por aqui e por aqui. Mas o primeiro a dar por ela foi o senhor que mora aqui.

Pronto, agora acabou. Digo eu...

Agora não tem nada a ver com ela...

Escreveu já hoje o mui estimado L&O:

«O magnífico Quinto Galarza escreve que nós dissemos isto acerca desta senhora. Ora, com todo o respeito caro Galarza, tal não é verdade. Nós nunca o dissemos, apenas o escrevemos. Lamentamos no entanto, não o ter feito em grego. Daria que pensar.»

Ora, disto, só há uma palavra a reter: «magnífico». O rapaz chamou-me «magnífico»! Vem a meus braços, meu filho...

Percebo o Percevejo

Sei que vejo, mas não vejo.
Vejo um Percevejo

Os Percevejos são insectos
Com ferrões parecidos com agulhas.

Os ferrões são multifunções (que não encontramos no AKI)
Cortam e abrem a comida.
Depois, são palhinhas que chupam sucos saborosos.

À noite procuram os seres humanos
(Que estão a dormir)
Para os picar e sugar,
Sugar sangue saboroso.

Alguém já viu um destes por aí?

Ah pois!

Já lá vão

Greve com Poesia

Hoje fizémos greve na oficina, mas encontrámo-nos todos à porta para conviver e falar de muitas coisas. Um colega leu este...

Poema de: Guerra Junqueiro

A TORRE DE BABEL

ou
A PORRA DO SORIANO

Eu canto do Soriano o singular mangalho!
Empresa colossal! Ciclópico trabalho!
Para o cantar inteiro e o cantar bem
precisava de viver como Matusalém.
Dez séculos!
Enfim, nesta pobreza métrica
cantemos essa porra, porra quilométrica,
donde pendem os colhões que dão ideia vaga
as nádegas brutais do Arcebispo de Braga.

Sim, cantemos a porra, o caralho iracundo
que, antes de nervo cru, já foi eixo do Mundo!
Mastro do Leviathan! Eminência revel!
Estando murcho foi a Torre de Babel!
Caralho singular! É contemplá-lo!
É vê-lo
teso ! Atravessaria o quê?
O Sete-Estrelo!!
Em Tebas, em Paris, em Lagos em Gomorra
juro que ninguém viu tão formidável porra!
É uma porra, arquiporra!
É um caralhão atroz
que se lhe podem dar trinta ou quarenta nós
e, ainda assim, fica o caralho preciso
para foder, da Terra, Eva no Paraíso!
É uma porra insonte
que nas roscas outrora estrangulou Le Comte.

Oh, caralho imortal! Glória destes lusos!
Tu poderias suprir todos os parafusos
que espremem com vigor os cachos do Alto Douro!
Onde há um abismo, onde há um sorvedouro
que assim possa conter esta porra do diabo??!
Marquês de Valadas em vão mostra o rabo,
em vão mostra o fundo o pavoroso Oceano!
-Nada, nada contém a porra do Soriano!!

Quando morrer, Senhor, que extraordinária cova,
que bainha, meu Deus, para esta porra nova,
esta porra infeliz, esta porra precita,
judia errante atrás de uma crica infinita??
- Uma fenda do globo, um sorvedouro ignoto
que lhe há-de abrir talvez um dia um terramoto
para que desagúe, esta porra medonha,
em grossos borbotões de clerical langonha!!!


A porra do Soriano é um infinito assunto!
Se ela está em Lisboa ou em Coimbra, pergunto?
Onde é que começa?
Onde é que termina
essa porra, que estando em Braga, está na China,
porra que corre mais que o próprio pensamento,
porque é porra de pardal e porra de jumento??
Porra!
Mil vezes porra!
Porra de bruto
que é capaz de foder o Cosmos num minuto!!!

(Pedro Soriano)

Natália Correia "Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica", 3ª edição, Antígona Frenesi, Lisboa 2000

O Museu dos Mortos

Eis Gunther Von Hagens e um Galarza com ar ameaçador: já não pode um gajo ficar morto em paz...

Será um cemitério? Uma morgue? Não... é a exposição de cadáveres de Günther von Hagens, diz o Público!

Era uma vez um país

Ferreira Leite diz que a reforma vai demorar o tempo que fôr preciso. Marques Mendes oferece mais de 3700 euros à sua nova assessora. Câmara de Lisboa recusa-se a realojar casal de lésbicas despejadas, aconselhando-as a «noivar como os casais normais». Dono de sapataria sequestra duas empregadas, depois de terem defendido em tribunal uma colega despedida...

Também findo, palavra de Homero

Anabela Mota Ribeiro faz plástica


A nova imagem da apresentadora.
Tentativa de se assemelhar a Catarina Portas falha,
mas apresentadora consegue parecer mais inteligente.

22.1.04

Só mais uma e depois acabou, prometo...

Antes da pequena e risível polémica que tem acontecido por estes lados, já dizia o L&O, sem qualquer tipo de abruptidade:

«O canastrão Carlos Pinto Coelho foi substituido pela apetitosa Anabela Mota Ribeiro. Nós não somos insensíveis à beleza feminina, mas sempre preferimos a cultura, inteligência e sensibilidade de um canastrão à futilidade estenuante de uma fêmea que parece estar em permanente cio. Para apreciarmos estes espécimes sintonizamos o Fashion.»

Antes que se diga por aí o que quer que seja, desta vez não fomos nós - a gente só cita...

Dilemas, Bilentes, Polifemos, Estafermos e Anacronismos: um ciclope confessa-se

Sempre me vi grego, até onde a vista alcança, mas persisti numa atitude olímpica face às dificuldades: resisti ao tronco no olho, mantive um olho no burro e o mesmo no cidadão nómada, olhei as gentes de olho nos olhos. Fui temido e respeitado. Fui olhado de lado.
Hoje, binoculares leitores, cheguei ao limite.
Talvez o funcionário fosse inexperiente, talvez o nome Multiópticas me devesse ter feito desconfiar, talvez.
Mas algo vai mal no mundo quando um honesto ciclope não pode adquirir meio par de óculos.
Lamento o sangue espalhado, a farda do oculista era bem mais bonita assim alva como a Aurora, essa minha minha prima desafortunada que nasceu albina.
Mas quando me faltam ao respeito passa-me uma coisa pelo olho e ninguém me segura.

Cordialmente:

Nem sempre o efeito corealis consegue por si, sem ajuda, empurrar para baixo a porcaria que arrancamos dos dentes com a escova.

Mudemos de assunto, sim?

