Poema de: Idálio Juvino
Venho de um céu cheio de fealdade.
Tropeço quotidianamente nos escolhos
Lavrados por mãos de alheios,
Desfazendo-me num sentido bem literal
Nos poços falsos cavados de sobressaltos.
Um dizer corrompido,
Velado por aromas de um mel sem côo,
Desdenha as minhas fraquezas
E fá-las maiores e mais fáceis de derrocar.
Tenho a medida mais pequena de todas
Onde eu só fico ancho, enregelado,
Numa pedra pequenina sem valor
Que qualquer pé pode chutar para longe.
Uma varanda estacada de cimento
Ainda suporta vasos, que suportam lírios,
Cravos, Íris, que suportam os bichos,
Que esvoaçam nesta tarde de calor indómito
Em que eu, deleitado na sombra odorosa
Me revolto e recuso.
Idálio Juvino, "Folha de Flandres", Publicações Glúteo, Arneiro da Volta, 1991

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