29.3.04

Poema de:Idálio Juvino

Evocativo

Os perfumes misturados do rio
com a giesta e o sobro,
as flores cujos nomes
nunca chegámos a saber,
a terra molhada da geada,
os homens a as mulheres
que iam ou vinham
nos caminhos do campos
com as alfaias e as mãos
soberbamente calejadas.
A fome que apertava nas
horas do meio-dia e nos fazia
correr pelos pomares
a enganar o almoço.
A pardalada chireadora,
que almejávamos ser para sempre,
pelo lado do contentamento,
da liberdade e da ignorância.
O riso fácil dos tempos vagos,
que o Verão era sempre vago
e grande, e tinha sempre
o mesmo cheiro que se misturava
com as nossas canções mal cantadas.

Idálio Juvino, A Gosto, Edição Flébil, Almeirim, 2000