Anda no deserto
E gosta de armar em bom
Pensa que é esperto
E que tem ar de bom tom

E tem a mania
De que é muito elegante
Diz que não nenhum elefante
Arma-se em valente

E lança logo um grunhido
Tem as patas altas
E um andar muito mexido
Já andou na guerra
E nunca foi vencido
Mas é muito muito convencido

E diz com ar superior
Que só lhe falta ser doutor
E acha que é
De entre todos o mais belo

O Areias é um camelo
Tem duas bossas e muito pelo
É muito alto e refilão
É engraçado e espertalhão
E agora está como ele quer
Está no jardim p'rá gente ver

O Areias é um camelo
Tem duas bossas e muito pelo
É muito alto e refilão
É engraçado e espertalhão
O Areias virou canção!

(«O Areias», by Jean-Jacques Deboul/Mário Contumélias)

Anabela também é pessoa

«Ribeirinho, ribeirinho,
Que vais a correr ao léu
Tu vais a correr sozinho,
Ribeirinho, como eu.»

Fernando Pessoa, in Quadras ao Gosto Popular

Cada um faz o que quer da sua noite

Passei a noite a ler o Salmo 24 na versão original em aramaico. Apesar de ser uma língua que desconheço de todo, foi uma experiência comovente. Os traços gregários deste alfabeto retorcido são testemunho de milénios de história de uma das civilizações que nos pariu. Podia dar que pensar, não fosse eu ter mais que fazer com o meu tempo...

Chichisbéu

Não gosto de Balzac.
Aprecio as balzaquianas.
A Ilíada e a Odisseia
tomei-as em português.
A minha baixa condição social
não me permitia
pagar as letras em estrangeiro.

E o Manuel de Lima?
Desse é que eu tenho saudades,
a tocar violoncelo
e a desenhar coisas com os patos.

21.1.04

Monsanto Guedes solidariza-se com os The Galarzas...

...e envia-nos a seguinte mensagem de apoio:

«A mulher do meu amigo tem uma cara que não é dela. Anda a fazer-me trejeitos que não consigo decifrar. Por via das dúvidas digo-lhe qualquer coisa acerca dos nenúfares.

No campo do Olivais e Moscavide descobri que agora construiram um mosteiro budista. Vou para lá.

Boris Ieltsin, com sorriso sardónico, entra na minha cela, subtil, e injecta-me com uma porcaria qualquer para que eu confesse. Desconfio que que o camarada estivesse embriagado e não tivesse utilizado a agulha mais correcta.

Agora desFreudem esta camisa e digam-me se está bem passada.»

Editorial

Que boa notícia! Os The Galarzas e a sua editora (a afamada Coentron Records) já têm editora para distribuição internacional do novo disco dos The Galarzas: é uma subsidiária da Luaka Bop, de David Byrne, criada em parceria com a banda murguista Cloaca Pop, chamada Cloaca Bop. O disco não vai ser prematuro nem deve precisar de cesariana, mas sai em breve. Julgamos nós...

E onde anda a contenção, senhor Ministro?

TRADUÇÃO: a pobre licenciada vai ganhar mais de 750 contos por mês com todas as mordomias para dizer Sim, Senhor Ministro!

Já dizia o outro, «arranja-me um emprego, pode ser na tua empresa, com certeza, que eu dava conta do recado e para ti era um sossego». Sim senhor, senhor Ministro...

20.1.04

Foi um Ary que se lhe deu...

«Serei tudo o que disserem
Por inveja ou negação:
Cabeçudo dromedário
Fogueira de exibição
Teorema corolário
Poema de mão em mão
Lãzudo publicitário
Malabarista cabrão.
Serei tudo o que quiserem:
Poeta castrado, não!
(...)»

Cadáver Esquisito a meias entre Anabela Mota Ribeiro & Rita Ferro Rodrigues

Entrei em casa dela e deixei lá fora um dia luminoso de Inverno, sol resplandecente.
Trasmontana que sou, cedo me habituei ao frio lá fora. Mas nunca me habituarei ao frio dentro dos corações. Passeava ontem pela baixa de Lisboa e vi o actor John Malkovich, presença habitual por estas paragem, a olhar a montra de uma loja de roupa.

Não resisti, porque aprecio o seu trabalho há muito, aproximei-me e meti conversa.
Lá dentro, as janelas estavam fechadas, as persianas corridas. Lá dentro tardava em amanhecer.

Perguntei-lhe se não preferia esperar pela época dos saldos que sempre é mais em conta. Ele olhou para mim e, durante breves segundos, parecia que ia dizer qualquer coisa. Depois virou-me as costas e continuou a andar sem uma palavra. A dor sente-se... mas às vezes também se vê.

Fui encontrá-la deitada, na cama desfeita, na escuridão da angústia, semi nua, semi viva, consumida de tristeza.
Amedeo Modigliani (1884-1920) é um dos grandes pintores do século que passou. As suas figuras alongadas e de rostos expressivos fazem parte do imaginário de todo aquele que sente a pintura interiormente, não se limitando a meros olhares superficiais de quem é colocado perante uma janela para uma dimensão obscura e longínqua. Foi influenciado por nomes como Cezanne, Toulouse-Lautrec ou mesmo Picasso.
À volta da cama, a roupa arrancada ao corpo. O cheiro frio de dois cinzeiros cheios. Os restos de muitas lágrimas esquecidas em lenços de papel amarrotados.
Caem bombas em Bagdad
Nassiryah, Karbala, Najaf
Kirkuk, Tikrit, Bassorá.
Ela nem percebeu que eu entrei. Quando me viu não falou, não sorriu, não se mexeu. Também não me disse para a deixar.
Peguei lhe ao colo e embalei-a. Cantei-lhe baixinho ao ouvido, uma canção de fadas, gnomos e mundos maravilhosos.
Em vez de dizer um olá e fazer uma declaração de intenções, e porque as palavras são voláteis como sementes de sésamo ao vento, uma nota biográfica alheia.
Depois preparei-lhe um banho quente, com sais a cheirar a morango (que trouxe enrolados em prata, no bolso do sobretudo.)
Tirei-lhe o pijama devagar, descobrindo-lhe o corpo magro. Mergulhei-a na água rosada.

De repente, o trovão
O trovão esperado e nunca esperado
O trovão do alívio e também do sofrimento
Fiz-lhe uma sopa quente que ela bebeu, obediente, já vestida, calçada, penteada.
Dei-lhe a mão e levei-a para comigo abrir as janelas e deixar a manhã entrar. O sol foi inundando devagarinho o chão das divisões da alma.

- "agora faz as malas"- disse-lhe.
- "vens comigo."

Saímos as duas de casa, eu e a minha grande amiga, minha irmã, minha confidente, guardadora dos meus segredos, das minhas memórias, das minhas alegrias.

Saímos as duas da casa onde o Sol começava a entrar e embrenhámo-nos na rua e na vida dispostas a enfrentar o Inverno, tudo e todos e a cumprimos a promessa de sermos felizes que fizemos uma à outra debaixo de uma Castanheiro, há vinte anos, no dia em que nos despedimos, do melhor Verão das nossas vidas.

