30.11.03

Incomunicável da Direcção

Os The Galarzas decidiram galarzear o Sr. João Carlos Silva, cozinheiro de serviço à RTP África em São Tomé, com o prémio Óleo de Palma, por todo o estoicismo e o grande profissionalismo demonstrado ao suportar uma valente carga de água precipitada do inclemente céu do arquipélago, enquanto nos ensinava a confeccionar, ao ar livre, uma muito apresentável Perna de Porco Assada no Forno, acompanhada por um igualmente saudável Puré de Matabala.

Ao amigo João Carlos Silva aqui vai um «fiozinho de óleo de palma» e o nosso gradessíssimo Saravá.

O Comité Lateral:
Optimus Galarza

O meu Sonho .82

O meu Sonho é chegar aos .100.

Poema de Annaes do Reino (poesia sanitaria, parte III: o regresso)

Quadro das doenças que podem ser causa de morte (1º excerto)

1ª Classe
Doenças Gerais

Febre typhoide.
Typho petechial.
Meningite cerebro-spinal epidemica.
Febre remittente.
Febre intermitente.
Cachexia paludosa.
Cholera morbus.
Febre amarella.
Sarampo.
Escarlatina.
Bexigas.
Tosse convulsa.
Infecção purulenta.
Infecção purulenta depois de operação.
Infecção putrida.
Diphteria.
Diphteria depois de operação.
Tuberculose.
Tumores fibro-plasticos.
Tumores fibro-plasticos depois de operação.
Cancro.
Cancro depois de operação.
Syphilis.
Escrophulas.
Rheumatismo muscular.
.................. articular.
Gota.
Diabetes insipida.
............ glicosurica.
Carbunculo.
Pustula maligna.
Pustula maligna depois de operação.
Raiva.
Mormo.
Mordedura de reptis ou de insectos venenosos.
Alcoolismo.
Intoxicação profissional.
Anemia.
Leucocythemia.
Escorbuto de mar.
............. de terra.
Hemophilia.
Doença de Addisson.
Outras doenças.

(continua)

Annaes de Saude Publica do Reino foi um dos mais brilhantes poetas portugueses, embora só recentemente a nação, via The Galarzas, tenha descoberto a sua verdadeira aura poética. Este poema pode ser encontrado na sua antologia «Legislaçao Sanitaria», editada em 1901.

Minutos de Sabedoria: o regresso

«É com a nossa alma transbordante de satisfação» que damos graças pelo fabuloso regresso a este belógue dos «Minutos de Sabedoria», de C. Torres Pastorino - três meses passados desde a sua introdução ao blogoverso nacional. Saravá e aleluia, rejubilem connosco:

«279

Procure viver mais sua vida interior.

A agitação da vida não deve atingir nosso eu verdadeiro, nossa alma.

Não deve fazer esquecer a coisa mais importante.

A Centelha Divina é que é nosso eu real, do qual nosso corpo é apenas um reflexo.

Portanto. procure viver mais intensamente sua vida interior, a vida do seu eu verdadeiro, de sua alma.
»

(PS: Em breve, os The Galarzas irão promover uma série de colóquios, debates, conferências e mesas-redondas sobre a imensa obra de Carlos Torres Pastorino, onde, além de um estudo aprofundado dos «Minutos de Sabedoria», se analisarão outras obras fundamentais do Professor: o clássico há muito perdido «Sugestões Oportunas e o eloquente e consagrado «Sabedoria do Evangelho». Atentem.)

Divulgação

Os The Galarzas, sempre a trabalhar em prol da divulgação literária, apresentam:

O GUIA DOS CORNUDOS

por: Charles Fourier

Nº 38: Cornudo Sórdido
É um cornudo que, não oferecendo à sua mulher bons vestidos, obriga-a a escutar generosas ofertas de outrém. Tira, então, partido do amante que a sustenta, iludindo-se com essa intriga pela dupla vantagem que daí colhe.

Nº 39: Cornudo Pulha ou Crápula
É um labrego que o público toma de ponta e contra si levanta a opinião alheia pelo contraste da sua vil conduta com as boas maneiras que a sua mulher exibe. Todos apoiam a dama, afirmando-se: «Mal andaria, julgando-se amarrada a um porco desta espécie!»

Nº 47: Cornudo Porta-Estandarte
É o que se liga a uma mulher e, por ser tão labrego, incita ao assalto os galantes. De fato, a credulidade, estupidez, feiúra e avareza que exibe fazem-lhe cair na testa uma chuva de cornos. Á sua aparição a palavra corno retine em todo o lado e, citado à cabeça dos cornudos, o público eleva-o a porta-estandarte.

(Charles Fourier, Guia dos Cornudos, Editora Insular, Florianópolis)

29.11.03

Dois galarzas. Um cão. A GNR.

Depois de noite costumeira, onde se desdisse o poder, se provou Dão e se acabou com um velho maço de cigarros, um dos The Galarzas achou demasiada a mistura de víveres ingeridos nesse dia. O mal ataca-lhe a barrica, como se costuma dizer, e vai de evacuar.

Outro dos The Galarzas compromete-se então à também costumeira tarefa da boleia, dado que entre os dois evacuares, aquele The Galarza dizia a este que pouco aguentaria. Mas, qual agoiro, lança no princípio da viagem:

- O que faltava agora era um «Ó sô guarda, deixe-nos lá ir embora, que o meu amigo tem que defecar».

Eram 03h02.

Às 03h07, algures na EN10, o agoiro é virtude. De braço estendido, alto, verde, adejante, Guarda com laterna vermelha manda encostar.

- Boa noite senhor agente, adianta-se um The Galarza, não vá a autoridade tecê-las.
- Boa noite senhor condutor, responde a autoridade, dando dois sinais inequívocos:

1. reconhece a hora do dia;
2. reconhece o género da pessoa humana com quem dialoga.

Foi pedido o habitual, mas o diálogo dentro da viatura estabeleceu-se inter-galarzas, sem que o Guarda pudesse mais do que ver documentação. Nesse diálogo descobriu-se que:

1. Já não havia tabaco, embora três maços ornamentassem o tablier;
2. Um disco de Andrés Calamaro, dado como perdido, reapareceu;
3. O esfincter dava sinais de urgência;
4. As carteiras das lojas dos 300 escondem os documentos.

O diálogo final foi, aliás, a cereja:

- O senhor já bebeu alguma coisa hoje?

Aqui, o The Galarza condutor confunde-se. Hoje, como? Hoje, desde as 00h00? Hoje, desde que acordou ou hoje desde que o Guarda acordou?

Decide-se por uma vil mentira:

- Um copo de vinho, ao jantar.

O cão galárzico, figura sobre a qual um dia nos debruçaremos, continuava a ladrar furioso ao homem autoritário, que respondia «Calma, ninguém te faz mal». Este tratamento por tu ao cão galárzico deveria ser revisto, mas havia que decidir entre a discussão e a fuga. Estava em causa:

1. A ausência da Tena Lady para o The Galarza de intestino preenchido e em vias de explosão;
2. Ser detectado que o copo de vinho era daqueles de meio litro;
3. Não haver tabaco.

Partimos. Mas que sirva de exemplo: não agoireis, pois no dobrar a esquina pode estar o que vaticinasteis.

Estreia em grande

Irmãos ajuda. Quero pôr uma música e não consigo.

28.11.03

Ursamento

No princípio, erra a verba.
Depois, honra teu PEC e tua mãe.

Vivenda

fundamental
é o peito
que bate sem horas extra
nem sabe que mares antigos secam hoje,
sem abrigos,
banal e crucial,
aqui e agora
descendo pela cratera
até ao fim do imundo.

Óscar Machico, in «Moiramas e Alguidares», Edições Fumaça, 1980

Poema de: Idálio Juvino

Cozido à Francesa

A civilização vai mais sofisticada
Comendo colherzinhas de merda.

Os cavalos correm mais
Quando comem erva.

Os aviões, feéricos, passam
E ladram para a caravana estagnada.

Os poetas viram as pedras do avesso
Sem saber que a vida não presta
Para ser cantada.

As pérolas resvalam debaixo dos chispes,
Os leitões espavoridos e incomodados
Tropeçam, batem com os focinhos no chão.

O cozido é cozinhado à francesa,
Cheio de panache e fotogenia.

Os condutores que jantaram os bois,
Agora andam em desepero
À procura de um ponto que não esteja morto,
Com um olhar de sumiço e absorto.

Os peixes raquíticos só bebem
Água da chuva, salobre, metem-se
Nas latas de uma forma tangencial
Com as barbatanas recortadas.

Os cinzeiros não estão com a chuva.

Fechem as portas! Fechem as portas,
Que está tudo em pantanas.

Isto dá-me vontade de abandonar o mundo
E ir viver numa caverna.

Idálio Juvino, Pragas de Gafanhotos, Edições Jactância, Chamusca, 1986


Normas e provérbios de Woody Allen

- Praticar abominações é contra a lei, especialmente se as abominações são praticadas enquanto se come lagosta.

- O leão e a gazela poderão jazer juntos, mas a gazela não há-de dormir muito bem.

- Aquele que não perecer pela espada ou pela fome perecerá pela peste. Porquê fazer a barba?

- Os de coração maldoso hão-de provavelmente saber alguma coisa.

- Aquele que ama a sabedoria é virtuoso, mas aquele que tem relações com uma ave é espantoso.

- Senhor, ó Senhor! Que tens Tu estado a fazer nos últimos tempos?

Poema em hã? de Mestre Nestor Alvito

Quem foi que disse hã?
Foi a nobre aldeã
ou a grandiosa anã?
Foi a cansada artesã
ou a sua viúva irmã?

Quem foi que disse hã?
Foi o gentil que num afã
se esqueceu da anciã?
Ou a triste cristã
que, deitada num divã,
se lembrava de um galã
de que ainda hoje era fã?

Quem foi que disse hã?
A ovelha que perdeu a lã
ou o pastor que ganhou a manhã?

Quem foi que disse hã?
Foi o papá ou a mamã?
Ou a minhoca na maçã?

(in Salada de Brutas, edição de autor, 1977)

Comunicado Galárzico

Por sugestan de uma leitora, toda e qualquer palavra que termine em «ão» deverá ter a sua terminaçan substituida por «an».

O objectivo desta substituiçan é, segundo a leitora, «ladrar menos e comunicar mais».

Assim, e apenas a título de exemplo, as palavras seguintes deveran ser alteradas:

sugestão - sugestan
terminação - terminaçan
substituição - substituiçan
tão - tan
mão - man
cabrão - cabran

E assim por diante.

Protesto Formal

Os The Galarzas vêm por este meio apresentar o seu mais formal protesto contra o fim do mês.

É sexta-feira, vésperas de final de semana grande, já toda a gente recebeu, as perspectivas apresentam-se boas, porque raio mudar de mês?!

Este final de Novembro está a ser tão bom que queremos que se estenda por mais tempo.

NÃO AO FINAL DO MÊS!

Os The Galarzas pretendem apresentar ao Ministério do Final do Mês as 25.000 assinaturas necessárias para que o mês não termine. Para tal contamos com a participação de todos os nossos 4 leitores: enviem-nos as vossas assinaturas em decatuplicado, para que as possamos alterar em Photoshop e enviar para o Ministério.

Obrigado a todos.

Gritem bem alto para se ouvir em Timor:

NÃO AO FINAL DO MÊS!

Ministério 17ª Posta

Ministério das Paredes

Transposição de directivas imunitárias


As paredes devem ser construídas em qualquer base que comece por baixo de cada respectiva confluência de materiais construtivos.

Os alicerces não poderão ficar acima da cota respectiva da própria parede.

As paredes devem poder manter-se erigidas em linha recta ou curva e em sentido perpendicular ou oblíquo ao centro de gravidade.

Só serão consideradas paredes com direito a requisição de subsídio imunitário aquelas que forem, de acordo com os acordos internacionais, produzidas através de materiais sólidos.

Não serão consideradas como construídas de material sólido as seguintes envergaduras:
a) Paredes de fogo;
b) Espelhos de água;
c) Paredes mentais;
d) Muralhas históricas;
e) Descrições românticas;
f) Barragens policiais.

O Ministério das Paredes não assumirá as suas responsabilidades excepto em casos de corrupção ou de lobby extremos.

