12.5.04

A Linha é de Ferro 1ª

Os anos ficam e a caravana passa. A mulher da saia verde e o marido a gritar pela janela «Ó Lopes! Ó Lopes!» e olham para o comboio parado na estação, para o revisor que tenta olhar um bocadinho para o decote da passageira, que tenta perceber o itinerário do comboio grevista, que grita «Porra! Também quero ser feliz. Porra! Quero mudar de linha à minha vontade. Também quero ir pelo mar quando me apetecer.» E os engenheiros suecos, que vieram cá ver as coisas e até davam um parecer positivo, mas a companhia não tem fundos para andar a fazer cruzeiros de comboio e «Se ao menos levasse mercadorias ou passageiros em 1ª Classe, mas meteu-se-lhe na engrenagem que havia de ir ver as ilhas aos mares do Sul e que havia de ir sozinho, para se emocionar melhor com o Põr-do-Sol.»
Ah, anteontem é que estava tudo calmo, chovia e trovejava, ninguém olhava para os preços dos bilhetes!