Ah! (Suspiro)

Eu cá também gosto da...



...porque é muito bonita. E se eu não tivesse já um contrato de inspiração com as musas de um rio cá da terra, fazia um com a D. Anabela.

A D. Anabela Mota Ribeiro

Para quem a desconhece, eis a D. Mota Ribeiro assentando a receita de perú recheado.

Bárbara Guimarães tem seis ovários

Ainda do Belogue da D. Anabela Mota Ribeiro, que nos tem acalentado a tarde:

«19.11.03

Encontrei-me com a Bárbara Guimarães que, como é sabido, está grávida. Pelo meio da conversa costumeira, discutimos a maternidade como materialização da essência do "ser-se mulher" traduzida de forma tão sublime num par de ovários, em alguns centímetros de trompa e num útero sempre tão ensimesmado. A natureza arranja sempre maneira de nos deslumbrar com os mais ínfimos pormenores


Ora bem:

- Um par de ovários dá 4 ovários;
- Mais dois ovários que a Bárbara carrega na barriga e são da sua futura filha, dá seis ovários.

Obrigado, Anabela. Escreve mais que a gente, assim, só te cita.

Ela é que substituiu o Carlos Pinto Coelho

Posta integral da D.Anabela Mota Ribeiro, no seu belogue.

«25.11.03

Passei a noite a ler a "Odisseia" de Homero na versão original em grego. Apesar de ser uma língua que desconheço de todo, foi uma experiência emocionante. Os traços retorcidos do alfabeto helénico são testemunho de milénios de história da civilização de que somos filhos. Dá que pensar.
- posted by Anabela @ 12:44 PM
»

The Galarzas concluem:

1- Que, de facto, isto Acontece;

2- Que já tentámos ler Margarida Rebelo Pinto, mas apesar de ser uma língua que desconhecemos de todo, foi uma experiência emocionante;

3- Que Deus, ao menos, foi generoso no corpinho da menina;

4- Que o grego dá tusa (ninguém aguentava a noite inteira acordado se não fosse isto);

5- Que temos concorrente à altura, depois desse grande belógue de Rita Ferro Rodrigues. Agora, este. Viva a imbecilidade. Viva o surrealismo. Nunca nos faltará!

Caixa Postal 2

À velhinha caixa do correio deste mesmo Galarza chegou um convite de um Casino do norte, onde, por baixo de uns grandes lábios côr-de-rosa, se podia ler:

«CONVITE

O Casino da Póvoa tem a honra de o convidar para o jantar, dia 22 de Janeiro, pelas 20h30, da antestreia do seu novo espectáculo
Feelings.

Apostando na qualidade ímpar do corpo de bailado e na diversidade musical,
Feelings retrata na perfeição o esplendor habitual dos grandes espectáculos de casino. Este espectáculo transporta-nos para a sensualidade do tango, para os boémios anos 20, para o imaginário das gueixas ou ainda para o erotismo do strip-tease.

Este é um espectáculo de sensações e de brilho, uma hora de divertimento e
glamour que ninguém deve perder.

Na impossibilidade de comparecer no dia acima indicado, fica em aberto este convite para uma data que lhe seja mais oportuna.

Nº de pessoas: 2
Traje: fato escuro

R.S.F.F.
Confirmação de reserva dependente do número de lugares disponíveis
»

Sendo assim, vamos lá...

Caixa Postal 1

Caiu há dias no mail deste Galarza o seguinte manifesto, que tornamos hoje público, em homenagem ao grande Gimba. No subject, apenas o enigmático «Beethoven recupera audição!»:

Gimba: o artista surdo-nu

«Olá!

Serve esta mensagem para avisar todos os (des)interessados para o facto de "o músico anteriormente conhecido por Gimba" ir ser operado na próxima terça-feira - dia 20/01/2004 - à sua hereditária "oto-esclerose" (acumulação esclerótica nos ossículos do ouvido médio, que lhe rouba mais de metade da audição...) e portanto, com alguma nostalgia, e no prazo de duas semanas, deixar de ser o "Beethoven português"...

Graças às técnicas modernas e às "mãos de ouro" do cirurgião António Nobre Leitão - filho do lendário otorroino (laringologista) do mesmo nome -, espera-se que a recuperação seja rápida e que as tonturas motivadas pelo "toque ligeiro" no labirinto do ouvido interno do artista durem o menos tempo tempo possível, para que o paciente possa retornar a "vida normal", vulgo "ó terrim-tim-tim, passear na rua"...

Segundo os planos estabelecidos pelo médico, a débil audição do ex-artista (motivada por uma herança genética e não, como muitas pessoas pensam, "devido à exposição persistente a ambientes de decibelagem titânica, vulgo
rock'n roll life") vai acabar para sempre, dando lugar a uma escuta limpa, clara e pura, que vai causar uma revolução na vida do artista e das sociedades que o rodeiam, contribuindo assim para definitivos e seguros passos rumo à pureza e, portanto, à divulgação da cultura portuguesa!

"No bairro do amor, o sol parece maior".

Até breve!

Gimba
»

Um saravá, ó Gimba, pá! E que os ouvidos te tilintem de júbilo daqui para frente.

O sonho dele XIII

O Sonho de Gil Eanes é que deixassem de lhe pedir peças de teatro.

O sonho dele XII

O sonho de Eanes era não ficar feie.

Nota Interna II

Til faz hoje. Óptimos amanhã. Só órbitas, na verdade. Mas escorre dele nas nossas goelas. Ao Travassos e à meia-de-leite!

Ultimamente...

Ok, tá seguro, daqui fala a Marta!

...tenho passado o tempo a olhar para o 1Bigo.

letra B, música quê

boutique
buzina
bolacha
bu
boneca
borracha
boulangerie
buraco
bussaco
boteco
bu
bonita
bolada
borrifa
bu

Óscar Machico, in «Sopa de Letras, Caldo de Dígitos», Publicaçoens Prontuário dos Santos, 1977

Ficha tripla

esventrar o papel
puxar veias do conforto
de corpo fechado
reclama cuidado
cirúrgico
tenso

penso logo
agora eis isto

Óscar Machico, in «A lancheira de Darwin», Editora Marsupial Adoptado, 1990

19.1.04

O xadrez de Homem Basco: 6ª jogada

«A semântica da musicalidade é como ovos mexidos: abre-se cuidadosamente, despeja-se para o lume e mexe-se até ficar corada.»

(Homem Basco, chef d'ouvre)

O xadrez de Homem Basco: 5ª jogada

«A semântica da musicalidade tem reflexos bruscos e urgentes.»