Por ser sexta-feira... diga lá, Mestre Nestor Alvito

Fecundação Divina em Dia de Semana

segunda-feira
deito-me sobre o teu corpo
e cheiro a tua rosa da vida

terça-feira
deitas-te sobre o meu peito
e choras por entre as pernas

quarta-feira
lambo
o teu ventre por dentro

quinta-feira
procuro
o teu âmago interno

sexta-feira
fico para sempre engolido
no teu corpo eterno

(in Cadernos Cheios de Coisas Cruas, Editorial Me Enerva, Brasil 1983)

É sexta-feira!


Ricardo Nixon numa sexta-feira, antes de partir para
fim-de-semana na bela quinta dos Portões de Água.

Aqui jazem duas hertezianas

A Voxx* e a Luna, rádios de excelência aqui da mouraria, foram compradas pelo senhor que se chama Luis Guedes e tem como alcunha «Nobre» que, como se sabe, é uma enchideira de chouriços.

O dito senhor, que poderia ser chamado de Luís «Sicasal» Guedes, já avisou que vai mudar radicalmente a programação destas estações.

Poizé. O futebol é que induca. O vinho é que enstrói.

*ver posta atrasada, do irmão cardinal Quarto

Duas, boas, de uns amigos aqui do lado

Pensamento do dia #01 [Galarza style]
Se eu fosse um pedófilo, gostaria de ser o Michael Jackson.

Pensamento da noite #01 [Galarza Style]
Nunca desistas de um sonho. Se não houver numa pastelaria, vai a outra.

por Jacinto Leite Capelo Rego, em Detesto Gajos Chatos

Epitáfio a Moreira Nunes

Aprendiz de causas
A meretriz de todas as ideias
Enleia-te na cama de dossel
Faz-te passar de anarca livre
A Marx de cordel
Bradas como trabalhador
Que afinal nada mais quer dizer

O caso continua

Aos que passam
Não há madrugadas a bradar
E um abril prometido
Está pronto a enterrar
Moderas as palavras
Vais deixando raivas

O caso prossegue

Nas avenidas querias ver
Renascer os tambores de Lavacolhos
As verdadeiras armas de carvão e giz
Nunca abandonas essa ideia
Igualdade
Mas perde-se o ânimo
Morres por dentro
A idade

O caso encerra-se

No epitáfio
Na lápide
Terás o texto final e merecido


Sonhador desejoso por orgasmo social, lutou a vida toda por big bands em todas as esquinas. Um dia, por paixão, atirou-se sobre Alice, pequena e bela, na festa do Hotel Avenida. E bastaram poemas de Natália e Fausto para que em minutos lhe tocasse os seios. Aos 40 parou a cânfora, deixou de fumar, preocupou-se com a saúde e deixou cair Proudhon. Tomava chá em casa de putas regeneradas. Os perfumes da botica chegavam-lhe para impressionar gaiteiras. Tinha a Bíblia e começou a desconfiar que os apóstolos o vigiavam enquanto dormia.

No monte, debaixo das oliveiras, foi ver a varada. Uma, erro drástico, abriu-lhe a cabeça em dois. O lado esquerdo sobreviveu meia hora mais. Partiu em paz, sem nada ter conseguido. Mas aqui está a bonita campa, como pediu.

de Eustáquio Pinho, Linguados em Contramão, entre as Pampas e Buenos Aires, 1977

27.11.03

Demografias

As sociedades ocidentais estão há algum tempo em regressão demográfica, e os E.U.A. não escapam a esta tendência.
Será que andam a foder o Iraque por se situar na mítica zona do Crescente Fértil?

Comunico a São

Conterrâneos, não vos deixeis entristecer pela perda da Taça América.
O Euro 2004 também tem muito potencial para meter água.

I want my 007


Hoje foi um daqueles dias

Hoje foi um daqueles dias... Daqueles em que tudo acontece. Ainda ontem não havia assunto nenhum (a não ser aquele dos barcos que eram para vir para a docapesca de Lisboa mas afinal não vieram), e hoje aconteceu tudo...

Lá fora, o Bush Júnior foi visitar as tropas a Bagdad, o Beckham foi conhecer a Rainha... Por cá, a Manela Ferreira Deleite foi ao Perlamento, o Senhor 1 2 3 foi falar ao DIAP, o Braga Gonçalves foi para a prisão...

Isto sim, isto é um daqueles dias em que apetece estar vivo e dar graças a Deus por tantas boas notícias. Afinal, mais vale uma mão cheia de pequenas histórias do que um dia inteiro cheio de história nenhuma (pronto, a não ser aquela dos barcos que eram para vir para a docapesca de Lisboa mas afinal não vieram).

«Amantes de amor»?


Prenda de Natal

Foi a nossa caixa e-postal violada por este convite lamechas e, como diria o outro, altamente fanchono:

«Neste Natal, ofereça a mais bela

PRENDA DE NATAL

Um livro que pode ser o Livro do Encontro para a família, os amigos, os namorados, os amantes de amor.

Também várias Empresas, Câmaras, Instituições, já encomendaram este livro para oferecer como PRENDA DE NATAL
»

Que quererá isto dizer?

O Porco

O matutino A Capital oferece hoje a mais típica figura de Natal, para os presépios lusos: o Porco.

Pós-escrito

Há muito tempo que não via um deputado com um nome tão coerente. O Sr. Deputado Diogo Feyo é mesmo feio.

Isto vai mal

Perdoe-se-me a intimidade, mas até o meu avô (velho Cavaquista e ferrenho defensor deste Governo) anda, pela calada da noite, a chamar nomes ao Durão e à Manela. 'Tou contigo, avô!

Está visto

Somos cada vez mais o Portugal dos Pequeninos (contra a Alemanha dos Gigantones e a França dos Cabeçudos).

Só não vê quem não quer. E a culpa não pode ser toda de quem cá esteve antes... Senão, qualquer dia, vamos todos para a rua recuperar gritos antigos e dizer que a culpa é do Cavaco! Ou do Salazar... Ou daquele cabrão do Afonso Henriques!

Dicionário de Rimas

PEC (Pacto de Estabilidade e Crescimento) rima com
PEC (Pagamento Especial por Conta) rima com
Peque (cometa pecados) rima com
Pack (aos pacotes)...
...que é o que a Velha Senhora Ferreira Deleite anda a fazer.

Chili com carne

Ontem disse três patacoadas. E fiquei estúpido. Claro! Como é possível alguém dizer três patacoadas e não ficar estúpido? É a lei da vida. Agora, não sei o que dizer...

Podia falar de chili com carne, mas a ideia já não me parece tão sedutora... Deve ser da fome - ou como alguém muito sábio uma vez disse: «a fome, a fome, a fome, só a tem quem não come»! É bem verdade, pelo que sei... Mas também... o que é que eu sei? Nada. Não sei nada. Ou pelo menos, nada a mais que os outros. Nem sequer sei fazer chili com carne. Dizem que é so juntar feijões e mexer... Mas eu não acredito. Nada pode ser assim tão simples. Nada! Senão, não havia guerras: era só juntar feijões e mexer... Olha a pôrra!

Abra Fáchavor

- Prrim! Prrim! Prrim!
- Desculpe.
- Prrim! Prrim!
- Dá-me licença?
- Prrim! Prrim!
- Como?
- Prrim!
- Desculpe, não percebo.
- Era p’ra m’abrir a porta. Prrim!
- A porta?!
- É, a porta.Tenho que entrar aí.
- Mas estamos no meio da rua. Não há aqui porta nenhuma. Se quiser pode passar à vontade. Olhe eu desvio-me.
- Prrim! Já toquei à campainha seis vezes. Ninguém abre. Prrim! Abra. Vá lá, sou eu que ‘tou aqui.
- Mas eu não sei quem é o senhor. E estamos na rua, aqui não há portas, quem quiser passa e pronto.
- Isso é que era bom! Eu passava e você chamava a polícia. Eu também tenho os meus direitos, ó o que é que você pensa. Não sou nehnum analfabeto. Prrim!
- Mas pois por isso. Passe à sua vontade que não me faz mal nenhum. Acho que as outras pessoas não se vão chatear.
- Ah, pois! Você pensa que só porque a gente é pobres não sabemos das coisas. Nessa é que eu não caio. Prrim! Abra lá a porta.
- Ó amigo, já lhe disse que a rua não tem portas. Cada um passa por onde quer.
- Ah é? E quando você sai da rua por onde é que passa? Não me diga que toda a gente pode entrar na sua casa sem mais nem menos?
- Não…Não é bem isso… Quer dizer. Na rua é que não há portas as pessoa andam e pronto.
- Andam e pronto! Essa agora. E para sair da rua vou por onde, não é pelas portas? Prrim! Prrim! Vá lá faça-me esse jeitinho. Olhe que nem dá por mim a passar.
- Mas ó senhor…Bom ‘Tá bem, eu abro. Passe lá. Mas veja se não vai incomodar mais ninguém.
- Não, não. Era só o que eu precisava, era entrar. Obrigado amigo. Não vai chamar a polícia pois não?
- Não, só vou à minha vida que também não quero chatices.Passe, passe, faz favor.
- Obrigado senhor. Até logo, que eu já não preciso de o incomodar mais. Também não foi muito, pois não.
- Adeus.
- Prrim! Prrim! Abra se faz favor! Sou eu.

Uma, mas curta

Tabaco

Outras poesias

Fomos nos últimos dias brutalmente vilipendiados nos órgãos de comunicacomsão social por darmos demasiado tempo de antena aos mesmos três ou quatro poetas. Horror! Pavor! Parvoíce!

Pois para provar a nossa humilde boa vontade e o nosso mais vasta abertura de espírito, aqui revelamos (com a ajuda de uma nossa atenta leitora) mais uma eloquente poetisa nacional:




Isaura dos Santos Ferreira, autora destes graciosos versos...

«Vila da Ponte é muito linda, por isso é invejada,
Tem cá de tudo o que é bom, pouco lhe falta ou nada.
Tem cá uma farmácia com gente boa e acolhedora,
Recebem muito bem as pessoas tanto as funcionárias como a senhora Doutora.
E toda a gente de cá louvam a Nosso Senhor
Por terem cá uma boa clínica e também um bom Doutor.
(...)
»

...e destes também...

«Alunas de Vila da Ponte são loucas, mas têm valor
Há casadas e viuvas mas aprendem com amor

Alunas de Sernancelhe vêm-nos fazer companhia
Jantamos todas no restaurante e vai ser uma alegria
»

Em breve, prometemos a postagem de um poema inteirinho de Isaura dos Santos Ferreira...

Verdade universal em SMS

«Andar de bicicleta é como andar de bicicleta: nunca se esquece!»
(enviado por uma mui estimada leitora dos The Galarzas.)

26.11.03

VOXX R.I.P.

- A rádio Voxx morreu.

- Foi na Voxx que se disse pela primeira vez em público que o Ministro da Defesa será homossexual.

- A Voxx foi comprada por Luís Nobre Guedes, correlegionário do referido ministro.

- Acham que é para continuar com as «Vidas Alternativas»? Ou com o «Mensageiro da Moita»? Ou que voltaremos a ouvir «Uma gaja perfeitamente vulgar»?

A Voxx morreu. Requiescat in pace.

Faz a despedida alegre


Fumento ecuménico

O cigarro, senhor padre
é instrumento de deus
o seu fumo enquanto arde
eleva os olhos aos céus

Óscar Machico, in «Quadras & Ladras», Editorial Torial, 1971

Precoce idade

Curta de vida
Branca de neve
Partiu-se parida
Sem direito a greve

Óscar Machico, in «Quadras & Ladras», Editorial Torial, 1971

Do Mestre Trovador Ruy de Vasconcellos

O nosso leitor identificado e anónimo José Pedro Vasconcellos voltou a enviar-nos um email com uma Trova do seu parente Ruy de Vasconcellos, que reproduzimos a pedido, e com muito gosto.

