«Poema de: Eustáquio Pinho, Mestre Nestor Alvito, Óscar Machico e Idálio Juvino...
...escrito a quatro mãos, pois que nenhum dos poetas é ambidextro, na vila de Mogadouro no Outono de 1996. Era suposto ser um cadáver esquisito. Só que a ironia, o destino e o adiantado da hora, por vezes, só permitiam fazer o cadáver, outras... o esquisito. É o que sucede com este poema no qual os quatro irmãos, em verso, não querendo dizer nada, conseguem fazê-lo num estilo que fará escola.»
Monsanto Guedes
Dezgarrada
A flatulência perdida
Interessa ao nariz traseiro
É de odor interessante
Avestruzes obtusas
Cantarolam roliças
E... interesseiras
Garibaldi estreava-se
No Teatro de Assumpção
Com uma folha num pé
E outra na mão
Com um pé no estribo
E o estrume no estábulo
E a audiência em ovação
E a galinha em ovulação
Em Barcarena, pela noite
Virgem Maria tem zanga
A cristaleira de José
É forrada a denim e ganga
Alimárias cansadas
Alicerçadas pela bruma
(Só uma)
artrite dos dias
No colo de uma língua
Fria, um salto, desordenado
Protege e procumbe no
Caminho das fontes velhas
Matisse toca a pianola
A quatro mãos e com a cabeça
Não lê a pauta, tem pinta
Toca antes que se esqueça
Instantaneamente, lembrou-se
Do capitão Haddok. Mas
Maribela não tinha mais
Hímen que o atraísse.
Castafiori sucumbiu.
Ele, atento, não viu.
Mas de copo na mão
Sorriu ao de leve
E cismou
Onde foi a maçã de então?
Em sua imensa senectude,
Pluvia e tranquila
Pela estrada do cascalho solto
Tomava-se os ares de uma janela de foice
Gazua gazua abre essa gazela
Filha da savana, sacana
Correu desmedida e espetou os chifres
No tronco; e ali ficou esquecida.

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