(Homem Basco, gigolo da cultura)

Almôndegas Mistas Grelhadas

Ingredientes
(para quatro pessoas)

- 688g de carne moída
- 40g de farinha Maizena (não aceite imitações)
- Margarina q.b.
- Dois alhos
- Três folhas de louro (ou mais ou menos, a gosto)
- Uma flor de sal
- Uma lata de tomate pelado
- Dois pneus de camião
- Quatro agendas culturais da Gulbenkian

Modo de preparação

Acenda o fogareiro previamente, para aquecer a grelha, com lenha seca ou carvão de madeira.
Com a farinha maizena e a carne, faça bolinhos com o diâmetro de dois berlindes abafadores.
Num tacho untado de margarina, prepare o tempero com os alhos picados, o louro, o sal, a lata de tomate desfiada e com os pneus cortados às rodelas. Faça o refogado.
Unte os bolinhos com margarina para não pegarem e leve-os a guisar no refogado em lume muito brando. Cerca de 23 minutos será um pouco mais que suficiente.
Apague o lume ao fogareiro e retire o tacho do fogão.
Sirva numa travessa bonita com as agendas da Gulbenkian a acompanhar.

A propósito daquilo d'ontem...

Ó Sô Primeiro Ministro, se não fosse muito incómodo, já que o senhor mandou investir na tecnologia, se não se importasse, podia dar uma palavrinha aos senhores da electricidade. Sabe, é que cá no bairro está sempre a faltar a dita electricidade e isto qualquer dia dá cabo do processador aqui do aparelho e depois já não tenho maneira de lhe amandar estas postas em jeito de chateá-lo. Bom, quem diz o aparelho, diz a carne que está no frigorífico e os iogurtes e assim, que custam tanto a pagar. O peixe não faz muita diferença. A gente cá em casa não tem muito o hábito disso porque é mais caro.
Veja lá, se não lhe fizer diferença de dizer qualquer coisa aos senhores engenheiros. Era só pôr um botão ou qualquer coisa, para isto não estar sempre a faltar, que uma pessoa chegar a casa à noite e não poder fazer o comer e tomar banho é uma chatice do caraças.

Sem outro assunto de momento, muito atenciosamente:

O sonho dele XI

O sonho de Homero era ter viajado.

O Sonho dele X

O sonho de Einstein era muito relativo.

O Sonho dele IX

O Sonho de Colombo era uma imperial a seguir ao ovo

O Sonho dele VIII

O sonho de Arquimedes era que a Eureka lhe respondesse.

18.1.04

E já vão 20, ó Ary!

«Versos? Paguei-os. Alegria e raiva.»

Nota interna

O gatinho está de volta:

let's all sing together

Senhor Primeiro-Ministro, se não fôr muito incómodo, vá para o raio que o parta mais o seu Governo!

«É mais correcto investir nas capacidades do país para fazer face à competição e à concorrência» in Público.

E investir nas pessoas e nos trabalhadores do Estado? E investir na modernização das empresas do Estado e na qualidade de vida e de trabalho dos seus empregados? E investir nos cidadãos e na melhoria das condições de vida dos portugueses que andam há dois anos sem aumentos e sem emprego? E investir nos serviços públicos e numa educação com pés e cabeça? E investir na fiscalização das empresas em vez de andar a perseguir os pequenos contribuintes? E investir numa economia que faça realmente alguma coisa pelo país em vez de nos obrigar a levar com uma economia que a única coisa que faz é vender o país como se fosse uma meretriz feia e gasta em fim de carreira?

Ah pois, esquecia-me... a culpa é do Governo anterior...

Onde está o Terceiro?

Onde está o Terceiro Galarza? Onde anda o verme Aquilo? Ele já não telefona, já não escreve, já não manda postais, já não convida para ir ao cinema ou às bifanas ao sábado de manhã... Será que trocou os Galarzas pelo Gangue?

Da esquerda para a direita: Terceiro Galarza com o Gangue do Zé (e vice-versa)

Terceiro, we miss you, pá!

Bola inteira e força

Reiterando a sua completa isenção em matéria de cor clubística, os The Galarzas não podem no entanto deixar de prestar sentida homenagem a um grémio resistente, carismático e único. Os nossos leitores terão já adivinhado que falamos do S.C.Vinhense, único clube do mundo, tanto quanto sabemos, que se orgulha de possuir um estádio com quatro balizas fixas.

O Porta Aviões

A propósito da última...

É engraçado como querem fazer funcionar a nossa economia de mercado. Aponta-se para os gringos lá do outro lado e diz-se que eles é que são os maiores, eles é que a sabem toda, eles são o arquétipo da economia que devia haver em Portugal.

O exemplo começa aqui: quem é que paga o investimento tecnológico? São as empresas, que, em última análise, são quem há-de lucrar com o que daí sair? Pois! Parece que vai sair do erário público. Quem é que fica com os lucros e passa a vida a pedir subsídios e benefícios fiscais? Quem é que clama pela Economia de Mercado e passa a vida a pedir ajuda ao Estado? E as empresas americanas também pedem subsídios, ou são elas que investem na investigação, nas universidades e nas próprias empresas?

E agora o meu trabalho não merece melhor remuneração? Eu mereço menos que o que há-de vir? O que vou ganhar com isto? Quer isto dizer que esta geração está cá para pagar tudo o que não vai consumir? O Dr. Barroso havia de cá estar com a gente, daqui a uns anos, para nos explicar para que é que tivémos de fazer estes sacrifícios. Para nos dizer quanto é que foi gasto em quê e qual é que foi o retorno.

Obrigadinho, ó pá!

«A Bandalha Continua»

Ah! Pensámos que seria melhor para as pessoas...

«Aumentar Salários Seria "Populista", Afirma Durão», título do Público.

Um dia na família Azevedo...

«Portaste-te como um selvagem, João Pedro. Toda a gente te viu a olhar para a garota com olhos de animal em vias de extinção. Escusavas de ser tão óbvio... Ao menos que te mantivesses um bocadinho discreto. Não percebes? É natural, as pessoas como tu não percebem. Isso por cima do pescoço serve de suporte para os olhos, serve para abrir e fechar conforme os teus instintos mais rasos estiverem. Umas vezes és uma cloaca de onde saem grunhidos guturais, ranho e expectoração variada; outras só és uma besta.

Cavalgadura, João Pedro. És uma autêntica porcaria. A comer tens menos civismo que os porcos. Consegues afundar-te mesmo num prato, bem mais fundo que qualquer suíno. Aliás, qualquer deles em público comporta-se melhor que tu, pelo menos não lhes saem da boca os montes de asneiras que tu cospes enquanto mastigas. Pobres dos bichos! E é a eles que se metem nas pocilgas. Ao menos tu fizeste a tua própria pocilga.