Cantiga

Pedroso está lixado
porque foi inspecionado
pra ver se é circuncidado
queriam ver-lhe a cicatriz
porque o pobre coitado
pode ter ferido um petiz

Paulo Pedro recusou
falar sobre quem o examinou
o que em nada ajudou
a jornalista que escreveu
uma peça que revelou
um abismo como breu

abismo de enormeza tal
que só vem provar que está mal
e que o que sai no jornal
às vezes é só pra encher
e as vitimas de abuso sexual
lá se continuam a foder

exames psicológicos à mão
cicatrizes retiradas por operação
porque abusar provoca lesão
enquanto aqui estiver o acusado
é toques rectais até mais não
Pedroso admite, estás lixado

Desconsiderações Bio-ilógicas .2

Os tigres de Bengala mexem-se pouco

Contemporâneo Testamento

Anjo não sabe porque não tem

Gabriel
Tenho-te por bom anjo
Por isso não te maço

Mas moço
Antecipa com divindade
Contrariedade

O Mundo espera-te
Desordeiro
Como da vez primeira

Magistral anjo anunciador
Faz o que mais há
Entre esses mortais

Coloca de Jesus a semente
No testículo de José
E não em Maria sem ventre.

de Eustáquio Pinho, Viela e Apaixonei-me, Alfena, 1985

Haiku S.Tinho!

Possas tu
escrever em breve
as Memórias da Gripina

in The Haiku (Blog)Spot

Boletim de Saúde

Estou com gripe! O que me lembra que alguém disse isto:
«O amor é como a gripe: apanha-se na rua, resolve-se na cama...»

Desconsiderações Bio-ilógicas

O polegar oponível faz-me espécie.

Poema de: Idálio Juvino

O Titereiro

O titereiro do destino
Roeu-nos os ossos
Como se fôramos frangos,
Largando as penas caídas
Pelos cantos.

Cerceou-nos as vontades,
Afogando fundo nos poços
Os frutos extremos
Do suor dos nossos esforços.

O cárcere do pensamento
Impediu-nos o olhar
De observar atentos
O despotismo dos ventos
Que não traziam porventos
E a inércia dos movimentos.

Uma cadeia de coisas nulas
Com propriedades do rancor,
Reuniu-se na noite de artificio
Para nos arrancar ao descanço
E nos empenhar o fervor.

Derrocámos todos no embuste
Pantomineiro de viver
Um quotidiano fruste.

Idálio Juvino, “Pragas de Gafanhotos”, Edições Jactância, Chamusca, 1986

Comichão Europeia

«Comissão Europeia Preocupa-se com a Fuga de Cérebros»

Parece que os Cérebros se aliaram às Galinhas e preparam um plano de fuga para privar o Pato de estabilidade...

Etnografia

Chega de bois do Barroso.

Pacto com laranja

Dura lex, Durão Lexotan.

Pato de estabilidade

Cu há.
Cu há.
Veremos se tanto aguenta.

Governo avança medidas de urgência

Perante a derrota na Taça America, Durão vai organizar:

- Campeonato do Mundo do Défice
- Torneiro Internacional de Sopeiras Libidinosas
- Jogos Mundiais do Atentado à Bomba em Recinto Fechado
- Dupla Maratona de Lisboa
- Rali Paris Dá Cá

Ó minha cana verde

Razões adiantadas por um especialista, Fernando Amaral, na SIC Notícias, para termos perdido a Taça América:

1. As meninas de Bragança
2. Nem todos os portugueses estavam a puxar para o mesmo lado
3. O processo Casa Pia
4. O lóbi do Norte
5. Dor de cotovelo por causa do Euro 2004

Conclusão: Valência merecia

Valêêêência...


José Luís Arnaut, ao centro, e a equipa da candidatura de Lisboa à Americas's Cup, que acabam de perder.

Que desvelos a gente gastava em frente do amor



A BELA DO BAIRRO

Ela era muito bonita e benza-a Deus
muito puta que era sempre à espera
dos pagantes à janela do rés-do-chão
mas eu teso e pior que isso néscio desses amores
tenho o quê? quinze anos
tenho o quê uns olhos com que a vejo
que se debruçava mostrando os peitos
que a amei como se ama unicamente
uma vez um colo branco e até as jóias
que ela punha eram luzentes semelhando estrelas
eu bato o passeio à hora certa e amo-a
de cabelo solto e tudo não parece
senão o céu afinal um pechisbeque

ainda agora as minhas narinas fremem
turva-se o coração desmantelado
amando-a amei-a tanto e sem vergonha
oh pecar assim de jaquetão sport e um cigarro
nos queixos a admiração que eu fazia
entre a malta não é para esquecer nem lá ao fundo
como então puxo as abas da farpela
lentamente caminho para ela
a chuva cai miúda
e benza-a Deus que bonita e que puta
e que desvelos a gente
gastava em frente do amor

de Fernando Assis Pacheco, 1937-1995

Licenciado em Filologia Germânica, foi jornalista e crítico literário. Mandou à merda quem devia, mandou-nos estudar o povo, mandou a vida para o galheiro e foi-se. Em 1995 fizeram-se alaridos, esquerdistas pincharam, direitistas homenagearam a sais de fruto. Hoje, preferem o Big Brother ao Assis nos manuais escolares. Por aqui, continuas em casa. Não temos argentários. E só ao malte damos usuária

25.11.03

Vai de ronda quem quiser...


Fausto Bordalo Dias. Saiu o CD
A OPERA MÁGICA DO CANTOR MALDITO.



Este já anda a rodar há meses. É pérola. Abra a ostra, por favor.
TERRA DE ABRIGO.

A fraude, senhores, a fraude!

Vimos por este meio bradar aos sete ventos que, segundo boatos que os nossos ouvidos tiveram a infelicidade de bisbilhotar, o nosso homónimo Ramon Galarza não é merecedor do apelido que ostenta. Temos dito.

Mas, mas...

...e ninguém fala de Monsanto Guedes - esse artista completo, pioneiro do punk-prog, mestre de Shegundo Galarza, mentor dos The Galarzas?

Peúgas e reumatismo

Cirurgiemos excelência
Mas aviso antes de mais
Que me falta paciência

Quantos dentes tem na boca?
Extraiam-se todos, vomite
Três mentiras desdentadas

E ampute-se uma perna
Pois mais depressa se apanha
Uma lesma que uma aranha

O berbequim aqui posto
Trata da unha encravada
E dá-lhe mais vida ao rosto

Um só conselho final
Respire pelo nariz
Durma na horizontal

Óscar Machico, in «Funambulismo apriorático», Editorial Espiga Canibal, 1984

Cama ardente

Os barcos partem dos porcos
E as porcas parem portos
É janeiro, primeiro
que volte a luz
Das palavras nascerão
Resmas secas volumosas
Lesmas quentes e viscosas
Ao serão

Óscar Machico, in «Paramécias em lamelas», Lailarailailai Editora, 1977

Resultados do concurso público

São dados como admitidos Septeto Galarza e Octavio Galarza como novos membros.

P'lo Comité Lateral,

Optimus Galarza

Concurso Público Internacional para admissão de Galarzas

Foi aberto Concurso Público Internacional para admissão de Galarzas.
As regras são expostas:

1. É um concurso.
2. Público
3. Internacional.
4. Para admissão de Galarzas.

As duas candidaturas devem ser enviadas até 11 de Novembro de 1987 para o e-mail galárzico.

O Comité Lateral.
Optimus Galarza

O Trovador Luso Ruy de Vasconcellos

Recebemos no email galárzico uma missiva de um leitor devidamente identificado, mas que pediu sigilo, que nos dá conta de um seu remoto parente, chamado Ruy de Vasconcellos, que terá vivido algures entre os Séculos XII e XIII e terá sido camarada de Trovadorismo de Paio Soares de Taveirós, e com o qual muito aprendeu.

Diz-nos o nosso leitor João Pedro Vasconcellos:

"Acredito que este meu primo tenha sido à altura um dos expoentes máximos da Cantiga de Escárnio e Mal-Dizer, se bem que incompreendido, talvez pelo carácter premonitório que as suas Prosas tomavam muitas vezes."

Caro leitor, agradecemos-lhe o email enviado, e ficamos na expectativa de outros que se lhe sigam, pois poesia Trovadora é caso raro de se ver hoje em dia.

Abaixo, a Cantiga de Ruy de Vasconcellos, como verão, tremendamente premonitória.

Cantiga

estavas sentada no banco
e de Belém pensavas tanto
nesse pacto de estabilidade manco
que tanta volta dava
às tantas deste num pranto
que já ninguém te aturava

esse teu voto favorável
não deixou oposição afável
muito menos posição estável
para navegar na política
de argumento contraditável
deste ar de semítica

o PS diz derrotado
o PCP sente-se ameaçado
todos querem por de lado
o governo do país
entretanto ali ao lado
ninguém levanta o nariz

e agora todos vão dizer
o PEC ardeu e vai morrer
Durão demora a responder
o Bloco não vira a cara à luta
talvez te ponham a correr
ó Manuela filha da puta

Poema de Mestre Nestor Alvito

Que bonita é a vizinhança

o meu vizinho faz barulho lá embaixo
a minha vizinha azucrina-me as têmporas lá em cima
o meu vizinho festeja pela madrugada
a minha vizinha arrasta móveis pela noite

o meu vizinho põe a batida na lua
a minha vizinha deixa a torneira a pingar, a pingar
o meu vizinho dança ao som do ruído
a minha vizinha cria os seus próprios monstros

o meu vizinho cansa-me o juízo
a minha vizinha não conhece os meus limites
o meu vizinho é mais chato que a potassa
a minha vizinha deve ser mesmo a potassa

(in Cadernos Cheios de Coisas Cruas, Editorial Me Enerva, Brasil 1983)

Poema de: Idálio Juvino

De Volta aos Perús do Natal

Fui num acesso de memória
De volta aos perús do Natal
Partilhados na sala paternal,
Onde principiou esta história.

Onde juntos saboreávamos a ceia,
O vinho tinto das nossas veredas,
O calor insolente das labaredas
E ficávamos enleados como numa teia.

Comíamos os doces da tia-avó Rosa
Refastelados num colchão de palha,
Contando às tantas uns dedinhos de prosa.

E depois se à noite havia luar,
Saíamos ao terraço a ver de cima
As raparigas na rua a passar.

Idálio Juvino, De Volta aos Perús do Natal, Edições Cáspite, Samora Correia, 1987

24.11.03

Poema de: Idálio Juvino

Casa de Família

Venho à minha velha casa de família
Que num estertor se fez em ruínas,
Onde nas noites cálidas de vigília
Falávamos de brincar com as meninas.

Revejo todo esse tempo hodierno.
De beijar quase timidamente e tolo
Esses beiços carnudos, no Inverno
E de ficar a arder e sem folêgo.

Era bonito o frutar das laranjeiras,
Os nossos olhares atentos e o nosso
Assédio inocente deitados nas leiras.

As saudades desse tempo sem embaraço
Do abrigo grave, do amor bucólico,
Dessa Manuela e do seu peito lasso.

Idálio Juvino, De Volta aos Perús do Natal, Edições Cáspite, Samora Correia,1987

Quanto custa, Sr. Bush?

As contas são fáceis de fazer:


W na WWW

Na busca por uma resposta à dúvida que nos atormenta desde a posta anterior, os The Galarzas fizeram assinaláveis descobertas: Eis o currículo do Senhor Residente.

Gay W Bush?

É a dúvida da semana... do mês... que digo? do ANO! quem sabe, da década...

Será George W Bush gay?


R.I.P.

Aqui jaz uma bela posta. Depois de curta vida galárzica, a ressurreição dá-se na Cibertúlia.

assim é

«Those are my principles. If you don't like them I have others».

«The trouble with practical jokes is that every now and then they get elected»

Groucho Marx

23.11.03

Nota da Direcção

Informativo ao público em geral

Os The Galarzas gostariam de esclarecer a sua bela freguesia, que por motivos racionais, há muitas e variadas coisas que detestam e que deviam ser abolidas por lei, ou por bom senso.

Uma é o frio, outra são as dores nos joelhos. Há outras coisas, mas de momento estas servem-nos de exemplo unívoco e imperturbável.

Poema de: Idálio Juvino

A Amizade é de Pedra

Dizem-me que as fugas não são estratégicas,
a mim, que sempre as vi esféricas.

Fazia-se assim de má fé, a guerra,
contra uma coisa que era de pedra.

