Poema de: Idálio Juvino
Raquel
O teu passar flavífluo
roubou-me a desatenção
ao trabalho de organizar
os cômoros sobre a terra.
Lábios de som melífluo,
os teus, Raquel, sussurram
nos meus ouvidos
a música do calor duro
da planície cor-de-ouro
do teu sorriso.
Teus cabelos fiados de mel
raiando luas-cheias
do Agosto alentejano, Raquel,
refulgindo e cegando ao acaso,
arrojando-me em odores
e em pensamentos
de um ideário que eu
tinha repudiado, ou perdido.
Idálio Juvino, "A Monte", A Coruña, 2004

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