A olhar para miúda e a fazer sinais de néscio. Devias ter gangrena nas pernas para deixares de andar, para não poderes sair e perturbar ninguém com a tua visão. Assim havias de definhar no teu buraco infecto como teu cheiro e a tua limpeza. E passavas a tentar seduzir só os roedores que haveriam de desviar-se de ti com asco.

Pronto já chega! Agora vai lá dizer à mamã que vai começar a novela.»

17.1.04

O estranho caso do Chico Zé

«Chico Zé! Ó Chico Zé!», gritou uma última vez a Etelvina, a da canção - «a do Godinho, aquele moço que esteve preso no Brasil», lembrava a Etelvina, do alto da autoridade que tal estatuto lhe concedia. Foi a gota de água na aldeia. «Fascista!», gritou o Ti Vicente. «Degenerado», replicou a Dona Maria das Dores. «Parvalhão», desabafou o Manecas. «Segismundo!», gritou a Vó Perpétua pelo seu netinho surdo-mudo, alheia ao estranho caso da rebeldia do seu compadre Chico Zé.

Mas o Chico Zé não respondia. Até o presidente da junta, o respeitável Senhor Presidente, mandou a sua directora-geral e secretária, a Doutora, marcar uma consulta no médico da aldeia (já só deviam faltar 15 dias), suspeitando de um problema agudo de respiração mal distribuída. O João «Zito» do café é que dizia sempre que o Chico Zé não respondia para não incomodar a Etelvina, que passava as manhãs a escrever cartas ao Godinho, para lhe agradecer a canção. Dizia-se na aldeia que a Etelvina até estava a pensar pedir ao Godinho para escrever uma canção para o Chico Zé, para ver se ele respondia.

Mas o Chico Zé não respondia. E os dias foram passando. E os meses, e os anos... E a aldeia foi esquecendo a rebeldia do Chico Zé. O Ti Vicente continuava a jogar dominó com o João «Zito» no café. A Dona Maria das Dores continuva a facer tricô. O Manecas continuava a jogar à bola no pátio da junta de freguesia. O Senhor Presidente continuava a mandar a Doutora fazer-lhe recados na mesa de reuniões. E a Etelvina continuava a escrever cartas ao Godinho. Até ao dia em que se ouviu...

«Segismundo! Ó Segismundo!», gritou a Etelvina, a da canção.

O meu Sonho .91

O meu Sonho era cumprir um qualquer.

Rai's parta' o passarinho!

Às quatro da madrugada ouvi um passarinho cantar. Coisa estranha, nas ruas de Lisboa antiga, em noite nublada e carregada de chuva, que, a rodos, me impedia o sono. Às quatro da madrugada, ouvi um passarinho cantar cantigas de escárnio e maldizer, coitadito do povo que lhe atormenta as glândulas nasais com a força de mil tormentas. Avé Cícero, louco e bajulado, nas coimas da multidão, que só se separam de vez à noitinha, quando o relógio bate as quatro da madrugada. O cantar do passarinho (devia ser, pois com certeza, cor de laranja) sabia a jactos de mel e a laivos de demagogia barata. Era afinal o cantar rouco de um político demente, para quem a culpa do seu mal cantar era, pois com certeza, do passarinho anterior.

O Sonho dele VII

O sonho do rei Eduardo VII era ter um parque.

16.1.04

O Sonho dele VI

O sonho de Freud não tinha interpretação possível.

O Sonho deles V

O sonho dos Romanos era que todos os caminhos não lhes fossem dar.

O Sonho dele IV

O sonho de D.Sebastião era ter faróis de nevoeiro.

Malfadado Rei Migas

Toca o som da corneta
rebobina a sineta
é hora do rancho.

Mais Quixote que Sancho
mui amigo do seu garfo
ao roçar de breve bafo
tudo se muda no tacho.

É a sua maldição
desde o fatídico dia
em que farto da ementa
atraiu sorte azarenta.

Ao tocar no bacalhau
ao levar a boca ao bife
é castigo p'ra patife
tudo se transforma em migas
até mesmo as raparigas.

Desesperado com a sina
deixou banquetes reais
dedica-se aos cereais.

Óscar Machico & Arménio D'Bastos, in «Na fila do pão», Editora Entófito Descalço, 1975 (encontro ocasional dos dois poetas no corredor junto à cozinha do Clube Naval e Recreativo de Beja)

Salve-se quem puder!

O Capitão está de volta... e vem a cantar!

Captain's log... Don't I look so darn good in this suit?

Segundo o Público, o grande Bill Shatner ameaça editar um novo álbum. 44 anos depois de «The Transformed Man», o Capitão «quer ser levado a sério no que toca à música»: recrutou Ben Folds, Henry Rollins e Joe Jackson para lhe darem uma mãozinha e, se não fôr pedir muito, para lhe ensinarem a cantar! E a nós... quem é que nos ensina a levá-lo a sério?

Sneak Preview

Shiuu...!

É hoje. É hoje que se vai ouvir o silêncio na BBC: a mais imponente rádio da Europa vai transmitir a obra-prima de John Cage, «4'33''», de acordo com as instruções do autor. Os The Galarzas, verdadeiros fãs e ídolos de John Cage (que durante anos confundiram com John Cale), vão também fazer 4 minutos e 33 segundos de silêncio para tributar o mestre. E um saravá à BBC por tal ousadia, merecedora de um pagode na galeria galárzica.

Poema de Mestre Nestor Alvito

Família Feliz

Cavalão
monta de ponta
em riste pela calada

Esferofina
mediana hipotenusa
vaca lusa merecida

Bzidróglio
filho de amor indecente
em banco de trás concebido
em pecado recebido
em maleitas tido
tão querido

(in Édito)

Cavalão, Esferofina e Bzidróglio

«Amamenta-me o Bzidróglio, pá!», disse Esferofina ao seu Cavalão, rapaz alado, meio parvo mas bom de testa - servia bem para os cornos de Sua Senhoria. «Vai-te afonso, ó Esferofina!», gritou, de imediato, Cavalão, feito desentendido pelo repasto fervoroso de meias-latas da sua velhaca amada - despachada mas pouco perceptora.

Nada disto se teria passado se Cavalão e Esferofina se tivessem preparado convenientemente para o nascinemto de Bzidróglio, primogénito e obra-prima do casal. É que tudo não passou de uma dor de costas num carro mal estacionado. Vai na volta, vêm-se os meses a eito e... pumbas!... nasce-lhes um gaiato, que nem sequer pediu licença nem foi a referendo.

«Arre pôrra, que se me foram os períodos...», lamentou Esferofina, ao dar a notícia ao seu Cavalão. «Arre puta, que te pões em qualquer um!» contrapôs Cavalão, lamentando os cornos que lhe pesavam na testa larga. Mas lá diz o povo e di-lo bem, cada um tem o que merece na cama que faz para se deitar.