A mim saiu-me na rifa ser incompreendido,
parecer mal agradecido.

A fuga eram os copos entornados à varanda
e a graça dos pés volantes numa ciranda.

E a felicidade, estarmos juntos
antes de termos separados nossos rumos.

Idálio Juvino, Letras Pesadas, Edições VTPNP, Setúbal, 1993

AVISO LEGAL

Por a isso não termos sido obrigados, aqui postamos o seguinte aviso legal, segundo o referido art.º:

THE GALARZAS PORTUGAL SHOW
CUSTODIAN OF RECORDS
U.S.C. TITLE 18, SECTION 2257 COMPLIANCE

In compliance with United States Code, Title 18, Section 2257, all models, actors, actresses and other persons who appear in any visual depiction of sexually explicit conduct appearing or otherwise contained in or at this site were over the age of eighteen years at the time of the creation of such depictions. Records required to be maintained pursuant to U.S.C. Title 18, Section 2257 are kept by the custodian of records.

Servício enformativo

Amanhã por esta hora prevê-se noite cerrada em Portugal com tino em tal. Acentuada descida na serra da Estrela. Caruncho na Madeira. Antigos clones nos Açores. Quem anda à chuva amola-se. Frontais à superfície dissimulados em alvas pressões. Núcleos de baixas prisões. Nevoeiros e burburinhos matinais. Gaivotas em terra. A elite enterra. Mar encrespado. Nós também.

Educação tísica

guardanapos
em crochet
e para quê

digo-te
este copo cheio
repousa em base sêca
e o mar em baixo
alterna a corrente e entorna
a maresia em crescendo

desaparecendo

Óscar Machico, in «40 degraus à sombra», Editorial Águias Mil, 1980

Mundo de com trastes

arquipélago de uma ilha só
península de istmo maligno
continente com ti nu
incontinente.

serra agora eléctrica
delta sem asa
baía que já não vai
rio sem graça

Óscar Machico, in «Flecha da romba», Edições Marfim de Seda, 1979

(e já agora, um) Poema de Mestre Nestor Alvito

Chiça Abanico (fadinho corrido)

Caramba, ó pá
Que raios me partam a tola
De quando em vez
A gata rapa e esfola

Caraças, ó meu
Que pintas me arrombem a bufa
De quando em vez
A tropa corre na lufa

Cariocas, ó gingão
Que ganfias te mamem a chicha
De quando em vez
A lupa não cabe na ficha

(in Versos em Forma de Versos, Edições Jesus Em Teu Ventre, 1974)

E um poema de lui même

Amigos, amigos, Badajoz à vista

Há uma canção
Uma canção de amigo
Que nos empurra
Para fora do umbigo

Há um Talião
Que nos escreve o verso
Esse Idálio Juvino
Devia estar preso

A sua identidade
É insalubre, viperina
Já cá veio a casa
Partir-me uma terrina

Diz que não quer amigos
Que não valem para nada
Sinto logo nas costas
Valente e funda facada

Porque não escreves, Juvino
Sobre a madrugada atroz
Em que te dei fuga
De Elvas p'ra Badajoz?

Esqueces rápido, eu perdoo
Mas fica sabendo agora
De mim, nem mais um copo
Do vinho que a gente adora!

de Eustáquio Pinho, Veste Suína, Africana, Rabat, 1993

Memória de Eustáquio Pinho


Rara foto, tirada na base argentina na Antártica, em 1973

Poema de: Idálio Juvino

Dos Amigos

Os amigos não servem para nada.
Um amigo só é útil enquanto
É só um amigo, sem aspirações,
Desapegado da bajulação dos
Amigos convenientes.

E quantas voltas, amigo, hás-de ir
Volteando em busca de uma acção
Que te entronize como amigo,
Sem saber que a tua alma
Vai já mais alta que o teu sonho?

E que um vulto que tu segues, já
Se encontrou na companhia
Dos amigos, que tu quiseras
Gravar para sempre na tua
Galeria das pessoas inúteis.

Idálio Juvino, Letras Pesadas, Edições VTPNP, Setúbal, 1993

Notas de viagem

Os menires são uma pedra.
Os cromeleques são várias.
Há arrumadores portugueses em Badajoz.
Hoje em dia vai-se lá aos livros, não aos caramelos.
As migas são nossas amigas.
Os chaparros também se abatem.

Numa parede de Évora

Responsabilidade é a insensatez de trabalhar até à morte

in Tabaco Só Ao Balcão

22.11.03

Morte ao Dálai Lama

Nota: O texto seguinte foi escrito por Rafael Dionísio na fanzine CanibalCriCa Ilustrada e é apresentado aqui na sua totalidade sem permissão do autor, pretendendo ser uma homenagem não só a ele como também a todos os Galarzas e amigos, em especial ao Paulo Correia que anda lá fora a lutar pela vida.

um lama lái-lái é um corpo de criança que é enchida com o espírito do lama anterior, no momento em que nasce.
quando o lama morre apanha-se um puto a nascer e diz-se-lhe TU ÉS DEUS.

e o lái-lái lama tem andado a dizer muitos e rubicundos disparates pelo mundo. para agradar e encantar toda a gente. é tão bonxinho não é? o lái-lái lama?! é tão kido!... é tão nhunhai... é tão amigo dos pobres e dos desafortunados. os seus bitaques éticos são tão acertadinhos...
-ABSTRUZA ABERRAÇÃO!!!

é tão humano e nosso amigo, é tão cutchicutchi, podia ser apenas adorado como um deus, sossegado porque nasceu deus, mas desce até nós para ser, como nós, um ser humano!, ele finge que é um ser humano, quando nasceu deus!
-ABSTRUZA ABERRAÇÃO!!!

particularmente interessante, no "pensamento" do dálai lama é o seu conceito de söpa. e passo a citar: "söpa é aquilo que nos dá força para resistirmos ao sofrimento e nos impede de perdermos a compaixão por aqueles que nos fazem mal".

eu por acaso pensava que a söpa era uma coisa com legumes cozidos, ou canjinha de galinha ou assim. que a söpa era um primeiro prato que era servido com uma percentagem bastante elevada de elemento aquático e que tinha, ou não, batata, cenoura, carne, e tantas outras coisas mais... e tantas outras coisas mais que pode ter uma söpa...

dr.camarate: no ribatejo a söpa é a SOPA DE PEDRA, que nos dá força e os tomates de um novilho.

e quem é este la¡la¡ lama que nos vem dar falinhas mansas sobre a vida? trata-se de um porco nazista, criado nas frondosas ventosas dos himalaias, que nasceu deus!!, e um porco nazi que nasceu DEUS nã£o tem direito a abrir a boca!, vem com falinhas mansas de bondade e tolerãncia, de pobreza e de humildade, ele!, que nasceu num paí­s onde alguns priveligiados nascem DEUSES! nenhum deus tem o direito a falar sobre a humanidade.

e felizmente os amigos do mao-tsé-tung foram lá dar uma palavrinha aos tibetanos, para eles se encaminharem no caminho do SOCIALISMO e do PROGRESSO . e disseram-lhes: la¡la¡i lamas e monges prá rua!, parasitas da sociedade!, burgueses dum raio!, não querem trabalhar e EXPLORAM o POVO INDEFESO!, cum camano!, isto não pode ser!, jáá parece uma casa de putas este paí­s de parasitas!

falas de calma interior, da felicidade budista, do perdão e da harmonia, mas não passas, lailai, de um menino RICO que com todas as mordomias foi adorado por todos, que foi o centro do universo durante toda a vida, durante toda a vida teve disposta a ouvir-te dizer coisinhas sobre como viver bem, toda a gente á  tua volta, a querer agradar ao PATRÃO, mas que betinho...

engels disse uma vez que o ponto de vista de quem nascia numa barraca ou num palácio era radicalmente diferente. e marx sempre sublinhou que a ideologia era sempre a ideologia das classes dominantes. e quem nasceu num palácio não tem o direito de OPINAR SOBRE A VIDA!, quem nasceu num palácio, num trono, e passou a vida toda a dar conferências para os RICOS, e para os OCIOSOS deste planeta, não tem o direito a falar!

o lailai lama?? com hotéis de luxo e recepções na embaixada?, enquanto as MASSAS PRODUTIVAS dão couro e cabelo para LUTAREM pelos direitos a que têm direito!
-ABSTRUZA ABERRAÇÃO!!!

SIM, abstruza aberração medieval, esta do dalai lama!!, apoiada pelo CAPITAL dos PAÍSES IMPERIALISTAS, apoiada pelo patronato mundial, porque é do interesse do patronato mundial haver deuses que OPIEM O POVO, o dalai lama? NÃO É INOCENTE esse senhor, ao domesticar o trabalhador com a sua ladainha fétida. o lai lai lama é um entrave á  consecução da REVOLUÇÃO.
VIVA O PARTIDO COMUNISTA CHINÊS!, VIVA O CAMARADA MAO TSÉ TUNG! VIVA A REVOLUÇÃO CULTURAL! VIVA A DITADURA DO PROLETARIADO!
o dalai lama...
o dalai lama!!!
-ABSTRUZA ABERRAÇÃO!!!

a arrotar postas de pescada sobre "pobreza", sobre "humildade". LADRÃO!!, enquanto os teus semelhantes estavam a arranhar os cotos na minha, enquanto os HERÓIS DO PROLETARIADO esforçavam-se por aguentar serem instrumentos dos meios de produção, expoliados pelos burgueses!, roubados e humilhados pelos porcos capitalistas, enquanto ocorriam estes crimes que fazia o dalai lama??: discursava teorias baratas de sermos amiguinhos uns dos outros!, e com parlapiés manhosos sobre ética e espiritualidade, sempre pago pelo BANCO MUNDIAL e pelo OURO NAZI da suiça!

Sr. Dalai Lama: o senhor é culpado de conspirar com o Grande Capital!! o sr. éum PARASITA da sociedade, é uma excrescência, e não há lugar para si quando surgir o Homem Novo, quando surgir a Sociedade sem Classes, quando o Estado fôr abolido e o Homem deixar de ser um lobo para o seu semelhante. nessa altura, sr. da¡lai lama, o senhor será FUZILADO pelos humilhados e ofendidos!!
e pergunta aos seus babados leitores se não tiveram problemas reais na sua vida!, se não tiveram filhas abortivas e filhos heroinómanos, se não presenciaram crimes, desavenças, exploração pelos patrões, injustiças sociais, desemprego, complexos de inferioridade criados pela IDEOLOGIA do estado, dificuldades de inserção social, humilhações, ofensas á  sua condição de trabalhadores e de homens!, e tu?!, e tu dalai lama?, que fizeste pelo povo que estava cá em baixo a lutar pelo seu pão?!, com um emprego que não gostavam, com uma famí­lia que não gostavam, que fizeste dalai lama,
sim, que fizeste, responde perante este TRIBUNAL REVOLUCIONÁRIO, responde perante os teus crimes perante o POVO!, que fizeste dalai lama, enquanto as crianças morriam de fome nos campos e nas fábricas?
ERAS ADORADO!, ERAS UM DEUS, enquanto o povo trabalhava com fome!

andavas a passear pelo mundo com os ricos e os opressores, em festas de um luxo indescrití­vel, saracoteando os teus trapos cor-de-laranja de HOTEL EM HOTEL, e os outros? os outros trabalhavam, morriam e sofriam, combatiam o IMPERIALISMO de enxada e de espingarda na mão. os outros sofriam dores reais, enquanto tu laiai, vivias uma vida de aparato e de meditaçãozinha transcendental!, simpatizavas com os pobres enquanto estalavas a língua com mais um acepipe e mais um lagostim com o embaixador!, enquanto vivias que nem uma puta os outros vivia na LUTA. enquanto na fábrica os operários reuniam forças no SINDICATO, tu pescavas codornizes com o reagan, percebes agora parvalhão?, porque é que as MASSAS PROLETÁRIAS te vão lançar a condenação e o opróbio??, poque és culpado de seres um deus!, nasceste labrego nos himalaias mas foste escolhido para ser deus!, SORTE DO CARAÇAS!,

assim também eu CHEFE!, nascer entre lacaios, nascer REI entre lacaios!, assim também eu vinha falar de tranquilidade, se não tivesse que lutar com a máquina e contra o patrão, e enquanto te serviam, milhões de seres humanos escravos ás tuas ordens de menino mimado, os outros lutavam!, chafurdando na vida, com a corda no pescoço, e lutavam chafurdando na vida, sendo muitas vezes MÁRTIRES DA REVOLUÇÃO, e enquanto uns eram devorados pela ESPECULAÇÃO CAPITALISTA tu sorrias como se nada fosse, sorrias de contente a dizer que estava tudo bem e que era preciso perdoar a todos - o que inclui os OPRESSORES, estando assim a contribuir para as forças REACCIONÁRIAS que oprimem e exploram o POVO TRABALHADOR, e assim sendo e incumbido pelo povo de ser o porta-voz deste tribunal revolucionário, e em NOME DA HISTÓRIA, te condeno Á MORTE!

