1.11.04

Poema de: Abade de Jazente

Se de mosacas me vês coberto agora,
Triste, frouxo, incapaz, fraco e doente,
Deitado nesta margem de Jazente,
Quando no Cabedelo melhor fora:

Se da burra cinzenta a fé traidora
Me deixou por um burro bem mais valente;
Pois me vês esperar no voraz dente
Os últimos estragos de hora em hora:

Sabe que antes de ter quinze anos de idade,
Por minhas rebusnantes aventuras,
Fui cobridor do Termo, e da Cidade.

Porém hoje de tantas travessuras
Eu só conservo, ó homens, que impiedade!
Quinze espravões, com trinta mataduras.