Hoje, Cavalão, Esferofina e Bzidróglio vivem dias felizes, num programa de televisão, sozinhos de costas para a bundona louca que lhes paga a renda, feita num oito vicentino. «Largas vivas», gritam em trio alegremente, dia sim, dia não, às ruas que lhes passam em frente e sorriem para as câmaras municipais.

Mas até hoje, ninguém sabe que é feito de Sua Senhoria e respectivos. Ninguém... ninguém...

Lobo Antunes reescreve Margarida Rebelo Pinto (pré-pubicação)

das sextas feiras que não sabia o que fazer com o aspirador, atirado da loja para a mala do Fiat Uno, com as estradas cheias e tu a mangares que tinhas na sport tv um jogo importante e eu a ver-te mandar mensagens do telemóvel e na quarta feira passada dormi nua e nem notaste porque já não notas nada, já tens a paralaxe errada e a Rita ligou às três da manhã e tu
de boxers
foste atender o telefone e só disseste que o general estava melhor, eram só notícias

por isso, ontem à tarde, saí de casa e no salão perguntaram-me se era barba e cabelo e eu a gracejar com a Odete que traz sempre uma revista onde a filha trabalha, diz que trabalha, e eu a achar-te um canalha, merda, parti a unha, a achar-te um desconchavo, mas a pensar nos meus 43 anos e a saber que já não há ricos que me sustentem

e o general estava melhor, eram só notícias
só notícias
e adormeceste como se fosse normal a puta da Rita telefonar às três da manhã para dizer que o general está melhor, disse-te outra coisa, eu sei, que te amava, que queria foder contigo, mas não penses que não sei que foste no alfa pendular com ela até Aveiro a 3 de dezembro
e o general a sonhar sozinho no São Francisco Xavier, uma overdose qualquer de nitroglicerina que o coração só recebe quadrilhos de sangue, os braços não são veias nem artérias, são calhas, calhas, são leitos de bagaceira que a África lhe trouxe

Lembras-te da Guiné? O teu pai a dar-me a mão, a dar-te a minha mão, e tu escanhoado, agora a atenderes a putéfia da Rita e eu ali, em Bissau, apaixonada, tínhamos dois criados pretos que ainda estão vivos e a...

O Sonho dele III

O sonho do Marques de Pombal era ser de Coimbra B

15.1.04

Gatão!

Os The Galarzas já escolheram o teledisco do ano: pertence aos White Stripes e está aqui. Ah, o kitsch...!

Pr'ás Sílvias que encontrei na vida

Singelo SMS enviado a um colega de um dos The Galarzas e por esse colega relatado ao mesmo Galarza:

«Sílvia, a caixa boazona, vai ficar toda excitada e vai-te mostrar as mamas quando passar a linguiça pelo laser.»

Kalashnikov

O dia está feio
chove
isso já não me entristece
descendo abstracto a rua
Vi uma Kalashnikov
Tal coisa só acontece
ao mirar casual o chão
A Kalashni me comove
comove-me mais que a lua
uma arma arrefece
esvai-se no regueirão
e nenhuma alma actua
e nenhum corpo se move
Não falo de uma gazua
não falo de um avião
falo da Kalashnikov.

Óscar Machico, in «Estaline já não tem bigode», Edições Chouriço de Sangue, 1989

O Sonho dela II

O sonho de Maria Antonieta era nunca perder a cabeça.

O meu Sonho .90

O meu Sonho era ter um presunto.

Passatempo The Galarzas

E isto o que é?

O Passatempo The Galarzas lançado no dia 26 de Dezembro de 2003 ainda não obteve nenhuma resposta. Os the Galarzas lamentam o facto, mas esperam que os seus criativos e fantásticos e-leitores comecem a enviar as suas respostas. As melhores, como foi explicado no lançamento, serão certamente partilhadas com o resto mundo.

de minimis non curat praetor

Excelentíssimos senhores Ministros das Finanças e da Saúde:

Declaro, por minha honra, que sou reconhecidamente conhecido, por toda a gente que me conhece, um soberbo gestor hospitalar e que sou bem capaz de aceitar o desafio pelos senhores lançado neste tempo mais chegado.

Declaro, pela vossa saúde, que me encontro em condições de aceitar a responsabilidade de gerir qualquer hospital do território nacional que V. Exas. acharem por bem atribuir-me, sem custos adicionais de deslocação para a referida instituição.

Desde o ano passado

Desde o ano passado que este irmão não posta.
Por esse motivo não há motivo para escrever.

PS: quero acrescentar uma frase do irmão Quarto:
«Dívidas não pagam tristezas».

E no princípio, seria o verbo?

Tenho problemas conjugais: não consigo dizer os verbos infinitos.

Patrícia, a primeira cantor transexual

Impressionados bela beleza atípica desta cançonetista, The Galarzas revelam um pouco mais sobre a notícia do semanário o Crime:

«Patrícia, que já foi Nuno dos "Onda Choc" e depois Ricky, vai lançar o seu novo CD na gala dos "Reis da Canção"».

E ainda, citando a primeira cantor portuguesa: «Faço espectáculos de transformismo em discotecas e bares. Mas sempre contei com o apoio e ajuda financeira da minha avó».

Matinais II

Desse jornal a que ninguém liga, mas devia, a manchete:

As Maminhas de Pedroso, manchete de o Crime.

E acrescenta: «Características femininas, entre as quais hipertrofia das glândulas mamárias e pilosidade reduzida, mas não há relação causa-efeito entre o aspecto ginóide do deputado e a sua orientação sexual».

Nota galárzica - Ginóide: gordurinha incómoda.

No suplemento o Crime Magazine:

«Patrícia, o primeiro cantor que mudou de sexo: "Sempre sonhei ser mulher"».

O Sonho dele I

O sonho de Bach era dar uma na ferradura.

14.1.04

Vesícula

É chegada a canícula,
acorda a vesícula.
A ave limícola
no terreno agrícola
vê o verme
e debica-lo.

Óscar Machico, in «Fígado eternizado», Edições Vísceras Ancestrais, 1988

Para a Amadora, por favor?

Pequeno compasso oratório retirado do Volume XXIII do diário de Arménio D’Bastos: «Quizilento logo pela manhãzinha»

Balidos selvagens
Tal tempos balneares
Estrondam os ossos de quem passa
Oh raça!

Enxacoca mania de ver as horas
Se ao liame do tempo páreo
Paraquema-se quedando
A paropsia do olhar matinal
Na procura de cangalhas

Mais tarde publicado in «Calástica forma de vida», Transversal do Largo de Stª Barbara à Passos Manuel, lado direito de quem sobe, café “O Quequinho da Bárbara”, mesa 12 junto à cozinha, Verão de 1976

Matinais

Diálogo na TVI:

Repórter - Então o que é que a senhora faz?
Senhora - Sou estomatologista.
Repórter - Ah! Deve ser horrível ver o estêmago das pessoas todos os dias.


