30.10.04

O Saco

No meu tempo não haviam sacos de plástico, ou melhor; haviam poucos. O supermercado sentia-se satisfeito por ser super e nunca pensava em altas cavalarias: em ser hiper. Isso eram coisas que o supermercado não queria saber.
Nesse tempo o supermercado vendia os sacos de plástico como uma coisa valiosa e rara. Agora o hiper não quer saber das toneladas de co-responsabilidades que manda para as lixeiras todos os dias, nem a que pessoas põe estas coisas nas mãos.

Era a época em que as pessoas levavam uns sacos feios para ir às compras. Era sempre o mesmo saco durante muitos anos, feio, com uns desenhos feios, feitos de pano, ou de nylon, que eram só para ir às compras, mas não se gastavam sacos de plástico.

Os sacos de plástico não iam parar às lixeiras como agora. Quer dizer, iam mas muitos menos. Quando ninguém comprava sacos de plástico, forravam-se os caixotes do lixo nas casas com papéis de jornal e levava-se o lixo todos os dias para um contentor grande na rua. O lixo não ia todo embrulhadinho em sacos de plástico para as lixeiras como agora. Mas agora já ninguém gostaria de andar sempre a lavar os caixotes de lixo, como antigamente. Que nojo!

Antigamente também não havia ecologia e as coisas eram todas menos civilizadas.