VIVA O PARTIDO COMUNISTA CHINÊS!,

VIVA O CAMARADA MAO TSÉ TUNG!

VIVA A REVOLUÇÃO CULTURAL!

VIVA A DITADURA DO PROLETARIADO!

A surpresa nas pequenas coisas

Nunca pensei dizer isto, mas concordo em absoluto com o senhor P. Rolo Duarte, quando afirma (no DNA de hoje) que «(...) há coisas que nunca mudam. Como a negligência e o desrespeito pelo comum dos mortais.»

Claro que não partilho das preocupações que o levam a este pensamento (cada um tem as preocupações que as suas possibilidades lhe permitem) nem quero dar demasiada importância à constatação do óbvio, mas não deixa de ser uma agradável surpresa descobrir que há certas coisas que são iguais para todos. Como o desrespeito de quem tem por quem não tem ou não pode - infelizmente, um mal demasiado habitual neste nosso Portugal.

Adivinhação de Gastão:

E isto? Quem escreveu isto: «E depois tu sorriste .Sorriste e franziste o sobrolho naquela expressão que só eu identifico ( hà muito que desligaste da conversa, não fazes ideia do que se fala, mas sorri, numa breve cedência ao mundo do outros, que não é o nosso, mas que temos de alimentar) Nessa brecha de liberdade, (...) eu encontrei - te. (...) A dignidade mandou - nos fazer aquilo que era certo, mesmo que ninguém estivesse a ver . E então fizemos . Amámo -nos . (...) Na mesa, a conversa nem sequer, esmoreceu à passagem do amor.» Mais pistas...?

Adivinhação de Ferro:

Alguém sabe quem escreveu isto: «Essa expressão comove - me e move - me, para um universo muito melhor do que este em que vivemos, nestes estranhos dias.Por ti e de ti, espero herdar o despreendimento.»? Em breve, ainda mais pistas?

Adivinhação de Quinto:

E já agora... alguém sabe o que quer dizer «Amámo»? E «Estambul»? Em breve, mais pistas.

Adivinhação de Primo:

Alguém sabe o que quer dizer «despreendimento»? Em breve, pistas fortes para uma solução de ferro...

Tinta eventual

Os peixes só fazem amor à noite

Nenhuma gota de chuva que vemos nos cai em cima

A periferia começa depois da nossa casa

Um casal é a soma de duas inutilidades solteiras

Acasalar não é uma tarefa comum no casal

As balas defensivas têm airbag

A vida real é sempre qualquer coisa pior que só nos dizem para que nos animemos

Quanto mais pequena a terra, maior a obrigação do presidente de Junta estar presente nos funerais

A pedofilia é como os cuidados de higiene: começa em casa

A pedra filosofal vem agora em pastilhas com o Batman desenhado

Gorbachov está para o meu filho mais novo como Eisenhower está para mim

de Eustáquio Pinho, Pensamentos Pendulares, entre Lisboa e Coimbra B, 2002

Ana, ou o fim dos 16

Já vai de nylon malhado
Foges Combro abaixo
Não há incógnito
Tudo são espelhos

As montras, as vitrines
O baton está no canto do olho
A lágrima no canto da boca
Partes o salto
De um salto
Frouxa
Cega

Atropelas um taxi
Em frente
De frente
O teu corpo dá-se ao capot
Entrega-se ao símbolo
E entornas-te
Rubra
No chão

de Eustáquio Pinho, Os Berbequins de Mármore, 1995, Madorna

Princípio da não-revolução

«Quem é que vai dar pontapés no passado
Ou mandar pedras para o futuro ?»

Jorge Palma

21.11.03

É rata

Devido a uma lamentável entorse algébrica, a terceira linha da posta anterior excedeu em 0.01 euros o preço recomendado. As nossas desculpas pelo sucedâneo.

Por Vérbios !

A 2cv dado não se olha a jante.

Filho de peixe tem guelras.

Quem conta um conto conta cinco euros.

A noite é boa com senhora.

A pensar morreu um Politburro.

Longe da vista, mais perto dos óculos.

Impostos? É só impô-los!

Os The Galarzas estão a promover um estudo que visa identificar todas as coisas que na nossa terrinha ainda não paguem pelo menos um imposto.

Não tendo conseguido até agora desenvolver a imaginação suficiente para arrolar qualquer item, gostaríamos de pedir aos «leitarzas» que nos enviem, através do i-mâile, listas (que certamente serão imensas) de todas as coisas que ainda não façam derivar para o Orçamento Geral do Estado qualquer tipo de receita.

Este estudo tem por finalidade procurar fontes de receitas públicas que nós, os The Galarzas, não hesitaremos em usar logo que tomarmos o poder do país.

Corrigem-me...

...os meus irmãos.

Desta vez deixei ficar deliberadamente porque não me apeteceu fazer o devido arranjo.

O meu irmão cardinal que me corrigiu demorou duas horas e dezanove minutos para o fazer.

Patinagem artrítica

Sobe a taxa de abstémios,
Que será dos grémios?
Copos dei, opus não.
Maçons? Pedreiros com pretensão.
Troco guita por cordel, troco tintas pela neve.
E o diabo que os leve e carregue.

Ministérios 16ª. Posta

POSTA MISTA

Há muito que os rumores iam crescendo no Ministério da Economia Grosseira e Desemprego. A Fome ia tomar todos os lugares ministeriáveis e, consequentemente, os funcionários seguir-se-iam. Nada o faria supor, sabendo como sabemos ler as sondagens.

O novo ministério seria eleito através de um sorteio. Reunidos a altas horas de jantar, todos os staffs das candidaturas, depois do empate técnico surgido do sufrágio universal lá da terra, entre as facções. Os partidos e os representantes, desportivamente, apertavam-se as mãos - pensando talvez n'outros pedaços de anatomia -, riam e bajulavam até as paredes num onírico enleio de prazer. Mijavam lado-a-lado nos urinóis da política, à maneira de velhos camaradas de tropa.

Algozes refastelados no belo sortido de vinhos postos à disposição pela companhia das trips baratas, rindo e sorrindo, a cáfila congeminava, conspirava e apostava em resultados tão certos, que até E = Mc2. A animação estava no melhor e prometia continuar para sempre - hoje ganho eu amanhã todos seremos. Os artistas entertainers, de cábula mal estudada, faziam contas ao novo teatro conduzido na mestria do senhor fulano de artista e tal actor de coiso. As máscaras, prontas para as decepções electrizantes e para as derrotas facultativas, traziam todo o seu peso consultivo às costas, jornalisticamente, zero vezes zeros igual a ministério.

Os funcionários dia-a-dia sufocantes comiam das parcas economias que a tortura dava. Eram tempos de mudança. Começava outra dança. Quem riria menor? Noite de eleição nesse tempo era fartote na esquina, houvesse ou não mercadoria suficiente para tanta clientela esfomeada, tivessem ou não à espreita de soporíferos as crianças de natal. Corridos a ponta de pé eram certamente os jogadores de berlinde, o medo da notoriedade obrigava aos mais altos absurdos já que à parvoíce nunca a entrada fora cerrada.

Coisas destas à parte, nas repartições havia um horror, porventura excessivo, pela mudança de cartão. Todos saberiam certamente que Porra = Mc2 e nem a mudança de nomenclatura em Porra traria três a zero em vez de nada. Era puro comodismo a acelerada questão. Funcionalmente, território por desbravar no novel edifício do ministério da Fome.

A eleição corria bem (eleição ou sorteio eleitoral), a disposição era farta e aleatória, conforme as amizades de cada partidário, que a esta hora a independência subia muito alto a 2,35º alcoólico.

Nervosismo à flor da pele, para usar uma boa velha expressão, todos frente aos locais de exposição, os bons trauliteiros a postos para a farrra e para a tolice bestial, uivando levemente por-nú-grafias. Espectantes, olhos na coisa das letras, até que a um ruminar seco a tômbola cuspirá, rosado e esférico o resultado da contenda. Visto e revisto o procedimento, o injúri parcial, declarando em parte pela feracidade, em parte pela segunda dose, impede por momentos a concretização do orçamento. O mal-estar instala-se na orgia. Febre de poucos graus, que a vitória anunciada aos microfones do parlamento de Testado em breve irão transfigurar.

O Partido de antes vence por uma margem absoluta de um bola vermelha contra as outras pretas! Nas repartições, o espólio de regra é repartido por todos os funcionários. As gavetas cheias de objectos pessoais fecham-se num suspiro, alívio supremo de mobiliário.

Os tipos mantêm o gabinete, mesmo que não aguentem às costas uma folha de papel escrito!

O Ministério da Sapiência terá de fazer o inventário das dores e problemas artesanais.

P.S.: FLÉBICO! Só escrevi porque ontem vi no dicionário e achei bonito. Mas não me lembro do significado.

Pedido a São Pedro

Caro santo, deixe de chover no molhado.

20.11.03

Memórias do Inspector Varejeira (1)

«Tem o coração mole» dizia-me o Dr. Armando Tendas à beira da cama enquanto trocava as pilhas do meu pacemaker. Foi este eminente cardiologista quem primeiro ouviu a história que não resisto a contar-vos.

No longínquo ano de 1951 só se falava de campinos, ou melhor, da sua ausência. Em duas semanas, Vila Franca ficara francamente deserta e Santarém tornara-se um túmulo. Nunca se vira tamanho mistério naquelas terras habituadas à modorrenta tranquilidade regular e sem surpresas da rotina habitual e costumeira. Fui destacado para investigar em Março, e em Agosto nada corria ainda ao meu gosto. Um dia, voltando para a quinta já noite, reparei naquela vaca. Havia algo de lúgubre nos seus olhos de carneiro mal morto e nas fezes verdes que expulsava com esforço do seu ventre inchado. A resposta estava ali, mas não me apercebi na altura. Nessa noite acordei sobressaltado e vi a solução do enigma. Saltei da cama e vesti-me, tendo o cuidado de evitar o verde e o vermelho. Duas horas depois, a Vaca Vácuo Rectal, que aspirara por via traseira todos os campinos desse belo Ribatejo, estava presa numa cela a preto e branco. Sobreviveram apenas quatro campinos.

Para o inspector Varejeira não há vacas sagradas, apenas vacas inocentes ou culpadas.

CÁFILA S.A.

Assembleia Geral

( Sessão Ordinária )


Nos termos do Nº. 71 do Artº. 823 dos estatutos, vai reunir pelas 17h 33m do dia 13 de Dezembro na Sociedade monogâmica de Sacavém Centro, rua a seguir ao mercado 3, Nº. 2003 em Azeitão a Assembleia Geral Ordinária com a seguinte ordem de trabalhos:

1 - Apreciação e votação do orçamento para irmos às putas, com direito a apalpar nas tetas das ranhosas, para o ano económico de 2004.

2 - Deflagrações:

a) Peidos
b) Escarros
c) Mijas
d) Cagadas

3 - Devido aos problemas organizativos que alguns dos cabrões nos arranjaram, vão para a puta que os pariu.

4 - Caralho que vos foda a todos ó pulhas de merda. Foda-se esta merda toda, mais a cona das vossas tias.

5 - Ide todos mamar na quinta pata dos cavalos todos do Ribatejo.

Lisboa, 17 de Novembro de 2003

O Presidente da Mesa da Assembleia Geral

Elmano Dentinho

Parabéns

Parabéns ao povo português pelo nova taxa que hoje adquiriu.

