10.5.04

Poema de: Idálio Juvino

E tu que voltes
E que olhes para tua frente,
Que hás-de de ver o vazio
No lugar onde estava eu.
E tu que feches os olhos
Que eu não voltarei a olhar para ti.
E que naquele momento
Em que pensares em lembrar-te de mim,
Que te lembres de que nunca
Fui sequer uma lembrança para ti.
No momento solene
De ouvires dizer o meu nome
Pergunta quem é,
E esquece-o com um encolher de ombros
E um mais solene enfado.
Que não me tenhas de forma alguma,
Nem num risco mal feito
Mesmo que vá feito do meu lado melhor.
Que não seja para ti,
Até que eu não seja mesmo num dia qualquer.

Idálio Juvino, A Coruña, 2004