6.3.04

Poema de: Maria Helena

Exame Subjectivo

Não acuso ninguém!
Só as minhas mãos têm preparado
Movimentos ascencionais
Ou quedas na vertical.
Quando grito,
É tão minha a voz, como a intenção de gritar.
Quando ando,
Os passos pertencem mais à minha vontade
Do que às exigências do caminho.
Quando nego,
É só a minha alma que mede a distância
Que separa o meu desejo da minha renúncia.
No meu sangue nasce todo o mal e todo o bem.
Só eu me começo e só eu me dou fim.
Meus Irmãos, homens ou deuses:
Se eu não acuso ninguém,
Quem vem salvar-me de mim?

Maria Helena, "À Eterna Luz dos Infinitos Sóis", lisboa 1954