Carta Aberta
a Primo Galarza
Pois eu não te dizia que era inelutável...? E tu de cabeça erguida a gritar impropérios, a atirar latas de feijão vazias contra os moinhos. Eu bem te dizia que havias de ir pelo caminho das estrelas, mas tu, a fingir que eras outro, metias as mãos nos bolsos e respondias-me que não, que havias de passar ao lado, ainda que com um sorriso tímido destemperado.
Ah, essa asneira, que eu previa breve; essa dor mitigada pel'a matéria em decomposição, pelos cortinados cor-de-laranja!
Eu bem sabia que havias de jactar-te nessa corrida numa velocidade astral, luminosa; que o melhor era quebrar cerce as muralhas que escondiam a tua ilusão e profundamente, passar aquém da traquitana.

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