Obrigado ao governo de Portugal pela clarividência que levou a criá-lo e pela sua abnegação e grande sentido das verdadeiras aspirações do povo português.

Hádes-me dizer em que é que o vais gastar?

Um homem não é de Ferro!

Afinal o homem tinha razão: isto é mesmo uma cabala... Já o dizia o nosso Ferro, agora também o Michael Jackson o afirma. Começa a ganhar contornos de surrealismo, esta investigação - querem ver que o Preto Mais Branco é amigo da «Catherine Deneuve»?

PS: Diz o porta-voz do Sr. Jackson que «when the evidence is presented and the allegations proven to be malicious and wholly unfounded, Michael will be able to put this nightmare behind him». Confirma-se: ele gosta de pôr coisas behind...

PS2: o advogado de Michael Jackson é Johnnie Cochran, o mesmo de O.J. Simpson...

A cauda da Europa

Estamos mesmo atrasadinhos... Enquanto por cá, nos nossos muros ainda se lê «Reagan go home!», nos muros de Londres, mais avançados, já se pode ler «Bush go home!». Isto sim, é modernidade.

Aconteceu, sim

António Lobo Antunes, em entrevista ao DN:

«Como é que uma pessoa que não escreve consegue suportar o absurdo da vida?»

«Como ter o direito de exigir qualidade se se paga miseravelmente ou se paga pouco. (...) todos são mal pagos. Nós, portugueses, somos admiráveis, vivemos do vento.»

«Os portugueses mereciam melhores escritores.»

«O próprio do homem é viver livre numa prisão.»

«É evidente que o meu coração não está com este governo, mas o meu drama é que o meu coração também não está com nenhum dos partidos da oposição. Não me interessa este Partido Socialista, acho trágico este Partido Comunista. O drama para as pessoas verdadeiramente de esquerda é que são apátridas, a gente vai votar em quem? (...) Mas existe em mim uma grande desilusão porque ninguém gosta que lhe destruam os sonhos. Digamos que sou um órfão da esquerda.»

«A cultura assusta muito. É uma coisa apavorante para os ditadores. Um povo que lê nunca será um povo de escravos.»


É por estas e por outras (vide posta anterior) que é com honra desmedida que entregamos a António Lobo Antunes o título de ALA Galarza! Saravá, senhor escritor.

Aconteceu

António Lobo Antunes, no lançamento do seu livro «Boa tarde às coisas aqui em baixo», após intermináveis dissertações de outros ora dores:

«Vou ser breve pois devem estar cheios de fome e ainda me comem a mim, prestes a tornar-me churrasco debaixo destas lâmpadas infernais

(o regresso do) Poema de Mestre Nestor Alvito

O último percevejo que vejo

prevejo
que desejo
um percevejo

lambuzado
descaroçado
e avinagrado

para saborear
na sala de estar
onde vou perdurar

(in «Lotaria Popular», Edições Jesus Em Teu Ventre, 1977)

19.11.03

URGENTE

Procuro emprego muito bem remunerado, onde não sejam exigidos cursos, conhecimentos, esforço nem assiduidade.

Contactar Quarto Galarza através dos meios habituais.

Frescura Orçamentol

Quem escreve assim não é gado. Mas deleita.

Fuck off, old chap

«Bush Enfrenta Uma Cidade em Ódio Durante Quatro Dias»

Bagdad?
Teerão?
Pyongyang?

Não.

Londres.

Iraque 2005

O presidente americano Arnold Schwarzenegger faz hoje uma visita relâmpago a Serpa para conferenciar com o Primeiro-ministro Nicolau Breyner. O único assunto em agenda é o comportamento da G.N.R. no Iraque.

A inesperada visita terá sido precipitada pelos acontecimentos de ontem, quando um pelotão americano foi surpreendido numa operação-stop montada pelos guardas portugueses que resultou na apreensão de todos os tanques do grupo.

Segundo fontes do governo americano, os militares portugueses passaram já multas de trânsito no valor de 760 milhões de dólares e apreenderam cerca de mil e trezentos veículos, na sua maioria americanos.

O governo português mostra-se renitente em alterar o papel dos seus militares no Iraque, pois segundo um assessor do Ministro da Defesa, Jorge Nuno Pinto da Costa, «as multas no Iraque são já a maior fonte de divisas do país».

Grandes pensamentos anónimos da humanidade

A diferença entre o homem e a mulher é pequena, mas aumenta quando ela se aproxima.

A mulher está sempre ao lado do homem para o que der e vier. Já o homem, está sempre ao lado da mulher que vier e der.

Se o amor é cego, a solução é apalpar.

Se ainda não encontraste a pessoa certa, continua a comer a errada.

Nunca desistas do teu sonho. Se acabou numa pastelaria, procura noutra.

Se saíres de casa e notares que um pombo cagou na tua cabeça, relaxa e pensa na perfeição da Mãe Natureza, que deu asas aos pombos e não às vacas.

É fazendo muita merda que se aduba a vida.

A vida é como um rolo de papel-higiénico: quanto mais perto do fim, mais depressa passa.

Sê porreiro com os teus filhos. São eles que vão escolher o teu asilo.

Todos os cogumelos são comestíveis. Alguns só uma vez.

Doc, o mentário

José Fonseca e Costa foi convidado para realizar um documentário sobre a selecção nacional.
Chamar-se-á Kinas, o mau da finta.

18.11.03

Ministérios 15ª Posta

Ministério da Culpa

Aviso:

Está aberto concurso público misto para provimento de cinco vagas de técnico superior apontador especialista de generalidades e um técnico auxiliar, para serviço na sede desta instituição sita na Cruz das Oliveiras 150-C.

Dá-se provimento a pessoas de muita confiança.

Ministérios 14ª Posta

Ministério da Culpa

Gabinete de Sua Excelência o Senhor Ministro

Divulgação monumental:

.1 - A culpa é dos outros.

.2 - Não faz parte das competências do Ministério da Culpa arrolar soluções para os problemas que lhe sejam legitimamente apresentados, senão somente apontar direcções.

.3 - Este ministério não tem intenção de se imiscuir na indústria das agências matrimoniais, pelo que reserva o direito de não fazer referências ao estado civil da nossa realização.

.4 - A culpa carece de explicação especulativa suplementar.

O meu Sonho .81 (variação em GNR)

Lido no Diário Económico de 13 de Novembro 2003, «Coluna Vertebral», por João Paulo Guerra:

TALVEZ SONHAR

«Maria Almeida, soldado da GNR, partiu para o Iraque porque tem o gosto pela "aventura". O enfermeiro Celestino Seco seguiu viagem porque estas são "experiências únicas". O guarda Guedes embarcou porque "sempre teve este sonho".»

Logo, o Sonho do guarda Guedes era ir para uma guerra no Iraque.

Os gregos e a sodomia (cont.)

Delta-te
Thetas
Lambida
Tau-tau
Omegay

Os gregos e a sodomia

Alpha rabista
Beta dine

Nota do Infrator

Quem ri por último, ri sózinho!

17.11.03

Sado-ignorante

Por exemplo: estou de folga e doente. Logo, o meu chefe é um sado-ignorante.

Vai uma a postinha:

4 jornalistas na Síria:

RTP (uma TV, do Estado)
RDP (uma rádio, do Estado)
DN (um jornal, no estado Lima)
LUSA (uma agência, do Estado)

O erro é nosso

Os militares da GNR não deveriam estar no Iraque.
A ordem é que estivessem na Síria.
Daí os problemas que têm causado.

A Sanguessuga Gulosa contra o Mexilhão, parte II

Venho só acrescentar uma coisinha à posta abaixo, tudo porque enquanto a lia me lembrava d'Os Imortais, filme bem engraçado de António Pedro Vasconcelos, onde Rui Unas a páginas tantas conta a seguinte piada:

«(...) lá 'tava o gajo a ser enrabado e nisto mete-se o Mutombo por trás e começa a passar Vic Vapor Rub na bilha do outro; o outro mete o dedo no cu, leva-o ao nariz e cheira-o. Espantado, diz:

- Epá, qu'esta merda?! Vic Vapor Rub?!

Responde-lhe o Mutombo:

- Sim, que eu não te quero foder os pulmões.»

Quinto! Amigo, camarada, companheiro, pá!, não desanimes! Pelo menos tu tens bacalhau com natas para comer e continuar a engordar, ao contrário dos nossos camaradas GNR em Nassíria, que vão ser obrigados a comer todos os dias Cozido à Italiana, Carne de Porco à Carbonara e Iscas com todos.

E Deus disse...

Nota: baseado num mail verídico.

Deus disse: «Que cresça a erva, que a erva dê semente, que da semente cresçam árvores e dêem frutos.»
E Deus povoou a Terra com alfaces e couves-flor, espinafres, milho e vegetais verdes de todas as espécies, para que o Homem e a Mulher pudessem viver longas e saudáveis vidas.

E Satanás criou o McDonald's e a promoção dois BigMacs por cinco euros.
E Satanás disse ao Homem: «Queres as batatas fritas com quê?»
E o Homem disse: «Na promoção, com Coca-Cola, ketchup e mostarda.»
E o Homem engordou cinco quilos.

E Deus criou o iogurte saudável, para que a Mulher pudesse manter a forma esbelta de que o Homem tanto gostava.
E Satanás criou o chocolate.
E a Mulher engordou cinco quilos.

E Deus disse: «Experimentem a minha salada.»
E Satanás criou os pratos de bacalhau com natas e marisco.
E a mulher engordou 10kg.

E Deus disse: «Enviei-vos bons e saudáveis vegetais e o azeite para que possais cozinhar de forma saudável.»
E Satanás inventou a gordura saturada, a galinha frita e o peixe frito com muito óleo.
O Homem ganhou 10 quilos e os níveis de colesterol bateram no tecto.

Deus criou sapatos de corrida e o Homem perdeu os quilos extras.
E Satanás criou a televisão por cabo com controlo remoto para que o homem não tivesse de se levantar para mudar de canal.
E o Homem ganhou mais vinte quilos.

E Deus disse: «Estás a passar dos limites, Demónio.»
E o Homem teve um ataque cardíaco.
E Deus criou a intervenção cirúrgica cardíaca.
E Satanás criou o sistema de saúde português.

Mas Deus salvou o homem dando-lhe uma nova oportunidade.
Aí Satanás criou o PSD.
O Homem acabou por eleger o Durão Barroso.
E Deus disse: «Pronto, agora é que fodeste tudo...!»

Nota 2: Qualquer semelhança com a realidade não é pura coincidência. Segundo Roosevelt nada acontece por acaso, e se assim parece é porque foi planeado para acontecer.

Nota 3: Os The Galarzas voltam a lembrar que não têm qualquer cor clubística, mas que se fartam de rir quando estádio a Norte são inaugurados com relva tão má quanto os estádios a Sul. E viva o Nacional de Montevideu, que desta vez não partiu nada e até fez uma festa bonita.

Deferimento

O documento que se segue foi inteiramente produzido pelo excelentíssimo senhor Pardal Maluco, pelo que nos irresponsabilizamos completamente da sua forma e do seu conteúdo.

«Exmº Senhor

Henrique Alexandre Soares suplementares de Cartografia dos dias vem requerer o gozo direito ao abrigo do regulamento Oficinal, em vigor por gozo de cinco férias no ano transacto Especialista em época baixa Bemposta, a que tem, no período de Canseira 2 a 9 de Dezembro Técnico do ano de férias corrente, em virtude.

Pede deferimento»

Adeus à Feijoada

Os militares da G.N.R. do contingente destacados no Iraque já estão a jantar. Da ementa faz parte «macarrrão com peixe grelhado, ou como opção filetes de frango».

É o adeus à Feijoada e ao Cozido à Portuguesa e o olá à Carbonara.

O disse-o-nário não mente

Entre Burlesco (grotesco, ridículo, zombeteiro) e Burricada (ajuntamento de burros), vem a Burocracia e os Burocratas.

Uma família unida, pois claro.

Vrooommmmm!

É curioso como uma nação recheada de condutores exímios e dados às grandes velocidades demora tanto tempo a ultrapassar a crise.