Frase eufemistica sobre um chefe:

«Tenho um recado daquela pessoa pouco inteligente que decidiu hoje abrilhantar-nos o dia com a sua presença.»

O nome dele é Skylab, Rogério Skylab

Lavamos daqui as nossas mãos: faltava nesta beluga uma referência ao mais poiético cantautor brasileiro, o inesgotável Rogério Skylab. Não mais! Saravá! Viva Skylab! Viva a moto-serra de Skylab:

Cuidado com a Moto-Serra de Rogério Skylab

Tinha 25 anos de amores e sonhos,
Você era pra mim o meu drops de anis, alecrim,
Era meu rabo de saia,
minha doce amada, linda, linda,
era tudo que eu queria, rosa e jasmim.
Mas o tempo foi passando,
o tempo é louco, o tempo é todo tempo,
o tempo come o tempo, chegamos ao fim.
Te vi nos braços de um outro,
revirei na cama, passei a noite em claro,
mas no fim das contas, eu descobri:
Moto-serra, moto-serra,
Era a peça que faltava
no meu quarto de dormir,
Moto-serra, moto-serra,
Hoje entendo porque tu olhavas
tanto pro jardim.

Fui serrando os seus pezinhos
que eram para mim a coisa mais bonita
que eu nunca esqueci, prossegui.
Serrei suas duas mãos que eram diamantes
E quando rezavam
pareciam conchas de marfim.
Serrei suas duas pernas,
os seus dois bracinhos,
Você ficou sendo a Vênus de Millus do meu jardim.
Te serrei por dentro e fora,
te serrei no meio,
Restou um toquinho que eu serrei também,
Serrei feliz.
Moto-serra, moto-serra,
Os pedaços manchados de sangue
plantei no jardim,
Moto-serra, moto-serra,
Germinaram daqueles pedaços
rosas e jasmins.

(in «Skylab», de Rogério Skylab)

13.1.04

E agora, desenhos desanimados

Tem-se esparramado pelos órgãos de Comunica à São Saciada que o Euro 2004 apenas tem acrescentado estádios de duvidosa utilidade futura ao país, sem ter contribuído para o aumento e melhoria das infra-estruturas.

Para além de ser uma inverdade cobarde, torpe, vil e hedionda, é uma mentira grave e descarada, que merece ser desmascarada e agudizada.

Uma infra-estrutura jaz debaixo de, dorme sob, sustém, afunda-se. Atente-se no número de Fundações fundadas anualmente, veja-se a chusma de portugas enterrados em dívidas, contabilize-se com habilidade as contas caladas e anestesiadas que o duo Durão & Manuela se prepara para legar. Onde é que faltam infra-estruturas, cenouras e cenores?

Poema de: Idálio Juvino

Fábrica de Roupas

Lembras-te dos fins de tarde
Que passávamos sentados no puteal,
Deleitados da frescura do charco,
E das árvores do barroco
Espalhando o olor das frutas,
Da terra acabada de regar?

Lembras-te dos queijos de
Ovelha bem curados,
Do pão de milho e do quodório
Que sorvíamos, cheios de uma gula
Que só sentíamos na aldeia
Depois do trabalho na horta,
Exacerbada pelo cheiro resinoso do pinhal?

Lembras-te da indolência,
De continuarmos as conversas
Deitados na erva seca,
Com os olhos fechados
Como quem não precisasse
De abri-los para ver as coisas?

Lembras-te do silêncio vivaz
Da charneca a convidar-nos
Para o vento e para os rouxinóis?

Lembras-te de como trocámos
A nossa velha escola
Por uma fábrica de roupas em Massamá?

Idálio Juvino, “A Queima dos Dias”, País & Mundo Editores, Rossio ao Sul do Tejo, 1993

O meu Sonho .89

O meu Sonho era acertar as cruzes do TOTOLOTO todas, nos quadradinhos.

Problema 2

Notícia: Monica Bellucci joins Terry Gilliam's «BROTHERS GRIMM».
Previsão: Terry Gilliam never finishes the film.
Conclusão: Monica Bellucci moves on to Mel Gibson's «PASSION» as Virgin Mary.

Problema

Citação de Raúl Solnado: «Quando nasci e ouvi falar português disse: estou lixado!» in 24horas.

Boa notícia 2

Ele já chegou:

Songs in the Key of Z: The Curious Universe of Outsider Music

algumas das piores canções de sempre, redescobertas por Irwin Chusid, num dos melhores livros dos últimos tempos.

Boa notícia 1

Ele está de volta:

depois dos Python, Palin fez a travessia do deserto

Michael Palin esta noite na 2:, com o seu passeio pelo Sahara.

Efeito P.D.I.

Hoje os Xutos & Pontapés fazem 25 anos. Este ano, alguns dos The Galarzas atingem a barreira psico-ilógica dos 30 anos. Raisparta mais à Puta Da Idade!

Pós Escrito: mas apesar disso, siga lá daqui um valente saravá de parabenização aos moços que se estrearam em palco a 13 de Janeiro de 1979, nos Alunos de Apolo, e que, durante uns anitos, ainda ensaiaram numa garagam ao pé d'A Minha Casinha, nos Olivais...

O Senhor dos DVDs

Este Galarza já tem...

Sim, é a edição especialíssima de O Senhor dos Anéis: As Duas Torres, com Sméagol incluído!.

Às vezes...

...descobrem-se os mais singelos prazeres nos lugares mais recônditos:

Mad World

All around me are familiar faces
Worn out places – worn out faces
Bright and early for their daily races
Going nowhere – going nowhere
Their tears are filling up their glasses
No expression – no expression
Hide my head I want to drown my sorrow
No tomorrow – no tomorrow

And I find it kinda funny, I find it kinda sad
The dreams in which I'm dying are the best I've ever had
I find it hard to tell you, I find it hard to take
When people run in circles its a very very
Mad world mad world

Children waiting for the day they feel good
Happy birthday – happy birthday
Made to feel the way that every child should
Sit and listen – sit and listen
Went to school and I was very nervous
No one knew me – no one new me
Hello teacher tell me what's my lesson
Look right through me – look right through me

And I find it kinda funny, I find it kinda sad
The dreams in which I'm dying are the best I've ever had
I find it hard to tell you, I find it hard to take
When people run in circles its a very very
Mad world… world
Enlarge your world
Mad world

(original dos Tears For Fears, revisto e aumentado por Gary Jules e Michael Andrews para a banda-sonora de Donnie Darko - o melhor filme de 2002 - e agora incluído à força no muito banal novo álbum de Gary Jules)

12.1.04

Que esconde um olhar bovino?

Um espectro assombra o país rural.

