16.3.04

Diário indiscreto de Bode espiatório .1

Chamem-me Bode. Jaime Bode.

Já sei, já sei, os bifes têm um tipo sempre aperaltado ao serviço da Majestade Deles com um nome parecido.
Não é coincidência.
É um logro.

Primeiro, é puramente ficcional, tentem encontrá-lo fora dos ecrãs, grandes ou pequenos, e vão ter uma desilusão.
Segundo, eu já cá andava muito antes do outro beber leite, quanto mais martinis.
Terceiro, tendem a confundir-me com certo animal de chifres que expia não sei que pecados, erros ou omissões, e eu peco por omitir os erros.
Quarto, não há quarto, três alíneas costumam ser suficientes para ilustrar um argumento.

Que fique bem claro, eu não expio, eu espio.
Podemos ser amigos para a vida se esta crucial diferença estiver bem presente na vossa moleirinha.

Caso contrário, bom, caso contrário nada.
Pois se estão a ler este diário isso quer dizer que os vermes estão a rearranjar a mobília na minha caixa craniana, arejada por duas janelas redondinhas abertas com chumbo quente.
Se vos repugna ler o diário de um morto parem aqui e dediquem-se à literatura contemporânea.
Se a curiosidade vos impele a prosseguir, lembrem-se do que aconteceu ao gato.
E a mim.