A Sanguessuga Gulosa contra o Mexilhão

Hoje fui às Finanças. Erro grave e violento! Lá, soube que, por causa da incompetência natural do português bem encaixado na sua poltronazinha um centímetro acima dos outros, tenho que pagar de volta aquilo que dizem que nem sequer devia ter pedido, mas que só pedi porque os incompetentes do Estado me disseram que tinha que pedir...

Ora, depois de um ter dito que era de uma forma... outro ter dito que não, que era de outra maneira... de um terceiro ainda me ter dito que afinal era de outra forma ainda... e um quarto ter afirmado que sim senhor, mas tem que fazer mais isto... afinal não era nada disso, disse-me o trauliteiro das Finanças que me calhou hoje!

Mas será que eu tenho que levar com a incompetência gregária dos outros? Será que a sanguessuga que é o Estado acha que os contribuintes que lhes pagam a água de rosas com que os senhores do Governo e das Finanças e das putas das Direcções Gerais dos Chulos e dos Corruptos da Nação lavam a peida não têm mais nada que fazer do que pagar e calar e lavar com a língua a merda que fazem os senhores que têm a mania que tuda sabem?

A sanguessuga gulosa come, come, come e quem se fode é o mexilhão, não é? Eu digo-lhes! Eles que vão limpar o recto com o papel higiénico de seda importada da China paga com o meu dinheiro e debruar a peida a ouro. E se o dinheiro que me roubaram ainda der para isso, que se alimentem pelo ânús de um falo gigante, forrado a espinhos, que lhes atormente os intestinos e faça a merda que cagam sair-lhes pela boca!

Eles que continuem a roubar, porque o que interessa é o dinheiro e o importante é não dizer nada ao cidadão, que assim ele não sabe, deixa passar os prazos que não lhes dissemos que havia, tem que pagar o que deve, mais a puta da multa, mais a merda dos juros... e se fôr à falência, não interessa - a culpa é do cidadão, que não se informou! Não se informou, o caralho! Não o informaram! Não lhe souberam explicar! Não tiveram formação para isso! Disseram-lhe tanta coisa, tão diferente, que era como traduzir um filme russo para chinês para ver se o grego percebia. E o grego (o cidadão) viu-se ainda mais grego...

Fôda-se este país de chulos e corruptos e burocracias filhas-da-puta! Eles, por mim, que se fodam: nem mais um tostão para o Estado! Eu, por mim, vou emigrar.

Exclusivo The Galarzas


O novo aspecto de Saddam

«O ex-presidente iraquiano, Saddam Hussein, "mudou de aparência física" e encontra-se ainda em território iraquiano, onde dispõe de "numerosos lugares para se esconder", declarou este domingo o presidente do Conselho de Governo transitório iraquuiano, Jalal Talabani, em declarações à CNN.»

Foto de Maria João Ruela em campanha do Governo:

Já Reparou Que Não É Só Em Portugal Que As Estradas São Um Perigo?

José Mourinho pode substituir Rumsfeld

Pode. Ninguém está a dizer que vai. Mas pode.

Pauliteiros de Miranda vão para o Iraque

LISBOA (HOJE) - Um grupo de 344 pauliteiros de Miranda segue esta tarde para Nassíria, onde terá como tarefa proteger e acompanhar as missões da GNR, já no terreno.

Os pauliteiros de Miranda estiveram em treino secreto em Miranda do Douro e Miranda do Corvo, bem como alguns em Mirandela. Os pauliteiros irão armados com os ditos e descalços. «Tentamos assim evitar assaltos, pois não levam nada valioso», disse o ministro dos Assuntos.

O mesmo responsável admitiu que a partida dos 40 campinos e das 300 cabeças de gado para a região de Bassorá poderá ser adiada por mais um mês. Mesmo assim, frisou, «o seu papel será enquadrar as milícias nos rebanhos e leva-las aos curros».

De partida está também o General Ramalho Eanes, a bordo do navio-escola, que tentará subir o Tigre ou o Eufrates ou voltar para trás assim que lhe digam «Akilo Papa Kulo», como aconteceu na missão a Timor.

Donsdipassãu



Começou no Quarto
Que estava frio
Doiam-lhe as costas
Sentia arrepio

O Quinto assoava
Na sua pele macia
O nariz que pingava
Para uma sala vazia

O Primo, sem querer
Lá apanhou a maleita
O que há a fazer...
É chá quente e muita deita

E se o Cesto apanhar
Igual enfermidade
Peça ao Terceiro pra selar
Com ele bela amizade

Só assim a gripe firma,
Consquista o seu lugar.
Digam lá: não é poético
Escarrar e galarzar?

16.11.03

A outra face da Guerra

Dijei, pois.

Foi, como diz o nosso Cesto, um grande e osso plano kinkynal. A primeira sessão de DJing de DJ 5º (aka DJ Schizo) foi um sucesso, medido apenas pela lotação: das três pessoas presentes na pista, nem uma delas saiu a meio...

A todos, um valente saravá deste sempre vosso Dijei.

Pê-éSse: para replicar aos numerosos pedidos recebidos na nossa caixa e-postal depois da referência do meu mui querido Cesto, aqui deixo apenas um apanhado do primeiro alinhamento dijeico com a marca galárzica...

Lions Club - The Throne Room from Star Wars (Rocksteady Mix)
Eels - Flyswater (Polka Dots Remix)
Leonard Nimoy - The Ballad of Bilbo Baggins
Madalena Iglésias - Ele e Ela
Pizzicato Five - The Girl from Ipanema
Residents - Kaw-Liga (Housey Mix)
The Cast from South Park - Blame Canada
Conjunto Mistério - Alecrim
The Fools - Psycho Chicken
...e por aí fora.

Dijei debocha justixa.

Cumpriu-se ontem lá mais prá noitinha mais um grande e osso plano kinkynal.

Embora, por razões totalmente alheias e esporádicas, parte da família Galárzica tenha apreciado apenas a fase pós-escoital, lendo o relato do evento percebe-se que o nosso Quinto massajou em grande estilo os pavilhões auriculares presentes na zona da Bica, ali mais à esquerda de quem desce e vice-versos para quem sobe.

Quem dijeia assim não é gago, é o nosso Quinto.

Kurd nadas políticas

A direita é uma tortura, a esquerda é sinistra mesmo sem ser italiana, o centro descai.

15.11.03

Obrigado

Por vezes ouço falar uns senhores que me irritam de tal maneira que só me apetecia obrigá-los a recitar as páginas amarelas todas em todas as línguas, ad infinitum, sem intervalo para ir à casa de banho. A dos E.U.A., a da República Popular da China, da África do Sul e por aí fora. Na falta de não poder fazer-lhes isto vou simplesmente, só a título de exemplo, exortar uma personagem que muito admiro:

- Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, vá à merda com um pauzinho! Obrigado pelos inconvenientes causados. Já agora se não for pedir demais, podia levar consigo o Sr. Luis Scolari?

Cherne e a queda da uva

Soubemos de fontes mal paradas que o Cherne não é mais servido com Uva. Agora, só em pratos separados. Se ela teve coragem, tenhamos nós também. Como se metem os papéis para o divórcio, mas com todo o Governo?

O Iraque

Visto de esquerda: ZNet
Visto de direita: National Review
Visto de cima: De cima
Visto por eles: Electronic Iraq

Obrigado T&Q, já cá canta a massa

The Galarzas declaram, para os devidos efeitos, que Rui Reininho entregou numa mala castanha esta noite a quantia de 450 mil escudos em moedas por ter saido a sua foto no jornal Tal&Qual, página 25 da edição desta sexta-feira, tal como prometido.

Há 20 anos que Rui Reininho não aparecia neste destacado semanário.

14.11.03

De Bate

Muito se tem escrito por aí sobre a tese de Augusto Pina Travassos. Não querendo alimentar polémicas estéreis, sentimos ser nosso dever deixar bem claro que:

1) Permanece por provar que o eclipse de 1023 se deva à interposição da lua entre o sol e a terra, ou a outras razões.
2) Um acidente com inimigos pode originar uma declaração amigável.
3) Água e azeite não se misturam, embora a agitação vigorosa do recipiente possa provocar uma emulsão falaciosamente uniforme.
4) Sismos e cismas são distintos embora ambos provoquem turbulência.
5) A electricidade estática pode ser bastante dinâmica.
6) O cigarro e a cigarra apreciam o ócio.
7) Qualquer número multiplicado por dois tem como produto o dobro.

Convictos da validade dos nossos argumentos, encerramos de vez este debate.

O meu Sonho .80

O meu sonho era comer uma entremeada merecedora de ir ao Fantasporco.

Ai ai, ai ai, ai ai

A fauna de Porto Rico
Tem quatro penas no bico
Três bocas no meio da cauda
Orelhas como as do Lauda

Os carapaus têm pernas
As galinhas são ferozes
Os ursos pintam cavernas
As minhocas comem nozes

Os pinguins da nação
Passam multas no Iraque
Os pintos comem cação
Os tubarões fumam crack

Se um inglês curioso
Pergunta pelo Pedroso
Eu nunca jamais complico
Falo logo em Porto Rico

Se um francês à traiçoeira
Me vem falar da cimeira
Nunca em tempo algum me pico
Apresento Porto Rico

Se um japonês insistente
Acha o cenário demente
Eu pego no mapa e explico
Onde fica Porto Rico

O meu Sonho .79

O meu sonho é aparecer no Correio da Manhã.

Mail verídico

Uma conhecida empresa de viagens, cujo nome os The Galarzas se escusam a divulgar (mas que começa por L, termina em R, e tem as letras ifcoole no meio) enviou hoje uma newsletter para os seus clientes (e amigos?) com o seguinte subject:

Descobrir Bragança e o Regresso da mini-saia.

Os The Galarzas duvidam que o mesmo subject esteja, de alguma maneira, relacionado com a revista Time, o Governo, ou o El Niño.

1949- Morre, em Coimbra, o poeta António Aleixo

Os meus versos o que são?
Devem ser, se os não confundo,
pedaços do coração
que deixo cá neste mundo.

in Este Livro Que Vos Deixo

(Biografia do poeta editada pela Âncora, de António de Sousa Duarte e outros)

Poema de: José Gomes Ferreira

(Fui ao Bairro da Lata da Quinta do Alto assistir à representação de «A Sapateira Prodigiosa», de Lorca. Os ratos espavoridos esconderam- se nas tocas.)

Se eu vivesse neste Bairro da Lata
não punha tecto
no meu barracão
feito por um antiarquitecto
com bidões de gasolina
telheiros de papelão
farrapos de coiro.

Preferia passar as noites a olhar para as estrelas
à espera que nascesse o sol com raiva masculina
redondo como um pão
a saber a oiro.

in A Poesia Continua, Moraes Editores, 1981

13.11.03

Sim senhora!

Segredos de Poli-Lon

- Manuela Ferreira Leite não lava os amendoins para poupar no sabão.
- Marques Mendes só sai de casa com o calcanhar de Aquiles.
- Mota Amaral fala.
- Marcelo Rebelo de Sousa não dorme no cinema.
- António Costa só lê nas entrelinhas.
- Morais Sarmento quase nunca usa lingerie.
- Jorge Coelho é contra a caça.
- Durão Barroso tem uma gravata vermelha emprestada por um forcado amador em 1974.
- Paulo Portas é ele mesmo.
- Miguel Portas não quis participar no Big Brother Famosos.
- Álvaro Cunhal mora ao pé da minha escola.
- Amílcar Theias tem as unhas feias.
- Narana Coissoró troca euros por gasolina.
- Elisa Ferreira tem um buraco na carteira.
- Dias Loureiro só usa óculos com visão raio-X.
- Duarte Lima disfarça uma farta cabeleira ruiva com uma careca postiça.
- Bernardino Soares só gosta de charutos franceses.
- Leonor Beleza coça as costas nas quinas das portas.
- Carlos Carvalhas tem saudades dum Mini velho que abandonou às portas de Benfica.
- Ferro Rodrigues tem um nome pesado.
- João Alves e Artur Semedo nunca andaram de mãos dadas.

Ir Áque

Os The Galarzas souberam esta tarde atravás da fonte mal tratada, que o governo de Portugal só não se comprometeu com as Nações Unidas a enviar todos os portugueses para a República do Iraque por causa dos incêndios do Verão passado.