Nos campos serenos e verdejantes, a inquietação cresce, alimentada por acontecimentos peculiares mas subtis: vacas que em vez de leite produzem vinho rosé, fugas de galinhas justificadas com idas ao dentista, porcos a exigir dois banhos por dia e champô amaciador das cerdas, ovelhas com pelo na venta.

O medo, medo com agá grande, explodiu há uma semana. Esse dia negro para as artes pecuárias teve lugar em Cabidela de Baixo, uma remota aldeia ribatejana. Aníbal Caracoleta levantou-se às cinco da manhã e comeu uma sandes de torresmo encharcada em aguardente de mel. Mal entrou nos currais teve um mau pressentimento, como um búfalo que vê o Bill, e esse pré foi o seu sentimento último. Um coice derrubou-o, bicos enlouquecidos furaram a sua pança opulenta, balidos insultaram a sua ascendência até dez gerações. Em alguns minutos, foi estripado, estirado, pelado, cortado e assado. Na travessa sobraram apenas os dentes, o pacemaker e o cartão de sócio do Sport Club Escalabitano.

A notícia deste caso animalesco correu pelos campos como uma camioneta da Rodoviária, e está a provocar o pânico nos corações interiores.

A recém criada PG (Polícia do Gado) aconselha urbanidade e uma dieta à base de legumes.

E agora de Arménio d’Bastos um Desconchavo em parafitas

Tropas que trepam ao longe
Devoram as tapas do monge
Atiçam os tentáculos ao povo
Num cambalear de farra e bandeiras
Num Pendular que não para nas beiras

E ao asfalto farfalhejo
Que os autocarros impina
Na passagem de gente gorda
Que acabou de comer açorda

E na paragem de Carnide
Ide ide ide
Os outros là ficam à espera

In «Paragão parapléxico e outras Desventuras», Convento de Varatojo, ala Norte, cela 7, junto à cozinha 1965

(rir)

Até no blogoplano (porque ainda ninguém circumnavegou este espaço) andam às turras. Agora, uns loucos criaram a «Organização Interblogacional Contra o Perigo Totalitário Marxista na Blogosfera».

Rock In Rio

Amarga Amarela Atingível

Amarga Amarela Atingível

António,
antes a amora
a altivez
a alimária

antes a abertura
a acácia
a amêndoa

antes a avaria
a apasmafórica
alegria.

Antes a atingível
Agustina?

antes
arrotar!

de Eustáquio Pinho, Camões Retorce-se Todo, Turiaçú, 1992

Sempre que o amor me quiser

Os senhores do cabo avisam que o sinal está fraco e por isso não há inter nete. Vão lá terça-feira. Aos leitores, o aviso do costume: se conduzir não, beba!

11.1.04

A Lei de Lavoisier

Os The Galarzas orgulham-se de apresentar aos seus e-leitores e aos concidadãos, o lançamento da candidaura às eleições para a Assembleia da República do PARTIDO LIBERAL BUROCRATA LENINISTA CRISTÃO.

Do programa eleitoral do PLBLC constará apenas um projecto. O PLBLC propõe-se fazer aprovar uma lei única que será aplicável a todos os aspectos da vida e funcionamento do Estado. Essa lei que já existe há algum tempo, e que vem sendo aplicada apenas à vida natural, será colada directamente dos compêndios de Física, e é conhecida por Lei de Lavoisier.
«Na natureza, nada se cria, nada se perde mas tudo se transforma.»

O PLBLC pretende aplicar esta regra simples de forma a obter maior eficácia na execução governamental, evitando desperdícios de fundos e de esforços aproximando Portugal um pouco mais de Estocolmo.

Com a eleição do PLBLC para o governo da nação, será imediatamente revogada a lei de Rendas - economista do século IX - que tácitamente vigora desde 1143, que se traduz pela proposição "nesta casa nada se produz, tudo se perde e nada se transforma".

Poema com ornitorrinco a espreitar

Os celulares
prisionais
comunicantes
mentais
agrupados em tecidos
enredados comprimidos
disparam estrada fora
embora nela ficando
perseguem o tracejado
ao som de bela sonata.

Óscar Machico, in «Facto e Bravata», Edições Veste Célere, 1998

E do nevoeiro ao invés da silhueta de Sebastião, ergue-se um novo vulto: Arménio d’Bastos, natural da Camacha.

Um arquitecto cede
E concebe
Uma casa com sebe

A um sindicalista com sede
Concede
Chamar um activista com sede

In «O cebo da Sabática», Forte de Peniche 1967, edifício 9, cela 3 junto à cantina.

10.1.04

What's up, doc?

Como é que ainda ninguém se tinha lembrado disto: um reality show do tipo Big Brother Famosos só com estrelas animadas? Pois os The Galarzas souberam de fontes bem seguras que vem aí «Drawn Together» - o primeiro «reality show animado» (mais que o último Big fiasco Brother?), criado pela malta dos Simpsons para a Comedy Central.

Os moradores vão ser: Captain Hero (a not so moral do-gooder reminiscent of the Saturday morning TV superheroes of the ‘70s); Clara (a 20-year-old sweet and naive fairytale princess), Toot (a black-and-white pudgy heartthrob from the ‘20s), Foxxy Love (a sexy mystery solving musician), Spanky Ham (a foul-mouthed internet download pig), Ling-Ling (an adorable Asian trading card cubby creature), Wooldoor-Sockbat (a wacky Saturday morning whatchamacallit) e Xandir (a strong young adventurer, similar to the great videogame warriors).

Por nós, gostaríamos de ver um Big Brother com o Durão, o Ferro, o Santana, o Manel Maria, o Souto Moura, o Rui Teixeira, o Carlos Cruz, o Bibi e o Pipi... Mas enquanto esse não chega...

Insultório médico

É fácil deixar de fumar de um dia para o outro. Basta não acender o cigarro às 23.59h.

Estão todos convidados!


9.1.04

Velhos do Restelo são os pastéis!

Ora aqui está o que é: um verdadeiro velho blog do Restelo!

PS: Mais uma vez, os The Galarzas se sentem na obrigação de recordar que não têm qualquer côr clubística. Mas o Belém não é um clube - é uma instituição que se come com açúcar e canela!

ÚLTIMA HORA!

GEORGE W. BUSH NÃO É UM FANTOCHE! É um «Action Man»:


Bush: para Marte, já!

O Jorginho Bucha quer mandar os americanos para a Lua e para a Marte a passo de corrida! Mas, perguntamos nós, ingénuos The Galarzas: não poderá ser ele o primeiro e dar o exemplo à Nação?

Já a seguir, tremoços

O agrião é fundamental, a agricultura é basilar, a Agripina morreu há muito. O Agridoce está vivo, não tem corantes nem depois. Com Cervantes tem algo em comum dado o mister livresco do seu tratador, por sinal cliente assíduo dos The Galarzas.