14.11.04

Poema de: Idálio Juvino

Os teus lábios em cor de manhã fria,
com todas as qualidades
da manhã, traziam um sorriso
que desprendia os meus
e me faziam sorrir.

E eu punha as cores
dos teus lábios nas cores
silvestres que nunca toquei.

E os meus ombros gelados
encolhidos, abriam-se
e encontravam espaço
para acolher a tepidez
das tuas lágrimas eventuais.

Eu que permanecia escondido,
deixava-me magoar
nos espinhos das palavras ríspidas
com as quais tu me embriagavas
e me censuravas as palavras más,
bebia da voz dos teus lábios
e recomeçava um sorriso.

Idálio Juvino, Pontapé na Temática, Editora do Galpão, Vila Nova da Barquinha 1994