As contas da Dra. Manuela quem as paga não é ela

«As contas da Dra. Manuela quem as paga somos nós», diz a deputada Leonor Coutinho no Público de hoje. Ora aí está o que é!

Eu Odeio Isto V

Anda por aí­ a correr um mail com um filme em flash a gozar com o The Matrix, chamado The Meatrix. Com a simpática analogia ao filme dos irmãos cujo nome é impronunciável, os senhores do The Meatrix exortam-nos a ter cuidado com o que comemos, pois pode ser carne vinda de «production farms», onde os animais estão acomodados em condições impróprias e mantidos a comprimidos e rações feitas de não sei quê e o diabo a 7.

Não enviem estes mails. Não é um pedido, é uma ordem.

Não enviem estes mails porque vocês não sabem de onde vem a carne que comem e não se preocupam. Da mesma maneira que não sabem de onde vem a carteira de couro, de que são feitos os sapatos que calçam, ou como é feito o vosso carro, o quanto polui e, já agora, como são feitas as bolas que vão ser usadas no Euro 2004.

Não sabem e não se preocupam.

Mas quando abrem os olhos, nem que seja só uma nesgazinha e só por 2 segundinhos, cai o carmo e a trindade.

Eu prefiro não saber de onde vem o que como, o que visto e o que calço, nem saber de onde nem como é feita a bola do Euro 2004.

Eu gosto do comodismo e tenho certeza que vocês também.

Caso contrário, damos todos uma de hippies e vamos viver para uma quinta biológica, ouvir Janis Joplin e viver sem DVD, CD, PS2, carro e casa nos arredores de Lisboa (tudo pago em suaves prestações mensais).

O Grande Titulador

Os The Galarzas gostavam de saber quem é o Sr. (ou Srs.) que inventa(m) os títulos e as manchetes do grande jornal da actualidade nacional. Era só para lhe dar os parabéns e um valente saravá por mais uma excelente mostra de enorme consciência política, social e mediática, que hoje enche a primeira página do brilhante pasquim. Eis a tonitroante manchete do 24Horas de hoje:

És Durão, mas ficas cá!

Grande, grande foi a viagem

E lá foram os GNR para esse país longínquo com nome semelhante a um fruto.
Chegaram bem ao Kiwi mas a jorna foi do melhor. A saber (e isto é verdade):

- O filme a bordo foi o «Missão Impossível»
- O comandante da Air Luxor, para animar a malta, disse qual tinha sido o resultado do Benfica. Nunca a moral tinha ido tão abaixo.
- Mas logo, depois de «Camacho cabrão» e «são uns coxos», um militar sacou da viola e começaram a cantar.

Ainda acham que os GNR estão tramados? Acho é que os iraquianos vão desertar.

Por ser verdade,

12.11.03

Mas, que vão eles fazer para o Iraque?

Quem falou em punk-prog?

Em breve, iremos debruçar-nos sobre um novo e emergente género/estilo/rótulo musical que muito agrada aos The Galarzas (embora não nos sintamos incluídos na prateleira [apesar das muitas referências em grande parte da nossa musicalidade]): o punk-prog. Atentem, que vale a pena!

Consul Doutor Sem Ti Mental

Começando pela carta do fim que recebemos aqui há atrasado da sô dona Mariza Cruzes:

- Pois é minha amiguinha, parece que tens aí um bico para resolver nessa obra. Mas olha, eu cá se fosse a ti já que vais em digressão aos E.U.A., cantava a música dos Xutos e pontapés que se chama N' América. Tem é cuidado com os G.I.'s que andam de licença e à solta ao fim-de-semana, não vão eles querer cantar-te o Sémen.


Ao amigo Leonardo de Avintes:

- Caro amigo Leonardo o teu problema é que não consegues assentar a tua vidinha. Isto é, até consegues, só que agora andas para aí com dúvidas em relação às bases em que te hás-de estabelecer. É uma porra quando isto acontece e está uma pessoa tão bem descansadinha da vida. Mas ainda assim gostaria de te aconselhar a talvez consultar umas aulinhas de pintura. Talvez quem sabe uma escola de belas artes. Dizem que as aulas de pintura de nus são muito profícuas.


Ao Sr. Leitor de vida e mente dentificado:

-Não nos explica este leitor se é de jardineira ou de jardineira que nos fala, no entanto vamos fazer o possível para ajudá-lo. Caro Leitor, se você quer dizer que não aprecia jardineira, isso é bem fácil de resolver. Coma chanfana ou grelhados, há por aí uma enorme variedade de formas de comer a vaca. Não se preocupe mais e não faça disso um bicho com mais cabeças do que as que são precisas. Se por «nunca apreciei jardineira» quer o senhor dizer que o seu prato preferido é jardineiro, bom, isso quer à partida dizer que de facto você é mesmo fanchono. Mas deixe lá, que isto como dizia a minha tia avó «antes a faxina que o fanchono».

Insultos pelo jornal?

No canto superior esquerdo da primeira página do Correio da Manhã de ontem:

Hoje: Vaca

Poema Trapalhão em Brasileiro

Mas qu'é qu'eu vejo,
qu'é qu'eu vejo?
Uma cobra, um jacaré
e um percevejo...

Afurismos II

A estante é o Móvel da Literatura mais popular.

Afurismos I

Um dromedário promíscuo gosta de bossa nova.

Com Sultório Sem Ti Mental

(1)
Pre-Zados Galarzas

Sou horticultor desde os dezasseis anos, mas nunca apreciei jardineira.
Serei fanchono?


Leitor de vida mente e dentificado

(2)
Gajos Galárzicos

A minha vida é pintar, adoro a arte do estuca/retoca. Quando me pedem parede branca, estou-me nas tintas. Agarro no pincel e pinto a manta. Mas ultimamente assalta-me uma dúvida.
Tinta de água ou tinta de óleo?


Leonardo de Avintes

(3)
Galarzíssimos e alteradíssimos

Começarei brevemente a minha digressão pelos E.U.A.
Devo abrir os concertos com «Ai, Mouraria» ou com o «Guantanamerda»?


Vossa
Mariza Cruzes

Classificados

Troco epifania crónica por artrose galopante.
Resposta à enfermaria 4.

O meu Sonho .78

O meu sonho era cultivar erros hortográficos.

Faltam...

...alguns meses para o Erro 2004.

Resposta a Eustáquio Pinho

Quem?

Quem és e eu que sou?
Serás eu, serei tu?
Seremos ambos nós
ou apenas eu e tu?

Quem sou e tu que és?
Serei pintor, navegador?
Serás artista, marinheiro,
ou antes divagador?

Quem somos, que seremos?
Seremos ainda o que fomos?
Serei sempre eu e tu
ou serás tu e eu de novo?

Quem somos? E por quanto tempo
seremos esta incógnita?

de Mestre Nestor Alvito, in «Travessa do Ferragial», edição de autor, 1979

Elogio a Mestre Nestor Alvito

«És tu»

Sei que és tu
Quando a porta bate
E tu tens as mãos nos bolsos

Sei que entras
Pelas janelas, porque
És como o sol

Sei que saltas
Nas páginas dos livros
Porque descolas os cadernos

Sei que finges
Que de nada sabemos
Mas traimos-te

Se nos enganas, a nós te enganamos
Serás tu que não fosses
Ainda que o queiras ser

E o contrário é mentira
Se não fores tu, inspirador
A dizer

de Eustáquio Pinho, A Madura Tinha Poros, Almoçageme, 1975

Espera

«A espera»

Imagino um mundo imenso
de homossexuais
homens
uma bicha enorme
a que chamássemos,
de forma cordial,
e por todos estarem encostados e
nús,

filamento.


de Eustáquio Pinho, A Noventa Conta, 1967, Praga

(pôrra, outro) Poema de Mestre Nestor Alvito

Chama(mento)

Labaredas, ó labaredas
Saltem ávidas pela janela
Digam ao senhor da livraria
Que a noite já chegou e chama por ele
Entre os lençóis da senhora
Do senhor da livraria

Labaredas, ó labaredas
Cantem hinos de picar-o-ponto
Lembrem ao homem do talho
Que o dia já morreu e foi embora
Dormir com a mulher
Do homem do talho

Labaredas, ó labaredas
Soltem risos e gritos e ais
Avisem o mestre relojoeiro
Que o tempo já passou e pede sua presença
Entre os demais aprendizes
Do mestre relojoeiro

11.11.03

Uí tu (párt tu)

Aproveitando a deixa do meu irmão Primo, e a propósito da posta anterior, deixo eu também aqui o seguinte Pós Escrito: vide Tabaco Só Ao Balcão.

Uí tu



No i-meil, da noça leitoura Margarida, que nus manda inda a çeguint mençagem: "+ ls Beijinhos". Que quer diser ichto?

E prontos...

Chegou ao galárzico mail a seguinte missiva, que aqui replicamos - pois não só nos enche o ego de medidas pouco usuais na nossa modéstia, como nos permite aperceber na elogiosa estatura mental dos nossos três leitores.

(Antes ainda, contextualize-se o i-meile: esta é a segunda mensagem electrónica de hoje deste nosso aprazado leitor e vem na sequência de uma primeira, enviada com apenas alguns minutos de antecedência, em que sugeria uma posta para o nosso tabaco. Feito o reparo, dois pontos, abrir aspas)


desculpem incomodar de novo.
Desta vez a propósito do blog-mãe (ou pai?), gostava de dizer q descobri q a senhora da foto-mistério é a deputada Maria Cristina Vicente Pires Granada, eleita pelo círculo de Castelo Branco (só vocês me fariam andar a ver os retratos de todas as deputadas por ordem alfabética até ao M).

Gostava também de perguntar se no texto de hoje, intitulado Cráxy Vásnyvli, não faltará uma vírgula no 2º parágrafo, entre vint e quest - é q tira todo o sentido à frase, não acham?

renovando os cumprimentos e a admiração
RA

E prontos - com esta vos deixamos, nossos queridos. Boa noite e bons livros. E para o nosso vencedor, um saravá de prémio e uma valente palmada nas costas (para não dizer um «ó homem, mas você não tem mais nada que fazer senão andar a perder tempo nos linques ali à direita?»).

Cráxy Vásnyvli

VÀtn´vn Norrtilptp Blobser cavendish castelnogn. Abe letrovinh gástrpode brimbaú, navila gadïa altmetrent po gatsto metra vaga Chuca, at nem plifà gast nitzavïèdie. Reumàtliú Rombo tugstã rom ba hustippo velia¨n brovençal.

Hüter grungle Ravanelli blendle póvia grhhoche at vig lhdte, Lÿv giueng sherpa plin Cóf, Cóf, Cóf, trªrju. Cast lend bakkk pwer vint quest bojga, ça lieri, zbnre eiuyrt gçlity reuters Gong.

Gong gieur sorieu aeqyh pdytr nkoset lkdhftop, Poshten morguyen ÿ yref poithjhcf ewtjbua paf! Ràt nâo mara Lei, zaqiu poder Yughunhg?

Nroiudv çlash cavendish, remocrát fasho. Cát càt töma Yul Bryner.

O Governador Implacável

Prescrito e Reatiçado por Arnaldo Schuárzenéguere.
Com interpretações (salvo seja) de Silvestre Estalão, Sáli Filde e Sandra Buldógue.

A história da ascenção sem queda de um modesto e ingénuo actor austríaco ao cargo mais importante da sua vida - não o de injustamente nunca oscarizado comediante, não o de marido fiel e pai extremoso, mas o de Governador do mais importante Estado norte-americano: o Kentucky! O filme relata ainda a dura batalha travada entre Schuárzenéguere e o jovem yuppie Jorge Dâblí­u Bushe no Campeonato Estadual Gramatical, com um desfecho imprevisível...

Encarado pela crítica como auto-biográfico - facto activamente negado pelo autor e realizador -, «O Governador Implacável» tem Silvestre Estalão no papel do pequeno Governador Arnaldo Schuárzenéguere e Sáli Fi­lde como a sua mulher Maria Chivas Kennedy. Sandra Buldóque é São Martinho, personagem que representa as várias vítimas («dizem elas, na altura não se queixaram!» diz o autor) dos avanços de Arnaldo.

Já se fala não em sequelas, mas em réplicas, tal o terramoto causado por esta obra única do cinema iraquiano!