Galarza Noir IV
Vinte minutos depois da noiva traída sair, segui-a discretamente.
O bom sabujo mantém sempre a distância na perseguição.
Deixei que as narinas me guiassem e dei por mim na Churrasqueira Sousa a olhar para uma fiada de frangos em trajes menores. Senti-me como um camone que apanha um táxi do aeroporto para a baixa e acaba em Badajoz a comprar caramelos.
Mas ela estava lá, na mesa do canto, de costas para mim. Nunca deixo de me maravilhar com o belo recorte da costa portuguesa. Passeei os olhos pelo litoral vicentino e fui subindo, mas ao chegar a Viana esbarro num atentado paisagístico. Um tipo com um par de olhos mínimos num corpo XXL sentado em frente de Menina Imoça, olhando-a com a expressão religiosa de um banqueiro no cofre-forte.
(mais tarde ou mais cedo, é capaz de continuar)

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